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W.H. Auden – Blues fúnebresW.H.Auden nasceu na Inglaterra em 1907, e é considerado um dos maiores poetas ingleses do século XX. Era também ensaísta , dramaturgo e… viajante. Esta última característica, inclusive, marcou grande parte de sua produção poética. Auden sempre foi admirado pela capacidade de escrever poemas com estilos diferentes. Meu primeiro contato com sua obra foi por meio do filme “Quatro casamentos e um funeral”, produção inglesa de 1994, no qual, durante um velório, o poema que hoje posto é recitado. A tradução é do escritor Nelson Ascher, que procurou recuperar a métrica, a rima e o ritmo do original. Nenhuma tradução consegue tal feito com máximo sucesso. Qualquer tradução será sempre uma paráfrase do original. Mas a de Ascher é, dentre as que li, a que menos trai o talento e a sensibilidade de Auden.
Blues Fúnebres
Que parem os relógios, cale o telefone,
jogue-se ao cão um osso e que não ladre mais,
que emudeça o piano e que o tambor sancione
a vinda do caixão com seu cortejo atrás.
Que os aviões, gemendo acima em alvoroço,
escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu.
Que as pombas guardem luto — um laço no pescoço —
e os guardas usem finas luvas cor-de-breu.
Era meu norte, sul, meu leste, oeste, enquanto
viveu, meus dias úteis, meu fim-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite, fala e canto;
quem julgue o amor eterno, como eu fiz, se engana.
É hora de apagar estrelas — são molestas —
guardar a lua, desmontar o sol brilhante,
de despejar o mar, jogar fora as florestas,
pois nada mais há de dar certo doravante.
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