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Artigo do domingo — Futebol e nacionalidades

 

 

Era a noite de 25 de outubro de 1995. Jogo duro entre Grêmio e o argentino River Plate, no Olímpico, em Porto Alegre, menos próximo ao Guaíba do que o, por óbvio, Beira Rio do Internacional. Com a vista do Paraíba do Sul pela janela do apartamento, pai e filho assistiam ao jogo pela TV, juntos e com mais ninguém.

A tradição de há séculos, na verdade, tinha se formado no ano anterior, onde os dois assistiram a quase todos os jogos da Copa de 1994, nos EUA. Então, aos 22 anos, o filho vira o Brasil campeão do mundo pela primeira vez. Por sua vez, o pai dava fim a um hiato de 24 anos, desde que acompanhara pela TV o Tri no México, após ouvir pelo rádio o Bi de 1958 e 1962.

Mas o jogo que agora assistiam era válido pelas quartas de final Supercopa da Libertadores, entre clubes, não mais entre seleções nacionais. Pelo menos era o que o filho pensava durante quase todo aquele primeiro tempo, caminhando com a vitória parcial de 1 a 0 do Grêmio treinado pelo então promissor Luiz Felipe Scolari, num gol do centroavante Jardel, aos 43 minutos. Já nos descontos da etapa inicial, aos 46, numa falta a favor do River, à média distância, do lado esquerdo, a bola foi ajeitada com carinho pelo uruguaio Enzo Francescoli, camisa 10 e craque do time argentino.

Exímio cobrador, El Príncipe — como o meia atacante era conhecido por seu estilo clássico e elegante — bateu de direita para meter a bola no seu ângulo esquerdo. Enquanto o goleiro gremista Danrlei ainda procurava saber o que tinha acontecido, após pousar no chão do seu voo ao nada, o filho pulou do sofá e vibrou com a belíssima cobrança de falta, como se o gol fôra do seu próprio time. O pai, contrariado pela manifestação inesperada, protestou com veemência: “Porra, você está torcendo por time argentino contra time brasileiro?”

Por respeito e ainda sem racionalizar sua própria reação com o golaço de Francescoli, o filho nada respondeu. Calou e assistiu com o pai ao Grêmio marcar mais um gol, com Carlos Miguel, aos 14 do segundo tempo, para vencer por 2 a 1 aquele partida de vinda, da série de duas contra o River.

Passado menos de um mês, reunidos no mesmo quarto, diante da mesma TV, com o mesmo Paraíba correndo à vista da janela, as atenções de pai e filho confluíam agora ao Monumental de Nuñez, próximo ao rio da Prata que corta Buenos Aires, numa noite fria de 1º de novembro daquele mesmo ano da Graça de 1995. Foi quando, no jogo de ida, Francescoli marcou dois gols, incluindo o último, da vitória do River de 3 a 2 sobre o Grêmio, levando à disputa de pênaltis vencida pelo time argentino por 4 a 2.

Sem vibrar dessa vez com nenhum dos gols do craque uruguaio, o filho armazenou cada emoção para depois do jogo, sozinho em seu próprio quatro, tentar colocar em palavras o que sentira. Na manhã seguinte, entregou ao pai o papel com os versos:

 

el príncipe

(p/ enzo francescoli)

 

torcer contra time brasileiro

pelo uruguaio

como nome italiano

que joga no time argentino

por se gostar mais de futebol

do que de nacionalidades

embora seja o pai bairrista

e não goste muito

 

campos, 01/11/95

 

O pai leu e sorriu para dentro de si, como costumava fazer. Até que morresse, sem chegar a tempo da recém-encerrada Copa do Mundo, ele o filho não deixariam de ver um jogo importante juntos. E, pelo menos por conta de futebol, nunca voltaram a se desentender. Nem mesmo nos Fla-Flus.

Num documentário sobre sua obra como compositor e fanatismo enquanto boleiro, Chico Buarque afirmou: “Eu gosto mais de futebol do que do Fluminense”. Com pai e filho mais uma vez assistindo juntos, o segundo não deixou a bola passar e emendou de prima: “Pois eu gosto MUITO mais de futebol do que do Flamengo ou da Seleção Brasileira”. O pai tricolor, que hoje faria 78 anos, endossou em corta-luz a tabela.

 

Publicado hoje na edição impressa da Folha

 

 

 

 

 

O que se pode projetar após uma Copa de trabalho? Pausa!!!… Rs

pausa

 

Foi um mês e meio de muito trabalho, com seis finais de semana seguidos sem folga. Mas valeu a pena. Na cobertura jornalística da sétima Copa do Mundo, a ironia veio com a a reedição da mesma final e campeã da primeira, com a Alemanha vencendo a Argentina, como havia sido naquele Mundial de 1990, na Itália. A tragédia, como todos sabem e ainda arde à cara de quem nela tem vergonha, ficou por conta dos 7 a 1 diante da mesma Alemanha, nas semifinais de uma Copa concebida e realizada como projeto político em ano eleitoral, à custa do dinheiro público gasto num Mundial mais caro que a soma dos dois anteriores.

À parte isso, na certeza de que o jornalismo, como futebol, é trabalho coletivo desde antes dos tempos do Nelson Rodrigues (1912/80) — tão em voga nesta “pátria em chuteiras” definida por ele com intenção bem diferente —, todos os que trabalharam juntos nas coberturas das seis Copas anteriores pela Folha, ficam representados no agradecimento presente e pessoal ao Rodrigo Gonçalves, a Joseli Mathias, ao Eliabe de Souza, ao Arnaldo Neto, a Júlia Maria Assis, ao Nicholas Sampaio, ao Valmir Oliveira, a Channa Vieira, ao Silésio Corrêa, ao Alexandre Bastos, ao Cilênio Tavares, a Suzy Monteiro e ao Christiano Abreu Barbosa. Sem eles, bem como os demais na redação e/ou nos blogs da Folha a dar o suporte na meia cancha, o trabalho apresentado no jornal em sua versão impressa e online, nesses 30 dias de Copa, não seria possível. Tampouco os resultados na liderança fora do campo, conferidos por você, leitor, mais uma vez alcançados aqui.

Assim, na certeza de que só pode projetar o futuro com alguma chance de êxito quem é capaz de observar criticamente o presente e o passado (nem que seja o recente), o blogueiro se despede com uma postagem feita há pouco menos de três anos. Embora, naquela época, a diferença do Brasil para quem trabalhava com maior seriedade para voltar a ser o melhor do mundo no futebol, fosse de apenas um gol no placar final, nomes como Bastian Schweinsteiger, André Schürrle e Mario Götze já eram destacados.

Hoje, quando o que era futuro próximo já virou passado recente, todos devem ter assistido a Schürrle marcar os dois últimos gols na goleada alemã contra o Brasil em 2014. Ademais, não é segredo que foi também de seus pés que depois sairia o passe ao gol do título, na final diante dos argentinos, marcado por Götze, vindo do banco na prorrogação para confirmar a promessa de 2014 apontada neste blog, desde 2011, ao lado do brasileiro Neymar — que infelizmente não pôde se confirmar.

Quanto ao maestro Schweinsteiger, coube a ele liderar seus companheiros também fora de campo, na simpatia e na integração demonstradas no Brasil para conquistar meio mundo, o que seus antepassados não conseguiram em duas Guerras Mundiais, com arrogância, segregação e a força das armas. Emblematicamente, seria esse alemão louro, de olhos azuis e futebol clássico a provar que RAÇA independe da cor da pele, cabelos ou olhos de quem joga (ou tampouco apupa das arquibancadas), ao tomar a frio os pontos na cara aberta por um soco do ex-genro de Maradona, antes de voltar ao campo para encarar e vencer na bola a Argentina, numa final de Copa do Mundo, dentro do Maracanã.

Enquanto isso, do primeiro ao último apito, nossos Macunaímas pretensos tentaram usar a Copa para uivar seus próprios “complexos de vira lata”, com a neurastenia ressentida de um Pinscher. Poderiam ter se exposto menos ao ridículo se entendessem algo de futebol além das suas propriedades sempre instáveis como “ópio do povo”, ou tivessem ouvido o assobio soprado aqui, desde 10 de agosto de 2011, após aquele amistoso de Stuttgart, no qual o Brasil perdeu por “apenas” 3 a 2:

“Com seu conhecido ufanismo no futebol cada vez mais dissociado da realidade, o brasileiro que ainda insiste na absurda tese de que só nossos jogadores (e talvez os argentinos) sabem tratar a bola com arte, hoje deveria ter visto Schweinsteiger jogar. Bastaria para engolir qualquer empáfia, junto com todas as consoantes do nome do craque alemão”.

Assim, enquanto este dublê de cronista esportivo e blogueiro vai gozar de descanso que julga merecer, após mais de 40 dias de trabalho e uma única folga na conta do aniversário, confira abaixo o print e a íntegra daquela postagem, escrita muito antes das diferenças no futebol terem derivado, entre outras coisas, nos xingamentos à presidente brasileira Dilma Rousseff (aqui, aqui, aqui e aqui) e nos aplausos à chanceler alemã Angela Merkel (aqui), nascidos das arquibancadas do país da Copa:

 

Basti 2011

 

Mesmo com Neymar, Schweinsteiger rege a vitória da Alemanha

Por Aluysio, em 10-08-2011 – 18h14

 

Como previsto abaixo pelo blog, prevaleceu a classe do volante Bastian Schweinsteiger, que conduziu a vitória alemã por 3 a 2 diante do Brasil. No confronto contra as maiores forças do futebol mundial, após ter perdido também para Argentina e França, além de ter empatado com a Holanda, continua virgem em vitórias o time de Mano Menezes, neste seu período de um ano à frente da Seleção.

Após o começo de jogo arrasador dos germânicos, quando sufocaram o Brasil em seu campo de defesa, a Seleção até que conseguiu nivelar as ações no primeiro tempo. No segundo, o equilíbrio permanecia até que o juiz assinalasse um discutível pênalti de Lúcio sobre Schürrle. Schweinsteiger, que não tinha nada com isso, bateu com categoria para abrir o placar e ter seu nome gritado em coro pela torcida. Depois, quem depositava as esperanças de empate em Neymar, teve que ver outro habilidoso jovem de 19 anos, mas de nome Mario Götze, ampliar a vantagem alemã.

Em outro pênalti discutível, de Lahm sobre Daniel Alves, Robinho demonstrou coragem ao pegar a bola e converter, espantando o azar das quatro cobranças desperdiçadas pelo Brasil na Copa América. Novamente sem nada com isso, Schweinsteiger pressionou e roubou a bola de André Santos, dentro da área brasileira, cruzando com precisão para Schürrle marcar 3 a 1. Mesmo debilitado pela gripe que quase o tirou do jogo, Neymar descontou a diferença, no finalzinho, com um chute de fora da área.

Mano, que projetava resgatar o futebol-arte na Seleção, com vistas à Copa do Brasil de 2014, hoje demonstrou um claro recuo, ao entrar em campo com o volante Fernandinho no lugar de Ganso, que realmente não atravessa boa fase, mas é o único meio-campista convocado cuja criatividade merece destaque. Antes conhecida como um dos maiores expoentes mundiais do futebol-força, o fato é que desde a Copa de 2006, passando pelas exibições de gala diante da Inglaterra e da Argentina em 2010, a Alemanha tem demonstrado estar bem mais próxima ao objetivo do Brasil.

Com seu conhecido ufanismo no futebol cada vez mais dissociado da realidade, o brasileiro que ainda insiste na absurda tese de que só nossos jogadores (e talvez os argentinos) sabem tratar a bola com arte, hoje deveria ter visto Schweinsteiger jogar. Bastaria para engolir qualquer empáfia, junto com todas as consoantes do nome do craque alemão.

 

 

P(…) m(…)! Acabou a Copa dos “boca sujas”

 

 

 

Quando a Seleção Brasileira ainda tinha chance de ser usada em ano de eleição presidencial no projeto da “pátria de chuteiras” (confira aqui), como registrado acima no spot de rádio feito e divulgado há mais de um ano pelo governo federal, o ex-presidente Lula foi a Curitiba no último dia 3 de julho, num evento partidário em favor da candidata petista Gleisi Hoffmann ao governo do Paraná, última colocada nas pesquisas. Na véspera das quartas de final nas quais o Brasil derrotaria a Colômbia por 2 a 1, confira no vídeo abaixo a defesa feita por Lula de uma da Copa que não contou com sua presença em nenhum dos 64 jogos, que começou (aqui) e terminou (aqui) com a presidente Dilma Rousseff sendo pessoalmente ofendida em coro e aos olhos do mundo com palavras de baixo calão:

 

 

 

 

 

O Papa é argentino, Deus é brasileiro, mas Cristo virou alemão

O Papa é argentino, Deus é brasileiro, mas Cristo virou alemão

O Papa é argentino, Deus é brasileiro, mas Cristo virou alemão

 

Futebol, como a vida, não é ato de justiça. Mas ontem foi. Venceram os melhores. Dentro e fora de campo.

 

Pôster Alemanha campeã

Como escrevi antes do jogo, uma das melhores gerações que um país já produziu na história para jogar futebol

 

Atualização às 14h36: O primeiro na blogosfera local a divulgar o pôster oficial dos tetracampeões alemães foi o Christiano Abreu Barbosa, aqui, em seu “Ponto de vista”

 

 

Blog escala sua seleção, técnico, craque, revelação e gols mais belos da Copa

Acabou. Nestes 30 dias, noites e madrugadas entregues quase que exclusivamente ao futebol, conheça abaixo o que o blog viu de melhor: a seleção da Copa, com técnico, craque, revelação e gol(s) mais bonito(s)…

 

Goleiro: Manuel Neuer (Alemanha)

Goleiro: Manuel Neuer (Alemanha)

 

Lateral-direito: Phillip Lahm (Alemanha)

Lateral-direito: Phillip Lahm (Alemanha)

 

Zagueiro: Mats Hummels (Alemanha)

Zagueiro: Mats Hummels (Alemanha)

 

Zagueiro: Ezequeil Garay (Argentina)

Zagueiro: Ezequeil Garay (Argentina)

 

Lateral esquerdo: Daley Blind (Holanda)

Lateral esquerdo: Daley Blind (Holanda)

 

Volante:  Bastian Schweinsteiger (Alemanha)

Volante: Bastian Schweinsteiger (Alemanha)

 

Meia: Toni Kroos (Alemanha)

Meia: Toni Kroos (Alemanha)

 

Meia: James Rodríguez (Colômbia)

Meia: James Rodríguez (Colômbia)

 

Meia: Lionel Messi (Argentina)

Meia: Lionel Messi (Argentina)

 

Atacante: Thomas Müller (Alemanha)

Atacante: Thomas Müller (Alemanha)

 

Robben

Atacante: Arjen Robben

 

 

Técnico: Louis van Gaal (Holanda)

Técnico: Louis van Gaal (Holanda)

 

 

Craque da Copa: Arjen Robbem

Craque da Copa: Arjen Robbem

 

 

Revelação da Copa: James Rodríguez

Revelação da Copa: James Rodríguez

 

 

Quanto ao gol mais bonito da Copa, não tive como escolher entre dois: o de cabeça do centroavante holandês Robin van Persie, o primeiro da sua Holanda na goleada de 5 a 1 imposta contra a Espanha, ainda na fase de grupos; e o golaço à la Pelé de James Rodríguez, primeiro dos 2 a 0 sobre o Uruguai, nas oitavas de final. Confiram:

 

 

 

 

 

 

 

 

Para revisitar as seleções do blog fase a fase, confira a dos grupos (aqui), das oitavas (aqui), quartas (aqui) e semifinais (aqui).

 

 

“Se o governo quer melhorar o futebol, precisa melhorar a economia brasileira”

Economista Ricardo Amorim

Economista Ricardo Amorim

“Se a gente for depender do Futebras para resolver a situação, realmente estamos em apuros. Essa Copa ensinou muita coisa. A primeira é que um craque sozinho não ganha Copa. Isso não foi só para o Brasil. Isso foi para a Argentina, isso foi para Portugal, talvez, muito mais do que para qualquer outra seleção. A segunda é que sequer você precisa ter um craque para ganhar a Copa. A Alemanha não tem um grande craque, mas tem vários bons jogadores. Talvez a terceira e mais importante delas todas, é que o resultado da Alemanha vem de planejamento, de uma boa estrutura, o que é o inverso do Futebras. Se o governo quer fazer alguma coisa que melhore o futebol brasileiro, o que precisa fazer é melhorar a economia brasileira, porque com isso, a gente vai ter menos jogador indo embora. Se o nosso campeonato for mais forte, tiver mais público, der mais resultado, com menos jogador indo embora, pode acontecer como a Alemanha, que tem  seis jogadores que vêm de um único clube, que é o Bayer (de Munique). Então, intervenção no futebol, que é o que estão pregando, é o pior dos caminhos” 

 

(Ricardo Amorim, agora há pouco, no programa de TV “Manhattan Connection”)

 

Conheça aqui mais sobre a proposta do governo Dilma Rousseff (PT) de intervenção estatal no futebol, batizada de Futebras, após a humilhação brasileira na Copa do Mundo

 

 

Ainda revoltado com os 7 a 1? Então assista ao vídeo

Tudo bem, a Alemanha venceu a Copa com todos os merecimentos, mostrando ser a melhor, tanto dentro quanto fora do campo. Ademais, impediu que nossos tataranetos tivessem que ouvir dos argentinos da sua época o mesmo cântico “Brasil, decime que se siente” (confira aqui, aqui, aqui e aqui), que certamente sobreviveria ainda mais tempo do que o fantasma de 1950, ecoando para nos assombrar indefinidamente pelo futuro.

Mas, apesar de tudo isso, se você, caro leitor, ainda está revoltado com os 7 a 1 que os germânicos nos enfiaram goela abaixo, no Mineirão, na semifinal da da última terça (08/07), confira o vídeo abaixo:

 

 

 

 

 

Messi, Neuer e Pogba são craque, goleiro e revelação da Fifa. Dilma é xingada de novo

Foto: Eddie Keogh / Reuters

A comemoração alemã abafou o coro ofensivo contra Dilma no Maracanã, tão logo a presidente brasileira entregou a taça aos verdadeiros donos da festa (Foto: Eddie Keogh / Reuters)

 

Com a presidente Dilma Rousseff vaiada a cada vez que seu rosto apreensivo aparece no telão do Maracanã, a Fifa anunciou aqueles que considerou o melhor goleiro, o craque a a revelação da Copa do Mundo. Os eleitos, respectivamente, foram Manuel Neuer (Alemanha), Lionel Messi (Argentina) e Paul Pogba (França). Concordo com apenas com Neuer.

Por mais que ainda considere Messi o maior gênio do futebol mundial, desde que o francês Zinédine Zidade se aposentou em 2006, o craque deste Mundial de 2014, na minha opinião, foi o atacante Arjen Roben, que voltou a brilhar ontem no Mané Garrinhca, em Brasília, quando conduziu sua Holanda à conquista do 3º lugar do Mundial, na vitória de 3 a o sobre a Seleção Brasileira. Ademais, foi o próprio blog que apostou aqui, antes da Copa começar, que Pogba, aos 21 anos, seria a revelação da competição. Todavia, ainda que o francês tenha realmente jogado muito bem, é também a opinião deste “Opiniões” que ele ficou uma oitava abaixo do colombiano James Rodríguez, que ontem completou 23 anos, depois de marcar seis gols e terminar a Copa como seu artilheiro.

Do campo às arquibancadas, a Copa das Copas foi encerrada como começou. Depois de já ter sido vaiada, no momento em que a presidente do Brasil, visivelmente constrangida, entregou junto ao presidente da Fifa, Joseph Blatter, a taça o mais rápido possível ao capitão alemão Phillip Lham, se repetiu o mesmo coro ofensivo da abertura do Mundial, no Itaquerão (relembre aqui) e bisado duas vezes no Mineirão (confira aqui e aqui): “Ei, Dilma, vai tomar no c(…)”

Mas foram poucos segundos. Depois foi as ofensas à governante brasileira foram sufocadas pela festa dos jogadores alemães e sua torcida, mais uma vez com a presença da chanceler Angela Merkel, que já tinha sido aplaudida e teve o nome gritado pela torcida na Fonte Nova, em Salvador (reveja aqui), quando a Alemanha fez sua primeira apresentação na Copa, goleando Portugal de 4 a 1.

