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Cães farejadores confirmados nesta terça para buscas de Neivaldo no Peçanha

Neivaldo diante da sua casa da ilha do Peçanha (reprodução de facebook)

Neivaldo diante da sua casa da ilha do Peçanha (reprodução de facebook)

 

Aventada aqui pelo Blog do Arnaldo Neto no sábado, dia 4 de julho , após mais um dia sem sucesso nas buscas pelo comerciante Neivaldo Paes Soraes, de 54 anos, desaparecido desde a noite de 21 de junho, quando atravessava a foz do rio Paraíba do Sul numa canoa a motor, está confirmada para amanhã a vinda de cães farejadores e homens dos Bombeiros do Rio de Janeiro. numa nova varredura amanhã pela ilha do Peçanha. Junto dos cães e dos bombeiros do Rio, devem atuar novamente homens do 5º Grupamento de Bombeiros Militares (GBM) de Campos e da 145ª Delegacia de Polícia (DP) de São João da Barra, que investiga o caso e já colheu testemunhos de pessoas que viram ou estiveram com Neivaldo antes do seu desaparecimento, além de outros moradores da ilha onde ele residia.

Como várias testemunhas viram Neivaldo cair da canoa quatro vezes, sem coleta salva-vidas, ao lado do cais do restaurante do Ricardinho, tendo depois dificuldade para ligar também o motor da embarcação e iniciar a travessia da foz rumo à sua casa na ilha do Peçanha, no início da noite do dia 21, a suspeita inicial que ele tivesse caído na água e se afogado. Todavia, como Neivaldo tinha se envolvido anteriormente em confrontos físicos com outros moradores da ilha, seu corpo até agora não apareceu e a camisa preta social de botões e manga comprida, que ele vestia na noite fria na qual foi visto pela última vez, estava dobrada dentro da sua canoa encontrada na manhã seguinte de segunda-feira(22/06), junto a todos seus demais pertences, o caso já é tratado pelos pescadores de Atafona como homicídio, seguido de ocultação de cadáver.

A 145ª DP, cujo delegado titular Marcos Peralta esteve com sua equipe na cada de Neivaldo no dia 29, não descartou a hipótese, mas também ainda não a confirma. Informações extra-oficiais dão conta de contradições cometidas em alguns depoimentos.

 

Saiba mais sobre o caso aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui e amanhã, na edição impressa da Folha.

 

 

Vendendo o futuro

Charge 05-07-2015

 

Cineclube Goitacá, Cine Jornalismo e Sarau Baião de Dois são oásis

Colyseu

 

 

 

Cineclube 1

 

 

“Num filme o que importa não é a realidade, mas o que dela possa extrair a imaginação.”

(Charles Chaplin)

 

Ao completar 1 ano no último dia 26 de junho, a lei 13.006/14 que obriga a utilização de produção audiovisual nacional, por no mínimo 2h/mês, nas escolas de educação básica está longe de começar a engatinhar. Entre os embaraços para sua implementação está a falta de apoio para produção e difusão de obras que, na maioria das vezes, não são  contempladas com exibição nas salas comerciais. Urgente também a capacitação para os educadores operarem os equipamentos de som e imagem adequadamente, já que encontramos estes sub utilizados em grande parte das unidades escolares. Porém, o grande gargalo que se observa é quanto ao conteúdo a ser utilizado. Acredito que a medida ideal para sairmos desse atoleiro seja o incentivo de criação de cineclubes nas escolas.

Os cineclubes surgiram na década de 20 no século XX, como um encontro para discussão de pequenos grupos, com filmes que apontavam discussões sobre questões sociais e políticas, escondidas em grande parte dos espaços públicos e também da maioria da população. Trazer o cineclube para o espaço educacional formal é antes de tudo, trazer a arte ao encontro do educador, mas um educador/espectador que não só assiste, mas participa, discute, relaciona e transfere para o seu dia, todas as dúvidas escondidas e as perguntas não respondidas para, em campo, reconhecer os seus iguais, os seus diferentes e as possibilidades de olhar a sua prática a partir de tantas outras. Compreende-se o cinema como experiência e como tal, destituído de uso, entende-se que os cineclubes na aproximação com a educação, devem oportunizar o encontro entre cinema e educação de forma subjetiva e coletiva, relacional, onde o cinema é concebido como alteridade. É neste sentido, de ser tocado pelo outro, que o cineclube se apropria dos debates para se emancipar como objeto de análise, contribuindo com a formação cultural e com as relações cotidianas. É o conhecimento a partir do encantamento, um convite ao questionamento das ações pedagógicas e de seus diferentes caminhos, através da interação com o outro.

