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Mulata Globeleza lança biografia na Femac Móveis

Valéria Valenssa (2)

Por e-mail, o incansável arquiteto e empresário Edvar Júnior convida para um novo evento da Femac, de propriedade da sua família. Na próxima quinta, dia 28, às 19h, a tradicional loja de móveis campista abrigará o lançamento da biografia de um dos ícones de beleza da mulher brasileira na virada do milênio: Valéria Valenssa, mais conhecida como Mulata Globeleza.

Por 15 anos, com formas perfeitas e muito samba no pé, ela foi a estrela principal na vinheta do carnaval da Rede Globo, criado por seu marido, o suíço Hans Donner. Ele virá a Campos acompanhando a esposa, no lançamento do livro “Valéria Valenssa — Uma vida de sonhos”, escrito por Laura Bergallo e Josiane Duarte, com direito a orelha do ex-todo poderoso da Globo: José Bonifácio Oliveira Sobrinho, o Boni.

 

 

Crise

CHARGE DOMINGO 24-05-2015[1]

 

Crítica de cinema — Mostra Cenário Socioambiental: Cinema propondo reflexão

Colyseu

 

 

Mostra Baldan em Macaé 26 a 28-05-15

 

Mateusinho 5O cinema socioambiental contemporâneo cumpre um papel importante nos ecossistemas midiáticos. Num cenário de luta por representações sociais, atua como oportunizador de exibição de filmes comunitários que espelham demandas sociais que não encontram espaço nas salas comerciais e nas grandes mídias.

Na VIII Feira  de Responsabilidade Social Empresarial — Bacia de Campos, de 26 a 28 de maio em Macaé/RJ, ocorrerá a  6ª edição da Mostra Cenário Socioambiental que é uma plataforma de informação e conhecimento que discute questões socioambientais importantes a partir de produções audiovisuais. Oportunidade de assistir aos filmes e um espaço para promover o debate e a reflexão sobre questões do nosso dia a dia como crise hídrica, resíduos sólidos e os problemas causados pela contaminação por descarte inadequado, cultura e direito dos povos tradicionais, consumismo e o processo de urbanização das cidades. Temas de grande importância na formação dos jovens, mais facilmente acessíveis por meio do audiovisual. Aproveita a oportunidade para divulgar a lei nº13.006/2014 – utilização, 2h/mês no mínimo,  de produção audiovisual nacional como ferramenta pedagógica nas escolas de educação básica das redes públicas e privadas.

Na Mostra Infantil,14h às 17h, curtas como “Meu amigo Nietzsche” sobre empoderamento pela leitura, “Balãozinho Azul” que, inspirado em  “Le Ballon Rouge” (1956) de Albert Lamorisse, aborda a questão do trabalho infantil e “Pajerama” que trata do avanço urbano sobre áreas  indígenas.

A partir das 17h serão exibidos médias e longas metragens. Entre eles: “Água e Cooperação — Reflexões para um novo tempo”, dirigido por João Amorim, propõe um olhar transdisciplinar para a água que sinalize caminhos para uma relação mais cooperativa e sustentável para este elemento que é base para toda a vida em nosso planeta. O filme ainda conta com músicas de Seu Jorge, Gilberto Gil, Karina Zeviani, Os Mocambo e Bené Fontelles. Como entrevistados: Leonardo Boff, Vandana Shiva, Amit Goswami, Benke Ashaninka, Dr. Vicente Andreu, Maria Alice Campos Freire, Ernst Götsch, Vera Catalão, Bené Fontéles, Masaru Emoto, Prem Baba, Nelton Friedrich, Jeanitto Gentilini entre outros. “Índio cidadão?”, com direção de Rodrigo Siqueira, realiza um paralelo entre as mobilizações indígenas na época da última Assembleia Constituinte e as de 2013, e apresenta depoimentos de várias lideranças indígenas, como o cacique Raoni Metuktire, Sônia Guajajara, Ailton Krenak, Davi Yanomami, Álvaro Tukano e Valdelice Veron, que testemunhou o assassinato do pai, cacique Marcos Veron, durante o processo de retomada de sua terra Tekoha Takuara em 2003. “Tarja branca” de Cacau Rhoden, discorre sobre a pluralidade do ato de brincar. Por meio de reflexões, o filme mostra as diferentes formas de como a brincadeira, ação tão primordial à natureza humana, pode estar interligada com o comportamento do homem contemporâneo e seu “espírito lúdico”. O título do filme, “Tarja branca”, é uma ironia aos remédios denominados “tarja preta”. O “tarja branca” representa um efeito mais natural, colocando a pessoa em contato com sua criança interior e aceitação de sua presença na vida adulta.

Também serão exibidas produções regionais realizadas a partir de projetos universitários: “Atafona em Ruínas” de Frederico Alvim (São João da Barra) e “Os bamba” de Rafael Costa e Juliette Yu-Ming (Macaé).

A Mostra Cenário Socioambiental é o cinema propondo reflexão para maior conscientização da população dos municípios da Bacia de Campos.

Até lá!

