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Governo Rosinha promove debandada em massa dos RPAs

Se foram usados na tentativa de eleger candidatos rosáceos a vereador e prefeito de Campos, só as investigações iniciadas do período de campanha eleitoral, mas no momento paradas (confira aqui), poderão dizer. Mas parece claro que a menos de 30 dias de entregar o poder, após oito anos de governo Rosinha Garotinho (PR), os servidores por Recibo de Pagamento Autônomo (os famosos RPAs) estão sendo dispensados em massa da Prefeitura de Campos.

Considerado o principal responsável nas denúncias de contratação dos RPAs a toque de caixa durante o período eleitoral, o atual secretário de Gestão de Pessoas e Contratos Fábio Ribeiro tem agora se prestado ao antipático papel de arauto dos desligamentos. E a debandada parece ser mesmo geral.

Se ontem os RPAs do Hospital Ferreira Machado (HFM) e Hospital Geral de Guarus (HGG) buscaram a reportagem da Folha da Manhã para denunciarem (aqui) seus desligamentos, colocando em risco os atendimentos já precários em ambos os hospitais, o processo parece se estender sobre todos os demais setores de um governo que caminha melancolicamente ao fim.

Assinado por Fábio Ribeiro, confira abaixo o comunicado datado de 28 de novembro, sobre o reflexo direto dos desligamentos dos RPAs na Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL):

 

RPA FCJOL

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Guilherme Carvalhal — Filho Imaginário

Carvalhal 30-11-16

 

 

Sobre o criado mudo, ela imaginou um porta-retratos. A foto reproduzia o filho ou a filha — jamais saberia o sexo — banhando-se no lago, segurando um balde na mão com expressão estampada de alegria. Ao redor, todo o restante da família passando férias, desfrutando a procrastinação ao vento apaziguador em uma tarde quente. O retrato surgia como a emanação do passado idealizado e sua memória recompunha essa cena em colorações críveis.

Ali, reclinada na janela de casa, conseguiria esperá-lo(a) para o almoço quando chegasse da escola. Ouviria com sabor as palavras gritadas além da calçada, os passos de tênis nas poças de lama e a sola marcando pegadas no carpete de sala. Sua mochila lançada de qualquer jeito causaria o grito maternal, aquele grito que tanto desejava ter dado.

Agora, parando de frente ao depósito onde guardava tranqueiras, vislumbrou o quarto da criança, o bercinho adornado com desenhos de estrelas e um urso de pelúcia ajeitado ao lado do travesseiro. À medida em que crescesse substituiria o berço por uma cama e passaria os últimos minutos do dia contando histórias e ouvindo aquela respiração suave até o sono chegar.

Todas essas quimeras se erguiam das frestras do piso e infundiam tons primaveris pelas paredes gélidas e sua atmosfera melancólica. O cheiro de talco infantil perfumaria aquele ambiente inodoro, conspurcando o clima hospitalar e profilático da solidão. Um arco-íris infundiria vida na residência onde o luto se impôs e nunca se retirou.

E a busca por essa remissão crepuscular, por um cerrar de cortinas propenso a encerrar uma abstração interpretativa e que a levasse de volta à realidade sonhada ao invés daquela relegada por vontades alienando a sua própria, a forçava a um abrir e fechar de portas, constantemente tentando reaver o ser escondido, o filho que contra seu desejo escapou-lhe pelo útero, roubado por mãos esterilizadas — ou não. Talvez se escondesse por trás da máquina de lavar roupas ou dentro do box do banheiro. Às vezes havia trepado na goiabeira do quintal e se camuflava entre as folhas. Assim, ela perambulava a esmo, uma alma penada assombrando sua moradia.

E, quando se despia do véu de quimeras e confrontava a verdade, uma verdade de gosto amargo, a porta do armário se iluminava com a lembrança mais cintilante e permanente. O único objeto efetivamente tangível e verídico mantinha-se ali, trancafiado, ajudando-a a pagar por seus pecados, assustadoramente concreto. Na segunda prateleira, o frasco repleto de formol contendo o pequeno embrião ainda inteiro. Igual um girino em tamanho maior, roubado de uma sacola antes que lhe incendiassem, a marca principal de um pecado imperdoável, um perdão que procurava vagando aleatoriamente pelo mundo como se em algum canto obscuro pudesse encontrar um botão capaz de mudar o passado.