E o reserva Lucas Podolski e o craque Bastian Schweinsteiger, maior jogador em campo na final de hoje, foram reger a festa da torcida com a taça na mão, esbanjando simpatia como os mais brasileiros dos jogadores alemães (recorde aqui, aqui, aqui e aqui). Na comeoração, teve até dança da tribo dos germânicos, em torno da taça, como índios pataxós, com os quais conviveram durante a Copa na sede que construíram e deixaram de presente para funcionar como escola no sul da Bahia.

 

Com a Copa com totem da tribo, os alemães dançarem como índios pataxós em torno da sua maior conquista

Com a Copa com totem da tribo, os alemães dançarem como índios pataxós em torno da sua maior conquista

 

 

Artigo do domingo — Lágrimas na chuva

 

“Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido?

Será essa, se alguém a escrever,

A verdadeira história da humanidade”

 

(Álvaro de Campos/ Fernando Pessoa)

 

 

“Vi coisas que vocês nem imaginariam.

Vi naves em fogo na encosta de Orion.

Vi raios cósmicos cingindo o espaço em Tanhauser Gate.

E esses momentos ficarão perdidos para sempre…

como lágrimas na chuva!”

 

(Do filme “Blade Runner”)

 

Heróis do meu pai: Em pé: Barbosa, Augusto, Danilo, Juvenal, Bauer e Bigode; agachados: Friaça, Zizinho, Ademir Menezes, Jair Rosa Pinto, Chico e o massagista Mário Américo

Heróis do meu pai: Em pé: Barbosa, Augusto, Danilo, Juvenal, Bauer e Bigode; agachados: Friaça, Zizinho, Ademir Menezes, Jair Rosa Pinto, Chico e o massagista Mário Américo

 

Sou filho de um adolescente de 14 anos, cuja grande frustração foi não ter ido, junto com seu pai e irmão mais velho, à final da Copa de 50, em 16 de julho, no recém-inaugurado Maracanã. Daqui de Campos, pelo rádio, o garoto (?) vibrou com o primeiro gol do jogo, de Friaça, que certamente abriria a contagem para mais uma goleada, igual a dos dois últimos jogos — 7 a 1 sobre a Suécia, campeã olímpica de 48, e 6 a 1 diante da Espanha, quando um coro demais de 200 mil pessoas cantava “Touradas de Madri” das arquibancadas.

O belo gol, emendando de primeira, de Juan Alberto Schiaffino — cracaço da Celeste Olímpica, integrante da lista oficial dos dez maiores camisa 10 que o mundo já viu, mesmo 50 anos após sua maior conquista — fez com que meu velho (?) e toda uma nação despencassem de nuvens soberbas com a cara no chão, passando a torcer como doidos pelo empate que garantiria o título. Dez minutos mais tarde, aos 34 do segundo tempo, após uma arrancada pela direita, veio aquele chute fatal de Ghiggia, quase sem ângulo, entre Barbosa e a trave, selando a história que todo brasileiro já ouviu falar e que os uruguaios, chamando-a “Maracanazzo”, até hoje se ufanam ao contar.

Com a dimensão, desde muito novo, desse fantasma do imaginário nacional, “tragédia maior que a de Canudos”, nas palavras de Nelson Rodrigues, me interessei pela história até esgotar as narrações de meu pai. Além, passei a ler o que me caísse à mão sobre aquele grande time marcado pela fatalidade. Tomei ciência, por exemplo, de que nosso scratch — para usar um anglicismo recorrente à crônica da época — era regido por um meia direita que a crítica internacional, aqui presente pela Copa, elegeu como jogador mais completo que já havia surgido no mundo até então: Zizinho, o Mestre Ziza.

E olha que naquela Copa ainda jogaram, além de Schiaffino, craques do porte dos também uruguaios Alcides Ghiggia e Julio Perez, do iugoslavo  Rajko Mitic, do inglês Stanley Matthews, além dos próprios brasileiros Jair Rosa Pinto, Ademir Menezes, Danilo e Bauer. Como disse nosso tacanho Felipão e o Fernando Calazans vive satirizando em sua coluna: eram aqueles (bons) tempos em que se amarrava cachorro com linguiça.

Quando Péris Ribeiro, amigo daquele adolescente de 50, lançou seu “O Brasil e as Copas”, em 86, me presenteou, além dele, com um livro sobre a vida do Mestre Ziza, cujo título e autor não recordo, pois fiz a besteira de depois emprestá-lo. O primeiro livro me deu a base histórica de todo deslumbramento que colhi em 82, nos injustos gramados de Espanha, com Zico, Sócrates, Falcão, Leandro, Júnior, Luisinho, Cerezzo e cia. — “Maracanazzo” da minha geração. Já o segundo, me proporcionou a dimensão completa daquele grande mestre do futebol de que tanto ouvira falar.

Além da tragédia épica de 50, descobri ter sido Zizinho o grande ídolo de Pelé e, muito mais importante, herói da primeira grande conquista de meu time, construída ao lado de gente como Domingos da Guia, Jurandir, Biguá, Valido e Vevé: o tri estadual do Flamengo de 42/43/44. Vendido ao Bangu numa dessas imutáveis sacanagens dos cartolas, foi depois, já velho, jogar pelo São Paulo, ao qual conduziu ao título estadual de 57.

Algum tempo depois, quando Péris lançou seu “Didi, o gênio da folha seca”, em 94, numa livraria no Flamengo (o bairro), fui ao Rio prestigiar o amigo. Comigo foram Luiz Costa — que cobriu o evento pela Folha — e Adelfran Lacerda, todos conduzidos pelo hábil volante de (de carro) Leonardo Moreira. Pegando chuva desde Rio Bonito, chegamos ao Rio e paramos em Copacabana, para apanhar Christiano, meu irmão, então estudante universitário da PUC/RJ.

Ouvindo as impagáveis histórias de Leonardo, fui durante a viagem me preparando psicologicamente para o encontro cara a cara com o campista Didi, maior jogador da Copa de 58, na Suécia, nosso primeiro Mundial; bicampeão pela Seleção, em 62, no Chile; e, não fosse mais nada, herdeiro de Mestre Ziza. Aí eu entro na livraria e vejo não só Didi, mas também Ademir Menezes, Jair da Rosa Pinto, Nilton Santos, Vavá, Belini, Gerson, Afonsinho e… Zizinho.

Num dos poucos momentos em que despertei do meio transe no qual permaneci durante quase todo o coquetel, em meio a todos aqueles semi-deuses da bola, vi Luiz Costa indagar a Zizinho: “Você foi tido em sua época como o maior jogador do mundo e muitas pessoas hoje não têm essa dimensão. A que credita isso?”.

Ele respondeu: “O Brasil não sabe preservar sua história. Os jovens de hoje só querem saber de ouvir música americana no rádio e ver televisão. E eu não joguei na época da televisão!”.

A amargura do ídolo entrou pelo meu ouvido e ficou como fel salivando na boca. Talvez por isso não tenha tirado os olhos dele até que saísse do evento, acompanhado da esposa. Passaram pela porta, e, enquanto ela abria a sombrinha para protegê-los da chuva, enfrentei a timidez, saí também, me dirigi a eles e gritei: “Zizinho!”

Ele se virou. Eu disse: “Ouvi o que você falou lá dentro para o repórter. Pois eu sou jovem, gosto de música americana, mas ouvi e li muito sobre você. Você foi o melhor do mundo, jogou no meu time e foi campeão por ele. Nunca te vi jogar, mas você é um dos meus ídolos no futebol”.

Em meio à chuva fina, olhos marejaram e sorrisos se revelaram. Nos demos as mãos e o cumprimento virou um abraço. Após, ele deu um tapinha paternal na minha face e disse: “Valeu, garoto!”. Virou-se pela última vez, se abraçou à mulher, que também sorria com olhos infiltrados, e juntos saíram pela noite chuvosa do Flamengo, caminhando com a mesma classe que sempre atribuí, em minha imaginação, às suas passadas nos campos.

O Mestre morreu, mas nunca vou esquecer essa tabela que a vida nos deu.

 

(Publicado na edição de 17/02/2002 da Folha da Manhã, nove dias após a morte do Mestre Ziza)

 

Republicado hoje na edição impressa da Folha

 

 

“Vamos ouvir aqui em Campos os gritos de alegria de Buenos Aires”

Os brasileiros que hoje torcerão pela Argentina, na final da Copa, o farão em nome de uma “fraternidade americana”. Quem torcer pela Alemanha, o fará pela rivalidade com Argentina. A conclusão?  “Ninguém simpatiza, ou detesta uma seleção estrangeira apenas pelo seu jogo”. É o que pensa o argentino Gustavo Alejandro Oviedo, publicitário e advogado radicado na planície goitacá desde 2001, após se casar com a campista Anna Karina. O torcedor do Racing questiona a lógica futebolística do cântico “Brasil, decime que se siente”hit da torcida argentina na Copa que hoje certamente ecoará nas arquibancadas do Maracanã. Embora admita que os alemães tenham uma equipe mais equilibrada, ressalva que todo o time mais brilhante tem um mau dia. Em contrapartida, lembra que Messi já teve o seu, na semifinal contra a Holanda, que ontem derrotou o Brasil por 3 a 0 na disputa do 3º lugar. Se a Argentina ganhar, o hermano mapuche e goitacá aposta: “vamos ouvir aqui em Campos os gritos de alegria de Buenos Aires”.

 

Oviedo, com a camisa da seleção argentina (de rugby)

Oviedo, com a camisa da seleção argentina (de rugby)

 

Folha – Como os argentinos estão encarando essa primeira final em 24 anos? Se ganhar uma Copa no Brasil, dentro do Maracanã, acha que isso poderá ser considerado na Argentina como um novo “Maracanazzo”?

Gustavo Oviedo - Não, seria um novo “Maracanazzo” só se Argentina vencesse o Brasil, o que, no fundo, imagino era o desejo de todo argentino, da mesma forma que os brasileiros queriam uma final com Argentina. Nunca vamos perdoar os alemães por ter nos tirado essa possibilidade. De toda forma, há na Argentina uma euforia muito grande por ter chegado à final depois de 24 anos. Quem tem menos de 28 anos nunca viu Argentina ser campeão, o que corresponde aproximadamente à metade da população. Se Argentina levar a Copa vamos ouvir, aqui em Campos, os gritos de alegria vindos de Buenos Aires.

 

Folha – Sucesso nas arquibancadas da Copa, o cântico “Brasil, decime que se siente” teve origem na rivalidade das torcidas do Boca e River. Como um torcedor do Racing vê a provocação aos brasileiros?

Oviedo - Sou do Racing, mas prefiro não ver nada sob a ótica do torcedor, pois é uma visão limitada e subjetiva do futebol. Ademais, considerando o desempenho do Racing nos últimos 30 anos, minha visão de torcedor seria amarga e rancorosa. Sobre a canção dos  torcedores argentinos, me parece ao mesmo tempo fantástica e patética. Que os argentinos tentem provocar os brasileiros evocando uma eliminação acontecida há 24 anos, quando nesse intervalo de tempo o Brasil conquistou mais duas Copas, só pode ser considerada surreal e inofensiva. Nem dá para se indignar! Mas as provocações são o condimento que deixam o futebol mais gostoso. Só não pode passar disso, senão azeda.

 

Folha – Neymar disse que vai torcer pela Argentina, por conta do Messi e do Mascherano. Acha que isso ajuda a angariar a simpatia brasileira na final?

Oviedo - É bem provável que ajude. Muita gente aqui em Campos já tinha me falado que iria torcer pela Argentina, o que realmente me surpreendeu. São pessoas evidentemente malucas: o normal é torcer contra! Falando sério, quero destacar uma coisa: tanto aqueles brasileiros que torcem a favor da Argentina, quanto os que torcem contra, argumentam razões completamente extra futebolísticas. Quem é pró-Argentina fala da fraternidade americana; de não querer que a Alemanha seja tetracampeã, ou até do confronto político-econômico entre países emergentes e desenvolvidos. Já os que torcem a favor da Alemanha, o fazem porque não gostam da Argentina, ao ponto tal de apoiar os seus algozes. Uma espécie de Síndrome de Estocolmo (apego do sequestrado ao sequestrador). Conclusão: ninguém simpatiza, ou detesta, uma seleção estrangeira apenas pelo seu jogo.

 

Folha – Na Argentina, a transmissão dos jogos da seleção foi estatizada pela Cristina Kischner. Após o vexame contra a Alemanha, Dilma quer intervir no futebol. Até onde a “pátria em chuteiras” pode ir nessa associação entre política e futebol?

Oviedo - Foram declarações emitidas sob o trauma do 7 a 1, e penso que isso não irá prosperar. É que nem a ‘mini-constituinte’ que Dilma propôs depois dos protestos de junho do ano passado; lembra? O governo pode até pressionar para que aconteça uma mudança na cúpula da CBF, o que seguramente isso fará, mas não poderá ir mais longe. Mas não deixa de ser interessante observar que está se promovendo toda uma transformação na administração do futebol brasileiro derivada do resultado de um único jogo. Ou seja, se o Brasil tivesse ganhado contra Alemanha, as falcatruas da cartolagem não seriam tão graves assim. Na Argentina, como você disse, o governo comprou os direitos de transmissão do futebol local. Pagando caro, logicamente. Assim, o que se vê durante as emissões é propaganda oficial o tempo todo, tanto nos intervalos quanto na narração dos jornalistas esportivos. E o futebol local está a cada dia pior. Os jogos acontecem em estádios sem torcida visitante, por conta da violência. Não é um modelo a seguir.

 

Folha – Di María joga ou não? Se o fizer, não pode repetir Diego Costa pela Atlético de Madri, na final da Liga dos Campeões, onde o brasileiro naturalizado espanhol entrou para não conseguir jogar e sair, queimando uma substituição?

Oviedo - Parece que joga. Vi hoje no jornal que está treinando para isso. Ele faz tanta falta ao time argentino que, ainda jogando um tempo, será lucro para Argentina.

 

Folha – Não é irônico que a Argentina tenha chegado com fama pelo ataque, mas temendo pela defesa, e nos últimos jogos venha se destacando mais pela segunda do que pelo primeiro? Na semifinal, o volante Mascherano e o goleiro Romero foram os craques do time?

Oviedo - O que demonstra que, em se tratando de futebol, é temerário tentar dar algum palpite. Lembre-se que depois da primeira fase todo mundo dizia que o Mundial tinha se transformado na Copa América, pela quantidade de times da região classificados. Mas, ao chegar às semifinais, ficaram dois times de América e dois da Europa, e nenhum deles foi uma zebra.

 

Folha – De novo a Alemanha no caminho da Argentina. Quem leva esse tira-teima de 1986 e 1990? Que lembranças você e seu povo guardam daquelas duas finais seguidas de Copa?

Oviedo - Em 1986 Argentina tinha uma grande seleção, embora costuma-se dizer que era apenas Maradona mais 10. Os jogadores não eram craques, mas funcionaram de forma eficiente e o time mostrou um grande futebol. Para mim, essa Copa foi ganha de forma incontestável. Já na Copa de 90, a Argentina chegou à final graças apenas a duas pessoas: Maradona, eliminando numa única jogada o Brasil, que havia jogado melhor; e o goleiro Goycoechea, decisivo nos pênaltis contra Iugoslávia e Itália. A final de 1986 foi um jogaço, com Alemanha empatando depois da Argentina ir à frente por dois gols, e no final Burruchaga definindo o jogo. Por sua vez, a definição de 1990 foi bem mais chata, com apenas um gol de pênalti alemão, bastante polêmico para os argentinos. Espero que este novo encontro seja tão emocionante como aquele de 86, e com o mesmo resultado.

 

Folha – Considera a atual geração alemã melhor do que aquela de Matthäus, Klinsmann, Brehme e Völler? Depois do que fizeram com o Brasil, como parar Schweinsteiger, Müller, Kroos, Klose e cia? À bala?

Oviedo - Parece-me que a seleção alemã de hoje é sem dúvidas melhor que aquela de Beckenbauer (como técnico). Pense que Joachim Low  já era técnico na Copa anterior, que eliminou Argentina por 4 a 0, e nessa partida jogaram três dos quatro jogadores que você menciona, o que revela um time que se conhece e está bem engajado. Um jornalista argentino definiu o time alemão como uma seleção que joga sem se importar em como vai jogar o seu adversário, mantendo suas características, que são a boa administração da bola, a firmeza na marcação e a solidariedade, que faz com que a bola chegue ao jogador melhor posicionado na hora de definir.

 

Folha – Parece consenso que os alemães têm o melhor time, enquanto os argentinos, o melhor jogador do mundo. Num esporte coletivo o primeiro não tem que prevalecer? Ou vingará a capacidade de desequilíbrio do grande craque?

Oviedo - Vamos ver. A lógica determina que uma equipe bem associada deveria ser mais eficiente do que outra cujos talentos são irregulares. Mas isto talvez funcione melhor em campeonatos de pontos corridos, onde o bom desempenho prevalece no longo prazo. Toda equipe, por mais brilhante que for, em algum momento tem um dia ruim. E se esse dia for uma final da Copa do Mundo, derruba o sucesso dos seis jogos anteriores. Por sua vez, Messi não jogou bem contra a Holanda. O dia ruim dele já passou.

 

Folha – Se Messi ganhar esta Copa, dentro do Brasil, poderá ser maior que Maradona? Algum dos dois é melhor do que Pelé?

Oviedo - O critério de quem é o foi o melhor jogador da história é completamente subjetivo, pois depende não apenas do jogador, mas também da pessoa que o avalia, e a relação emotiva que existe entre ambos. Quando se trazem argumentos estatísticos, a coisa não melhora. Para muitos brasileiros, Pelé tem números bem melhores aos de Maradona, o que lhe confere superioridade. Mas esses mesmos brasileiros consideram, com razão, que Ayrton Senna foi o melhor piloto de todos os tempos, sendo que quem venceu mais campeonatos de Fórmula 1 foi o Schumacher. Não estou fugindo da pergunta, apenas preparo o terreno para dizer que para os argentinos, e aqui me incluo, Maradona é o melhor, e para os brasileiros, foi Pelé. Acho que ambos grupos estão certos. Por sua vez, Messi é um craque, mas ainda está longe do patamar místico dos outros dois.

 

Publicado hoje na edição impressa da Folha

 

 

“Pátria de chuteiras” — Dilma quer intervenção, Aécio chama de “Futebras” e Campos ironiza

Como tudo começou, em 2007, com os então presidentes da CBF e da República, Ricardo Teixeira e Lula, e o ainda presidente da Fifa, Joseph Blatter, entrelaçando mãos e interesses para a escolha do Brasil como “pátria em chuteiras”, sete anos depois

Como tudo começou, em 2007, com os então presidentes da CBF e da República, Ricardo Teixeira e Lula, e o presidente da Fifa até hoje, Joseph Blatter, entrelaçando mãos e interesses para a definição do Brasil como a “pátria de chuteiras” de sete anos depois

 

Independente do jogo entre Brasil e Holanda de logo mais, no Mané Garrincha, em Brasília, pela disputa pelo terceiro lugar da Copa do Mundo, alguém ainda duvida que ainda vivemos há algum tempo na deturpação da expressão “pátria em chuteiras”, criada pelo jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues (1912/80)? Bem, se incerteza há, escute abaixo a vinheta gravada desde o ano passado, antes mesmo da Copa das Confederações vencida pelo Brasil, na campanha do governo Dilma Rousseff (PT) para a Copa do Mundo em ano de eleição, custeada pelo dinheiro público e batizada de… “Pátria de Chuteiras”:

 

 


Infelizmente, pelo menos para quem torcia apenas pelo futebol da Seleção Brasileira, não por sua utilização num projeto político de perpetuação no poder, tinha uma Alemanha no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma Alemanha. E numa tarde do Mineirão deu-se o vexame dos vexames na Copa das Copas.