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

 

Baldan promove educação socioambiental com mostra audiovisual em Macaé

VIII Feira de Responsabilidade Social

 

Parceiro do Cineclube Goitacá, toda noite de quarta na Oráculo, e na crítica de cinema da Folha, na qual escreve às segundas, o incansável (e incurável) Tonico Baldan coordena nesta semana que se inicia, em Macaé, no Clube Cidade do Sol, na praia de Cavaleiros, a 6ª edição da Mostra Cenário Socioambiental, integrada à VIII Feira de Responsabilidade Social e Empresarial da Bacia de Campos. Nas palavras de Baldan:

— Será uma plataforma de informação e conhecimento que discute questões socioambientais importantes a partir de produções audiovisuais. Oportunidade de assistir aos filmes e um espaço para promover o debate e a reflexão sobre questões do nosso dia a dia como crise hídrica, resíduos sólidos e os problemas causados pela contaminação por descarte inadequado, cultura e direito dos povos tradicionais, consumismo e o processo de urbanização das cidades.

Vale a pena conferir. Abaixo a programação completa:

 

Mostra Baldan em Macaé 26 a 28-05-15

 

Mostra Cenário Socioambiental

Programação

 

    • 26/05 Terça-feira

     

    • 14h às 17h

Mostra Cenário Socioambiental / Infantil

Curtas com viés socioambiental atendendo alunos das escolas das redes pública e privada dos municípios da Bacia de Campos.

 

  • 17h

 

Serra (6 min.)

Direção: Fernanda Abdo e Victor Alves

Sinopse: “Serra” retrata três dançarinos viventes da cultura urbana e dos aglomerados de Belo Horizonte que desenvolveram sua arte associando a riqueza cultural de suas experiências locais à pesquisa profissional em danças urbanas. A interação com a locação escolhida, o Aglomerado da Serra, não foi por acaso. Individualmente, cada dançarino carrega memórias de uma relação própria com esse lugar que ajudou a educar seus corpos para se expressarem através da dança.

 

Água e Cooperação – reflexões para um novo tempo (52 min.)

Direção: João Amorim

A água é um dos temas mais importantes da nossa atualidade. O planeta começa a dar indícios que este recurso natural está a beira do esgotamento. O filme propõe um olhar transdisciplinar para água que sinalize caminhos para uma relação mais cooperativa e sustentável  para este elemento que é base de toda vida em nosso planeta.

 

Atafona em ruínas (27 min.)

Direção: Frederico Alvim Carvalho

Sinopse: No encontro do mar com o rio, várias casas, construções e histórias estão sendo destruídas. Atafona se encontra no litoral Norte Fluminense e está vendo sua paisagem modificada rapidamente pelo avanço do mar sobre a cidade. O Rio Paraíba do Sul deságua no mar na região de Atafona, antes um local de veraneio de muitas pessoas, e hoje há uma pequena população habitando a cidade.

 

  • 19h

 

Tarja branca (80 min.)

Direção: Cacá Rhodem

Sinopse: A partir dos depoimentos de adultos de gerações, origens e profissões diferentes, o documentário discorre sobre a pluralidade do ato de brincar, e como o homem pode se relacionar com a criança que mora dentro dele. Por meio de reflexões, o filme mostra as diferentes formas de como a brincadeira, ação tão primordial à natureza humana, pode estar interligada com o comportamento do homem contemporâneo e seu “espírito lúdico”.

 

 

  • 27/05 Quarta-feira

 

  • 14h às 17h

Mostra Cenário Socioambiental / Infantil

Curtas com viés socioambiental atendendo alunos das escolas das redes pública e privada dos municípios da Bacia de Campos.

 

  • 17h

Santa Maria Madalena – RJ (19 min.)

Direção: Cardes Amâncio p/ Uenf

Sinopse: O filme transita pelo entorno do Parque Estadual do Desengano revelando artesãos e projetos industriais da cidade de Santa Maria Madalena.

 

Os bamba (18 min.)

Direção: Rafael Costa e Juliette Yu-Ming

Sinopse: Enraizados e entocados no território do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, Capitão do Mato e Dona Maria vivem um cotidiano cercado pelas luzes da natureza e pelos conflitos com as novas leis ambientais.

  •   Participação especial do diretor Rafael Costa – Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Socioambiental de Macaé (Nupem/UFRJ)

 

  • 19h

 

O veneno está na mesa II (70 min.)

Direção: Silvio Tendler

Sinopse: O Veneno Está Na Mesa II atualiza e avança na abordagem do modelo agrícola nacional atual e de suas consequências para a saúde pública. O filme também apresenta experiências agroecológicas empreendidas em todo o Brasil, mostrando a existência de alternativas viáveis, que respeitam a natureza, os trabalhadores rurais e o consumidor. Com este documentário, vem a certeza de que o país precisar tomar um posicionamento diante do dilema que se apresenta: Em qual mundo queremos viver? O mundo envenenado do agronegócio ou da liberdade e da diversidade agroecológica?

 

 

  • 28/05 Quinta-feira

 

  • 14h às 17h

Mostra Cenário Socioambiental / Infantil

Curtas com viés socioambiental atendendo alunos das escolas das redes pública e privada dos municípios da Bacia de Campos

 

  • 17h

 

Filhos da terra (29 min.)

Direção: Axel O’Mill e Patxi Uriz | Espanha

Sinopse: Filhos da terra é o testemunho de pessoas vinculadas à natureza que abrem seu coração para transmitir à humanidade a sabedoria da Mãe Natureza. Este documentário quer servir como veículo transmissor destes sábios conhecimentos e de conscientizar o espectador do que significa ser “filho da Terra”. O materialismo e o stress a que somos submetidos na sociedade atual nos impedem de ir em busca da consciência, nos afastando da natureza. Damos costas à ela sem nos importamos em explora-la incessantemente.