 

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Tragédia mais próxima na figura que ficou faltando

Mário Sérgio, o “Vesgo”, figura mais difícil do álbum da Copa de 1982 (Reprodução)

Mário Sérgio, o “Vesgo”, figura mais difícil do álbum da Copa de 1982 (Reprodução)

 

 

Era 1982. Tinha 10 anos e acompanhava desde o ano anterior, nas eliminatórias sul-americanas e amistosos vencidos contra as mais poderosas seleções europeias, a brilhante campanha da Seleção Brasileira treinada por mestre Telê Santana (1931/2006).

Antes e durante a Copa do Mundo na Espanha, eu e todos os amigos do prédio, da rua e da escola colecionávamos o álbum de figurinhas das seleções de cada país. Vinham nos chicletes Ping-Pong, que acabavam amontoados nos pátios das escolas, derretidos ao sol, sem conhecerem a boca das crianças interessadas apenas nas figuras.

Na Seleção Brasileira, o craque do time, Zico, era figurinha das mais fáceis. Já Mário Sérgio, relacionado pela CBF na lista da Fifa, mas que acabaria cortado e nem jogando aquela Copa, era a mais rara. Com valor majorado pela lei da oferta e procura, apareceram até falsificações da sua figura.

Mário Sérgio acabou não jogando a Copa de 82 por aquela Seleção Brasileira, até hoje reconhecida no mundo como uma das mais técnicas de todos os tempos, apesar da derrota por 3 a 2 diante à Itália, nas quartas de final. Todavia, mesmo entre meias como Zico, Sócrates (1954/2011), Falcão e Toninho Cerezo, o “Vesgo” não fazia feio.

Hoje politicamente incorreto, o apelido se dava pelo jogada característica em que Mário Sérgio olhava para o lado e tocava a bola na direção contrária. No futebol, Ronaldinho Gaúcho reeditaria o lance. Contemporâneo do “Vesgo”, mas em outro esporte, Magic Johnson também produzia jogadas muito parecidas no basquete da NBA.

Em 1983, o Flamengo de Zico conquistaria seu terceiro título brasileiro, quase em sequência. Já vencera antes o Brasileirão em 80 e 82, além da Libertadores da América e o Mundial Interclubes em 81. Mas em 83, quem conquistou o Sul-Americano, para depois vencer o campeão europeu em Tóquio, foi o Grêmio.

O técnico do time brasileiro, que havia encerrado há pouco a carreira de jogador, era Valdir Espinosa. Para enfrentar a força do alemão Hamburgo, o treinador gaúcho queria técnica. E, na sua busca, convenceu a diretoria do Grêmio a contratar Mário Sérgio, que ditou o ritmo da vitória por 2 a 1, com dois gols de Renato Gaúcho.

Jogador talentoso, mas de temperamento difícil, Mário Sérgio esteve envolvido em polêmicas desde o início de carreira, repetidas por quase todos os clubes em que passou. E continuou sem papas na língua com o passar do tempo, quando passou a atuar como comentarista e treinador de futebol.

Como jogador, sua última partida é o resumo do que foi dentro e fora dos campos. Já veterano, era a quinta rodada do Brasileiro de 1987, quando recebeu a camisa 10 do Bahia. Jogou o primeiro tempo com atuação extraordinária, desceu para o intervalo, antes de todo mundo, como protagonista da vitória parcial por 1 a 0 sobre o Goiás.

Nas palavras do meia Bobô, ídolo do Brasileiro que o Bahia conquistaria no ano seguinte: “Quando chegamos ao vestiário, Mário Sérgio já estava trocado, perfumado. Fez um pronunciamento muito educado, agradeceu a todos nós e disse que não voltaria ao segundo tempo. No vestiário, ele anunciou o fim de sua carreira”.

Hoje, com a notícia da queda do avião com o time da Chapecoense, na Colômbia, a tragédia pareceu mais perto ao saber que entre os 71 mortos estava o atacante campista Bruno Rangel. Pai de dois filhos e morador do Parque Prazeres, passou por Goytacaz e Americano antes de ganhar o mundo. Ele completaria 35 anos no próximo dia 11.