 

Entre Carlos Alberto Parreira, José Maria Marin, Marco Polo Del Nero e Luiz Felipe Scolari, Dilma agora quer interferir no futebol do qual já foi grande parceira e recebia camisa personalizada para o netinho Gabriel

Entre Carlos Alberto Parreira, José Maria Marin, Marco Polo Del Nero e Luiz Felipe Scolari, Dilma agora quer ameaça fazer uma intervenção, mas só após da humilhação mundial do Brasil, no futebol do qual já foi grande parceira e recebia camisa personalizada para o netinho Gabriel

 

Como nunca antes na história deste país, nem de nenhum outro, uma  seleção campeã do mundo de futebol e semifinalista de uma Copa foi tão humilhado, por todos os ângulos e em tempo real, diante dos olhos de todo o planeta. Depois de gastar mais de R$ 9 bilhões na reforma e construção de estádios pelo país, 95% deles bancados com dinheiro público, mais que o somatório do custo das duas Copas anteriores na África do Sul (2010) e na mesma Alemanha (2006), além de resolver a mobilidade urbana brasileira na base dos feriados em dias de jogos, desafogando o trânsito, mas também o trabalho e a produção, num prejuízo estimado em R$ 60 bilhões, o que fazer antes de entregar o ouro esculpido em taça na mão do outro, na final de domingo no Maracanã?

Bem, já no dia seguinte (o9/07) ao vexame da goleada de 7 a 1 imposta com facilidade pela Alemanha, na semifinal de terça (08), a primeira a se mexer foi própria presidente Dilma Rousseff (PT), que buscou a rede estadunidense de TV CNN para tentar se justificar diante do mundo pela humilhação do Brasil na Copa que sedia (confira aqui a íntegra da entrevista). Ato contínuo, na manhã seguinte (quinta, dia 10), foi a vez do ministro dos Esportes Aldo Rebelo (PC do B), em pleno briefing promovido pela Fifa, ameaçar uma intervenção estatal no futebol brasileiro (relembre aqui).

 

Na “pátria em chuteiras”, o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, o candidato tucano Aécio Neves, o presidente da CBF, José Maria Marin, e o presidente eleito da entidade, Marco Polo Del Nero

Na sociologia da “pátria em chuteiras”, o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, o candidato tucano Aécio Neves, o presidente da CBF, José Maria Marin, e o presidente eleito da entidade, Marco Polo Del Nero

 

Pois ontem, a oposição também resolveu entrar no jogo. Provando que vai fazer uso da democracia irrefreável das redes sociais em sua campanha, o candidato tucano à presidência, Aécio Neves, entrou de sola contra a iniciativa federal, que chamou de “Futebras”. Confira abaixo a reprodução da nota postada aqui, no perfil do Facebook do político mineiro:

— O futebol brasileiro precisa, é claro, de uma profunda reformulação. Mas não é hora de oportunismo. Principalmente daqueles que estão no governo há 12 anos e nada fizeram para melhorá-lo. E nada pode ser pior do que a intervenção estatal. O país não precisa da criação de uma “Futebras”. Precisa de profissionalismo, gestão, de uma Lei de Responsabilidade do Esporte. Com foco nos atletas, nos clubes e nos torcedores.

 

Eduardo Campos entre José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, recebendo camisa autografada da Seleção Brasileira, sonho de muitos eleitores

Eduardo Campos entre José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, recebendo camisa autografada da Seleção Brasileira, sonho de muitos eleitores

 

Por sua vez, o candidato do PSB a presidente da República, Eduardo Campos, também entrou jogo. Cumprindo agenda de campanha ontem em Natal (RN), ele ironizou os dois adversários, dizendo que Dilma e Aécio parecem estar querendo se candidatar a presidência da CBF:

— O debate de conteúdo é que precisa ser feito, um debate do bom senso. Pelo visto estão querendo se candidatar a presidente da CBF a Dilma ou o Aécio. Precisa do envolvimento e escuta da sociedade sobre uma lei de responsabilidade nos esportes de uma maneira geral, precisa fazer isso sem estar contaminado pelo ambiente eleitoral, tem que fazer com responsabilidade.

 

Ministro de Dilma, o comunista Aldo Rebelo comungou da mesma mesa com a cartolagem da CBF que agora ameaça de intervenção

Ministro de Dilma, o comunista Aldo Rebelo comungou da mesma mesa com a cartolagem da CBF que agora ameaça de intervenção, depois de retirar artigos do projeto de um deputado tucano para moralizar o futebol, como denunciou publicamente Romário, aliado do petista Lindberg

 

Enquanto a bola é dividida pelos três como numa pelada, um ex-gênio dos gramados, deputado federal do partido de Eduardo Campos e candidato a senador na chapa do petista Lindberg Farias ao governo do Rio, também faz uso da democracia irrefreável das redes sociais para cobrar publicamente ao ministro Rebelo e à presidente Dilma. Romário pressiona ambos pelo apoio a um projeto de deputado federal tucano Otávio Leite (RJ), no sentido de sanear o futebol brasileiro, que teve vários artigos retirados com apoio do governo federal. Segundo o Baixinho denunciou aqui:

“Os artigos 36, 37, 39, 40 e 41 foram os retirados da proposta, em resumo, eles propunham o seguinte:

“Constituíam a Seleção Brasileira de Futebol e o Futebol Brasileiro como Patrimônio Cultural Imaterial; obrigavam a CBF a contribuir com alíquota de 5% sobre as receitas de comercialização de produtos e serviços proveniente da atividade de Representação do Futebol Brasileiro nos âmbitos nacional e internacional. O tributo também incidiria sobre patrocínio, venda de direitos de transmissão de imagens dos jogos da seleção brasileira, vendas de apresentação em amistosos ou torneios para terceiros, bilheterias das partidas amistosas e royalties sobre produtos licenciados. O valor seria destinado a um fundo de iniciação esportiva para crianças e jovens. A CBF também ficaria sujeita a auditoria do Tribunal de Contas da União.

“Ministro, curiosamente, tanto o Sr. como o presidente da Câmara dos Deputados pediram a retirada destes artigos, alegando que com eles a proposta não seria aprovada. Fica a pergunta, o ministério vai apoiar estas propostas? Aguardo a resposta.

“Incrível o que uma porrada de 7×1 não faz!”

 

Mesmo depois ter colocado o retrato de Dilma na parede como sua fiel sucessora, Lula ainda recebia os afagos dos cartolas Del Nero e Marin, também com direito à camisa personalizada com o número do PT e da sorte que o Brasil teria na Copa das Copas

Mesmo depois ter colocado o retrato de Dilma na parede como sua fiel sucessora, Lula ainda recebia os afagos dos cartolas da CBF Del Nero e Marin, também com direito à camisa personalizada com o número do PT e da sorte que o Brasil teria na Copa das Copas, na “porrada de 7 a 1” referida por Romário

 

 

Neymar vai torcer pela Argentina na final com a Alemanha. E você?

Capa da Folha de ontem da Folha, com edição de Rodrigo Gonçalves e Aluysio Abreu Barbosa, e diagramação de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Capa da Folha de ontem da Folha, com edição de Rodrigo Gonçalves e Aluysio Abreu Barbosa, e diagramação de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.

 

Jornalismo, como futebol, é trabalho coletivo. Na quarta (09/07), após o jogo em que Messi, Romero, Masquerano e cia. ganharam nos pênaltis sua vaga às finais, conversando com o editor geral da Folha, Rodrigo Gonçalves, e com o hit argentino “Brasil, decime que se siente” (conheça aqui suas origens, na rivalidade entre o Boca Juniors e  o River Plate) ainda ecoando nos ouvidos desde as sonoras arquibancadas do Itaquerão, saiu a manchete da capa do jornal impresso de ontem: “Brasil me diz o que sente/ em ver a Argentina na final?”.

Não se sabe se Neymar leu a Folha ontem, antes de aparecer ontem na Granja Comary, em Teresópolis. Mas o fato é que o craque brasileiro usou sua entrevista coletiva surpresa para responder, entre outras coisas, à pergunta dos versos do cântico argentino adaptados em manchete, quando declarou aqui:

— Eu tenho dois companheiros na Argentina: Messi e o Mascherano. E eu acho que pro futebol, pela história que o Messi tem, de ter conquistado muita coisa, de ter conquistado quase tudo em sua carreira, eu acho que ele merece, sim, ser campeão. Estou torcendo, sim, por ele (…) Você parar para pensar e falar assim: “Pô, um brasileiro torcendo para a Argentina”. Não, eu não estou torcendo para a Argentina; estou torcendo por dois companheiros, para uma pessoa que eu aprendi a admirar ainda mais, estando ao lado dele todos os dias. Um jogador que eu tinha como espelho, como ídolo, que admirava de longe, pelas suas qualidades dentro de campo. E ali (no Barcelona), eu passei a admirá-lo como pessoa, como jogador, e ver que nos treinos ele é tão ou mais especial do que nos jogos. Então, por isso que a minha torcida é sempre pro Messi. Se você falar que eu sou Messi Futebol Clube, eu sou.

Se o fato de jogar junto no Barcelona com os dois principais jogadores argentinos definiu o apoio público de Neymar, a rivalidade no futebol entre os maiores países sul-americanos não impediu que, testada aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, como resposta aos versos/manchete “Brasil, me diga como se sente/ Em ver a Argentina na final?”, a torcida por los hermanos na final da Copa desse uma goleada tão impiedosa nos alemães, quanto os 7 a 1 que estes aplicaram na semifinal contra o Brasil. Das 28 manifestações em comentários, nada menos que 17 se declararam a favor da Argentina, com 10 para Alemanha e uma neutralidade ao estilo da Suíça — cuja seleção, aliás, foi eliminada nas oitavas de final pelos argentinos, por 1 a 0, no segundo tempo da prorrogação, após uma jogada genial de Messi finalizada pelo craque Ángel Di María, cuja recuperação é esperada ainda a tempo da final de domingo.

No tira-teima entre duas potências do futebol mundial que já decidiram duas finais de Copa consecutivas, em 1986 e 1990, com uma vitória para cada lado, passados os tempos saudosos nos campos de Diego Maradona e Lothar Matthäus (hoje comentarista da SporTV), o que se pode dizer com certeza sobre a final do próximo domingo no Maracanã, é que ela será disputada entre a melhor seleção (a Alemanha) e o maior craque (Messi) do mundo, ambos à altura coletiva e individual daquilo que de melhor já foi produzido na história do futebol. Se vencer a primeira, será uma injustiça com um dos maiores gênios que já vi com a bola no pé. Se vencer o segundo, estará injustiçada uma das mais brilhantes gerações que pude assistir no trato com a bola.

O futebol, como a vida, não é um ato de justiça. E é nisto que reside seu maior encanto.

Danke, Deutschland! Gracias, Messi!

 

Uma das mais brilhantes gerações que um país já produziu para jogar futebol. Em pé: Neuer, Kroos, Klose, Hummels, Khedira e Boateng. Agachados: Lahm, Müller, Höwedes, Schweinsteiger e Özil

Uma das mais brilhantes gerações que um país já produziu para jogar futebol. Em pé: Neuer, Kroos, Klose, Hummels, Khedira e Boateng. Agachados: Lahm, Müller, Höwedes, Schweinsteiger e Özil

 

Ao lado de Maradona, Zico e Zidane, o maior jogador que já vi jogar: Lionel Messi

Ao lado de Maradona, Zico e Zidane, o maior gênio que vi no futebol: Lionel Messi

 

 

“Pátria de chuteiras” — Presidente tenta explicar ao mundo humilhação do Brasil no futebol

Não foi só Neymar quem apareceu para dar entrevista (confira aqui e aqui). Depois da tragédia do futebol brasileiro nos 7 a 1 da semifinal contra a Alemanha, na qual foi novamente xingada pela torcida brasileira (leia aqui), mesmo sem estar presente, como já havia sido pessoalmente na abertura da Copa (relembre aqui), a presidente Dilma Rousseff (PT) também deu uma entrevista. Diferente do craque da bola, em sua coletiva de ontem, a da política em ano de eleição foi exclusiva à jornalista Christiane Amanpour, do canal de TV estadunidense CNN, gravada ainda na manhã de quarta-feira. Nela, Dilma tentou explicar ao mundo a humilhação do Brasil, dizendo não acreditar que ela vá afetar o humor nacional. “Além de saber ganhar, tem que saber perder”, disse a presidente.

Questionada pela repórter, Dilma tentou justificar os gastos públicos com a construção de estádios para a Copa, garantiu ter tolerância zero no combate à corrupção e falou até da sua militância armada na guerrilha, da prisão e da tortura nos tempos da ditadura militar no Brasil. Confira abaixo a íntegra da entrevista:

 

 

 

 

 

Fala, Peixe: “Dilma vai entregar a taça da vergonha!”

Presidentes da CBF, José Maria Marin, e a do Brasil, Dima Rousseff

Presidentes da CBF, José Maria Marin, e a do Brasil, Dima Rousseff

 

 

“Dilma tem sim que entregar a taça para outra seleção. Este gesto será o retrato do valor que ela deu ao nosso futebol nos últimos anos! Eles levarão a taça e nós ficaremos com nossos estádios superfaturados e nenhum legado material, porque imaterial, mostramos para o mundo que com toda nossa dificuldade, somos um povo feliz.

Essa será a taça da vergonha.”

 

Romário (deputado federal do PPS, candidato a senador na chapa do petista Lindberg Farias a governador e ex-craque tetracampeão mundial em 1994)

 

O fato de apoiar Lindberg a governador não tem feito Romário poupar a presidente Dilma e seu governo de pesadas críticas e cobranças públicas nas questões do futebol brasileiro

O fato de apoiar Lindberg a governador não tem feito Romário poupar a presidente Dilma e seu governo de pesadas críticas e cobranças públicas nas questões do futebol brasileiro

 

Confira aqui e aqui a íntegra das cobranças do Peixe, feitas publicamente à presidente Dilma Rousseff (PT) e ao seu ministro dos Esportes, Aldo Rebelo (PC do B), com graves acusações aos dirigentes da CBF José Maria Marin e Marco Polo Del Nero.

 

Vergonha - futebol

 

 

 

Neymar: “Falhamos, erramos, não demonstramos um futebol de Seleção Brasileira”

Após a coletiva na tarde de hoje, na Granja Comary, Neymar foi aplaudido pelos jornalistas  (foto de Heuler Andrey / Mowa Press)

Após a coletiva na tarde de hoje, na Granja Comary, Neymar foi aplaudido pelos jornalistas (foto de Heuler Andrey / Mowa Press)

 

“A gente teve a oportunidade e fizemos de tudo para conseguir, para ter a oportunidade de sermos campeões no nosso país, de marcarmos nossos nomes na história de forma positiva. E falhamos, erramos, deixamos a desejar. Sabemos que não fizemos um campanha boa, que não demonstramos o nosso melhor futebol, um futebol de Seleção Brasileira. Demonstramos um futebol regular, por isso é que chegamos às semifinais. Mas não demonstramos um futebol de Seleção Brasileira, que é superior, que encanta a todos”.

“Eu admiro cada um desses caras que estão aí (na Seleção). Todos eu vi jogar, quando era menor. E são pessoas que eu passo a admirar ainda mais. Depois dessa derrota que a gente tomou, a gente se sente humilhado, a gente se sente envergonhado. Porque a gente não queria isso, porque a gente tem família, a gente tem um povo que torcia pela gente. Ninguém precisa dizer pra gente: ‘Ah, vocês são a vergonha do Brasil!’.  Eu não tenho vergonha de ser brasileiro. Eu não tenho vergonha que fiz parte dessa equipe que tomou de 7 a 1. Eu não tenho vergonha nenhuma! A única coisa que eu tenho para falar é que eu sinto orgulhos dos meus companheiros, de falar que eu joguei com Thiago Silva, de falar que eu joguei com Fred, de falar que eu joguei com Júlio César”.

 

(Neymar, em coletiva que ocorre neste momento na Granja Comary)

 

 

Blog escala sua seleção das semifinais

Definidos Alemanha e Argentina como os finalistas do Mundial, no tira-teima das que disputaram em 1986 e 1990, conheça abaixo a seleção das semifinais, incluindo time, técnico e gol mais bonito da rodada, que certamente será lembrada para sempre na história do futebol, pela tragédia das tragédias na Copa das Copas:

 

Goleiro: Sergio Romero (Argentina)

Goleiro: Sergio Romero (Argentina)

 

Lateral direito: Philipp Lahm (Alemanha)

Lateral direito: Philipp Lahm (Alemanha)

 

Zagueiro: Ron Vlaar (Holanda)

Zagueiro: Ron Vlaar (Holanda)

 

Zagueiro: Ezequiel Garay (Argentina)

Zagueiro: Ezequiel Garay (Argentina)

 

Lateral esquerdo: Dirk Kuyt (Holanda)

Lateral esquerdo: Dirk Kuyt (Holanda)

 

Volante: Sami Khedira (Alemanha)

Volante: Sami Khedira (Alemanha)

 

Volante: Javier Mascherano (Argentina)

Volante: Javier Mascherano (Argentina)

 

Meia: Toni Kroos (Alemanha)

Meia: Toni Kroos (Alemanha)

 

Lionel Messi

 

Atacante: Thomas Müller (Alemanha)

Atacante: Thomas Müller (Alemanha)

 

Atacante: Miroslav Klose (Alemanha)

Atacante: Miroslav Klose (Alemanha)

 

 

Técnico: Joachim Löw (Alemanha)

Técnico: Joachim Löw (Alemanha)

 

 

Na linha de passe que colocou o Brasil na roda de bobo dentro do Brasil e diante do mundo, o gol do brilho coletivo com cara de pelada de uma brilhante geração germânica, segundo do craque Toni Kroos — destaque individual da rodada, ao lado do volante argentino Javier Mascherano — e quarto da Alemanha nos históricos 7 a 1 de 8 de julho de 2014:

 

 

 

 

Conheça aqui, aqui e aqui, respectivamente, as seleções da fase de grupos, das oitavas e quartas de final.

 

 

 

Agora só em 2018

CHARGE 09-07-2014

 

Jogador alemão declara amor ao Brasil e pede: “Respeite a AMARELINHA e sua história”

Além do belo futebol de toque de bola e rapidez, com que ontem derrotaram o Brasil por 7 a 0, os alemães têm conquistado fãs neste Mundial pelo respeito e a simpatia com que têm se relacionado com o país da Copa e seu povo. O atacante Lukas Podolski nem jogou ontem, como tem sido pouco aproveitado pelo técnico Joachim Löw. Mas confira abaixo o que o jogador alemão postou aqui, após a partida, em português e na democracia irrefreável das redes sociais:

 

Podolski com os índios Pataxós no litoral sul da Bahia, onde a seleção da Alemanha buscou sua sede na Copa

Podolski com os índios Pataxós no litoral sul da Bahia, onde a seleção da Alemanha buscou sua sede na Copa

 

“Respeite a AMARELINHA com sua história e tradição. O mundo do futebol deve muito ao futebol brasileiro, que é e sempre será o país do futebol.

A vitória é consequência do trabalho, viemos determinados, todos nós crescemos vendo o Brasil jogar, nossos heróis que nos inspiraram são todos daqui.

Brigas nas ruas, confusões, protestos não irão resolver ou mudar nada. Quando a Copa acabar e nós formos embora, tudo voltará ao normal então muita paz e amor para esse povo maravilhoso, um povo humilde, batalhador e honesto. Um país que eu aprendi a amar”.

 

Podolski

 

 

 

Àqueles cujos navios de guerra afundaram no mar!

Em pé: Dante, Maicon, Júlio César, Fred, David Luiz e Luiz Gustavo. Agachados: Oscar, Fernandinho, Bernard, Marcelo e Hulk

Em pé: Dante, Maicon, Júlio César, Fred, David Luiz e Luiz Gustavo. Agachados: Oscar, Fernandinho, Bernard, Marcelo e Hulk

 

Se você acha que desperdiçou ontem 90 minutos, mais 15 de intervalo, para no final tomar de sete, não deixe de investir outros 61 minutos da sua vida para assistir ao vídeo abaixo e resgatar consigo mesmo, enquanto brasileiro, uma dívida de 64 anos. O documentário é do jornalista Geneton Moraes Neto.