Filmado na Espanha, Brasil, México, Reino Unido e França.

 

ÍndioCidadão? (52 min.)

Direção: Rodrigo Siqueira

O filme resgata dois momentos-chave nesse processo: a campanha popular realizada pelos povos indígenas na Constituinte e o período de manifestações em Brasília contra os ataques legislativos do Congresso Nacional, com a ocupação da Câmara dos Deputados no “Abril Índigena” de 2013 e a mobilização nacional em outubro do mesmo ano.

 

  • 19h

 

Quando sinto que já sei (78 min.)

Direção: Antonio Sagrado Lovato

Sinopse: Levanta uma discussão sobre o atual momento da educação no Brasil. Carteiras enfileiradas, aulas de 50 minutos, provas, sinal de fábrica para indicar o intervalo, grades curriculares, conhecimento dividido em diferentes caixas. As escolas, como são hoje, oferecem os recursos necessários para que uma criança se desenvolva ou a transformam em um robô, com habilidades técnicas, mas sem senso crítico?

 

 

Poema do domingo — Sobrepostos e debruçados sobre o Atlântico

Um quarto de segundo andar, debruçado sobre o Atlântico, numa tarde fria de Atafona. Dentro dele, corpos em pausa, um sobre o outro, ofegantes após imitarem à exaustão as ondas em ressaca do lado de fora. Na inevitável lembrança de quantas comungaram do mesmo lugar e situação, a certeza agradecida de que todas se bastam em quem está ali agora. Satisfação por ter chegado, sem vontade de ir embora. E isso, embora mais brando, é tão prazeroso quanto o próprio gozo.

Pela boca do príncipe de Falconeri, Tomasi di Lampeduza estava prenhe de razão: “As coisas têm que mudar para continuarem as mesmas”.

 

Manhã de Atafona, 09/08/14

Manhã de Atafona, 09/08/14

 

 

credo em cruz

(p/ mahelle)

 

louco a frio

no tempo

e o vento

lá fora

ressaca

martela

lembranças

à têmpora

do mar

 

no quarto

com corpo

aquecido

ainda dentro

do outro

a devoção

sobreposta

faz silêncio

de cruz

 

atafona, 17/05/15

 

 

Crítica de cinema — Espírito zangado: do espectador

Caixa de luzes

 

 

Poltergeist

 

 

Mateusinho 2POLTERGEIST – O FENÔMENO — Há filmes capazes de influenciar o comportamento humano, mundialmente e muito além das telas. Quem, por exemplo, entrou no mar da mesma maneira após assistir “Tubarão” (1975), de Steven Spielberg? E a partir de “Poltergeist – O fenômeno” (1982), quem olhou do mesmo modo para uma tela de TV ligada em chuvisco numa madrugada insone, após o encerramento da programação da emissora?

Dirigido por Tobe Hooper, que já trazia no currículo “O massacre da serra elétrica” (1974), outro clássico do cinema de terror, “Poltergeist” se baseia numa estória de Spielberg, que a roteirizou junto a Michael Grais e Mark Victor, atuando também como produtor do longa. De fato, a ingerência do Midas de Hollywood no filme foi tanta, que Hooper até hoje nega sua direção, atribuindo-a de fato a Spielberg.

Independente da autoria, o fato é que o filme de 1982 foi um estrondoso sucesso de bilheteria, ajudando inclusive a fundamentar o próprio conceito de blockbuster (“arrasa quarteirão”). Mas esse remake de 2015, em cartaz nos cinemas de Campos, faz jus original? Sem sustos ou suspense, a resposta é simples: não!

A típica família de classe média estadunidense está lá, novamente de mudança para uma casa de subúrbio tipificada desde a Idade da Pedra, na animação “Os Flintstones”. O que mudou foram os significados.

O que era motivo de prosperidade nos anos 1980, se tornou sinônimo de decadência financeira nos dias atuais, após o estouro da bolha imobiliária nos EUA em 2007, que mergulhou o mundo inteiro numa crise econômica sentida até hoje e agravada no Brasil pelo péssimo primeiro governo Dilma Rousseff. Mas no país recolocado nos trilhos por Barack Obama, as assombrações são outras…

Desempregado, o pai Eric (o bom ator Sam Rockwell) leva para a nova casa sua família. Só que os Freeling do primeiro filme são agora substituídos pelos Bowen, compostos ainda da esposa Amy (Rosemarie DeWitt) e os três filhos: a adolescente Kendra (Saxon Sharbino), o garoto Griffin (Kyle Catlett) e a menina Madison (Kennedi Clements).

Na parapsicologia, os casos de poltergeist (em alemão: polter = desordeiro + geister = espírito) são fenômenos físicos sobrenaturais, como lançamento de objetos, barulhos e luzes surgidos do nada, lâmpadas estourando, brinquedos funcionando sem pilhas, onde o espírito via de regra faz conexão com uma criança na fase da puberdade, geralmente do sexo feminino e de grande sensibilidade.

Como sabem todos os que acompanharam o “Poltergeist” original e suas duas continuações de qualidade inferior, a menina, antes chamada Carol Anne, é Madison. No papel, a sardentinha Kennedi substitui bem a inesquecível Heather O’Rourke, falecida precocemente aos 12 anos, logo após estrelar “Poltergeist III – O capítulo final” (1988), de Gary Sherman.