Ser conterrâneo da dor nos aproxima dela, tanto quanto ser contemporâneo. E ela ficou mais íntima quando soube que Mário Sérgio também perdera a vida. Tinha 66 anos e viajava como comentarista da Fox para cobrir a final da Copa Sul-Americana, que seria disputada amanhã pelo time catarinense, contra o Atlético Nacional da Colômbia.

Na lembrança do passado, não deu para imitar o “Vesgo”. Impossível olhar para um lado e tocar a bola do outro. No álbum de figurinhas do menino, num mundo que se começava a descobrir pelos ídolos do futebol, Mário Sérgio foi aquela que permanecerá faltando.

 

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Taxistas reagem a Uber, mas se calam ao “Nova Brasília/Espranada”

Os blogueiros da Folha Online Christiano Abreu Barbosa (aqui e aqui) e Alexandre Bastos (aqui, aqui e aqui) já trataram da questão da chegada do Uber em Campos, bem como da reação dos taxistas locais. Pois aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, o jornalista e músico Rogério Soares de Siqueira fez uma indagação bastante pertinente aos taxistas de mesma cidade onde as lotadas atuam livremente, mesmo à margem da lei:

—  Qual sentido de se mobilizar contra o Uber se ao longo dos anos não me lembro de ver a mesma mobilização para combater o serviço de lotadas irregulares?

Abaixo, confira a íntegra da postagem do Rogério, com título no mais “fruentre” campistês berrado diariamente no chamamento das lotadas que os taxistas fingem ignorar:

 

Uber

 

Nova Brasília-Espranada!!!

 

Essa história do Uber causa furduncio onde quer que a empresa se instale. Campos não ta sendo diferente. A classe dos taxistas tem se mobilizado contra o serviço. Fica a pergunta: qual sentido de se mobilizar contra o Uber se ao longo dos anos não me lembro de ver a mesma mobilização para combater o serviço de lotadas irregulares? O Uber tem base contratual bem definida e criterios rígidos de qualidade. As lotadas pelo que lembro, são apenas parte de um grande esquemão que fixa ponto em frente a pontos de taxi( como é o caso da praça Sao Salvador) e de uma maneira pitoresca suplanta o incipiente sistema de transporte público do município. Reclamar do Uber parece um contrassenso a medida em que se é conivente com as lotadas.

 

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Novo time da Cultura é formado, enquanto Rosinha convoca vereadores

Ponto final

 

 

TB aos artistas

O fato de que a direção do Teatro de Bolso Procópio Ferreira, no governo Rafael Diniz (PPS), caberá ao experiente diretor teatral Fernando Rossi, teve grande aceitação após ser anunciada ontem (aqui) na Folha Online. Não só da classe artística, como do “respeitável público”, ambos saudados e convocados por Rossi em sua nova missão, que passará a dividir com a coordenação da programação cultural do Sesi: “Minha intenção é devolver o Teatro de Bolso aos artistas de Campos. E, trabalhando juntos, teremos a missão de levar a comunidade de volta ao TB”.

 

Time da Cultura

Mas a definição de Rossi não foi a única tomada pela futura presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), Cristina Lima. O time da cultura montado por ela para entrar em campo a partir de 1º de janeiro de 2017 trará ainda o cenógrafo Carlos Vazquez, na direção do Teatro Trianon; o ator e arquiteto Rodrigo Espinosa, na direção artística do mesmo teatro; o historiador e pesquisador Marcelo Sampaio, na gerência de Cultura Popular; o renomado artista plástico João Oliveira, na gerência de Artes Plásticas e Visuais; o cantor e apresentador Viny Soares, na Chefia de Gabinete; além do ator Pedro Fagundes, nas Artes e Ofícios.

 

Trabalho coletivo

A espinha dorsal da equipe já está montada, mas pode ainda contar com mais reforços, cuja definição é esperada para os próximos dias. Filha de Oswaldo Lima (1912/73), Cristina se mostra consciente daquilo que a cultura traz em comum com o jornalismo: ambos são sempre fruto de trabalho coletivo. Entregue pelo governo Rosinha Garotinho (PR) com a maioria dos seus espaços públicos fechados para reformas sem reforma, a cultura do município só poderá ser resgatada com a mobilização da classe artística e da comunidade. E que ninguém se engane: após oito anos dos rosáceos no poder, a herança é terra arrasada.