 

Em pé: Barbosa, Augusto, Danilo, Juvenal, Bauer e Bigode. Agachados: Friaça, Zizinho, Ademir, Jair, Chico e o massagista Mário Américo

Em pé: Barbosa, Augusto, Danilo, Juvenal, Bauer e Bigode. Agachados: Friaça, Zizinho, Ademir, Jair, Chico e o massagista Mário Américo

 

Canto a mim mesmo (18)

(Walt Whitman)

 

Com música forte eu venho,

com minhas cornetas e meus tambores:

não toco hinos

só para os vencedores consagrados,

toco hinos também

para as pessoas batidas e assassinadas

 

Vocês já ouviram dizer

que ganhar o dia é bom?

Pois eu digo que é bom também perder:

batalhas são perdidas

Com o mesmo espírito que são ganhas.

 

Eu rufo e bato o tambor pelos mortos

e sopro nas minhas embocaduras

o que de mais alto e mais jubiloso

posso por eles.

 

Vivas àqueles que levaram a pior!

e àqueles cujos navios de guerra

afundaram no mar!

E a todos os generais

das estratégias perdidas,

que foram todos heróis!

E ao sem-número dos heróis desconhecidos,

tombados na vanguarda do combate,

equivalentes aos heróis maiores

que se conhecem!

 

 

 

Mick Jagger de cartolina 1 x 7 Mick Jagger de carne e osso

Mick Jagger de cartolina

Mick Jagger de cartolina na torcida do Brasil a favor da Alemanha

 

 

 

Mick Jagger de carne e osso na torcida do Brasil conta a Alemanha

Mick Jagger de carne e osso na torcida do Brasil conta a Alemanha

 

 

 

Repercussão da humilhação brasileira dentro de casa aos olhos do mundo

 

 

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Seleção não aguentou a pressão da “pátria de chuteiras”, nem da Alemanha

Capa da edição de hoje da Folha, com edição de Rodrigo Gonçalves, foto de Valmir Oliveira, concepção gráfica de Aluysio Abreu Barbosa e diagramação de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.

Capa da edição de hoje da Folha, com edição de Rodrigo Gonçalves, foto de Valmir Oliveira, concepção gráfica de Aluysio Abreu Barbosa e diagramação de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.

 

Ontem, desde o apito final do árbitro mexicano Marco Rodríguez, começou uma nova Copa do Mundo no Brasil. De um lado, entre os que acham entender de futebol, para ver quem mais repete “Eu avisei!”. Do outro, entre quem não entende nada, mas ainda pensa tirar proveito político da maior tragédia da história do futebol brasileiro, a disputa será para saber quem mais ecoa “Fizemos a Copa das Copas, só faltou time!”.

O fato é que na maior goleada sofrida pela Seleção Brasileira em 100 anos, a Alemanha massacrou o Brasil por 7 a 1, ontem, no Mineirão. E o mais triste talvez tenha sido assistir a uma geração de jogadores tão comprometida não ter forças para reagir à pressão do clima de “pátria de chuteiras”, no qual foi envolvida desde o início da campanha, assim como foi ontem por um futebol baseado no toque de bola, que já foi nosso, mas mudou de pátria há alguns anos e foi ditado diante do mundo em fluente alemão.

Antes da semifinal de ontem, os três gols até então sofridos pela Alemanha da Copa haviam saído pelo lado esquerdo da sua defesa, onde o zagueiro Benedikt Höwedes atuava improvisado como lateral. Por isso a crônica esportiva foi quase unânime ao saudar a coragem de Felipão quando, depois de mistério nas escalações dos dois times, uma hora antes do jogo foi anunciado que quem entraria na vaga de Neymar seria o jovem Bernard, justamente para jogar no lado direito do ataque brasileiro — e envergando a camisa 20, a mesma usada pelo campista Amarildo para entrar no lugar de Pelé e ajudar na conquista da Copa de 1962. Por outro lado, o técnico alemão Joachim Löw, além de Höwedes na esquerda, confirmou a escalação do veterano centroavante Miroslav Klose, de 36 anos, no comando do ataque germânico, numa formação mais conservadora.

 

Primeiro gol da Alemanha, marcado por Thomas Müller, que surgiu sozinho na área brasileira

Primeiro gol da Alemanha, marcado por Thomas Müller, que surgiu sozinho na área brasileira

 

Marcada desde a Copa das Confederações vencida em 2013 pela pressão no campo adversário nos minutos iniciais, a esperança de que a coragem brasileira surtisse resultado durou exatamente 10 minutos. Foi quando Marcelo perdeu a bola na ponta esquerda e gerou um contra-ataque rápido com Sami Khedira e Thomas Müller, que acabou em escanteio. Grande nome do jogo, o meia Toni Kroos bateu pela direita e Müller apareceu sozinho dentro da área para abrir o placar, num erro de toda a defesa brasileira, mas sobretudo de David Luiz que marcou a bola.

Mas o pior estaria porvir…

 

Aos 36 anos, Klose marcou o segundo gol da Alemanha, se tornando o maior artilheiro na história das Copas, com 16

Aos 36 anos, Klose marcou o segundo gol da Alemanha, se tornando o maior artilheiro na história das Copas, com 16

 

Dos 21 aos 27 minutos, num espaço de apenas seis, a até então sólida defesa brasileira tomaria nada menos que outros quatro gols. Aos 21, Fernandinho furou uma bola na entrada da área, que sobrou para Kross achar Müller dentro da área. Ele serviu a Klose, que chutou à defesa parcial de Júlio César, mas pegou a sobra para fazer o segundo gol alemão no jogo e seu na Copa, chegando aos 16 marcados em todos os Mundiais, deixando para trás o recorde de Ronaldo.

 

Nome do jogo, o meia Kroos comemora seu primeiro gol, o terceiro da Alemanha

Nome do jogo, o meia Kroos comemora seu primeiro gol, o terceiro da Alemanha

 

Aos 23, o meia Mezut Özil enfiou o lateral Philipp Lahm no apoio, que cruzou da ponta direita. Novamente solto dentro da área, Müller furou a bola, mas não Kroos, que bateu no canto direito de Júlio César. Aos 27, novamente Kroos apareceu para roubar a bola de Fernandinho, tabelar com Khedira e receber dentro da área, para bater forte e marcar seu segundo gol no jogo.

 

Após roubar a bola de Fernandinho e tabelar com Khedira, Kroos marcou seu segundo gol, o quarto da Alemanha

Após roubar a bola de Fernandinho e tabelar com Khedira, Kroos marcou seu segundo gol, o quarto da Alemanha

 

Para acabar de fechar a tampa do caixão brasileiro ainda no primeiro tempo, o zagueiro Mats Hummels roubou uma bola na raça e lançou Khedira, que tocou para Ozil dentro da ártea, na direita. Ele devolveu para Khedira marcar totalmente à vontade o quinto gol.

 

Em outra linha de passe alemã, Khedira comemora o quinto gol da Alemanha

Em outra linha de passe alemã, Khedira comemora o quinto gol da Alemanha

 

Diante do quadro praticamente irreversível, alguns torcedores brasileiros começaram a deixar o estádio, enquanto os que ficaram perderam a paciência aos 39, quando começaram a vaiar o Brasil. Até que, no minuto seguinte, ecoou das arquibancadas do Mineirão o mesmo coro ofensivo que gerou tanta polêmica na abertura da Copa, no Itaquerão: “Ei, Dilma, vai tomar no c(…)!”

No segundo tempo, com Ramires e Paulinho nos lugares de Hulk e Fernandinho, o Brasil tentou novamente pressionar, mas esbarrou no goleiro Manuel Neuer. Aos 5, aos 6 a aos 7 minutos, em duas conclusões de Oscar, e em outras duas de Paulinho, na mesma jogada, Neuer faz quatro grandes defesas consecutivas.

Aos 12, substituído pelo atacante André Schürrle, Klose saiu aplaudido por alemães e brasileiros como o maior artilheiro da história das Copas. Em contrapartida, no minuto seguinte, o centroavante brasileiro Fred bateu de fora da área e foi vaiado sonoramente pela torcida, que depois repetiu contra ele o coro da presidente Dilma: “Ei, Fred, vai tomar no c(…)!”. E não ficou sozinho, quando aos 17 o telão do Mineirão mostrou Ronaldo, que assistiu seu recorde ser batido por Klose, enquanto comentava o jogo pela Globo, e também foi vaiado pela torcida.

 

Em respeito ao Brasil, desde o final do primeiro tempo, a Alemanha pareceu querer diminuir o ritmo, mas não Schürrle, que entrou no jogo querendo mostrar serviço, ao marcar o sexto

Em respeito ao Brasil, desde o final do primeiro tempo, a Alemanha pareceu querer diminuir o ritmo, mas não Schürrle, que entrou no jogo querendo mostrar serviço, ao marcar o sexto

 

Dentro do campo, Lahm lançou Khedira pela ponta direita e correu para receber de volta e cruzar para Schürrle marcar o sexto da Alemanha, aos 23. Felipão aproveitou enquanto a torcida ainda tentava contar quantos gols tinha tomado, para tirar Fred, que era tão perseguido pelas vaias do torcida brasileira, quanto foi Diego Costa nos três jogos que fez na Copa pela Espanha.

Aos 33, num contra-ataque, Müller cruzou da ponta esquerda. David Luiz, que tentava apoiar o ataque, chegou atrasado na marcação de Schürrle. O alemão dominou dentro da área de perna direita e emendou uma petardo de canhota, no ângulo de Júlio César: Alemanha 7 a 0.

 

Num bomba de canhota, que ainda bateu no travessão antes de entrar, Schürrle fez o seu segundo gol na partida, o sétimo da Alemanha

Num bomba de canhota, que ainda bateu no travessão antes de entrar, Schürrle fez o seu segundo gol na partida, o sétimo da Alemanha

 

Em outro contra-ataque, aos 44, Özil saiu cara a cara com Júlio César, na entrada da área brasileira. O meia alemão tocou com consciência, mas a bola saiu pela linha de fundo, rente à trave. Aos 45, Marcelo lançou Oscar, que recebeu na área, dominou, driblou o zagueiro Jérôme Boateng e bateu na altura da marca do pênalti, sem chance para Neuer. Foi o gol de honra, naquela que pôde existir na maior derrota da Seleção Brasileira em todos os tempos.

 

Depois de levar sete gols da Alemanha, Oscar marcou o gol de honra do Brasil

Depois de levar sete gols da Alemanha, Oscar marcou o gol de honra do Brasil

 

Na dúvida no que será ainda pior, entre ter que assistir a Argentina disputar a final do dia 13 no Maracanã, ou enfrentá-la na disputa pelo terceiro lugar, dia 12, em Brasília, uma certeza: ninguém tem o direito de repetir nessa tragédia do futebol brasileiro o mesmo feito em outra, há 64 anos, com os ex-jogadores Barbosa, Juvenal e Bigode, responsabilizados pela derrota brasileira na final da Copa de 1950. E isso vale tanto para os que rapidamente se converteram no culto de martirização midática de Neymar, quanto para os que cerraram fileiras na “caça às bruxas” virtual contra o lateral colombiano Juan Zúñiga, responsável pela contusão do craque brasileiro numa disputa imprudente.

Nesse mesmo oba-oba patriótico que só surge entre os brasileiros de quatro em quatro anos, todos da crônica esportiva do país da Copa acusados de sofrer de “complexo de vira latas” por apontar críticas táticas e técnicas ao time, ou à maneira como ele tentou ser descaradamente utilizado para fins políticos em ano de eleição presidencial, também não devem ceder à nenhuma pequenez. Nela, dá de goleada a grandeza demonstrada pelo zagueiro David Luiz, símbolo maior desse time, que mesmo sem ter feito grande partida deu sua cara a tapa ainda na saída do campo:

— Eu só queria poder dar uma alegria ao meu povo, à minha gente que sofre em tantas outras coisas. Infelizmente não conseguimos. Desculpa a todo mundo. Desculpa a todos os brasileiros. Eu só queria ver meu povo sorrir. Todo mundo sabe o quanto seria importante para mim ver o Brasil feliz pelo menos por causa do futebol. Eles foram melhores (…) É um dia de muita tristeza, mas de muito aprendizado também (…) Eu, na minha vida, aprendi a ser homem em todos os momentos. Não vou fugir de nada. Vou assumir tudo. E nunca vou desistir. Uma dia ainda vou alegrar esse povo de alguma forma.

 

 

 

 

No futebol, a primeira coisa a ser assumida diante da belíssima exibição de futebol dada ontem pela Alemanha, que agora fará a final no Maracanã como favorita contra o vencedor entre Argentina e Holanda, não veio de nenhum analista ou cronista esportivo, mas de um torcedor anônimo saindo do Mineirão, entrevistado a esmo por uma das redes de TV que cobriu a partida:

— É até uma vergonha dizer isso, mas o Brasil tinha que ter entrado com mais medo. Não temos mais futebol para enfrentar a Alemanha de igual para igual.

Fora do futebol, entre os muitos outros erros revelados nesta Copa, cada um assuma o que quiser.

 

Súmula Alemanha 7 x 1 Brasil

 

 

Blog escala sua seleção das quartas de final

Antes que tenha início hoje as semifinais da Copa do Mundo, com o Brasil x Alemanha de logo mais, e o Argentina x Holanda de amanhã, o blog divulga sua seleção e o gol mais bonito na fase das quartas de final, com a novidade da eleição também do melhor técnico. Confira abaixo:

 

 

Goleiro: Keylor Navas (Costa Rica)

Goleiro: Keylor Navas (Costa Rica)

 

Lateral-direito: Phillip Lahm (Alemanha)

Lateral-direito: Phillip Lahm (Alemanha)

 

Zagueiro: Mats Hummels (Alemanha)

Zagueiro: Mats Hummels (Alemanha)

 

Zagueiro: David Luiz (Brasil)

Zagueiro: David Luiz (Brasil)

 

Lateral esquerdo: Daley Blind (Holanda)

Lateral esquerdo: Daley Blind (Holanda)

 

Volante: Bastian Schweinsteiger (Alemanha)

Volante: Bastian Schweinsteiger (Alemanha)

 

Volante: Paul Pogba (França)

Volante: Paul Pogba (França)

 

Meia: James Rodríguez (Colômbia)

Meia: James Rodríguez (Colômbia)

 

Meia: Lionel Messi (Argentina)

Meia: Lionel Messi (Argentina)

 

Atacante: Thomas Müller (Alemanha)

Atacante: Thomas Müller (Alemanha)

 

Robben figurinha

Atacante: Arjen Robben (Holanda)

 

 

Técnico: Louis van Gaal (Holanda)

Técnico: Louis van Gaal (Holanda)

 

 

Quanto ao gol mais bonito das quartas, na torcida de repeteco daqui a pouco, reveja-o no vídeo abaixo:

 

 

Quem quiser relembrar as seleções  da primeira da fase de grupo e das oitavas de final, basta conferir respectivamente aqui e aqui.

 

 

Antes da Alemanha, a tragédia da lista negra no Brasil gera comédia

E como, desde que o teatro foi inventando junto com a democracia pelos antigos gregos, as máscaras da tragédia e da comédia sempre foram siamesas, confira abaixo o vídeo do comediante Danilo Gentili, um dos nove “inimigos da pátria” publicamente enumerados pela lista negra do PT (relembre o caso aqui e aqui). Para aliviar a tensão antes da semifinal entre Brasil e Alemanha de daqui a pouco, bem como da falta que nela Neymar poderá fazer, vale a pena para para rir um pouco com a comédia dessa nossa necessidade humana de tragédia…

 

 

 

 

 

Adeus aos poetas

Alfredo Di Stéfano (04/07/1926 - 04/07/2004)

Alfredo Di Stéfano (04/07/1926 – 04/07/2004)

 

 

Esse punhado de ossos

(Ivan Junqueira)

 

Esse punhado de ossos que, na areia,

alveja e estala à luz do sol a pino

moveu-se outrora, esguio e bailarino,

como se move o sangue numa veia.

Moveu-se em vão, talvez, porque o destino

lhe foi hostil e, astuto, em sua teia

bebeu-lhe o vinho e devorou-lhe à ceia

o que havia de raro e de mais fino.

Foram damas tais ossos, foram reis,

e príncipes e bispos e donzelas,

mas de todos a morte apenas fez

a tábua rasa do asco e das mazelas.

E ai, na areia anônima, eles moram.

Ninguém os escuta. Os ossos choram.

 

 

Ivan Junqueira (03/11/1934 - 03/07/2014)

Ivan Junqueira (03/11/1934 – 03/07/2014)

 

 

 

Pegada do Brasil contra técnica da Alemanha com mistério nas escalações

Com Dante e Luiz Gustavo praticamente confirmados, a grande dúvida na Seleção Brasileira que entra em campos hoje por uma semifinal de Copa do Mundo é: Willian ou Paulinho? (foto de Gaspar q Nóbrega VIPCOMM)

Com Dante e Luiz Gustavo praticamente confirmados, a grande dúvida na Seleção Brasileira que entra em campos hoje por uma semifinal de Copa do Mundo é: Willian ou Paulinho? (foto de Gaspar Nóbrega VIPCOMM)

 

Na certeza que hoje, às 17h, no Mineirão, o Brasil terá diante da Alemanha seu adversário mais poderoso até agora nesta Copa do Mundo, fica a dúvida: quem entrará em campo no lugar Neymar?

Se a presença de Dante para compor a zaga ao lado de David Luiz é também uma quase certeza, assim como a volta do volante de Luiz Gustavo, após cumprir suspensão automática como hoje terá que fazer o capitão Thiago Silva, a questão é: Felipão vai buscar no meia Willian o “Amarildo” (meia atacante que saiu do banco para substituir Pelé e ajudar a ganhar a Copa em 1962) ou o volante Paulinho será mantido, deixando o meio de campo brasileiro com três jogadores de marcação?

Embora a Seleção Brasileira tenha treinado no domingo com Willian no lugar de Neymar, além de também testar o meia Bernard, um relatório sobre a seleção alemã entregue ontem por Roque Júnior (zagueiro pentacampeão com Felipão em 2002 e hoje seu olheiro), parece ter feito o treinador brasileiro mudar de ideia. Pelo menos o suficiente para depois disso começar o treinamento de ontem com três volantes no meio de campo: Luiz Gustavo, na frente dos zagueiros, mais Fernandinho e Paulinho. Ainda que estes dois últimos também tenham que ajudar no apoio ao ataque, Oscar seria o único jogador original na função de criação, ainda que nesta Copa tenha se destacado mais como ladrão de bolas.

A se confirmar um meio de campo brasileiro tão defensivo, o motivo seria o tal relatório que indicou a escalação da Alemanha sem o veterano centroavante Klose, que começou o jogo nas quartas de final na vitória de 1 a 0 sobre França. No caso, Thomas Müller atuaria contra o Brasil como falso camisa 9, saindo da área para buscar jogo ou abrir espaços para outros jogadores alemães entre os volantes brasileiros.

Com quatro gols já marcados nesta Copa, Müller ocupa a vice-artilharia da competição, empatado com os craques Messi e Neymar, todos com dois a menos do que o colombiano James Rodríguez. Para se ter uma ideia, na comparação com Fred, que fez apenas um gol nos mesmo cinco jogos até aqui, o atacante alemão deu 139 passes certos e finalizou a gol 14 vezes, enquanto o brasileiro acertou 54 passes e teve 10 finalizações.

Outro destaque alemão é o volante Bastian Schweinsteiger, que chegou ao Mundial se recuperando de contusão, não jogou no primeiro jogo, na goleada de 4 a 1 sobre Portugal, mas foi entrando aos poucos e recuperando a forma durante a competição. Mesmo executando funções defensivas de volante, é o maestro do time. Com impressionante índice de 90% de passes certos nesta Copa, simboliza nela o último representante da clássica linhagem dos espanhóis Xavi Hernández e Andrés Iniesta, além do italiano Andrea Pirlo.

Mas também há dúvidas na escalação da Alemanha para daqui a pouco. Não na cabeça do técnico Joachim Löw, mas como Felipão admitiu que fará, o alemão também deve manter o suspense até a confirmação da escalação momentos antes do jogo. Se os habilidosos meias Mesut Özil e Toni Kroos são indiscutíveis, não está definido se jogará pela direita Mario Götze ou André Schürlle.