E tanto no original de 1982, quanto em seu remake de 2015, não é apenas um espírito que se liga à menina, mas uma legião deles, na pretensão de usá-la como guia à Luz, da qual ela mesmo não poderá voltar. Todavia, sem isso seus novos “amigos” continuarão todos agonizando na escuridão do cemitério cujos corpos foram deixados para trás, sob a terra em que foi construído aquele subúrbio, por quem mudou apenas as lápides “para um bairro melhor” — como é dito e redito no filme atual.

Mas se a revelação desse final estragaria o filme original para quem não o viu (há alguém?), não causa nenhuma espécie ao espectador do remake, já que nele a existência do cemitério é revelada logo no início. E este é o maior problema desse novo “Poltergeist”: há muito terror, mas quase nenhum suspense.

A bem da verdade, o único susto que o filme se mostra capaz de provocar acontece no confronto entre o menino Griffin e seu palhaço “possuído”. Todavia, mesmo sem os recursos ilimitados da computação gráfica pós-“Avatar” (2009, de James Cameron), essa cena é bem melhor (e assusta muito mais) no filme de 1982.

Em outra diferença emblemática, não só na tecnologia, mas sobretudo no talento para se utilizá-la, se dá entre o carrinho de controle remoto, que abre o filme original, numa cena rasgadamente “spielberguiana”, e o drone com câmera filmadora que o substituí na versão atual, tão fora de contexto quanto pode ser um bicho desses voando materialmente entre as almas de quem já bateu as botas há muito tempo.

“Poltergeist” não foi o primeiro clássico do cinema de terror dos anos 1980 revirado na tumba pela profanadora sanha de refilmagens do cinema atual. Quem teve sua geração também marcada pelo original “A hora do espanto” (1985), de Tom Holland, e viveu para conferir seu remake homônimo de 2011, dirigido por Craig Gillespie, só pôde se espantar com a inexpressão do resultado mais recente.

Embora aproveite (ou tente) o enredo de Spielberg para o “Poltergeist” de 1982, esse de 2015 opta por seguir o ritmo narrativo da insossa série “Atividade paranormal” (2007, 10, 11 e 12), cuja paródia na comédia “Inatividade paranormal” (2013), de Michael Tiddes, dá de mil nos quatro filmes “sérios” originais.

Como os túmulos, pretender construir sobre clássicos do cinema, pode deixar muito espírito zangado.

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

Confira o trailer do filme:

 

 

 

 

Artigo do domingo — Estranha atitude a favor do encaixotamento do Mercado

Após o promotor Marcelo Lessa desconsiderar o apelo do Inepac para aguardar, as polêmicas obras no Mercado Municipal foram imediatamente retomadas pelo governo Rosinha (foto de Valmir Oliveira – Folha da Manhã)

Após o promotor Marcelo Lessa desconsiderar o apelo do Inepac para aguardar, as polêmicas obras no Mercado Municipal foram imediatamente retomadas pelo governo Rosinha (foto de Valmir Oliveira – Folha da Manhã)

 

 

Sindicalista e ex-vereador Marcos Bacellar

Sindicalista e ex-vereador Marcos Bacellar

Mercado Municipal

Por Marcos Bacellar (*)

 

Como cidadão campista, sempre admirei o prédio do Mercado Municipal, sempre discutimos com amigos a necessidade de reformar este prédio histórico, de tirarmos o Mercado e o Camelódromo e deixar à vista o prédio para que todos que passam pela Avenida José Alves de Azevedo possam admirá-lo. O Mercado seria recuperado e o local transformado em museu, escola de formação musical ou de pintura.

Concordávamos com o amigo Tatão (Campos Tintas) que no prolongamento da Princesa Isabel, que uma ponte deveria ser construída sobre o Valão, onde seria erguido o novo Mercado, climatizado, com peixaria, açougues e área frutas e verduras, praça de alimentação, boxes azulejados, saneamento básico, estacionamento para 1.500 carros.  Neste nosso sonho de mudar o Mercado de local sabíamos que seria necessário que esta discussão fosse levada ao conhecimento dos camelôs e dos feirantes e sabíamos da reação que teriam os mesmos por esta mudança, aproveitando da amizade que temos com Maria, Ananias, Leandro da Dora e Zé do Alho os mesmos não aceitavam discutir tal hipótese. Zé do Alho pedia pelo amor de Deus que não deixassem vazar esta conversa dentro do Mercado, pois poderíamos perder votos dos feirantes.

Explicava a Zé do Alho da falta de higiene, que as bancas que davam movimento eram só as que estavam na beira da calçada. Falta de estacionamento e outros problemas. Mostramos que os mesmos iam perder muito com a chegada dos hortifrutis. Isto tudo independente do rodízio que pode ser feito nos parques e bairros de nosso município de feiras itinerantes com apoio do poder Executivo.

Para os trabalhadores autônomos, os do Camelódromo. Tínhamos sugestões tais como o prédio antigo do Legislativo, onde hoje é a Justiça Eleitoral, onde daria para fazer mais de 100 boxes, seria um Camelódromo central e vertical na Avenida Alberto Torres ou outro no Novo Mercado, bem como também desapropriar alguma área perto do antigo Mercado e construir um novo espaço para os camelôs.