 

O mestre mandou (I)

Desde o início dos julgamentos dos 11 vereadores eleitos pelo grupo governista e que respondem a ações de Investigação Judicial Eleitoral (Aije), apenas Vinicius Madureira compareceu ao Salão do Júri do Fórum de Campos. Não se manifestou, porque não cabe nesta fase do processo, mas acompanhou atentamente a audiência e oitiva das testemunhas. Os demais eleitos seguiram orientação da defesa e não deram as caras, mesmo sendo um momento que definirá o futuro político deles.

 

O mestre mandou (II)

Porém, a presença foi maciça na reunião promovida, na tarde de ontem, pela prefeita Rosinha, que retornou de seus três dias oficiais de licença, tirados entre os dias 23 e 25. Além de falar de políticas públicas, Rosinha aproveitou a reunião para continuar mobilizando o grupo, depois do impacto da prisão do marido Garotinho com cenas que ganharam o noticiário nacional. A prefeita também focou a eleição para a nova mesa diretora da Câmara.

 

O mestre mandou (III)

Resta saber se na sessão de hoje, na Câmara Municipal, os vereadores rosáceos vão comparecer. Depois de uma longa “folga”, semana passada houve sessão, mas no estilo “vapt-vupt” por falta de “pauta”. O vereador reeleito Marcão Gomes (Rede), contestou, dizendo que o motivo é “falta de disposição” para encarar debates importantes. Marcão, aliás, já colocou seu nome para disputar a presidência da Casa no próximo ano. Vereadores governistas também já apresentaram seus nomes.

 

Outro de olho na presidência

Novo no páreo, mas antigo na disputa política, o vereador eleito Marcos Bacellar (PDT) também pleiteia a presidência, sendo o sétimo nome a surgir como opção. Ele obteve decisão favorável do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), validando seus 2.685 votos e deverá entrar no lugar da governista Cecília Ribeiro Gomes. Bacellar foi presidente do Legislativo no mandato de Alexandre Mocaiber, após liderar um grupo “independente”.

 

Com a colaboração da jornalista Suzy Monteiro

 

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Carol Poesia — Sobre Elis

 

Carol Poesia 29-11-16

 

 

 

O que é mais encantador em Elis é a sua perturbação. Não é a voz, não são as canções, não é a beleza. Tudo isso é apaixonante, sem discussão, mas a explosão Elis vem do tédio. Nitidamente vem do tédio. Se eu pudesse diria a ela “Minha musa, não existe tédio mais honesto que o seu”.

A cada performance uma explosão. Uma energia inigualável, inimitável. Elis arrebatou, não apenas pelo seu talento, mas por sua fome de vida, que é, inevitavelmente, também, fome de morte.

Ao assistir ao filme “Elis”, maravilhoso, diga-se de passagem, me veio à mente uma reflexão sobre os artistas. Como é penoso seguir sendo artista frente às demandas de estabilidade. E quando digo “estabilidade”, não restrinjo apenas à estabilidade financeira, que por si só já é um enorme problema de ordem prática, mas estendo a questão ao que diz respeito à estabilidade emocional, psíquica, amorosa, familiar etc.

A vida exige estabilidade, não há saúde que perdure acompanhada de insistente montanha-russa. Tantos bons artistas morreram precocemente. Todos com o mesmo perfil:  enormes para si. Entendo “bons artistas” como aqueles que conseguem, com qualidade, transformar seus incômodos em obras catárticas, e fazer com que tanta gente sinta. Existem artistas que causam euforia apresentando uma “punheta de suas questões”, não é disso que se trata Elis. Os grandes artistas transformam a sua dor em uma dor de todos, porque tornam o outro sensível a ponto de perceber que, de fato, trata-se de uma dor de ser humano. É isso que sinto toda vez que ouço Elis. Sinto uma dor que é a dor de ser humano.