É preciso encontrar saídas, com olhar diferenciado, sobre as potências desta relação e as perdas que ela pode produzir. Está nesta possibilidade de aprender e desaprender a respeito do sujeito, da educação, do cinema, da vida, que esta análise se dispõe. Trata-se de um posicionamento estético da ordem da ocupação dos espaços, dos tempos, dos ritmos, dos recortes, das conexões e rupturas. A partir deste pensamento, o cineclube, através da experiência do cinema, ilumina a arte como sonho e realidade, sem distinção, incluindo o outro, sendo o próprio outro, no diálogo de experiências comuns, lugares onde se encontram e podem se transformar. Trata-se os cineclubes como objetos que propiciam a transformação, mas faz laços fortes com a linguagem audiovisual se apropriando dela para falar em nome dela.

Em Campos dos Goytacazes contamos com alguns oásis da cultura cineclubista como o Cineclube Goitacá da Oráculo Produções, o Cine Jornalismo da Associação de Imprensa Campista (AIC) e o Sarau Baião de 2, no Sinasefe, que reúnem assiduamente estudantes universitários, profissionais de várias áreas, cinéfilos e apreciadores do cinema em seus diversos formatos e gêneros para sessões e debates enriquecedores e maravilhosos.

Vamos lutar pela garantia da implementação da lei 13.006/14, com conteúdo de qualidade e educadores capacitados para promover a acessibilidade, a democratização, a reflexão e o uso da arte cinematográfica adequadamente.

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

 

Crítica de cinema — Salva o filme enquanto salva o mundo

Caixa de luzes

 

exterminador 5

 

Mateusinho 3O EXTERMINADOR DO FUTURO: GÊNSESIS — Um dos clássicos do cinema nos anos 1980, sobretudo para quem era adolescente, foi “O exterminador do futuro” (1984), roteirizado e dirigido pelo canadense James Cameron, que lançou ao estrelato e tornou pronunciável o nome do austríaco campeão de fisiculturismo Arnold Schwarzenegger, num papel à medida generosa do seu bíceps: um ciborgue programado para se infiltrar e matar, dissociado de qualquer emoção. Ele é um T 800, andróide coberto de pele humana, enviado do futuro pela Skinet, sistema de inteligência artificial que desencadeou uma hecatombe nuclear, dominou a Terra e escravizou os homens que restaram.

A missão do T 800 é exterminar Sarah Connor, uma garçonete aparentemente insignificante, antes que ela engravide, dê à luz e treine John Connor, futuro líder da rebelião humana contra as máquinas. Para tentar impedi-las, John envia do futuro o combatente Kyle Reese, que será seu pai, para proteger (e fecundar) sua mãe, naquele passado então presente de 1984. Mal acabou aquela década e o diretor Cameron abriria a seguinte dando endosso a uma das falas mais icônicas do cinema: “I’ll be back!” (“Eu voltarei!”).

Em 1991, “O exterminador do futuro 2: O julgamento final” foi outro retumbante sucesso. Primeiro filme da história a custar mais de US$ 100 milhões, não só deu lucro, como ainda levou quatro estatuetas do Oscar em categorias técnicas. Todavia, o êxito não seria nem de longe alcançado pelas duas sequências seguintes: “O exterminador do futuro 3: A rebelião das máquinas” (2003), de Jonathan Mostow; e “O exterminador do futuro: A salvação” (2009), dirigido por McG.