Não podemos encerrar qualquer discussão e acabar com o contraditório, senão não surgem novas ideias e as soluções para os novos problemas.

Envio este texto, não para que seja publicado, mas porque acredito que tenho esse direito e essa obrigação como cidadão, ex-presidente do legislativo campista que aprovou em nossa administração o Plano Diretor que esta em vigor em nosso município e como assinante da Folha da Manhã. Acompanho pelo jornal o debate sobre o empastelamento do Mercado Municipal, muito bem promovido e muito interessante e benéfico para os campistas.

O Plano Diretor foi promulgado em nossa época, criamos uma comissão na Casa Legislativa, presidida pelo companheiro vereador Geraldo Venâncio, este que me ajudou a administrar como vice-presidente, e que julgo uma pessoa capaz, inteligente e preparada e que contou com a contribuição de outros colegas vereadores e com todo apoio externo solicitado por ele para desenvolver, analisar e alterar o que fosse necessário no plano que tinha sido enviado pelo Executivo à Casa Legislativa. O Plano Diretor que foi promulgado em 31/03/2008 pela Câmara Municipal de Campos, visto que o prefeito interino devolveu tanto este documento e várias outras leis à Casa Legislativa sem nenhuma análise. Sendo que o procurador legislativo Dr. João Paulo Granja, conforme a lei orgânica do município, caberia ao presidente do legislativo promulgar ou não a lei.

Respeito muito as idéias e colocações e tenho na conta de uma das maiores autoridades no município em termos de conhecimento, estudo e cultura e  de preservação do patrimônio histórico e meio ambiente de Campos o professor e historiador Aristides Soffiati (aqui). Não o conheço pessoalmente, mas ouço de meus amigos que ele é radical em suas colocações, o que não me surpreende pela dificuldade de assumir publicamente ideais ecológicos e de preservação.

Infelizmente acho estranha a atitude do promotor Marcelo Lessa na última greve dos rodoviários em Campos (aqui), como também a sua colocação a favor do encaixotamento do Mercado (aqui), colocando como ponto final (aqui) a sua opinião.

É procurador do município?

E por falar em Mercado e Camelódromo, como anda o Cepop que custou mais de R$ 100 milhões? E o rombo de (Francisco) Esquef (ex-secretário de Finanças da prefeita Rosinha Garotinho) que custou mais de R$ 100 milhões? Com estas verbas seria possível fazer algo mais útil ao povo de Campos dos Goytacazes?

 

(*) Ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de Campos

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

 

Entrevista do domingo — “Rosinha tem avaliação melhor que a maioria dos prefeitos”

Na entrevista, lê-se uma deputada federal Clarissa Garotinho evasiva ao falar da saída do PR ao PSDB. Para quem sabe ler além, como não negou, a possibilidade (aqui) existe. Entre Brasília, Rio e Campos, ela não se negou a falar do resto, nem que tenha sido para contestar as pesquisas que revelam o momento ruim do governo Rosinha, a idoneidade dos institutos e a divulgação dos resultados. Ela também considerou ousadia, não erro, a candidatura do pai ao governo do Rio, em 2014, mesmo que seu resultado prático tenha sido a volta dele a Campos. Enquanto chamou a oposição da cidade de irresponsável, ela ressalvou que a renovação no seu grupo tem que ser dos personagens, mas na defesa do mesmo legado.

 

Clarissa Garotinho

 

Folha da Manhã – Seu nome já surge nas pesquisas para Prefeitura do Rio em 2016. Em 2012, na aliança entre PR e DEM, com você como vice na chapa encabeçada por Rodrigo Maia, o resultado eleitoral foi decepcionante. Acha que poderia ser diferente no ano que vem, diante de pré-candidaturas fortes como Romário (PSB) e Marcelo Freixo (PPS)?

Clarissa Garotinho - Sobre a eleição passada é importante esclarecer que o vice pode agregar, mas ninguém vota em vice. Eu mesma nunca disputei uma eleição majoritária, mas me preparo para isso algum dia. É cedo para falar sobre as eleições municipais. Minha prioridade agora é fazer um bom trabalho na Câmara dos deputados. Romário sem dúvidas é um forte candidato, mas até agora ninguém sabe se ele vai disputar ou não.

 

Folha – Após a derrota de Anthony Garotinho no primeiro turno da eleição a governador de 2014, em outro resultado eleitoral frustrante, restaram apenas Pros e PT do B na aliança estadual. Basta? Como ampliar esse leque para 2016?

Clarissa - Cada eleição é uma eleição. E a política é muito dinâmica.

 

Folha – Você tem se destacado pelas posições contrárias ao presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB). Chegou a chamar de “vergonhoso” (aqui) o depoimento dele na CPI da Petrobras, quando acabou elogiado pelos colegas. A intenção é repetir, em Brasília, o início do seu pai em Campos contra o ex-prefeito Zezé Barbosa, polarizando com quem é maior para tentar crescer?

Clarissa - Não. A sessão da CPI, uma comissão de inquérito, se transformou em sessão de homenagens ao presidente Eduardo Cunha, denunciado na Lava-Jato e acusado de preparar requerimentos para outros parlamentares assinarem com o objetivo de pressionar empresas e forçar o pagamento de propinas. Foi vergonhosa mesmo a CPI.