Ser humano dói. E aos artistas, que vivem de tornar esteticamente aceitável o lhe dói, dói ainda mais, porque é uma missão nunca saciada. Vive-se e morre-se um pouco a cada palco. Deixa-se ali carne e alma. O artista não se suporta sem essa doação e não dura muito tempo quando essa doação é total. É a montanha-russa: o prazer de quase morrer e assim perceber que se está vivo.

Para alguns a realidade não basta. Algumas pessoas saciam (temporariamente) o desejo de transcender o real fazendo arte, outros pulam de bungee jumping, outros com entorpecentes, ou com religiosidades, ou com tudo isso.

Temos poetas, temos profetas, temos drogados (vinho, poesia ou virtude, como diria Baudelaire). E temos Elis, que era tudo isso: a dor, o bungee jumping, a montanha-russa, a profecia, as drogas e a poesia. Elis, como artista de tudo, sentia demais. Não cabia em si. De tanta humanidade, virou Deus. E se foi.

 

 “Embriagai-vos!

Deveis andar sempre embriagados. Tudo consiste nisso: eis a única questão. Para não sentirdes o fardo horrível do Tempo, que vos quebra as espáduas, vergando-vos para o chão, é preciso que vos embriagueis sem descanso.

Mas, com quê? Com vinho, poesia, virtude. Como quiserdes. Mas, embriagai-vos.

E si, alguma vez, nos degraus de um palácio, na verde relva de uma vala, na solidão morna de vosso quarto, despertardes com a embriaguez já diminuída ou desaparecida, perguntai ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo que gene, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai que horas são. E o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio vos responderão:

— É a hora de vos embriagardes! Para não serdes escravos martirizados do Tempo, embriagai-vos! Embriagai-vos sem cessar! Com vinho, poesia, virtude! Como quiserdes!”

 

Charles Baudelaire , Petits poémes en prose, 1869.

Nota: Trad. de Paulo de Oliveira (1937).

 

Um brinde à ELIS!

 

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Das reações, seus filtros e suas revelações

melancia na cabeça

 

 

A partir do advento da democracia irrefreável das redes socias, a própria mídia virtual passou a ter mais filtros. No cruzamento entre as interações com você, leitor, entre as manifestações no blog e no link das suas postagens no Facebook, algumas coisas interessantes se revelam.

A postagem, por exemplo, que no último sábado anunciou (aqui) a advogada Mariana Lontra Costa na superitendência de Justiça no governo Rafael Diniz (PPS), mesmo sem nenhum aditivo pago no Facebook, teve lá 882 curtidas e 13 compartilhamentos, enquanto recebeu 31 comentários no blog — destes, 16 críticos.

Apesar das regras da Folha Online, que vedam o anonimato nos comentários, seus filtros são menores do que no Facebook, onde os perfis fakes se revelam muito mais facilmente. E, nos links da postagem do blog no Face, tanto (aqui) na linha do tempo pessoal do blogueiro, quanto (aqui) na página do “Opiniões”, nenhum comentário foi feito.

Para um observador medianamente atento, fica evidente que a indicação de Mariana sofreu um ataque encomendado nos comentários do blog, onde o anonimato, mesmo vedado, é mais fácil de ser mantido. Na exposição maior do autor no Facebook, nenhum comentarista deu as caras.

De autor bem conhecido foi o comentário (aqui) no blog feito pelo advogado Filipe Estefan, ex-presidente da OAB-Campos e futuro procurador geral do governo Carla Machado (PP) em São João da Barra, à indicação da jovem colega à próxima administração de Campos:

— Dra. Mariana Oliveira Lontra Costa está qualificada pra assumir a referida pasta. Competente, dinâmica, inteligente e profunda conhecedora do direito de Família e Cível, é a pessoa certa pra desenvolver um trabalho profícuo em defesa dos cidadãos hipossuficientes de Campos dos Goytacazes. Parabéns Dra. Mariana!

Entre esses filtros cruzados da mídia virtual, acaba se encontrando de tudo. Há até quem se disponha a não enxergar as mazelas da sua própria geração, que desaguaram em desastres como o garotismo e o lulopetismo, enquanto questiona as mudanças provocadas no mundo pela chamada “geração Y”, nascida entre os anos 1980 e 90.