É com os dois primeiros sucessos que “Exterminador do futuro: Gênese”, ora em cartaz nos cinemas de Campos, tenta dialogar não como sequência, mas um remake do filme original, que tenta jogar na conta de realidade alternativa. Aos 67 anos, Schwarzenegger volta à pele envelhecida (por humana) do T 800, agora batizado de Papi pela Sarah Connor (a inglesa Emilia Clarke, mãe dos dragões na brilhante série televisiva “Game off thrones”) a quem foi enviado para proteger, não mais exterminar. Quem também está de volta é Kyle Reese, agora interpretado pelo australiano Jai Courtney, com a mesma missão de proteger Sarah, protegida desde criança pelo T 800 que a criou, após outro aparentemente ter causado a morte dos seus pais.

Inimigos no primeiro filme e agora aliados dedicados à função de proteger a mesma pessoa, Papi e Kyle se unem nessa refilmagem para enfrentar o Schwarzenegger jovem de 1984 e um T 1000 — versão mais moderna do exterminador, em metal líquido, capaz de assumir qualquer forma que consiga tocar, devidamente apresentado em “O exterminador do futuro 2”. Apesar das diferenças e dos ciúmes entre o protetor humano e o cibernético, ambos conseguem eliminar em tempo recorde as duas ameaças que, separados, levaram os dois primeiros filmes inteiros para dar conta.

A partir de então, a ameaça passa a ser o próprio John Connor, agora vivido por Jason Clarke, outro ator australiano. Logo após enviar o pai de volta no tempo para proteger a mãe, o líder da resistência é dominado pela Skynet, numa espécie de possessão eletromagnética que funde máquina e homem em seu corpo transformado. É nessa abdução que ele volta ao passado para tentar cooptar Sarah e Kyle. Caso não consiga, parece disposto a matar a mãe e o pai para proteger a Skynet, também repaginada como programa aplicativo multimídia em escala global, não mais um sistema de defesa nuclear dos EUA.

Entre tantas idas e vindas, no tempo e na trama, o roteiro da estadunidense Laeta Kalogridis e do canadense Patrick Lussier pode deixar as coisas um tanto embaralhadas, mesmo na cabeça de quem acompanha a franquia com atenção desde quando 1984 era presente. Afinado à frente de alguns episódios da já citada série de TV “Game off thrones”, o diretor estadunidense Alan Taylor não é nenhum James Cameron, mas diz a que veio, sobretudo nas cenas de ação, com destaque à perseguição sobre a ponte Golden Gate, cartão postal da cidade de San Francisco.

Ausente apenas no quarto filme da franquia, Schwarzenegger volta ao papel que o alçou à condição de estrela, há 31 anos. E talvez a grande virtude do filme seja liberar as emoções do ex-Mister Universo na única máscara onde ele demonstrou algum talento como ator: a comédia. Esquecida há algum tempo, tivera essa face revelada pelo diretor Ivan Reitman, outro canadense, em “Irmãos gêmeos” (1988), numa impagável dupla com Danny DeVito, e “Um tira no jardim de infância” (1991).

“Velho, não obsoleto”, como diz mais de uma vez na tentativa de criar um novo chavão, o velho brutamontes compõe bem o ciborgue humanizado pelo tempo, desejo da Skinet nunca alcançado, chegando a verter a lágrima que, ao fim de “O exterminador 2”, lamentou ser incapaz de derramar. Mas é quando força seu riso para extraí-lo naturalmente do espectador, que Schwarzenegger, quem diria, acaba salvando o filme enquanto salva o mundo.

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

Confira o trailer do filme:

 

 

 

Artigo do domingo — Porque o ciclo dos Garotinho chegou ao fim

Se liga

 

 

Economistas e analistas políticos Wilson Diniz e Ranulfo Vidigal

Economistas e analistas políticos Wilson Diniz e Ranulfo Vidigal

Por Wilson Diniz e Ranulfo Vidigal (*)

Recorremos à historiadora americana Barbara W. Tuchman, no livro “A marcha da insensatez – De Tróia ao Vietnã”, para explicar a forma política como a cidade campista vem sendo governada há mais de 30 anos por um grupo de populistas implantando o modelo falido de Hugo Chávez e de Nicolás Maduro sem deixar esperança de governabilidade para o próximo prefeito.