 

Folha – Cunha afirmou em rede nacional que seu maior erro foi ter se aliado no passado a Garotinho. Como avalia o desempenho dele na presidência da Câmara, capaz de impressionar mesmo veteranos, como seu colega de bancada Paulo Feijó (PR), pelo ritmo de trabalho imposto à Casa?

Clarissa - Realmente o ritmo da Câmara está bastante acelerado. Mas os fins não justificam os meios. Acho importante que a Câmara seja um poder independente e harmônico com os demais poderes da República. Mas isso tem que ser real, e não objeto de chantagem.

 

Folha – Enquanto deputada federal que vai discutir e votar a reforma política, qual sua posição sobre questões como voto distrital, financiamento de campanha, redução do mandato de senador, cláusula de barreira e reeleição?

Clarissa - A Reforma Política será uma mini reforma eleitoral. Não acredito em grandes mudanças. O presidente quer adotar o sistema distritão, onde entram os mais votados. No discurso fácil parece muito bom. Mas não é. Favorece quem já tem mandato e personalidades. Dificulta a renovação, torna as campanhas mais caras e a política ainda mais personalista. Infelizmente o sistema proporcional, que é o mais democrático, está fracassando pela enormidade de partidos políticos e pela falta de identidade de cada um deles. Acho que o sistema proporcional com o fim das coligações seria o melhor para o momento. Existe uma última tentativa de um acordo em torno do sistema distrital misto, que seria minha segunda opção. Agora o distritão é considerado uma aberração pela maioria dos cientistas políticos.

 

Folha – O PR e, sobretudo, seu pai, tem se marcado por posições dúbias, integrando a bancada governista, mas com críticas fortes ao PT e à administração de Dilma Rousseff (PT), isolada em sua pior crise de popularidade desde que foi eleita presidente a primeira vez em 2010. Particularmente, o que acha não só de Dilma e seu governo, mas dos últimos 13 anos do Brasil sob comando do PT?

Clarissa - Não há nenhuma dubiedade. O Garotinho é sempre muito claro nas posições dele, às vezes até sofre críticas por isso. O PR nacional tem agido com imensa fidelidade à presidente Dilma. Mas o fato relevante é a imensa insatisfação de um número de parlamentares e filiados que não concordam com muitas medidas apoiadas e implementadas pela presidente que contrariam suas promessas de campanha, como a regulamentação da terceirização para atividade-fim e as novas regras que dificultam o acesso ao seguro desemprego. Eu faço parte deste grupo.

 

Folha – Na edição de quinta de O Globo, o colunista Ancelmo Gois deu (aqui) como certa sua saída do PR, especulando que seu destino mais provável é o PSDB, numa costura com o líder dos tucanos na Câmara Federal, deputado Carlos Sampaio. Sua saída é certa? E o novo destino?

Clarissa - Outra hora falamos sobre isso.

 

Folha – Sobre a sucessão de Rosinha em 2016, você disse (aqui) em entrevista ao Blog do Bastos: “Em 2016, o PR só precisa escolher o candidato certo, que o una o partido e dialogue com a sociedade”. Diante das dificuldades históricas do garotismo junto ao eleitor de maior escolaridade e renda, esse diálogo seria mais fácil com candidatos como o vice-prefeito Dr. Chicão (PP) ou o vereador Mauro Silva (PT do B)?

Clarissa – Interessante você falar em garotismo. Isso só amplia a relevância do Garotinho na política do nosso Estado. Já ouvimos falar em lacerdismo, getulismo, brizolismo, chaguismo… Mas nunca ouvimos falar de cabralismo, moreirismo e tampouco teremos o pezismo. Continuo achando que é cedo para definir nomes e que o melhor candidato é aquele que conseguir unir o maior número de virtudes: competência, lealdade, capacidade administrativa e de diálogo com a sociedade.

 

Folha – Na mesma entrevista, você disse que sua mãe conseguiu se reeleger porque teve o primeiro governo bem avaliado. Por essa lógica, as coisas se dificultam para 2016, quando as duas últimas pesquisas junto ao campista, feitas em abril por Pappel e Pro4, deram (aqui) ao governo Rosinha, respectivamente, 43% e 39,7% de ruim e péssimo, diante de só 19,9% e 26,3% de bom e ótimo?

Clarissa - Queda de avaliação é natural neste momento de crise nacional e nós ainda fomos afetados com a crise do petróleo que nos fez perder 40% da arrecadação. Não existe mágica matemática. Diminui receita, é preciso fazer cortes. E todo corte produz insatisfações. Além disso, o sentimento geral do país é negativo. Com o aumento da inflação, o poder de consumo fica reduzido. Estamos sofrendo o reflexo de tudo isso. Ainda assim, somos aprovados por mais da metade da população. Aquela que entende que a prefeita mudou a cara da cidade, que estamos buscando preservar as principais conquistas sociais e que torcem pra que a cidade supere este momento difícil.

 

Folha – Mais detalhada, a pesquisa da Pro4 aferiu (aqui) que 65,5% do eleitorado hoje não votariam no nome apoiado por Rosinha em 2016. E essa rejeição a qualquer candidato governista chega a 90% entre os que têm curso superior e 92,9%, naqueles que ganham mais de cinco salários mínimos. Como reverter números tão negativos nos próximos 16 meses?