Talvez fosse ridículo questionar isso no Facebook, criação de Mark Zuckerberg, o maior expoente, aos 32 anos, da tal geração Y e suas revoluções de ordem global. Mas ser do contra, por sê-lo, ainda que anacrônico, pode ser mais divertido. Mesmo que do outro lado esteja a lógica. E que existam maneiras mais inteligentes de envelhecer.

 

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Fernando Rossi vai assumir direção do Teatro de Bolso

Como a jornalista Suzy Monteiro adiantou aqui, vai tomando forma a equipe que, com Cristina Lima à frente, assumirá a Cultura de Campos a partir de 1º de janeiro de 2017. O Tetro de Bolso Procópio Ferreira, por exemplo, que foi alvo de uma ocupação pelos artistas e coletivos culturais da cidade, entre maio e junho deste ano, será dirigido por alguém bastante conhecido na classe: Fernando Rossi.

Diretor de teatro desde 1979, Rossi pisou no palco do Teatro be Bolso pela primeira vez em 1974, ainda como ator infantil. De lá para cá, já dirigiu mais de 20 peças no TB. Nos últimos anos, com o fechamento de espaços culturais importantes, que serão entregues pelo Governo Rosinha Garotinho (PR) sem serem reabertos, Fernando comandou uma ilha de resistência à frente da programação cultural do Sesi, onde se dividirá com a nova função no governo Rafael Diniz (PPS).

Do que pretende após assumir o TB, o conhecido diretor teatral adiantou:

 

Fernando Rossi

Fernando Rossi (Foto: Facebook)

 

— Minha intenção é devolver aos artistas de Campos esse espaço tão importante, de tantas histórias. E, trabalhando juntos, teremos a missão de levar a comunidade de volta ao Teatro de Bolso.

 

Confira amanhã (29) na coluna “Ponto Final”

 

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Tempo passa e leva ao poder em Campos uma geração que muda o mundo

Ponto final

 

 

(infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

(infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Geração Y

Geração Y. É assim que a Sociologia se refere aos nascidos entre os anos 1980 até meados dos 90, num mundo digital, preocupado com o meio ambiente, com livre fluxo de informação e relativamente mais estável — sobretudo após a queda do Muro de Berlim (1989). Estudiosos, como o pesquisador canadense Don Tapscott, se dedicam a entender como esses jovens têm mudado rapidamente os rumos do planeta. A jornalista brasileira Rita Loiola descreveu assim a geração à qual pertence: “Eles já foram acusados de tudo: distraídos, superficiais e até egoístas. Mas (…) têm fortes valores morais e estão prontos para mudar o mundo”.

 

Geração da ruptura

Em Campos, a vitória de Rafael Diniz (PPS) nas sete Zonas Eleitorais, ainda no 1º turno da eleição a prefeito, seria por si só um case sobre a chegada da ao poder da geração Y. E as primeiras indicações do novo governo mostram que, além do caso individual, se trata da vitória de uma geração sobre aquela que, em Campos, havia tomado o poder nos mesmos anos 1980 na qual nasceram seus sucessores. Daí estes terem sido chamados ontem, (aqui) nesta coluna, de “geração da ruptura”, em relação aos nomes de mais idade e péssimos resultados, que pouco ou nada variaram entre os governos Alexandre Mocaiber e Rosinha Garotinho (PR).

 

Thiago e Mariana

Ontem, o governo Rafael confirmou mais dois nomes da sua equipe: o publicitário Thiago Bellotti, a quem caberá a coordenação da transição na pasta da Comunicação, além da advogada Mariana Lontra Costa, que comandará a superintendência de Justiça. Thiago se graduou pela Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, em Comunicação Visual, grade na qual depois lecionou no Instituto Federal Fluminense (IFF).

 

Feito

Após vários cursos de especialização na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), também no Rio, Bellotti passou a atuar no mercado publicitário, sobretudo no ramo imobiliário, conquistando contas de empresas importantes do setor, como Cyrela e PDG, além de Petrobras, LLX e EBX. Em marketing político, coube a ele a coordenação da campanha eleitoral de Rafael em TV, rádio e na democracia irrefreável das redes sociais, considerada fundamental na acachapante vitória das urnas de 2 de outubro.