Barbara comprova que o desgoverno é de quatro tipos: muitas vezes combinado com tirania ou opressão, ambição desmedida, incompetência ou decadência e finalmente insensatez ou obstinação.

Analisando o secretário de governo e o núcleo de poder que comanda as finanças municipais (afastado por decisão judicial noticiada pela Folha da Manhã), tal comportamento corrobora todas as variáveis apontadas pela historiadora e definem o perfil e as loucuras cometidas em seis anos de governo que levou a cidade à falência, mesmo recebendo vultosas transferências governamentais de royalties do petróleo.

Em decadência política e por ambição desmedida faliram a Prefeitura trazendo crescente intranquilidade à classe empreendedora, bem como à sociedade campista. O grupo criou uma série de programas de transferências de renda em estilo venezuelano e inchou a máquina pública. Conforme dados da Rais/MTE, o setor público na capital do açúcar e do petróleo é responsável por 36% do emprego formal, contra apenas 6% do setor industrial. Isso comprova a inexistência de políticas públicas estruturantes preparando o município para o desenvolvimento competitivo como a vizinha Macaé, que mesmo diante da crise está conseguindo reverter a queda da atividade industrial.

Na conta, a administração dos Garotinhos gastou o mesmo valor com contratos de funcionários terceirizados e encheu a prefeitura com 1.714 cargos comissionados inchando a folha de pagamento com seus militantes políticos.

Cometendo loucura política, em 2014, de concorrer ao governo do Estado, utilizou o orçamento da Prefeitura como trampolim para chegar ao Palácio Guanabara. A consequência foi o rombo nas contas com atrasos de pagamentos a fornecedores. Fechando a equação financeira de suas loucuras política, recorreu a empréstimo no Banco do Brasil de R$ 250 milhões e mais juros de R$ 50 milhões. Fez aplicações de mais de R$ 100 milhões em títulos no mercado financeiro que foi para o ralo segundo auditoria. No programa de rádio declarou que tem dívida de mais R$ 350 milhões. Somando a três contas totalizam R$ 700 milhões de rombo e de irresponsabilidade financeira.

Agora, em desespero, pretende recorrer mercado financeiro para captar R$1,2 bilhão de empréstimo indexado ao dólar a taxas de juros que podem chegar a 27% por antecipação dos royalties para cobrir o déficit. Caso a operação seja realizada, a Prefeitura na próxima gestão entra em processo de concordata, pois o preço do barril no mercado americano deve ficar estabilizado em 60 dólares. Com queda de receita e de endividamento crônico, o secretário de governo sem solução com sua plataforma de governo populista, entra em confronto com a oposição acusando a imprensa e institutos de pesquisas para camuflar a opinião pública de seus erros na condução da administração da Prefeitura.

A reação da sociedade civil organizada se esboça e ganha robustez, com a coleta assinaturas (com cobertura de diversos órgãos de comunicação, incluindo a Folha da Manhã) e grande aceitação popular. Exige-se um plebiscito que ouça a sociedade campista, que em última instância vai pagar a conta da aventura arriscada, através de impostos mais caros (IPTU, ISS, ITBI) no futuro.

Os protestos que hoje estão nas ruas estavam reprimidos e vieram à tona, através da imprensa, blogs e articulistas políticos que trouxeram à baila o fracasso do governo venezuelano implantado na cidade.  Blefes e mentiras não mais enganam a sociedade campista. O ciclo fracassado dos Garotinhos chegou ao fim!

 

(*) Economistas e analistas políticos

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

 

Poema do domingo — Se meus pés alcançassem os de Rimbaud

“O maior de todos é Rimbaud”, disse Vinicius de Moraes sobre quem revolucionou a poesia na França e no mundo, dos 16 aos 20 anos, antes de abandoná-la para se embrenhar pela África como traficante de armas. “A poesia é algo temporário e provisório: junta-se à travessia de algumas pessoas, sem nunca lhes pertencer. Sendo assim, Marcelo não é mais poeta. Hoje se questiona se um dia chegou a sê-lo”, conta Marcelo Garcia, poeta paranaense de Cascavel, hoje estudante de Economia em Curitiba, meu camarada em armas em “Viúva de Maiakóvski”.