Clarissa - A pesquisa de boca de urna no Estado, quando todos já tinham votado, indicava Garotinho e Pezão no segundo turno com uma diferença de apenas 6 pontos. Me diga você: devo acreditar em pesquisas? Tem pesquisa séria, tem eleição estranha, tem instituto que vende pesquisa… não sei qual é a função de divulgar pesquisa. Influenciar o eleitor? Fazê-lo mudar de opinião?

 

Folha – Em 2012, antes de sua mãe disputar e vencer a reeleição ainda no primeiro turno, você desdenhou, mas acertou ao afirmar (aqui) que “a oposição em Campos não faz nem cosquinha”. Diante dos números de avaliação popular hoje desfavoráveis (aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), a mudança se deve mais a acerto dos opositores ou erros do governo?

Clarissa - Se você insiste em falar de pesquisa e números eu te digo uma coisa: Rosinha tem avaliação melhor que a maioria dos prefeitos do Rio e do país. O momento é de crise nacional, a avaliação de todo mundo sofreu impactos. A oposição da cidade é ruim, por que não é oposição responsável. Eu votei a favor do governo várias vezes quando fui deputada estadual, porque os interesses coletivos devem estar acima dos interesses pessoais. Nunca fiz oposição ao Estado, embora discordasse veementemente do Governador. Aqui misturam as coisas e acabam fazendo oposição à cidade.

 

Folha – Falando sinceramente, o maior erro recente do seu grupo não foi ter insistido na candidatura de Garotinho a governador, sem conseguir chegar ao segundo turno, além de neste ter apoiado Marcelo Crivella (PRB), perdendo (aqui) para Luiz Fernando Pezão (PMDB) em cinco das sete zonas eleitorais de Campos? 

Clarissa - Ganhar e perder faz parte do processo político e da vida. Erro é não defender suas ideias e buscar seus sonhos. Ele sabia que enfrentaria uma forte estrutura econômica e que o campo popular estaria dividido em três. Mas quis correr o risco, e a diferença pro Crivella foi muito pequena. Se Garotinho não fosse ousado jamais teria saído da rádio Continental de Campos e chegado a ter seu nome entre os principais candidatos à presidência da República, com mais de 15 milhões de votos. Há pessoas que ficam estacionadas na vida, observando e até criticando a trajetória dos outros. Nem sempre tudo dá certo, mas o que vale é a coragem e disposição para enfrentar a vida e seus desafios.

 

Folha – Militante histórico do garotismo, o deputado estadual Geraldo Pudim tem declarado entender que um ciclo do movimento se esgotou, desde que tomou as rédeas de Campos em 1989, e precisa agora se reciclar para ter êxito em 2016. Concorda? Por quê? 

Clarissa - Fico feliz de saber que ele pensa assim. Renovação não significa desconsiderar a importância de cada pessoa que ajudou a construir uma história, significa apenas que ela precisa de novos formatos, nova linguagem e novos personagens que vão defender o mesmo legado. A política é feita de ideias. Os líderes formulam essas ideias, que inspiram outras pessoas, em várias gerações e abrem espaços para elas. E essas pessoas tem o dever de dar sequencia, de atualizar as ideias, de traçar novas estratégias. E também de serem respeitosos e leais com aqueles que os inspiram.

 

Folha – Wladimir (PR) e o deputado estadual Bruno Dauiare (PR), apoiado por seu irmão e você na última eleição, fazem parte dessa reciclagem? Quem mais? Você representa a renovação do garotismo apenas no Rio e Brasília, ou pensa em um dia também sê-la em Campos?

Clarissa - A renovação é reconhecida, não deve ser auto-intitulada.

 

Folha – Campos lhe deu 47.470 votos na última eleição, equivalentes a impressionantes 19,89% dos votos válidos parta deputado federal. Como pretende honrar essa votação na Câmara Federal e o que isso é capaz de projetar ao seu futuro no município?

Clarissa - A minha cidade sempre poderá esperar de mim dedicação e trabalho. Em Brasília já me reuni com o ministro dos Portos para acelerar os estudos para a implementação da segunda fase do Porto de Barra do Furado. Já estive no DER cobrando respostas sobre a licitação que emperrou as obras que ligam Campos a Quissamã, nos reunimos com a Companhia aérea Azul para tentar a volta dos voos para o Santos Dumont, estamos monitorando a execução das emendas parlamentares para a cidade e trabalhando incansavelmente pela aprovação no Senado do projeto que cria o Fundo de Recuperação Econômica dos Municípios Produtores de Petróleo. Sei o tamanho da confiança que a minha cidade me cofiou e sei o tamanho da responsabilidade que isso representa.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

 

Crítica de cinema — O falso mentiroso

Cinefilia

 

 

O vendedor de passsados

 

Mateusinho 3O VENDEDOR DE PASSADOS — Numa de suas muitas críticas à cultura do simulacro, o saudoso livre pensador Jean  Baudrillard (1929-2007) propôs uma reflexão de “Perdidos de vista”, reality show francês dedicado à busca de pessoas desaparecidas, programa que faria de seus  telespectadores os verdadeiros sumidos, à espera de serem arrancados do anonimato a que estão condenados do outro lado da tela. Foi assim que imaginou a história de um ilusionista, como David Copperfield (o famoso no Brasil, pela tevê, nas décadas de 1980 e 1990; não o personagem de Charles Dickens), que – capaz de fazer sumir, por prestidigitação, animais e objetos –, sem querer, desaparece com a assistente de palco, mulher que o mágico nunca mais consegue trazer de volta.