Zagueiro adaptado à lateral esquerda, se for mantido pelo técnico Joachim Löw, Höwedes será o ponto da defesa alemão  que Felipão vai querer explorar

Zagueiro adaptado à lateral esquerda, Höwedes será o ponto da defesa alemã que Felipão vai querer explorar

Na defesa, o grandalhão Per Mertesacker pode voltar à zaga, deslocando Jérôme Boateng à lateral. Mas como toda a imprensa alemã cobra a manutenção do capitão Philipp Lahm na lateral direita, não no lugar de Sami Khedira como volante, quem poderia perder a vaga é o lateral esquerdo Benedikt Höwedes, zagueiro de origem que não tem feito uma boa Copa na função adaptada. Se ele jogar, será o mapa da mina alemã que Felipão tentará explorar.

Caso o Brasil jogue com três volantes, vai liberar seu laterais para atacar, o que explica o fato de Daniel Alves também ter começado o treino de ontem como titular pela direita (para atacar do lado de Höwedes). Considerado melhor na defesa, Maicon só fica com a vaga se Paulinho der lugar a Willian. O entrosamento deste com Oscar no Chelsea, onde o primeiro joga mais pela direita e o segundo mais solto pelo meio, numa função próxima à desempenhada por Neymar na Seleção, seria uma vantagem dessa escalação mais ofensiva. No caso, seria Willian quem jogaria em cima de Höwedes, com Hulk caindo mais pela esquerda.

Em meio às possibilidades, as certezas dos números conferem à Alemanha a condição de time que mais toca a bola e valoriza sua posse nesta Copa. Até agora, em cinco jogos, os germânicos contabilizaram 2,9 mil passes, enquanto os brasileiros só deram 1,8 mil. Em contrapartida, o time de Felipão se desataca pela marcação por pressão, na qual a retomada da bola no ataque pode causar sérios problemas numa seleção que joga tão compactada e com a zaga tão avançada quanto a alemã, ao ponto de ter seu (excelente) goleiro Manuel Neuer muitas vezes atuando fora da área como líbero.

E são também os números que, nos confrontos diretos, dão ampla vantagem ao Brasil: em 21 jogos, foram 12 vitórias (39 gols marcados), com apenas quatro alemães (24 gols) e cinco empates. Mesmo sem Neymar, a Alemanha respeitará isso. Se não for por mais nada, pela memória ainda relativamente fresca da única vez em que as duas seleções se cruzaram em Copa do Mundo: na final de 2002, quando um time melhor de Felipão fez 2 a 0 para levar o título.

Para todos com mais de 25 anos, idade suficiente para acompanharem futebol pelo menos desde aquela Copa, só não deixa de ser irônico perceber que num jogo entre Brasil e Alemanha, independente do placar final, será o primeiro que dependerá da sua pegada para tentar suplantar a qualidade técnica do segundo. De fato, as coisas parecem tão mudadas, mas tão mudadas, que mesmo jogando no Brasil, para quem quiser saber quem são os alemães, bastará buscar em campo aqueles vestindo a camisa do Flamengo.

E se nem isso despertar Fred nesta Copa, nada mais o fará!

 

Schweinsteiger, Götze e Özil, com a camisa rubro-negra com que a Alemanha jogará hoje

Schweinsteiger, Götze e Özil, com a camisa rubro-negra com que a Alemanha jogará hoje

 

Publicado hoje na edição impressa da Folha

 

 

2014: Copa e Eleições

Copa 2014

 

 

Jornalista e dirigente do PV Joca Muylaert

Jornalista e dirigente do PV Joca Muylaert

Por Joca Muylaert

Há três semanas o Brasil está voltado para a Copa. Como publicou a Ruth Aquino em sua coluna semanal na revista Época, parece que o país virou um mar de rosas. Quase todo o noticiário é voltado para o certame. As editorias jornalísticas se tornaram todas de esporte. O inculcamento da vitória do Brasil é claro e irresponsável. Transformam uma competição esportiva num verdadeiro campo de batalha, seja dentro ou fora dos estádios.

A fifa — permito-me diminutilizá-la — dá uma aula mundial de como se invadir um país e apenas visar o resultado financeiro para voltar para casa. Impõe suas regras e salve-se quem puder. O pior de tudo é a permissividade dos poderes nacionais. Mas vai deixar um legado!, afirmam muitos interessados. Pergunto em quais das pastas. Na educação, no transporte, na saúde, na segurança…

A “copa da fifa no Brasil” — antigamente (e olha que já tenho várias copas) as copas eram chamadas pelo nome dos países que a sediavam: Copa do México, Copa da França, Copa dos Estados Unidos…  — vai deixar a certeza do poder da grande mídia brasileira. Vai deixar claro o poder de influência que exerce sobre todos os setores da sociedade nacional. Ela, para garantir aos seus patrocinadores o sucesso deste um mês de disputa, cria o nacionalismo esportivo. É bem verdade que muitos outros países também sofrem com o mesmo sintoma quase imperceptível, subliminar, dos veículos de comunicação.

Estamos às portas de uma eleição que vai ditar os rumos do país nos últimos quatro anos. Mas o que importa é a terceira vértebra do Neymar e o jogo de amanhã. Que ele se recupere logo e que o Brasil vença de goleada. Apenas não assistirei ao jogo por recomendações médicas, mas estou na torcida. Não tanto, confesso, como para assistir às pelejas dos políticos nesta campanha que teve início ontem. Quero estar bem atento quando falarem em combater o mau uso da coisa pública e da corrupção. Quero filtrar a fisionomia dos que prometem a lisura com os investimentos sociais quando fazem campanhas com recursos advindos das negociatas da corrupção enquanto exercem o poder conferido pelo próprio povo.

A agenda dos candidatos é um nada se compararmos ao noticiário esportivo. O povo, por sua vez, responde bem à anestesia da copa. É um tempo de paz que preambula mais quatro anos de total desmando na vida da população. O gigante não adormeceu de novo. Ele nunca acordou. Teve um surto de birra e ataques de histeria. Parte dos brasileiros mostra a sua hospitalidade e capacidade de se acomodar com festas e oba-obas. Outra se acomoda com as benesses eleitoreiras que são oferecidas como se jogam rações nos cochos dos animais. Festa, pão e circo!!! Imagens bonitas na TV, um churrasquinho na laje e uma copa.

Se alguns políticos não podem aparecer em público com medo das vaias, outros se tornam os maiores torcedores junto às tantas multidões. Quero ver o povo torcer pelo Brasil de verdade na final. No dia das eleições, daqui a pouquinho.

E que vençam as melhores equipes de verdade. Tanto na copa quanto nas Eleições.

Na real, a grande final para um Brasil de Verdade será no dia 5 de outubro!!!

 

Publicado aqui no blog Carraspana Campista

 

 

Suspeito de chefiar cambistas na Copa, com celular da Fifa, é preso no Copacabana Palace

Ray Whelan

Ray Whelan

 

A Polícia Civil do Rio prendeu agora há pouco, na tarde de hoje, no hotel Copacabana Palace, o britânico Ray Whelan, diretor executivo da Match Services, única empresa autorizada pela Fifa para venda de pacotes de ingressos e camarotes da Copa. A suspeita é que ele seja o chefe do esquema milionário de venda ilegal de ingressos da Copa, pelo qual já foram presas 11 pessoas na última terça (relembre aqui), entre eles o franco-argelino Lamine Fofana, que teria feito centenas de ligações por Ray Whelan, que as atendia numa celular oficial da Fifa, cujo presidente Joseph Battter é tio de Phillipe Blatter, ligado à Match Services. Por sua vez, Fofana teria ligações com vários empresários, dirigentes, ex-jogadores e jogadores do futebol brasileiro.

O delegado responsável pela investigação, Fabio Barucke, da 18ª DP (Praça da Bandeira), disse que chegou ao nome do diretor da Match com a colaboração do advogado José Massih, um dos 11 presos sob suspeita de integrarem a quadrilha:

— Ele foi imprescindível para chegarmos nessa pessoa. A Fifa enviou a lista dos credenciados, que bateu com as declarações dele”, disse o delegado. Entre os 11 presos está o franco-argelino Lamine Fofana, que inicialmente foi apontado como chefe da quadrilha.

 

 

Campista que entrou no lugar de Pelé para ganhar a Copa: “Ninguém é insubstituível”

Capa de hoje da edição impressa da Folha, com edição de Cilênio Tavares, concepção gráfica de Aluysio Abreu Barbosa e diagramação de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.

Capa de hoje da Folha, com edição de Cilênio Tavares, concepção gráfica de Aluysio Abreu Barbosa e diagramação de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.

 

 

Jornalista Arnaldo Neto

Jornalista Arnaldo Neto

Por Arnaldo Neto

Não é a primeira vez que a Seleção Brasileira perde seu grande craque em uma Copa do Mundo. No Mundial de 1962, Pelé foi cortado no segundo jogo contra a Tchecoslováquia, após sentir um estiramento na coxa que o tirou da competição. Para substituí-lo, o técnico Aymoré Moreira convocou o campista Amarildo, que devido à importante atuação na competição entrou para história do futebol como o “Possesso”. O fato de substituir o “Rei do futebol” não foi um fardo de responsabilidade para o atacante que começou a carreira no Goytacaz. Ele encarou a situação com a alegria e a satisfação de defender o Brasil.

— Não senti nenhum peso, nenhum pensamento negativo. Teria que mostrar ao povo brasileiro e ao mundo que a seleção não depende apenas de um jogador. Ninguém é insubstituível — afirmou Amarildo.

O “Possesso” recorda que o anúncio do corte de Pelé foi tratado pela imprensa como uma situação catastrófica, apesar de a seleção contar com grandes nomes no elenco, como Garrincha, considerado por Amarildo o maior jogador de todos os tempos. A substituição deu resultado e o Brasil conquistou o bicampeonato. “Entrei no mata a mata e fiz dois gols logo na minha estreia, contra a Espanha, que vencemos por 2 a 1”, acrescentou.

Quanto à situação que vive o atacante Neymar, Amarildo acredita que a perda pode motivar os outros atletas a mostrarem que o brilho da Seleção está no coletivo, embora considere o camisa 10 como o melhor jogador que a equipe tinha. “O Neymar era sacrificado porque todo mundo esperava muito dele. A partir de agora todos os jogadores terão que fazer tudo com mais empenho. Pode ser que com isso a equipe cresça, todos mostrem que o brilho da Seleção não está apenas em um jogador, mas no coletivo”, acrescentou o bicampeão mundial, que confia na Seleção para o próximo confronto contra a Alemanha.

Na visão do ex-jogador, o substituto ideal não foi convocado. “Se o Kaká fosse convocado, poderia fazer o jogo no lugar de Neymar, modificando o estilo de jogo da seleção. Inclusive, daria mais suporte ao Fred, fixo na frente, com o Kaká jogando mais solto. Agora o Felipão tem que fazer um trabalho com as peças que tem, para que esses jogadores não se mostrem dependente do Neymar”.

 

Fonte: Folha da Manhã

 

 

Artigo do domingo — Hipocrisia de lado e bola pra frente

Obdulio Varela brasileiro

 

Encerrado o primeiro tempo do Brasil e Colômbia da sexta, com 15 minutos para tentar resumir em palavras os 45 minutos anteriores de futebol, na missão de alimentar o blog e a Folha Online, nesse jogo tenso e sem prorrogação da comunicação em tempo real, concluí aquela postagem (aqui), em premonição então despercebida: “O fato do Brasil estar jogando bem, sem que Neymar tenha conseguido brilhar até agora, alimenta esperanças”.

Concluída a etapa final e o jogo, com a vitória brasileira de 2 a 1, passei a escrever preocupado com o segundo cartão de Thiago Silva e com o estado de Neymar, que havia saído de campo de maca e chorando, após uma dividida mais dura, mas cuja gravidade do caso ainda não era conhecida.

Até então, o que conduzia meu texto era o encantamento com aquele improvável gafanhoto verde no ombro de James Rodríguez, no momento em que converteu o pênalti, bem como o choro do jovem craque colombiano ao final do jogo, quando foi amparado pelo zagueiro brasileiro David Luiz, épico agigantado em lirismo ao erguer a mão e pedir os aplausos do público ao adversário que se despedia aos 22 anos de uma Copa, mesmo jogando bem em seus cinco jogos e marcando gols em todos eles.

Enquanto escrevia pressionado pelo tempo, ainda encontrei algum para descobrir que, no Ceará, aquele gafanhoto verde é chamado de “esperança”. E esperança foi que o descrevi pousada sobre o ombro de 200 milhões de brasileiros, quanto à condição de Neymar, pouco depois revelada numa fratura na terceira vértebra lombar que tiraria da Copa outro gênio da bola de 22 anos.

Sobre o lance da contusão, entro logo de sola, mas de frente, no que me parece ser o novo “complexo de vira latas” já assumido pela maioria da torcida brasileira: não vi no lateral direito colombiano Juan Zúñiga a intenção de quebrar Neymar. Aliás, nem eu, nem o próprio Felipão, conforme o treinador declarou ao mundo na entrevista coletiva após o jogo.

Lógico que entrar com o joelho erguido, sobretudo com o adversário de costas, trata-se de uma temeridade, mesmo para tentar retomar uma bola rebatida na área adversária, quando seu time busca no empate um sonho inédito na história do futebol do seu país. Mas, sinceramente, pelo que acompanho deste mesmo futebol há 34 anos, se Zúñiga pode ser acusado de algo, é de grosseria, não de má intenção.

Deixemos de hipocrisia nesse patético patriotismo cometa que só nos acomete de quatro em quatro anos. Afinal, quantas janelas de carros, casas e apartamentos manterão suas bandeirinhas e bandeirões verdes e amarelos, tão logo acabe a Copa? A verdade é que sumirão tão rapidamente quanto o vermelho que agora cora a sua cara, patriótico leitor.

Consequências traumáticas à parte, a verdade é que o Brasil bateu tanto, se não mais, quanto apanhou da Colômbia. Se o time de Felipão dominou o jogo no primeiro tempo, foi também porque Rodríguez foi caçado em campo nesta etapa. O volante Fernandinho jogou muito bem, mas fez no mínimo três entradas merecedoras de cartão sobre o craque colombiano, que foi ainda alvo de rodízio de botinadas pelos demais jogadores do time de Felipão, confesso adepto do uso da falta como recurso de jogo, naquilo que mestre Telê Santana considerava uma abominação do futebol.

Aos que cobram o juiz espanhol Carlos Velasco por nada ter marcado na entrada de Zúñiga sobre Neymar, que revejam o VT do jogo e digam com sinceridade quantos cartões merecidos foram igualmente sonegados a jogadores brasileiros. A verdade, antecipada por jornalistas que cobrem de perto a Copa, como o Paulo Calçade, da ESPN Brasil, revelou logo ao início da transmissão do jogo, é que o árbitro apitou previamente orientado pela Fifa para economizar nos cartões.

O objetivo doloso era evitar a suspensão nas semifinais de jogadores importantes pendurados com um cartão amarelo, o que não deu para fazer no inevitável e tolo cartão dado a Thiago Silva, por atrapalhar a saída de bola do goleiro Ospina, e como poderia ser o caso do próprio Neymar. Assim, por irônico que possa parecer, Neymar pode ter saído da Copa como consequência de uma vista grossa da arbitragem pensada e executada para garantir a sua presença nas semifinais.

Agora, contra a forte Alemanha, na semifinal da próxima terça, dia 8, no Mineirão, a Seleção Brasileira terá duas alternativas: ou assumir nosso velho “complexo de vira lata” e abraçar a atenuante à derrota antes de mesmo tentar vencer, ou se apegar à realidade descrita num texto então quente do forno para resumir o exemplo a ser seguido naquele primeiro tempo contra a Colômbia: “O fato do Brasil estar jogando bem, sem que Neymar tenha conseguido brilhar até agora, alimenta esperanças”.

Como lembrado por um campista e legenda do futebol mundial, na página 12 desta edição, que saiu do banco para substituir ninguém menos que Pelé e assumir papel fundamental na conquista da Copa de 1962, em entrevista cavada com brilhantismo (aqui) pelo jornalista da Folha Arnaldo Neto: “Ninguém é insubstituível!”

Muito embora, na analogia fácil entre passado e presente, mais importante do que saber quem poderá ser o “Amarildo” vindo do banco, é descobrir um “Garrincha” entre os titulares para assumir o protagonismo de “Pelé/Neymar”.

Insistir na autopieade já propagada do “Joelhaço”, nesse culto ao tadinho que atravanca este país há meio milênio, não passa de masturbação — igual a esta por infértil, embora distinta por desprazerosa. E tanto pior quando essa covardia é reforçada por todo tipo de ofensas, inclusive racistas, que Zúñiga e sua família têm sofrido pelos canalhas reais de coragem (apenas) virtual, habitando como ácaros nas redes sociais.

Se mesmo depois de cinco Copas conquistadas, ainda nos assombra o fantasma do “Maracanazzo” de 1950, que Nelson Rodrigues tentou exorcizar justamente ao fundamentar o seu (nosso) “complexo de vira latas”, talvez a única maneira de fazê-lo seja justamente agora. E para sempre!

Diante da Alemanha em Belo Horizonte, sem Neymar e Thiago Silva, qualquer “Mineiraço” virou prerrogativa exclusiva da vitória dos donos da casa. Se o Brasil perder, que saiba fazê-lo com a mesma dignidade do jovem James Rodríguez na sexta, ou de todo time da Costa Rica, que ontem cobrou suor de sangue à poderosa Holanda.

Agora, se passarmos pelos alemães, o que é improvável, mas não impossível, quem tremerá numa final épica no Maracanã, estejam argentinos ou holandeses do outro lado, não seremos nós. Neste caso, que ninguém duvide, até Obdulio Varela voltará dos mortos para entrar em campo de camisa amarela.

 

Publicado hoje, na edição impressa da Folha.

 

 

Contusão de Neymar na Copa do Mundo no Brasil foi prevista em “Os Simpsons”

Juiz da final da Copa do Brasil, Homer Simpson observa o camisa 10 e craque brasileiro ser retirado de campo de maca para não mais voltar ao Mundial

Juiz da final da Copa do Brasil, Homer Simpson observa o camisa 10 e craque brasileiro ser retirado de campo de maca para não mais voltar ao Mundial

 

Sucesso mundial há quase 25 anos e hilária trincheira de resistência contra a chatérrima ditadura do politicamente correto, a série de animação Os Simpsons previu que o grande craque brasileiro sairia de maca durante a Copa do Mundo sediada no Brasil. No episódio, o camisa 10 da Seleção Brasileira e conhecido pela fama de cai-cai sofre uma contusão e sai de campo levado numa maca para não voltar mais à Copa. Na animação, o nome do personagem é El Divo, e o problema ocorre na final do Mundial, entre Brasil e Alemanha, que tem Homer como juiz e é vencida pelos europeus por 2 a 0.

Bem, já que na realidade perdemos Neymar nas quartas de final contra a Colômbia, para enfrentaremos a Alemanha na semifinal da Copa, esperemos que a previsão do placar não se cumpra, a não ser como produto em ordem inversa dos fatores.

Confira abaixo o episódio, cuja parte da contusão do craque brasileiro pode ser vista a partir dos 16 minutos:

 

 

 

 

 

Depois de Neymar, Di María também está fora da Copa

Após sentir a lesão, na perna de apoio ao tentar um chute, Di María sentiu a lesão e ficou no chão ( foto de Dennis Sanbangan / EFE / EPA)

Após sentir a lesão, na perna de apoio ao tentar um chute, o craque da Argentina e do Real Madri sentiu a lesão e ficou no chão ( foto de Dennis Sanbangan / EFE / EPA)

 

Depois de Neymar, outro craque está fora da Copa. O meia atacante Ángel Di María vai desfalcar a Argentina, que pela primeira vez em 24 anos voltará a disputar uma semifinal de Copa do Mundo. Depois do gol, aos 33 minutos do primeiro tempo, Di María sentiu o músculo adutor da perna direita e foi substituído. Apesar de ter saído de campa andando, a informação de que ele não poderá se recuperar a tempo de jogar as duas próximas partidas do Mundial foi confirmada por Eugênio Lopez, empresário do jogador. Depois de Lionel Messi, Di María era o jogador mais importante da seleção argentina.