 

Retomada

Por sua vez, Mariana se graduou na Faculdade de Direito de Campos (FDC), na qual também fez graduação em Civil e Processo Civil. Atualmente, é conselheira da OAB-Campos, na qual também dirige a Escola Superior de Advocacia. Entre 2001 a 2005, foi estagiária da então secretaria municipal de Justiça, implantada por sua mãe, a advogada Elizabeth Oliveira. Transformada em superintendência, a filha assumirá, com referencial de retomada: “Tenho um carinho enorme pela pasta, onde pude aprender muito e crescer profissionalmente. Fiz parte desse órgão em um período que o serviço funcionava com excelência”.

 

Tempo de Campos

Além dos currículos pessoais, os dois novos nomes do governo eleito pertencem à mesma geração Y. Dos 15 até agora indicados à transição, é o caso de nove: os advogados José Paes Neto (Procuradoria), Fábio Bastos (Governo) e Felipe Quintanilha (Controle Orçamentário); os sociólogos Brand Arenari (Educação) e Sana Gimenes (Assistência Social); o jornalista Alexandre Bastos (Chefia de Gabinete) e o empresário Helinho Nahim (Entretenimento); além de Thiago e Mariana. Isso sem contar o próprio prefeito Rafael Diniz, que assumirá o poder com a sua geração. Só é incapaz de entender a mensagem quem não viu o próprio tempo passar.

 

Tempo de Cuba

Para Fidel Castro (aqui), o tempo deixou de passar desde ontem, quando morreu aos 90 anos. Quando tinha apenas 33, o cubano liderou um feito em precedentes. Era 1959, quando um punhado de jovens idealistas derrubou pela força das armas o governo corrupto de Fulgencio Batista (1901/73), apoiado pelos EUA, numa ilha canavieira apenas 165 km distante de Miami. Da erradicação do analfabetismo e da saúde universalizada à supressão de liberdades e execução de dissidentes, Fidel oscilou ao longo dos anos, e ideologias, entre herói e ditador. Na dúvida de como a História o julgará, a certeza (saudosa?) de que seu tempo passou.

 

Publicado hoje (27) na Folha da Manhã

 

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Lembranças após a morte de Fidel

Da notícia hoje da morte de Fidel Castro, aos 90 anos, pela proximidade do testemunho de um amigo nos tempos em que a pequena ilha caribenha ainda abrigava sonhos de um mundo melhor — como permanecerá sendo, para alguns —, o texto que mais me tocou foi o do confrade Ricardo André Vasconcelos.

Ao contrário dele, o livro que me revelou a odisseia cubana não foi o famoso “A Ilha”, do também jornalista Fernando Moraes, mas “A Revolução Cubana”, do sociólogo Emir Sader, que devo ter lido mais ou menos quando Ricardo esteve em Cuba, acompanhando o então jovem prefeito de Campos Anthony Garotinho. Isso sem contar a Cuba pré-Revolução de 1959, que conheci nos romances “O Velho e o Mar” e “As Ilhas da Corrente”, de Hemingway (1899/1961) — Ernest(o) de batismo, como Guevara (1928/67).

Dos quatro principais líderes da Revolução Cubana, Fidel sempre estave longe de ser meu preferido, mesmo nos tempos marxistas da adolescência e juventude. Tampouco seu irmão mais novo, Raúl Castro, que continua a governar Cuba nos mesmos moldes — pelo menos enquanto der. Aos dois, preferia, lógico, o charme do Che, xará argentino de Hemingway.

Mas o revolucionário da Sierra Maestra com a qual mais simpatizei, de cara, foi o cubano Camilo Cienfuegos (1932/59). Militarmente superior aos três mais famosos, era ainda assim o mais humilde. Para completar sua mística de herói trágico, logo após a conquista de Havana, cuja vanguarda ele liderou, desaparecia num misterioso acidente de avião, sem que nenhum destroço ou corpo tenham sido até hoje encontrados.