Em seu testemunho, pesaroso aos admiradores da sua poesia, ele revela: “Comecei a escrever com aproximadamente 13 anos, muito influenciado pelos primeiros contatos com Carlos Drummond de Andrade. As minhas maiores influências foram Maiakóvski, Gullar e Raduan Nassar, embora este não escreva poemas. Essa tríade me mostrou muitas facetas do que é escrever e de como a linguagem pode ser trabalhada. Eu não deixei de escrever deliberadamente. Aos 20 anos, reconheci que havia perdido a manha: fui tomado pela rotina, por outros sonhos, outras experiências. Simplesmente acontece. Qualquer dia, talvez, eu volte. Mas tem de ser em maio”, projeta Marcelo.

Se meus pés alcançassem sua arte…

 

Se meus pés

 

Se meus pés

 

Se meus pés

alcançassem

o chão,

distribuindo milhares de cores

pelos canos

de papéis amassados

que compõem a música dos

anjos

e recicla os ouvidos moucos

numa tentativa

de sobressair aos ruídos

da cidade:

caminhões roncando

o tiro certo do martelo

na construção

 

a lixa do construtor

secando a aspereza dos

 

tetos

 

um

avião

em pleno ar

 

Se meus pés alcançassem

 

todas as minhas idas e vindas

todos meus músculos

contraídos

neste fervor de matéria

onde se encontra meu país

subdividido

sobrevivendo a esta manhã,

heroicamente sobrevivendo a esta manhã

 

manhã sem galos,

sem bois,

sem cheiro de manhã

manhã que é manhã

por atribuir-se a isto, adaptar-se,

caber dentro de um horário denominado manhã,

não pelo seu cheiro de café torrado,

de bolo de fubá,

dos gestos lentos

e do despertar em uniformidade

com a tela do verde engolindo

os objetos.

Se meus pés alcançassem esta manhã,

descalço, nu, completamente nu,

destituído de qualquer cinza

embutido em meu corpo,

constituído da maçã que agora mastigo

com a fome de um mendigo,

com a pressa de um avião,

com a plenitude de um sábio,

 

não

 

meus pés pouco alcançam o céu de nuvens férteis

(onde, flor-frutífera, onde te meteste?)

 

meus pés alcançam

sim

o estrondo de um bater

de talheres,

a explosão das flores em contato

com o vento

o calibre pronto de um revólver de estrelas

 

meus pés tocam os gatos e os cachorros de rua

(por mais ariscos que sejam, meus pés os tocam)

meus pés já tocam a ferida do dia

e é a noite que se aproxima,

como uma Rainha em passeio público,

das pessoas que se abaixam, por questão de respeito,

as coisas e os bichos as imitam

as coisas e os bichos dormem,

quando a noite se aproxima,

veloz,

furiosa,

dentro do dia,

como se desabrochasse do dia,

como se tentasse manter, ainda que pequena,

uma relação com a claridade

 

não por falta de força

que a noite não aparece abruptamente

mas por pudor,

pudor infantil,

de conquistar, a cada dia,

seu espaço

dentro das coisas

dentro das horas

dentro das plantas,

dentro dos homens

 

noite que se faz a partir da fabricação de horas

e barulhos

bocejos,

noite que se faz a partir de outra noite,

noite que se faz clara,

noite noite noite

 

eu,

eu experimento teu gosto

experimento e circulo teus gestos

eu

que observo tuas veias de sangue velho

explodirem

que capto o fracasso de teus dentes podres

tua forma de se impor

em nós,

noite

que de tanta noite

se fez uma só

noite que precede a manhã

com as vértices de alumínio puro,

transforma cor em impressão,

transforma momentos em simulacros

 

noite que baila

dança,

se joga,

faz da sala de estar

palco para o desespero

 

inocente noite,

deságua em mim

como o jorrar de sangue

de um animal

 

noite que constrói

o dia

e, maquinalmente, dá boas vindas

à cor

ao som

ao trem

a mim

que ando por esta noite

sem chegar

a lugar algum,

apenas transpassando os ruídos noturnos

para dar de encontro ao céu claro

da cadeia de idéias

 

postes telefones muros

bilhar

pernas peitos putas

armas

cervejas

 

noite, minha noite,

adormeça em mim.