 

 

 

Neymar: “O sonho de ser campeão não acabou”

Confira o vídeo que Neymar gravou hoje na Granja Comary, em Teresópolis, antes de seguir à tarde de helicóptero à sua casa no Guarujá, no litoral paulista, para sua recuperação da fratura na vértebra lombar sofrida ontem (relembre o caso aqui) na vitória brasileira de 2 a 1 sobre a Colômbia:

 

 

 

 

 

 

Brasil 2 x 1 Colômbia — Sem Neymar ou Thiago Silva, com a esperança no ombro

Thiago Silva ao abrir o placar para o Brasil como craque e capitão

Thiago Silva ao abrir o placar para o Brasil como craque e capitão

 

Em todos os quatro jogos nesta Copa, até as oitavas de final, a Seleção Brasileira podia ser resumida a um craque em busca de um time. Pois ontem, na arena Castelão, em Fortaleza, mesmo com a atuação apagada do craque, foi a boa apresentação do time que garantiu o primeiro jogo convincente do Brasil, ao vencer por 2 a 1 uma Colômbia que tinha uma campanha até então perfeita. E foi neste momento de aparente independência coletiva do seu maior valor individual, que o Brasil agora terá de se reafirmar como time, sem poder mais contar com seu grande craque, se quiser vencer a forte Alemanha na semifinal da próxima terça, dia 8, no Mineirão, para  manter aceso o sonho de ser campeão do mundo de futebol dentro da própria casa.

Dentro dessas aparentes contradições, o jogo de ontem teve os gols brasileiros marcados por quem teria como função impedi-los: os zagueiros Thiago Silva e David Luiz. E o protagonismo dos dois grandes defensores, auxiliados pelo volante Fernandinho, outro marcador brasileiro em tarde inspirada, não impediu que também brilhasse o craque colombiano James Rodríguez, que ontem saiu da Copa, mas não sem antes marcar mais um gol e se isolar com seis como maior artilheiro da competição.

O equilíbrio entre as virtudes, com a balança do resultado pendendo com justiça a favor do Brasil, estaria completo, não fosse a fatalidade que, já perto do jogo acabar, se converteu em tragédia para 200 milhões de brasileiros e bilhões de admiradores do bom futebol a despeito de cores pátrias. Aos 41 minutos do segundo tempo, numa saída de bola da defesa brasileira, quando a Colômbia ainda buscava seu direito de sonhar, o lateral direito Zuniga acabou acertando o joelho nas costas de Neymar, em lance aparentemente sem intenção. Apesar de ter saído de campo de maca, chorando e com a mão ao rosto, ninguém ainda suspeitava do porvir.

E o espetáculo do campo, desde seu início, deu bons motivos para não se buscar nada fora dele. Logo aos seis minutos, o mesmo Neymar cobraria o escanteio que Thiago Silva desviaria de joelho canhoto para vencer o goleiro Ospina. E o zagueiro só entrou livre no segundo pau para abrir o placar, porque Fred e David Luiz puxaram a marcação no primeiro, numa jogada ensaiada que anunciou de cara a boa apresentação coletiva do Brasil que tanto se cobrava.

Também cobrado por seu equilíbrio emocional e sua capacidade de liderança, na disputa de pênaltis contra Chile, o capitão brasileiro saiu correndo após abrir o placar contra Colômbia, bateu no peito e gritou diante às câmeras de TV: “Isso aqui é a camisa do Brasil, porra!”

A conhecida marcação sob pressão do time de Felipão também funcionava, dificultando a saída de bola da habilidosa seleção colombiana, com destaque ao desempenho de Fernandinho. Bem verdade que, ao perceber a clara intenção do juiz espanhol Carlos Velasco de economizar nos cartões amarelos para evitar tirar alguém pendurado das semifinais, tanto o volante brasileiro, quanto companheiros e adversários, passaram a não economizar das entradas duras. Em todo o primeiro tempo, o craque James Rodríguez, além da atenção especial de Fernandinho, sofreu rodízio de faltas do time brasileiro.

Júlio César à direita, bola à esquerda, a categoria de Rodríguez

No segundo, a Colômbia passou a dominar as ações ofensivas, em busca do empate. E o clima ficou mais tenso para o Brasil depois que Thiago Silva atrapalhou a saída de bola do goleiro Ospina, recebendo um cartão amarelo desnecessário, mas inevitável para o juiz, que o deixou o importante jogador suspenso para as semifinais contra a Alemanha. Caberia ao outro zagueiro brasileiro aliviar as tensões. Numa bela cobrança de falta, relativamente distante da área, David Luiz acertou uma bomba no ângulo esquerdo de Ospina, que chegou a tocar com a ponta dos dedos a bola venenosa.

Ainda assim, os colombianos não se intimidaram e continuaram a pressionar, mesmo se expondo às tentativas de contra-ataque, interceptadas em sua maioria pela atuação impecável de outro grande zagueiro: o veterano Yepes, ex-parceiro de Thiago Silva nos tempos do Milan. Seguros atrás, aos 32 minutos, o craque James Rodríguez achou o atacante Bacca dentro da área brasileira. Júlio César saiu e cometeu o pênalti claro, bem marcado pelo árbitro espanhol, cujo cartão amarelo dado ao goleiro acabou saindo barato.

A esperança foi verde no ombro de Rodríguez

Com categoria e um enorme e gafanhoto verde pousado ao acaso em seu ombro direito, o canhoto Rodríguez deslocou o goleiro brasileiro e cobrou no canto direito para diminuir. Ele pegou a bola e enquanto corria para reiniciar o jogo, ainda sem ver o inseto em seu ombro, beijou um nome que leva tatuado no mesmo braço. Segundo informaram, no Ceará aquele tipo de gafanhoto é chamado popularmente de “esperança”.

Aos 41 minutos, estava marcada pelo destino aquela fatídica dividida entre Zunida e Neymar, obrigando o craque brasileiro a sair de campo na maca, sob aplausos, mas chorando de dor. Antes da divulgação dos exames que apontariam uma fratura da terceira vértebra, excluindo sua participação desta Copa, outra cena de forte carga dramática ocorreu após o jogo, ainda dentro de campo. Ao perceber o jovem James Rodríguez em prantos, inconsolável por ser eliminado de uma Copa em que jogou bem e marcou gols em todos os jogos, David Luiz levantou o braço do colombiano e pediu que a torcida aplaudisse a quem saía de cabeça em pé, assim como fizera antes quem fora obrigado a sair de maca.

Esta Copa perdeu ontem dois dos seus maiores craques, flores do Lácio da América aos 22 anos. Mas o time de um deles permanece, com a esperança pousada sobre o ombro de uma nação.

Comovido pelo drama, como escreveu nas redes sociais e em português outro craque mais maduro, o alemão Bastian Schweinsteiger, agora de alma queimada do sol da Bahia e do Rio: “Vamos Brasil!”

 

David Luiz pede palmas a quem acabou de cabeça em pé

David Luiz pede palmas a quem acabou de cabeça em pé

 

Torcida de um alemão

Torcida de um alemão

 

 

 

Neymar fraturou a vértebra e está fora da Copa do Mundo

Instante seguinte à disputa de bola com Zuniga que fraturou a vértebra de Neymar (foto de Fabrizio Bensh / AFP)

Instante seguinte à disputa de bola com Zuniga que fraturou a vértebra de Neymar (foto de Fabrizio Bensh / AFP)

 

Está confirmado: Neymar sofreu uma fratura na terceira vértebra da região lombar e está fora da Copa do Mundo. A informação foi divulgada agora há pouco pelo repórter André Plihal, da ESPN Brasil, antes de entrevistar na sequência o lateral direito colombiano Zuniga, que fez a falta, aos 41 do segundo tempo, ao atingir com o joelho as costas do craque brasileiro, numa disputa de bola de saída de bola da Seleção. No Hospital São Carlos, em Fortaleza, a fratura foi constatada e a cirurgia descartada.

Confira abaixo o que disse Zuniga, ainda na arena Castelão, ao saber da gravidade da contusão de Neymar:

 

O lateral colombiano Zuniga

O lateral colombiano Zuniga

Plihal — Está confirmado, Neymar teve uma fratura na vértebra e está fora da Copa. O que você tem a dizer sobre o lance?

Zuniga — Foi uma jogada normal. Nunca com a intenção de fazer algum mal ao outro jogador. Quando está em campo, sempre temos a intenção de jogar pela nossa camisa, pelo nosso país, pelo que estamos representando. Mas nunca com a intenção de lesionar um jogador. 

Plihal — Era possível evitar?

Zuniga — Era uma partida assim, que víamos que poderíamos ainda conseguir um bom resultado (o empate) e queríamos marcar e a partida estava um pouco quente. O Brasil estava entrando forte e nós entrando igual. Mas espero que, com a ajuda de Deus, não seja nada grave.

Outro repórter — Ele fraturou a espinha e está fora da Copa.

Zuniga — Por isso digo, uma jogada em que você está pensando em defender sua camisa, não em fraturar a espinha. Foi uma jogada em que estava defendendo minha camisa e meu país.

Plihal — E como você se sente ao receber essa informação, essa notícia?

Zuniga — Para min, creio que antes de entrar nessa jogada, fui para marcá-lo, não pensando em fazer-lhe mal. Fui defender minha camisa, como sempre havia dito que faria. Lastimosamente se passou isso e espero como vocês que ele se recuprere.

Plihal — E o que você diria para ele neste momento?

Zuniga — Como te digo, esperamos com a ajuda de Deus que não seja nada grave e esperamos que volte, pois tem muito talento para dar ao futebol do Brasil e do mundo.

 

Com dores e chorando Neymar teve que sair de maca do gramado (Foto de Fabrizio Bensh / AFP)

Com dores e chorando Neymar teve que sair de maca do gramado (Foto de Fabrizio Bensh / AFP)

 

 

Vestidos de Flamengo antes da França, alemães terão sorte ou azar?

Pode até ser que a Alemanha não consiga passar pela igualmente forte seleção da França nas quartas de final, em pleno Maracanã. Mas não é só por ser um cracaço de bola que esse tal de Bastian Schweinsteiger está se tornando o mais brasileiro possível. Apesar da atual maré de sorte do Flamengo estar distante das melhores, confira abaixo a foto do volante alemão com seu companheiro de ataque Lucas Podolski, diante à orla do Rio de Janeiro, que ele postou agora há pouco, aqui, na democracia irrefreável das redes sociais…

 

Podolski e Schweinsteiger, na sacada do hotel diante à orla carioca, vestindo as camisas do mais querido do Brasil

Podolski e Schweinsteiger, na sacada do hotel diante à orla carioca, vestindo as camisas do clube mais querido do Brasil, mas em maré ruim

 

 

 

Enquanto isso, no país da Copa…

 

Por Eduardo Bresciani e Jailton de Carvalho

Brasília — O ex-ministro José Dirceu deixou o Centro de Progressão Penintenciária do Distrito Federal na manhã desta quinta-feira [ontem, dia 3] para o seu primeiro dia de trabalho, após a prisão pela condenação no processo do mensalão. Dirceu deixou o prédio sozinho, às 7h25m, e entrou em sua caminhonente Hilux, que ele comprou financiada, avaliada em cerca de R$ 100 mil e dirigida por um motorista que atende o petista em Brasília. Ele vestia paletó cinza escuro, calça jeans e camisa azul. Na saída, Dirceu conversou longamente por celular.

O petista vai trabalhar no escritório do advogado José Gerardo Grossi. Pelo contrato de trabalho, Dirceu deverá trabalhar das 9 às 18 horas, com direito a duas horas de almoço. O ex-ministro terá como atribuição organizar a biblioteca do escritório que, segundo Grossi, está bagunçada. Dirceu, que foi o principal ministro da primeira fase do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, terá salário de R$ 2,1 mil por mês.

— Minha biblioteca está uma bagunça. Se ele quiser trabalhar, terá muito trabalho. Se não quiser, será mandado embora como qualquer outro funcionário — disse Grossi.

O trajeto do presídio ao escritório durou aproximadamente 25 minutos. Ele aguardou dentro do carro, pois não havia ninguém no local para recebê-lo. Logo depois, dirigiu-se à portaria para fazer seu cadastro e subiu ao 9º andar acompanhado de duas pessoas.

O advogado disse também estar consciente de que a presença de Dirceu em seu escritório atrairá a atenção da imprensa, sobretudo nestes primeiros dias. Mas ele entende que esse é um movimento previsível. Ainda segundo Grossi, Dirceu parecia excitado e um pouco confuso, como um “passarinho libertado” após passar temporada numa gaiola.

— É natural que isso (o assédio da imprensa) aconteça. O Zé virou a Geni, do Chicio Buarque — brinca Grossi, numa referência as críticas que o ex-ministro vem recebendo desde o início do processo do mensalão.

Dirceu foi transferido no início da tarde de quarta-feira da Papuda para o Centro de Progressão Penitenciária (CPP), onde estão os presos autorizados a trabalhar fora do presídio. O trabalho externo de Dirceu foi autorizado pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), que revogou decisão anterior do ministro Joaquim Barbosa desfavorável ao ex-ministro. Dirceu foi condenado a 7 anos e 11 meses de prisão por corrupção ativa. Ele está preso desde 15 de novembro, quando teve a prisão decretada por Barbosa.

Conversa prévia

O advogado e o ex-ministro tiveram uma conversa prévia antes de começar o expediente. Grossi explicou quais são as novas tarefas de Dirceu no escritório e os limites estabelecidos para ele pela juíza Leila Cury, da Vara de Execuções Penais. O ex-ministro deverá trabalhar em duas salas. Uma onde estão os livros e outra, onde terá uma mesa com telefone e computador. O ex-ministro deverá digitalizar o acervo de Grossi. Ele terá direito a receber familiares, mas não poderá manter contatos políticos.

— Não permitirei atividade política aqui. Isso aqui é meu ganha pão e eu levo muito a sério — afirmou o advogado.

Uso de celular é dúvida

Grossi não soube dizer, no entanto, se Dirceu poderá usar o celular durante ou após o expediente. Ele acredita que o ato é irregular. Durante a conversa, Dirceu falou do período que esteve em regime fechado na Papuda, da sensação de estar fora da cadeia por algumas horas e até da seleção brasileira, que terá jogo decisivo nesta-sexta contra a Colômbia. Dirceu estaria apreensivo com o rendimento da seleção de Luiz Felipe Scolari. Ele deverá assistir o jogo num galpão do CPP, onde estão mais de mil presos. O escritório de Grossi ficará fechado.

Dirceu teria ainda elogiado os guardas da Papuda e chorado ao falar de uma das filhas. Após a conversa, foi levado a uma das salas onde começaria a organizar os livros. Ainda ressabiado, o ex-ministro almoçou no próprio escritório. Pela lei, ele tem direito a almoçar em restaurante, mas não pode se afastar mais do que cem metros do local de trabalho.

 

Fonte: Globo.com

 

Confira abaixo a reportagem em vídeo da TV Cultura:

 

 

 

 

 

Legado da Copa: Obra inacabada em viaduto desaba, mata dois e fere 19 em Belo Horizonte

Foto: Estado de Minas

Foto: Estado de Minas

 

Por Camilla Matoso, de Belo Horizonte

Uma parte do Viaduto Guararapes, na Avenida Pedro I ao lado do acesso com a Olímpio Mourão Filho, em Belo Horizonte, que estava em construção entre as obras do Projeto Copa, desabou na tarde desta quinta-feira. Segundo informações iniciais divulgadas pela Secretaria de Saúde de Minas Gerais, ao menos duas pessoas morreram e 19 ficaram feridas. Um ônibus, um carro e dois caminhões foram atingidos pela queda do bloco de cimento.

A Polícia Militar e os Bombeiros chegaram prontamente com mais de 10 viaturas ao local, no Bairro São João Batista, para socorrer os feridos atingdos pela tragédia. Segundo a PM, dez funcionários da construção foram atingidos, mas o número de vítimas fatais pode ser alto. Uma equipe da Sudecap foi acionada e um helicóptero também ajuda na ocorrência.

A estrutura seria inaugurada nos próximos dias, começou a ser construída há um ano e faz parte do complexo de obras para o alargamento da avenida. A construção já estava em fase final de acabamento, com a retirada das vigas de sustentação.

Outra parte da mesma obra já tinha sido interditada há alguns meses por problemas na estrutura, quando uma alça que estava sendo erguida na Rua Montese, no Bairro Santa Branca, havia cedido trinta centímetros.

O Viaduto está sendo construído sobre a Avenida Dom Pedro I, no processo de duplicação de via para a implantação do Move. O ponto do acidente fica a cerca de quatro quilômetros do Estádio do Mineirão, sede de diversas partidas da Copa do Mundo.

 

Fonte: ESPN

 

Confira abaixo o vídeo do momento do desabamento:

 

 

 

 

 

O que as estatísticas revelam para o duelo entre Neymar e James Rodríguez

Pelos números do que produziram em campo, jogando pelas seleções de seus países e nesta Copa do Mundo, o que se pode esperar do confronto amanhã, a partir das 17h, em Fortaleza, entre os craques Neymar e James Rodríguez, quando Brasil e Colômbia se enfrentarão na disputa por uma vaga as semifinais?

Então confira abaixo nos números levantados pelo blog e reunidos na infografia do Eliabe de Souza, o Cássio Jr:

 

Neymar x James Rodríguez

 

 

 

 

Blog escala sua seleção das oitavas de final da Copa

Aqui, o blog já havia eleito sua seleção entre o que as 32 apresentaram na fase de grupos. Agora, encerrada a segunda fase, conheça os 11 melhores jogadores apresentados pelas 16 seleções que disputaram as oitavas de final. Entre eles, com 14 defesas, a maior média da história das Copas, o craque da rodada foi o veterano goleiro estadunidense Tim Howard, que abre a lista:

 

Goleiro: Tim Howard (EUA)

Goleiro: Tim Howard (EUA)

 

Lateral-direito: Juan Cuadrado (Colômbia)

Lateral-direito: Juan Cuadrado (Colômbia)

 

Zagueiro:  Vincent Company (Bélgica)

Zagueiro: Vincent Company (Bélgica)

 

Zagueiro: Essaïd Belkalem (Argélia)

Zagueiro: Essaïd Belkalem (Argélia)

 

Lateral esquerdo: Marcos Rojo (Argentina)

Lateral esquerdo: Marcos Rojo (Argentina)

 

Aranguíz

Volante: Charles Aranguíz (Chile)

 

Volante: Paul Pobga (França)

Volante: Paul Pobga (França)

 

Meia: James Rodríguez (Colômbia)

Meia: James Rodríguez (Colômbia)

 

Meia: Lionel Messi (Argentina)

Meia: Lionel Messi (Argentina)

 

Atacante: Arjen Robben (Holanda)

Atacante: Arjen Robben (Holanda)

 

Atacante: Alexis Sánchez (Chile)

Atacante: Alexis Sánchez (Chile)

 

Quanto ao gol mais bonito nas oitavas, além de candidato ao mais belo de toda a Copa, confira abaixo a obra prima de James Rodríguez, que abriu o placar na vitória de 2 a 0 sobre o Uruguai:

 

 

 

 

Quem quiser conhecer a seleção da Fifa, teoricamente montada sobre o conjunto das duas fases da Copa, mas sob sabe-se quais critérios, pode conferir aqui a matéria do jornalista Arnaldo Neto, na Folha Online. Mas, modéstia à parte, as seleções do blog concedem a vantagem do empate em campo a escolha da Fifa. David Luiz tem se mostrado um excelente zagueiro, a ponto de realmente brigar para estar em qualquer seleção mundial do que foi até aqui a Copa, mas considerá-lo o melhor jogador do Mundial, só pode ser o mesmo tipo de piada que elegeu outro bom zagueiro, o italiano Fabio Canavarro, o melhor da Copa de 2006. Sobre a eleição de Claudio Bravo (Chile), Jan Vertonghen (Bélgica), Johan Djourou (Suíça) e Phillip Lahm (Alemanha) nessa suposta seleção da Fifa, é melhor nem comentar.

 

 

Para psicóloga e craque da Seleção, nervos do time estão sob controle

Confira abaixo o depoimento da psicóloga e a entrevista coletiva do craque da Seleção Brasileira, respectivamente Regina Brandão e Neymar. A primeira disse ontem em visita aos jogadores na Granja Comary, divulgada na CBF TV, que tudo está correndo conforme o planejamento inicial. Já o segundo, numa coletiva dada hoje, antes da Seleção sair de Teresópolis para Fortaleza, onde Brasil e Colômbia se enfrentam pelas quartas de final de depois de amanhã, disse que não há nenhum problema emocional com os jogadores brasileiros.