Abaixo, o texto do Ricardo sobre Fidel, com uma ressalva: embora concorde que o ex-presidente dos EUA John Kennedy (1917/63) seja sobrevalorizado, ele merece mais do que Fidel a legenda de responsável pela sobrevivência do mundo, após a Crise dos Mísseis de Cuba, em outubro de 1962. Kennedy e o líder soviético Nikita Kurshev (1989/1971) tiveram que contornar a vontade dos seus próprios altos comandos militares para selarem a paz. Enquanto Fidel, declaradamente, queria manter os mísseis nucleares soviéticos em Cuba, mesmo ao custo de uma guerra atômica.

 

Fidel

 

 

Calou-se o Comandante

Por Ricardo André Vasconcelos

 

Das ruínas do socialismo sobrou o sorriso do mais carismático de seus líderes e, sem dúvidas, uma das personalidades mais amadas e odiadas da segunda metade do século XX. Fidel Alejandro Castro Ruz morreu na madrugada deste sábado, aos 90 anos, sem sua Cuba.

A geração que começou a tentar entender alguma coisa no final dos anos 70 e início dos 80, foi apresentada ao “comandante” pelo jornalista e escritor Fernando Moraes, com o seu livro “A Ilha”. Apesar de apontar avanços e problemas na pequena ilha do Caribe, que àquela época contava com menos de  três décadas de governo revolucionário, aquele quadro de analfabetismo zero e acesso de todos à saúde, encantou os jovens que ainda sonhavam transformar o mundo  numa sociedade só de iguais.

Mais que isso, a mim particularmente encantava como uma pequena ilha distante 165 km de Key West,em Miami, Flórida, enfrentava — com êxito — a maior potência militar do Planeta. A proximidade é tanta, que os cubanos dizem, talvez com uma dose de exagero, que do Malecon (dique que protege o centro da capital da Baía dos Porcos), é possível avistar as luzes de Miami em noites de lua nova.

Exagero ou não, Cuba esteve na mira e nos calcanhares dos norte-americanos desde que Fidel e seus companheiros desceram a Sierra Maestra para derrubar o ditador Fulgencio Batista; depois de virem do México a bordo do legendário “Il Granma”, pequeno barco que virou monumento público numa praça de Havana. Inúmeras foram as tentativas de eliminar Fidel, ou tomar mesmo o país, como tentou o não menos legendário (talvez injustificadamente) Kennedy, com a frustrada tentativa de invasão da Baía dos Porcos, em torno da qual se situa Havana.

Meses depois, Cuba foi o centro do mundo e o estopim de uma quase-guerra total, quando o líder soviético Nikita Kruschev mandou instalar mísseis no interior da ilha e apontados diretamente para os EUA. A crise ficou conhecida como “os treze dias que abalaram o mundo”  e contornada pela diplomacia K&K (Kennedy-Kruschev).

Na verdade, no ápice da Guerra Fria, Cuba era a ponta de lança dos soviéticos, que trocavam petróleo pelo açúcar, e mantinha uma economia artificial financiando um meio-socialismo que alguns críticos apontam como marketing de um sistema que já se mostrava impossível.

Em 1991 estive em Cuba em visita oficial acompanhando o então prefeito Anthony Garotinho, de quem era secretário de Comunicação. Cheguei ao aeroporto José Marti (um pouco maior que o nosso Bartholomeu Lysandro) com sonhos e ilusões numa pequena mala.

De fato, durante uma semana, vi boas escolas e avanços na área de saúde preventiva e pesquisas científicas, mas também algumas decepções: vigilância exacerbada, mendicância no coração da Havana Velha, serviços públicos (todos os serviços na época eram públicos) muito deficientes e o pior: o comandante estava inacessível em uma de suas muitas casas onde se escondia quando estava sujeito a atentados reais ou fictícios. Naquela semana de 1991, quatro opositores do regime tinham sido fuzilados no paredão.

Sim, Cuba, a romântica ilha que ainda guarda no Restaurante Floridita a mesa onde Ernest Hemingway tomava seus daiquiris, a Cuba livre de nossos sonhos e da ternura que não se perderia jamais, era, sim, uma ditadura com seus esqueletos, como qualquer outra.

Ausente do poder há quase uma década por causa de doença e com o poder repassado ao irmão Raul, Fidel já tinha virado lenda em vida e caberá a história julgar seu legado.

 

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