 

 

Os exterminadores do futuro de Campos

Charge 03-07-2015

 

Bombeiros voltam às buscas de Neivaldo nesse sábado, na foz do Paraíba

Neivaldo e seu fiel cachorro Tupi, nos tempos em que ambos ainda moravam no Pontal de Atafona, antes do mar velar sua casa (reprodução do facebook)

Neivaldo e seu fiel cachorro Tupi, nos tempos em que ambos ainda moravam no Pontal de Atafona, antes do mar velar sua casa (reprodução do facebook)

 

Além dos amigos, mas por causa deles, as novas buscas que serão feitas amanhã de manhã pelo comerciante Neivaldo Paes Soares, o “Bambu”, de 54 anos, contarão também com uma equipe do 5º Grupamento de Bombeiros Militares (GBM). Quem pediu e conseguiu a ajuda oficial, que contará com um barco e dois homens, foi policial civil Guilherme Bousquet, amigo de Neivaldo, desaparecido desde o início da noite do domingo retrasado, dia 21 de junho, quando iniciou a travessia da foz do rio, de Atafona à ilha do Peçanha, onde residia. O esforço se unirá à varredura na ilha programada por Élvio Paes Soares, o “Estranho”, irmão de Neivaldo, que convocou amigos para ajudá-lo. Guilherme e os bombeiros saem às 9h da manhã, do cais do restaurante do Ricardinho, ao lado da igreja Nossa Senhora da Penha, em Atafona, mesmo local marcado Élvio como ponto de encontro e onde Neivaldo foi visto pela última vez.

Os bombeiros já participaram das suas buscas, por cinco dias seguidos, de 26 a 30 de junho, sem nada encontrar, fato estranhado pelos pescadores. Uma equipe da Polícia Civil esteve na casa de Neivaldo, na ilha Peçanha, no dia 29, antes de esclarecimentos serem prestados na 145ª Delegacia de Polícia (DP) de São João da Barra (SJB) durante a semana, por pessoas que estiveram e viram Neivaldo antes do seu desaparecimento, assim como outros moradores da ilha. A hipótese de homicídio não está confirmada, nem descartada. Paralelamente à Polícia Civil, a Marinha do Brasil, através da sua Capitania dos Portos em SJB, também abriu investigação sobre o caso.

 

 

Saiba mais sobre o caso aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e amanhã, na edição impressa da Folha.

 

 

Maioria dos campistas vê governo desonesto e má aplicação dos royalties

(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa e Suzy Monteiro

 

Que outros municípios vão tentar antecipar receitas para tentar conter as perdas dos royalties com a queda no preço no barril de petróleo, parece ser uma tendência. Macaé, Cabo Frio e São João da Barra já sinalizaram nessa direção, muito embora a Agência Nacional de Petróleo (ANP) ainda não tenha feito o cálculo oficial das perdas. Por que então, em Campos, 88,5% da população são contra a antecipação de receita, popularmente conhecida como “venda do futuro”, proposta pela gestão Rosinha Garotinho (PR) e aprovada pela Câmara Municipal na polêmica sessão do último dia 10 de junho? A resposta talvez esteja em duas outras duas estatísticas: para 83,3% dos campistas, o governo Rosinha aplica mal os royalties do município, enquanto 68,3% acham simplesmente que a atual administração municipal não é honesta.

Os novos resultados foram aferidos na mesma pesquisa do instituto Pro4, com entrevistas detalhadas junto a 426 pessoas nas sete Zonas Eleitorais (ZEs) do município, realizada entre 18 e 22 de junho. Os dados da consulta apontam o desgaste do governo Rosinha, acelerado depois que seu marido, Anthony Garotinho (PR), assumiu a secretaria municipal de Governo, em fevereiro deste ano, menos de quatro meses após ser derrotado em outubro de 2014, ainda no primeiro turno da eleição a governador — insucesso repetido no segundo pelo candidato que recebeu o apoio do casal para perder em cinco das sete ZEs de Campos.