Se os nervos estão sob controle, só o comportamento jogo de sexta dirá, muito mais que no eventual choro de um jogador, pela capacidade da equipe de não desmoronar psicológica, técnica e taticamente no caso de uma eventual infelicidade, como foi o da saída de bola brasileira que gerou o gol de empate do Chile.

Confira abaixo o depoimento da psicóloga e a entrevista do craque:

 

 

 

 

 

 

 

Vandalismo: Black blocs protestam na Suíça contra eliminação na Copa do Mundo

Seja para quem não consegue discernir “pátria de chuteiras” de “complexo de vira latas”, as cenas do vídeo abaixo, divulgadas aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, não são recomendáveis às pessoas mais sensíveis, tampouco àquelas que acham que coxinha, em terra de fondue ou feijoada, é quem se nega a ser farinha do mesmo quibe:

 

 

 

 

 

Nas arquibancadas e ruas, as origens da provocação argentina e a resposta brasileira

Brasil x Argentina

 

Postado aqui no vídeo em que foi entoada em coro pelos próprios jogadores da seleção argentina, o hit “Brasil diceme que se siente” foi uma adaptação de um cântico criado pela torcida do Boca Juniors para provocar seu arquirrival River Plate, após este ter sido rebaixado em 2011 à Segunda Divisão do Campeonato Argentino. A letra original diz:

 

“River decime que se siente

haber jugado el Nacional. 

Te juro que aunque pasen los años,

nunca lo vamos a olvidar. 

Que te fuiste a la B,

quemaste el Monumental,

esa mancha no se Borra nunca mas!

Che gallina sos cagon,

le pegaste a un jugador,

que cobardes los Borrachos del tablón”

 

“River, me diz como se sente

Ter jogado a B Nacional.

Mesmo que se passem os anos,

Nunca vamos nos esquecer.

Que foram à B,

Queimaram no Monumental (estádio do River),

Essa mancha não se apaga nunca mais

Vocês galinhas (torcedores do River) são cagões

Bateram em um jogador

Que covardes os ‘Bêbados da Arquibancada’ (torcida organizada do River)”

 

Confira no vídeo abaixo o cântico original:

 

 

 

 

Mas para provocar os brasileiros durante a Copa, os torcedores do Boca, do River e de outros clubes argentinos se uniram para cantar nas ruas e arquibancadas do Rio de Janeiro (Argentina 2 x 1 Bósnia), Belo Horizonte (Argentina 1 x o Irã), Porto Alegre (Argentina 3 x 2 Nigéria) e São Paulo (Argentina 1 x 0 Suíça):

 

“Brasil decime que se siente

Tener en casa a tu papá

Te juro que aunque passen los años

Nunca nos vamos a olvidar

Que el Diego te gambeteó

Que Cani te vacunó

Que está llorando desde Itália hasta hoy

A Messi lo vas a ver

La Copa nos va a trazer

Maradona es más grande que Pelé”

 

“Brasil, me diga o que sente

Ter em casa seu papai

Te juro que mesmo que passem os anos

Nunca vamos nos esquecer

Que Diego (Maradona) os driblou

Que Caniggia os espetou (autor do gol argentino que eliminou o Brasil na Copa de 1990, na Itália)

Estão chorando desde a Itália até hoje

A Messi vocês vão ver

A Copa ele vai nos trazer”

 

Confira no vídeo abaixo, o canto entoado em coro pelos próprios jogadores da seleção argentina, nos vestiários do Itaquerão, para comemorarem sua classificação às quartas de final:

 

 

 

 

Diante da provocação, desde Belo Horizonte os brasileiros também fizeram sua própria adaptação do coro, cantando para lembrar a los hermanos que só Pelé, vencedor de três Copas do Mundo (1958, 62 e 70) das quatro que disputou (também 66), conquistou como jogador uma a mais que todo a história do futebol da Argentina, vencedor apenas dos Mundiais de 1978 e 86. É uma versão reduzida, que ficou assim:

 

“Se você é argentino

Então me diga como é

ter somente duas Copas

Uma a menos que Pelé”

 

Enquanto a mesma força da provocação argentina nas ruas e arquibancadas do Brasil, mais ou menos como o “chororô” que os flamenguistas adaptaram para ironizar no Rio o “amor” dos botafoguenses, confira a resposta brasileira, em vídeo do jornal O Estado de Minas:

 

 

 

 

Bem, para que isso seja enfim definido dentro do campo, na final da Copa no Maracanã, dia 13, só falta combinar com colombianos, belgas, alemães ou franceses e holandeses ou costarriquenhos. Veremos quem cantará por último; e em que língua…

 

 

 

Pinilla imortaliza na pele o lance que parou o coração de 200 milhões de brasileiros

Ao explodir no travessão do goleiro Júlio César, no último minuto da prorrogação, o chute do atacante Mauricio Pinilla paralisou o coração de 200 milhões de brasileiros, assim como de 20 milhões de chilenos. Já de volta ao seu país, depois que a Seleção Brasileira venceu a de pênaltis, o jogador chileno resolveu usar sua própria pele para imortalizar o lance que poderia ter mudado a história da partida e desta Copa do Mundo de final ainda desconhecido. No estúdio “Tatoo Rockers”, além de tatuar em suas têmporas os dizeres “Blessed” (“Abençoado” em inglês) e “For Life” (“Para a vida”) em suas têmporas, Pinelli desenhou nas costas o lance do Mineirão, com a frase: “Um centímetro da glória”.

Hoje jogador do clube italiano Clagiari, Pinelli chegou a atuar pelo carioca Vasco da Gama, em 2008, ano em que o clube foi rebaixado pela primeira vez no Brasileirão, com três atuações e nenhum gol marcado pelo atacante chileno. Ele também esteve envolvido em outro lance polêmico no Brasil 1 x 1 Chile do último dia 28, quando no intervalo da partida teria discutido e sido atingido por um soco por Rodrigo Paiva, diretor de comunicação da CBF. Pela agressão, Paiva foi suspenso pela Fifa das quartas de final entre Brasil e Colômbia, na próxima sexta, dia 4 de julho, às 17h, na Arena Castelão, em Fortaleza.

Divulgado aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, confira abaixo a reprodução do trabalho do tatuador Marlon Parra no atacante Pinilla:

 

Pinilla

 

 

 

Ave, César! Goleiro classifica o Brasil nos pênatis

Com duas defesas e a sorte de uma cobrança na sua trave esquerda, a última do Chile, o goleiro Júlio César garantiu na disputa de pênaltis a vaga brasileira às quartas de final da Copa do Mundo, em Fortaleza, na próxima sexta, dia 7 de julho. O adversário sairá do confronto de daqui a pouco, entre Colômbia e Uruguai, que começa às 17h, no Maracanã. Pelo Brasil, cobraram David Luiz, Willian, Marcelo, Hulk e Neymar. O segundo bateu para fora e o quarto para defesa do goleiro Bravo, que ainda tocou na cobrança de Marcelo, antes da bola entrar. Pelo Chile bateram Pinilla, Sánchez, Aranguiz, Diaz e Jara. Júlio César defendeu as duas primeira cobranças, com a sorte lhe abençoando na última.

Quando cruzou o rio Rubicão com suas legiões para conquistar Roma, outro Júlio César disse: “A sorte está lançada”. E ela hoje sorriu para o goleiro brasileiro, hoje redimido diante da falha no gol holandês que desclassificou o Brasil na Copa de 2010. No eco de quatro anos depois: Ave, César!

 

 

Agora é loteria! Como disse outro Júlio César: “A sorte está lançada!”

Encerrados os últimos 15 minutos da prorrogação, se o Brasil voltou a dominar as ações, mas a melhor chance foi do Chile, depois que o atacante Pinilla, aproveitando boa enfiada de Sánchez, acertou um forte chute e carimbou o travessão de Júlio César. Que a sorte do goleiro brasileiro se mantenha agora, na loteria da cobrança de pênaltis. Como disse o Júlio César mais famoso da história, antes de cruzar um rio para conquistar seu império: “A sorte está lançada!”

 

 

Para um chileno nada é impossível? Ou contra o Brasil o buraco é mais embaixo?

Em seu Ponto de Vista, o Christiano Abreu Barbosa já havia divulgado aqui, antes da Copa do Mundo começar, o emocionante comercial do Banco do Chile para incentivar sua seleção de futebol. No lugar da ficção, os astros são os 33 mineiros chilenos resgatados da mina de San José, no deserto de Atacama, após ficarem 69 dias soterrados, num caso que comoveu o mundo. Depois de conquistar sua vaga às oitavas de final, num grupo com Espanha e Holanda, hoje, diante da Seleção Brasileira, o Chile terá a prova: Para um chileno nada é impossível? Ou contra o Brasil, o buraco é, literalmente, mais embaixo?

Na dúvida, enquanto o jogo não começa daqui a pouco mais de uma hora, confira o vídeo:

 

 

 

 

 

Blog escala sua seleção da primeira fase da Copa

Encerrada a primeira fase de grupos, com o atacante holandês Arjen Robben como seu melhor jogador, conheça abaixo a seleção do blog do que esta Copa do Mundo apresentou até aqui nos campos do Brasil:

 

 

Goleiro: Guillermo Ochoa (México)

Goleiro: Guillermo Ochoa (México)

 

Lateral-direito: Juan Cuadrado (Colômbia)

Lateral-direito: Juan Cuadrado (Colômbia)

 

Zagueiro: Thiago Silva (Brasil)

Zagueiro: Thiago Silva (Brasil)

 

Zagueiro: Mats Hummel (Alemanha)

Zagueiro: Mats Hummel (Alemanha)

 

Lateral esquerdo: Daley Blind (Holanda)

Lateral esquerdo: Daley Blind (Holanda)

 

Volante: Luiz Gustavo (Brasil)

Volante: Luiz Gustavo (Brasil)

 

Meia: Blaise Matuidi (França)

Meia: Blaise Matuidi (França)

 

Meia: Lionel Messi (Argentina)

Meia: Lionel Messi (Argentina)

 

Atacante: Arjen Robben (Holanda)

Atacante: Arjen Robben (Holanda)

 

 Atacante: Thomas Müller (Alemanha)

Atacante: Thomas Müller (Alemanha)

 

Atacante: Neymar (Brasil)

Atacante: Neymar (Brasil)

 

 

 

Números da primeira fase da Copa mostram equilíbrio entre Neymar e Messi

Que Beatles e Rolling Stones, que nada! A melhor banda de rock de todos os tempos foi o Cream: Ginger Baker, jack Bruce e Eric Clapton

Que Beatles e Rolling Stones, que nada! A melhor banda de rock de todos os tempos foi o Cream: Ginger Baker, Jack Bruce e Eric Clapton

 

 

Na fase de grupos, o maior jogador da Copa foi Arjen Robben e a sua Holanda a melhor seleção

Na fase de grupos, o maior jogador da Copa foi Arjen Robben e a sua Holanda a melhor seleção

 

 

Nessa velha discussão sobre quem foi a melhor banda de rock de todos os tempos, na dúvida eterna entre Beatles e Rolling Stones, sempre afirmei sem medo de errar: nem uma, nem outra; foi o Cream, que reunia Jack Bruce no baixo e vocal, Eric Clapton na guitarra e Ginger Baker na bateria. Da mesma maneira, antes que comecem hoje os jogos eliminatórios e suas verdades mais duradouras se estabeleçam, para mim o maior craque nas 48  partidas da fase de grupos foi o atacante Arjen Robben, assim como sua Holanda a melhor seleção até aqui. No entanto, dada a rivalidade entre Brasil e Argentina, e ao que cada um tem pesado nas costas, respectivamente, dos craques Neymar e Messi, segue abaixo um quadro comparativo entre o que os dois companheiros de Barcelona jogaram por suas seleções nacionais nesta primeira fase da Copa do Mundo.

Confira o equilíbrio dos números entre o brasileiro e o argentino:

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr. / apuração dos dados: Aluysio Abreu Barbosa)

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr. / apuração dos dados: Aluysio Abreu Barbosa)

 

 

Confira abaixo uma boa trilha sonora para uma arrancada de Robben, Neymar ou Messi rumo à área adversária:

 

 

 

 

 

Favoritos: Brasil, Colômbia, França, Alemanha, Holanda, Costa Rica, Argentina e Bélgica

 

Acabou a festa! O encerramento dos jogos da fase de grupo foi ontem. Hoje o dia é de folga. Amanhã com o início dos jogos eliminatórios, nas oitavas de final, finalmente a Copa do Mundo começa para valer. Ganhou? Joga mais uma! Perdeu? Arruma as malas!

Mas o que a fase de grupos pode determinar no que será o mata-mata daqui até à final de 13 de julho, no Maracanã? Tivemos 48 jogos, com 136 gols marcados e média de 2,8 por partida. Foram apenas cinco 0 a 0: Irã x Nigéria, Brasil x México, Japão x Grécia, Costa Rica x Inglaterra e Equador x França. A maior goleada foi registrada no França 5 x 2 Suíça, duas seleções que se classificariam no Grupo E. Mas o grupo que mais vezes teve a rede balançada foi o B, com 22 gols e no qual passariam Holanda e Chile. Junto com a Colômbia, primeiro lugar no Grupo C, a Holanda apresentou o melhor equilíbrio coletivo entre defesa e ataque. Ambas acumularam saldo de 7 gols: os colombianos marcaram 9 e levaram 2, enquanto os holandeses fizeram 10 e tomaram 3.

Quem foi o melhor time? Holanda, Colômbia, Argentina e Bélgica foram as únicas seleções a conseguirem aproveitamento de 100%, com três vitórias em três jogos. Mas os grupos dos três últimos foram fracos para dar qualquer profundidade a esse julgamento. Entre todos os oito grupos, apenas a Costa Rica pode se gabar por ter vencido dois ex-campeões mundiais (3 a 1 no Uruguai e 1 a o na Itália), empatando de 0 a 0 seu último jogo contra outra ex-campeã, a Inglaterra, no “Grupo da Morte” (o D).

Analisados os resultados e o nível dos adversários enfrentados, os dois melhores times da primeira fase foram Holanda e Costa Rica. A primeira mostrou o time mais competitivo desta Copa. É capaz de enganar os leigos com o brilho dos seus atacantes Arjen Robben e Robin van Persie, quando na verdade é uma equipe que cede a posse de bola ao adversário, confiando na sua sólida defesa e na rapidez e eficiência do seu contra-ataque, mais ou menos como o Brasil Tetracampeão de 1994. Quanto a Costa Rica, se qualquer seleção considerada grande, ou mesmo média, tivesse feito a mesma campanha até aqui, seria apontada sem favor entre os favoritos ao título. Como é a Costa Rica, não é ou será o caso, mas já mostrou ter um time também competitivo, capaz de encarar qualquer um de igual para igual.

Todavia, a questão da falta de tradição, que sempre conta em Mundiais, pode não impedir a Costa Rica de avançar ainda mais na Copa, mas dificilmente permitirá ganhá-la, da mesma maneira que Colômbia ou Bélgica. A Holanda, pelo contrário,  tem chances reais, assim como Argentina, França, Alemanha e Brasil, demais favoritos ao título que não foram tão bem na fase de grupos. Os argentinos venceram os três jogos, mas ainda não convenceram. Já o Brasil empatou sem gols com o México, assim como a França com o Equador, enquanto a Alemanha não passou do 2 a 2 com Gana. Todavia, a Holanda (no 5 a 1 diante da Espanha), a Alemanha (no 4 a 0 contra Portugal) e a França (no 5 a 2 sobre a Suíça) alcançaram um nível de futebol que brasileiros e argentinos ainda estão devendo, apesar das atuações individuais brilhantes dos seus respectivos craques, Neymar e Messi.

Mas, pelos motivos expostos, os favoritos para passar das oitavas às quartas de final são Brasil, Colômbia, França, Alemanha, Holanda, Costa Rica, Argentina e Bélgica. Só falta, por óbvio, combinar respectivamente com Chile, Uruguai, Nigéria, Argélia, México, Grécia, Suíça e EUA. No total, são oito seleções americanas (cinco do Sul, duas do Norte e uma da Central), seis europeias e duas africanas.

Seja nas nossas peladas de criança, ou nos jogos mais decisivos desta e de todas as Copas, o futebol será sempre definido pela lógica do seu mais velho chavão: “Quem não faz, leva!”

 

 

Van Persie: “Ótimo conhecer o Zico! Lenda!”

Zico recebe a camisa da Holanda de presente de Van Persie (foto de Guilherme Pinto - Agência O Globo)

Zico recebe a camisa da Holanda de presente de Van Persie (foto de Guilherme Pinto – Agência O Globo)

Quem tem usando camisa rubro-negra nesta Copa, inclusive na vitória ontem de 1 a 0 sobre os EUA, é a Alemanha, mas quem vem treinando na Gávea é a seleção da Holanda, que no treino de ontem recebeu a visita do verdadeiro dono da casa. Zico apareceu a pedido dos netos Felipe, de 6 anos, e Gabriel, de 4, que são fãs do centroavante Robin Van Persie. Mas diante do visitante ilustre, os craques holandeses é que viraram tietes, fazendo selfies com seus celulares e posando para as máquinas profissionais dos fotógrafos ao lado do ídolo do Flamengo e da Seleção Brasileira. Até o técnico Louis van Gaal, conhecido pela cara quase sempre de poucos amigos, posou sorridente ao lado do ex-craque, que ganhou uma camisa laranja da Holanda com 0 número 10 e seu nome inscrito nas costas.

A boa acolhida no último treinamento da Holanda no Rio, antes do embarque para Fortaleza, onde a seleção europeia disputa as oitavas de final contra o México, no próximo domingo, já era esperada por Zico: “O Seedorf já tinha me dito que os holandeses desta geração são apaixonados pela Seleção Brasileira de 1982”.  O maior craque daquele time também disse, ao lado de van Persie, que o plástico gol de cabeça marcado pelo holandês na goleada de 5 a 1 sobre a Espanha, foi o mais bonito feito até agora na Copa: “pela visão dele, pela plasticidade e dificuldade do lance”.

Depois da entrevista, o craque holandês postou a selfie dele com o eterno craque brasileiro e escreveu no Instagram: “Ótimo conhecer o Zico hoje! Lenda!”

Reveja abaixo o gol de Van Persie elogiado por Zico:

 

 

 

Herói do Maracanazzo cobrou punição a Suárez e agora projeta Uruguai sem ele

Herói da Copa do 1950, quando esbanjava habilidade pelos campos, Ghiggia continua esbanjando lucidez fora deles

Herói da Copa do 1950, quando esbanjava habilidade pelos campos, Ghiggia continua esbanjando lucidez fora deles

 

Na entrevista coletiva de ontem, em Natal, o zagueiro e capitão uruguaio Diego Lugano atacou frontalmente um jornalista inglês da BBC que queria uma posição oficial sobre o episódio da mordida de Luis Suárez em Giorgio Chiellini, flagrada por uma câmara da SporTV, da Rede Globo. Ainda mais patético, Lugano seria endossado em suas teorias conspiratórias pelos próprios jornalistas uruguaios presentes à coletiva. Como o caso aconteceu no Brasil, parecia até um dos muitos ataques petistas à imprensa pelos fatos que esta noticia, sendo muitas vezes ignorados e até ecoados por jornalistas, blogueiros e associações de classe chapa branca. A hipocrisia foi tanta, que até o elogiado presidente uruguaio José Mujica, de Montevidéu, resolver se meter na discussão, tentando vender como argumento o óbvio: “Não o escolhemos [Suárez] para ser filósofo”.

Até que a Fifa aplicasse hoje sobre Suárez a maior punição já dada a um jogador em Copas do Mundo, suspendendo o atacante por nove jogos oficias da seleção do Uruguai, além de impedir que ele participe de qualquer atividade ligada a futebol [mesmo ir a um estádio assistir a uma partida] nos próximos quatro meses (confira aqui), a única voz uruguaia coerente com a realidade coube foi justamente ao grande herói da grande maior do país no futebol. Autor do gol da vitória de 2 a 1 da Celeste sobre a Seleção Brasileira, na final da Copa de 1950 que calou mais de 200 mil pessoas dentro Maracanã, no episódio histórico por isso chamado pelos uruguaios de “Maracanazzo”, o ex-craque Alcides Ghiggia demonstrou, mesmo aos 87 anos, mais lucidez do que quase todos os seus compatriotas. Ontem, ao ser indagado pela agência de notícias Reuters sobre o caso de Suárez, o ex-craque mandou de bate pronto:

— Creio que uma punição poderia ser [aplicada] porque é absurdo, não é a primeira vez que isso acontece. Não sei o que este rapaz pensa, o que tem na cabeça.