Na mesma semana da estreia cinematográfica em Campos da nova versão de “Poltergeist – O fenômeno”, que leva a protagonista mirim da trama para o outro lado do televisor, por obra de forças sobrenaturais, eis que chega também por aqui um filme nacional em que o personagem principal tem como função inventar e vender passados a certas pessoas que, sem eles, talvez não conquistassem tão fácil e rapidamente os futuros com que sonham.

É desse jeito que “O vendedor de passados” Vicente (Lázaro Ramos) consegue uma noiva para Ernâni (Anderson Muller), homem rico, mas ex-gordo, virgem de (mais) de quarenta anos, porque sem habilidade com as mulheres e criado por mãe que apanhava do pai. Em parceria com o médico Jairo (Odilon Wagner), responsável por submeter Ernâni a uma cirurgia bariátrica, Vicente se incumbe de elaborar um álbum em que o personagem de Muller ostenta fotos de um falso casamento com uma falsa ex-mulher. Fisicamente recauchutado e economicamente endinheirado, um solteirão na idade dele conseguiria sem grande embaraço uma pretendente se somasse a seu currículo a condição social de divorciado. Como que por inspiração de ideias freudianas e frankensteinianas, a ex de papel do cliente em questão é materializada, a partir da manipulação de imagens no computador, com traços físicos da genitora dele — e não poderia parecer-lhe mais adequada.

Não é bem assim que o hábil Vicente recebe o desafio lançado pela personagem de Alinne Moraes. Contrariando todos os protocolos desse vendedor de passados, ela chega ao estúdio dele sem avisar e não revela nada de seu passado (nem mesmo seu nome), a não ser cicatrizes que traz nas costas. A moça faz apenas uma exigência a esse frequentador e consumidor de produtos da Feira de Antiguidades da Praça XV do Rio de Janeiro: que faça dela a responsável por um assassinato.

Órfão que só conhece seus pais adotivos, Vicente tem por hábito recriar não só vidas alheias, mas a sua própria. Conquista mulheres que leva para seu apartamento, apelando para a comoção delas. A cada uma mostra um novo passado, em registros em VHS de reportagens de TV conduzidas pelo pai de criação falecido — matérias que fazem desse charlatão um sobrevivente recém-nascido de toda sorte de tragédias que teriam vitimado seus supostamente verdadeiros genitores (chacina, incêndio). Depois de dar à personagem de Alinne Moraes o nome de Clara — agora a assassina de um falso pai adotivo, um torturador portenho de uma das ditaduras da Argentina —, Vicente a inclui na lista das seduzidas. Mas, ao contrário das outras, ela não só não acredita numa das versões em vídeo para o passado do embusteiro, como o passa para trás (usando a história que compra a ele e transforma num livro de sucesso) e o leva a buscar, com a mãe adotiva, sua verdadeira e ignorada origem. Que, em meio a uma trama de tantas mentiras, pode muito bem não ser a mostrada a ele (e ao público) em certa altura deste longa-metragem. Como o ilusionista de Baudrillard, Vicente já não tem controle sobre sua especialidade.

Primeiro drama de Lula Buarque de Hollanda (documentarista que, no campo da ficção, dirigiu “Casseta & Planeta – A taça do mundo é nossa”), “O vendedor de passados” é uma adaptação livre de um romance homônimo do escritor angolano José Eduardo Agualusa. Com uma abertura para um número de questões inversamente proporcional à duração relativamente curta do longa (não chega a hora e meia) e um desfecho menos imprevisível para cinéfilos que para o grande público. O que não é pouco, em termos de produções da Globo Filmes e, sobretudo, em meio a tanta comédia nacional  no padrão da Vênus Platinada que chega aos palcos do Trianon ou às salas de cinema de Campos (sentada numa cadeira atrás da ocupada pelo autor destas linhas, uma senhora que certamente esperava do filme algo como o que encenam seus atores em telenovelas reclamou: “Ah, que palhaçada!”).

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

Confira o trailer do filme:

 

 

 

Quer aprender sobre cinema e teatro? Então vá ao Sesi!

Sesi 30-05

 

Enquanto boas produções locais, como o filme “7Solidões” (2015), de Carlos Alberto Bisogno, evidenciam aqui o quanto o cinema de Campos ainda precisa evoluir em muitos aspectos, iniciativas como as do Sesi-Campos, capitaneadas pelo incansável diretor teatral Fernando Rossi, dão chance para que isso aconteça. No próximo sábado (30/05), às 10h da manhã, o espaço promove o worshop “Cadeia produtiva do mercado audiovisual”, ministrado pelo Victor Lotte, com vagas limitadas, ao custo individual de R$ 15,00.

Antes disso, com entrada franca, às 20h da próxima quarta (27/05) a peça “Apoptose”, do Teatro Universitário da UFF (Tuff), leva ao palco a apresentação de técnicas teatrais e expressões corporais para discutir questões sociais, políticas, filosóficas e estéticas, passeando pelas máscaras opostas e complementares da tragédia e da comédia. Após a encenação, rola um bate papo com o diretor Luiz Esparrachiari.

Acima e  abaixo os cartazes dos dois eventos:

 

Sesi 27-05