Com a rejeição a Garotinho atrelada ao governo Rosinha, este chegou à segunda quinzena de junho considerado ruim (17,6%) ou péssimo (35,7%) por impressionantes 53,3% dos campistas, enquanto é razoável para 34,3%, bom para 10,8% e ótimo para apenas 1,4%. Os números são endossados pelos 75,2% que disseram desaprovar a maneira como Campos tem sido administrada, bem como pelos 77,2% que declararam não confiar na prefeita.

Mas é comparando essa nova pesquisa do Pro4 com a feita pelo mesmo instituto em abril, que a velocidade do desgaste do governo de Campos surge mais flagrante. Entre quem achava que o governo dos Garotinho aplica mal os royalties da cidade, os 81,2% de antes subiram para 83,3% em junho. O aumento de 2,1 pontos percentuais pode ser pouco, mas aponta uma mesma tendência, quando constatado que, na pesquisa anterior, 14,3% achavam os recursos do petróleo bem aplicados em Campos, percentual que diminuiu para 12%.

Quando se analisa a sensação de honestidade do governo dos Garotinho junto à população, as coisas parecem ter ficado ainda piores para quem a comanda. Se em abril já deveria ser preocupante ter 49,5% considerando a Prefeitura de Campos desonesta, este índice se tornou capaz de ganhar uma eleição majoritária em turno único: hoje impensáveis 68,3% dos campistas não vêem honestidade em seus governantes. Esta evolução negativa de quase 20 pontos percentuais, em apenas dois meses, não é diferente na outra ponta: os 32,2% que em abril ainda consideravam a administração rosácea honesta, minguaram para apenas 12,9% em junho.

Em outras palavras e, ao que tudo indica, sem nenhuma coincidência: enquanto quase nove entre cada 10 campistas são contra a “venda do futuro” aprovada pelos Garotinho na Câmara, pouco mais de um do mesmo grupo de 10 considera honestos aqueles que hoje governam a cidade.

 

Vereadores Rafael Diniz (PPS), Gil Vianna (PR) e Luiz Alberto Neném (PTB)

Vereadores Rafael Diniz (PPS), Gil Vianna (PR) e Luiz Alberto Neném (PTB)

 

Desejo de mudança na análise dos vereadores

Segundo pesquisa do instituto Pro4, publicada na edição de quarta-feira da Folha da Manhã, 93,5% dos eleitores querem mudança. E 82% deles exigem que o próximo prefeito mude tudo (45,1%) ou muita coisa (36,9%). Já 11,5% dos campistas disseram querer poucas mudanças do seu próximo governante, enquanto 4,7% expressou desejo pela total continuidade.

Da oposição, o vereador Rafael Diniz (PPS) ressalta que o desejo de mudança está em todo Brasil e em Campos não é diferente:

— Nossa população está descrente de um grupo político que só pensa em se perpetuar no poder. A população vê que o orçamento bilionário do município de Campos não é revertido em melhor qualidade de vida e esse sentimento é o mesmo em qualquer região de nossa cidade. É lamentável, mas o grupo político que está aí esquece de pensar na população e só pensa em si mesmo — destaca.

O vereador da bancada independente, Gil Vianna (PR), acredita que o resultado da pesquisa é reflexo de uma má gestão “A população sentiu que não pode confiar no governo. Por isso, votei contra a venda dos royalties. Essa pesquisa é a resposta da população e é preciso que o governo entenda”.

Da situação, o vereador Luiz Alberto Neném (PTB), discordou: “Não sabemos como está sendo feita essa pesquisa. Mas temos certeza que o governo da prefeita Rosinha representa grande avanço para Campos. Não há como comparar com governos Mocaiber e Arnaldo, que foram lastimáveis. A prefeita está há seis anos e meio governando para o povo. E a população sabe e reconhece isso”, afirmou.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

 

Despencando

Charge 02-07-2015