Hoje, a mesma SporTV cuja câmera exclusiva flagrou Suárez mordendo Chiellini, ouviu Ghiggia, já após a Fifa ter anunciado a punição ao maior craque uruguaio desta Copa. Mais uma vez, o craque daquela outra Copa projetou com lucidez o futuro próximo:

— Existem coisas no futebol que são extras, não? Quando se entra em campos é para jogar futebol e não o que ele [Suárez] fez. Uma seleção representa um país, uma nação, e essa atitude que ele [Suárez] tomou, não é uma atitude para se tomar quando se joga em uma seleção. O Uruguai temjogadores que podem substituí-lo bem. E, nesse caso, no futebol. Nós temos jogadores que podem substituir o Suárez. Sei que vai ser uma partida jogo difícil para as duas seleções [Uruguai e Colômbia]. Temos que esperar para ver o que vai acontecer.

 

 

Suárez entre o céu e o inferno de Heleno a Zidane

Suárez

 

Em primeiro lugar, peço a você, leitor, que me perdoe pela falta de atualização de ontem. Mas nesta maratona diária de Copa do Mundo, desde antes dela estrear no último dia 12, tirei o dia de ontem de folga, por conta do meu aniversário. Idade nova passada, embora nada tenha escrito, não deixei de acompanhar a épica vitória de 1 a o do Uruguai sobre a Itália, marcada também pela tresloucada mordida (mais uma) do dentuço atacante Luizito Suárez sobre o ombro do zagueiro Giorgio Chiellini, que deve render punição do Comitê Disciplinar da Fifa ao principal jogador da Celeste.

O histórico da Fifa é de punição aos jogadores que agridem em campo seus colegas de profissão. Nesta Copa, além de ser expulso do jogo pela fase de grupo contra a Croácia, o zagueiro camaronês Alexandre Song ganhou suspensão de três jogos por ter dado uma cotovelada nas costas do atacante Mario Manduzkic. Mesmo quando não gerou expulsão durante a partida, o recurso de vídeo já fou usado para depois gerar punições ainda mais severas, como aconteceu com o zagueiro Mauro Tassotti, suspenso por oito jogos por uma cotovelada que quebrou o nariz do meia espanhol Luiz Enrique, em jogo pelas quartas de final da Copa de 1994.

Por sua vez, o histórico de Suárez é reincidente na prática de agredir seus adversários com o inusitado expediente das mordidas. Em 2010, disputando o campeonato  holandês pelo Ajax, o uruguaio foi punido com dois jogos de suspensão pelo próprio clube, após morder o pescoço do volante Otman Bakkal, do PSV. Em 2013, já atuando pelo Liverpool, Suárez ganhou um gancho de 10 jogos após ter mordido o braço do zagueiro sérvio Branislav Ivanovic, do Chelsea, em jogo válido pela Premier League. Também em 2013, segundo o jornal inglês Independent (aqui), o jogador já teria tentado morder o mesmo Chiellini, na Copa das Confederações no Brasil.

Como a punição parece certa, só resta lamentar que um jogador de tão alto nível, artilheiro e craque do último Campeonato Inglês, que se recuperou de uma astroscopia no joelho há menos de um mês, a tempo de ressuscitar a mística do Uruguai nesta Copa do Mundo no Brasil, com sua atuação decisiva e os dois gols marcados na vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra (relembre aqui), tenha sido vítima do próprio temperamento ou, mesmo, de um desvio de ordem psiquiátrica. Na dúvida se sem ele o Uruguai poderá vencer nas oitavas a Colômbia (que também perdeu, antes da Copa, seu craque Falcão Garcia), pela chance de encarar o vencedor de Brasil e Chile nas quartas de final, fica uma certeza: Suárez não é o primeiro, nem será o último, a oscilar entre o céu e o inferno nos quais já habitaram tantos gênios da bola do passado, do brasileiro Heleno de Freitas (1920/59) ao francês Zinédine Zidane.

Mais gregos e menos hebreus, o deuses da bola são tão falhos e dúbios quanto seus heróis humanos. E talvez por isso nos atraiam tanto.

 

Da esquerda à direita, os flagrantes das mordidas de Suárez em 2010, 2014 e 2013

Da esquerda à direita, os flagrantes das mordidas de Suárez em 2010, 2014 e 2013

 

 

Fernandinho muda o jogo, Brasil goleia de 4 a 1 e pega o Chile no sábado

Se Neymar, com dois gols, foi o nome do primeiro tempo, o volante Fernandinho foi o destaque brasileiro na etapa final. Escalado no lugar de Paulinho já no intervalo, ele começou a jogada do terceiro gol, logo aos 4 minutos, além de ter iniciado e concluído a jogada que fecharia o placar em 4 a 1, aos 38 minutos.

O time inteiro cresceu com a entrada de Fernandinho, incluindo Fred, que finalmente desencantou nesta Copa ao marcar seu primeiro gol, o terceiro do Brasil. Numa cobrança de escanteio com a bola rebatida, Paulinho dominou e mesmo de costas lançou o zagueiro David Luiz na esquerda, que cruzou para Fred marcar de cabeça. O centroavante diria após a partida que bola bateu no bigode que deixou crescer para a partida, em homenagem ao seu pai e para espantar o azar.

Com a entrada de Fernandinho, o Brasil dominou o meio de campo, passando a criar mais e deixando de perder bolas na disputa com a irregular seleção de Camarões, cuja disposição também abrandou após tomar o terceiro gol no início do segundo tempo. Mas viria ainda o último, numa aparição de Fernandinho como homem surpresa no ataque, que tanto se cobrou a Paulinho. Numa saída de bola camaronesa, perto do fim do jogo, Oscar pressionou o meia Mbia e a bola acabou sobrando para Fernandinho. Ele tocou em Fred, que executou o papel de pivô numa bela tabela com Oscar, complementada pela devolução a Fernandinho em penetração pela área esquerda. Após driblar o bom zagueiro Nkoulou, o volante bateu no canto oposto do goleiro Itandje.

Fora do oba-oba do “já ganhou” da torcida, resta agora corrigir os erros do primeiro tempo e melhorar os acertos do segundo nesse último jogo da fase de grupos. Às 13h do próximo sábado (28), no Mineiro, contra uma seleção  chilena considerada como a sua melhor em todos os tempos, quem errar mais, ou acertar menos, dá adeus à Copa.

 

 

Brasil tem sua última hora de acertar para quando não poderá mais errar

A Seleção Brasileira que mais vezes entrou em campo neste séc. 21. Em pé: Paulinho, David Luiz, Júlio César, Fred e Thiago Silva. Agachados: Neymar, Daniel Alves, Oscar, Marcelo, Hulk e Luiz Gustavo

 

Júlio César, Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Luiz Gustavo, Paulinho e Oscar; Hulk, Fred e Neymar. Esta é a escalação da Seleção Brasileira que mais vezes se repetiu neste séc. 21, incluídas as Copas de 2002 (da conquista do Penta), 2006 e 2010. Mesmo sem ter convencido nos dois primeiros jogos desta Copa de 2014, é o mesmo time que Luiz Felipe Scolari manda a campo hoje, às 17h, no estádio Mané Garrincha, em Brasília, para fazer o último jogo da fase de grupos. Seu adversário será uma seleção de Camarões já desclassificada e com currículo desabonador:  quase não viajou ao Brasil por conta de uma discussão sobre prêmios, perdeu de 1 a 0 (descontados dois gols legítimos anulados) para o México e por 4 a 0 para a Croácia, teve jogadores do próprio time se agredindo dentro de campo, teve a investigação de manipulação de resultado para esse jogo contra o Brasil anunciada previamente pela própria Fifa (aqui), e não confirmou a escalação do seu principal nome, o atacante Samuel Eto’o.

Com a vaga às oitavas de final praticamente assegurada, o Brasil não poderia ter chance melhor para tentar ganhar confiança no próprio futebol e da torcida, antes de entrar na fase eliminatória. Apesar da novidade de hoje ser a volta do atacante Hulk ao time, após ter sentido um incômodo na coxa esquerda (aqui) que o tirou do empate sem gols contra o México (aqui), os titulares mais questionados por analistas brasileiros e estrangeiros têm sido o centroavante Fred e o o segundo volante Paulinho. Contra o atacante do Fluminense, pesam não só o jejum de gols, como a falta de mobilidade. Por sua vez, ao volante do Tottenham se cobra eficiência na transição da defesa ao ataque, além de servir como opção de homem surpresa na área adversária. Mas o fato é que, atrapalhados por contusões desde a conquista da Copa das Confederações de 2013, Fred e Paulinho não vieram de boas fases em seus clubes.

Tetracampeão brasileiro em 1994, o ex-jogador Raí chegou a sugerir (aqui) a substituição de Paulinho pelo reserva Fernandinho, além da escalação de Neymar como falso 9, barrando Fred. Dos maiores atacantes do futebol inglês em seus tempos de jogador, o hoje comentarista da BBC Alan Shearer chegou a dizer (aqui): “Fred está puxando o time para baixo e estou impressionado por ele ter jogado como titular nas duas partidas do Brasil. Ele não se mexe, não ajuda o time e o Brasil parece estar jogando com 10 o tempo todo. Ele não pode ser o centroavante de uma Seleção Brasileira num Mundial”. Foi duramente respondido em entrevista coletiva no sábado, na qual o lateral-direito Daniel Alves defendeu Fred e chamou de  “babaca” e “antiético” o comentário do capitão inglês na Copa de 1998.

Se Fred e Paulinho precisam aproveitar a chance, o mesmo não é diferente para o próprio Daniel e seu companheiro na lateral-esquerda Marcelo, que até evoluíram do primeiro para o segundo jogo, mas ainda estão distantes do futebol que apresentam, respectivamente, no Barcelona e Real Madri. Oscar, que foi o melhor jogador brasileiro na vitória de 3 a 1 sobre a Croácia, não chegou a jogar mal contra o México, mas não voltou a brilhar. Guardadas as proporções devidas, o próprio Neymar também não conseguiu ser decisivo contra os mexicanos, como foi contra os croatas. Sem que Júlio César ainda tenha sido testado de verdade, quem está bem até aqui é a turma da defesa: os caros (e seguros) zagueiros Thiago Silva e David Luiz, e o incansável primeiro volante Luiz Gustavo.

Pressionados pela responsabilidade de jogar uma Copa do Mundo em casa, num ano de eleição presidencial projetado em calendário de “pátria de chuteiras” pelos donos do poder, a Seleção Brasileira mais vezes titular neste séc. 21 terá hoje à frente seu adversário mais fraco nesta primeira fase, para confirmar a liderança no Grupo A , enquanto México e Croácia se enfrentam no mesmo horário. Se o futebol brasileiro fluir e os gols saírem naturalmente, de preferência com um ou mais de Fred, o time pode embalar nos jogos eliminatórios. E o caminho não será fácil! Antes de enfrentar Camarões, já saberá se pegará Chile ou Holanda (que definem o Grupo B antes, às 13h) pelas oitavas. Nas quartas, poderá ter que encarar um campeão do mundo: Itália ou Uruguai. Nas semifinais, também há chance real de cruzamento com Alemanha ou França. Depois, a possibilidade que mais encanta (e assusta) é a Argentina, numa final em pleno Maracanã.

Mas em Copa, só existe um jogo: o próximo. Com obrigação de vitória e expectativa por uma boa atuação, ele é daqui a pouco, contra Camarões. Tudo correndo bem dentro de campo, o pior que poderia acontecer fora dele é a ressurreição do clima de “já ganhou”.

Se o Brasil já cometeu muitas falhas, inclusive consigo mesmo, ao sediar esta Copa, o fato é que sua Seleção de futebol terá hoje a última chance de acertar para quando não poderá mais errar.

 

 

Ilíadas nos campos da Copa

No salto mortal, Klose comemorou o gol em seu primeiro toque na bola, que empatou o jogo para a Alemanha e igualou seu atacante a Ronaldo como o maior artilheiro de todas as Copas (foto: Reuters)

No salto mortal, Klose comemorou o gol em seu primeiro toque na bola, que empatou o jogo para a Alemanha e igualou o recorde de Ronaldo como maior artilheiro de todas as Copas (foto: Reuters)

 

Tecnicamente, esta Copa teve até aqui três grandes jogos: o Espanha 1 x 5 Holanda (dia 13), o Inglaterra 1 x  2 Itália (14) e o Alemanha 4 x 0  Portugal (16), todos na primeira rodada. Encerrada a segunda hoje rodada, tivemos nela os dois jogos mais épicos do Mundial: o Uruguai 2 x 1 Inglaterra (16) e o Alemanha 2 x 2 Gana de ontem. Por jogo técnico, entenda-se aquele definido na qualidade de um time, na habilidade de seus jogadores. Por épico, aquele de maior dramaticidade, onde as chuteiras parecem ser estar amarradas não com cadarços, mas com as veias das pernas de cada jogador, como heróis clássicos a compor uma Ilíada.

Sobre Uruguai e Inglaterra, no qual o artilheiro Luisito Suárez saiu de uma astroscopia no joelho, há menos de um mês, para resgatar com dois gols a mística da Celeste, já escrevi aqui.

Ontem, foi o dia de uma Alemanha favorita da Copa na teoria e no campo da Copa encontrar um igual na Gana, melhor seleção africana nesta Copa. Após um primeiro tempo disputado, mas sem gols, Mario Götze completou de cabeça um cruzamento da direita para abrir o placar e a expectativa por outra goleada alemã. Ledo engano! Para provar a igualdade entre aqueles homens de pele pálida e retinta em busca da mesma glória, foi também no arremate preciso de um cruzamento pela direita que Andre Ayew empatou o jogo. De igual para igual, os ganeses provaram que poderiam ser superiores, depois que Philipp Lahm perdeu a bola no meio e Asamoah Gyan recebeu um passe em profundidade para entrar na área, tocando na saída de Manuel Neuer.

Quando tudo parecia perdido, no fracasso de mais um favorito, os alemães foram buscar suas esperanças no banco de reservas. Seu craque Bastian Schweinsteiger e seu veterano atacante Miroslav Klose entraram em campo. Na primeira jogada de Schweinsteiger, uma trama pela esquerda do ataque germânico gerou um escanteio. Cobrado, após um desvio no primeiro pau, Klose aproveitou a oportunidade para completar de pé direito e se tornar o maior artilheiro de todas as Copas, com 15 gols, igualando o recorde do brasileiro Ronaldo. Na celebração daquele homem maduro de 36 anos, o salto mortal do moleque que acabara de conquistar a imortalidade nos campos.

Homens brancos e negros iguais no placar, no talento, na entrega, na glória vermelha de sangue não derramado dos irmãos Boateng, Jérôme da Alemanha e Kevin-Prince de Gana, filhos da África como todos os homens.

 

 

Artigo do domingo — NÓS pelo BEM de quem?

Nós contra eles

 

Seja por nacionalidade, etnia, política, religião, ideologia, orientação sexual, ou mesmo futebol, não há nada mais perigoso na vida coletiva do que o “Nós contra Eles”. Quem, diabos, determina quem são o “Nós”? Quais interesses humanos segregam do outro lado o “Eles”?

Tão certo quanto todos se imaginam o “Nós”, jamais o “Eles”, é o fato da primeira pessoa do plural se pretender sempre conjugada em defesa do “Bem”, oposta ao “Mal” que só espreita na coletividade sorrateira da terceira pessoa, pela inexistência de uma trigésima quinta.

Primeiro a deixar registro de uma crença fundamentada nos conceitos de bem (Ahura Mazda) e mal (Angra Mayniu) foi o profeta persa Zaratustra, que teria vivido no séc. VI a.C., segundo a tradição. Não por outro motivo, quando propôs a superação do bem e do mal, para que do homem se fizesse o super-homem, ser adequado às novas prerrogativas morais da civilização industrial do séc. XIX, o filósofo alemão W. F. Nietzsche (1844/1900) o fez em seu “Assim falou Zaratustra”, a partir da releitura da figura histórica.

Como a filosofia de Nietzsche, com endosso da sua irmã, acabou sendo usada para tentar justificar pela ciência o nazismo (corruptela de nacional-socialismo) na Alemanha, num saldo final de mais de 60 milhões de mortos na II Guerra Mundial (1939/45), o grande problema talvez não esteja nos conceitos, mas em quem os utiliza — e para justificar quais ações. Como traziam inscrito nas fivelas dos seus cintos os soldados da SS alemã que executaram seis milhões de seres humanos em campos de extermínio pela Europa: “Gott mit uns” (“Deus conosco”).

Enquanto, graças a Deus, não atingimos o mesmo nível de hipocrisia, é quase certo que se pensaram como “Nós” e do “Bem” as mais de 60 mil pessoas que em coro xingaram a presidente Dilma Rousseff na abertura da Copa, durante o Brasil 3×1 Croácia, nas arquibancadas do Itaquerão (relembre aqui). Na dúvida, certo inteiro é que o mesmo coro de xingamento a Dilma não foi entoado ali pela primeira vez, tendo sido criado e repetido desde as manifestações de rua em junho de 2013, com farto registro em áudio e vídeo na democracia irrefreável das redes sociais (confira aqui).

Mas e daí? Contra os “Eles” em coro do “Mal”, provavelmente também se viram como “Nós” pelo “Bem” muitos dos que ecoaram o discurso de Lula. Apesar da falta de coragem para acompanhar Dilma no Itaquerão com que ele “presenteou” seu time do coração, o ex-presidente depois quis posar de cavaleiro em defesa da donzela, atribuindo os xingamentos a uma suposta “elite branca” (recorde aqui).

Menos mal que tanto Lula, quanto quem se prestou a fazer-lhe claque, tenham sido rapidamente expostos ao ridículo pelo ministro Gilberto Carvalho (veja aqui). Mesmo falando diante de blogueiros chapa branca e militantes do PT, ele testemunhou menos de uma semana após o ocorrido: “no Itaquerão não tinha só elite branca, não. Não fui para o jogo, mas estive ao lado [do Itaquerão], numa escola (…) fui e voltei de metrô. Não tinha só elite no metrô. Tinha muito moleque gritando palavrão dentro do metrô que não tinha nada a ver com elite branca”.

Certamente, quem se dá o trabalho de ler as pesquisas além dos seus números totalizados, percebe que o percentual de eleitores de Dilma, à parte sua tendência generalizada de queda (relembre aqui e aqui), diminui na exata proporção em que aumenta o nível socioeconômico e de escolaridade das regiões e dos entrevistados. Mas seja na maioria dos métodos assistenciais (ou assistencialistas?) de um governo popular (ou populista?), não é diferente do que Lula também fez no Brasil. Tampouco, para usar um exemplo local, do que a prefeita Rosinha faz em Campos, ou do que o deputado federal Garotinho pretende voltar a fazer no Estado do Rio.

E neste sentido, não deixa de ser antropologicamente irônico observar quem se pensa “Nós” em nome do “Bem”, ao se opor aos Garotinho em Campos e no Estado, sem atentar ao limite lógico ultrapassado ao defender um governo federal que opera em diapasão moral, político e persecutório muito parecido. É o oxímoro cada vez mais anacrônico de se julgar Garotinho e Rosinha como o “Eles” do “Mal”, pelos mesmos supostos motivos que se busca enxergar Lula e Dilma como o “Nós” pelo “Bem”.

A elaboração pública de listas negras, por exemplo, reunindo jornalistas e opinadores de diferentes matizes ideológicos, que tenham em comum a “petulância” de criticar um governo de qualquer esfera, é fascismo aqui, é fascismo no Rio, é fascismo em Brasília, é fascismo em nossa casa, no estádio ou na rua. N’ELE reside todo o MAL que deveria ser combatido por qualquer “Nós” com pretensão de “Bem” e sem a dúvida das aspas.

Enquanto isso, a Seleção Brasileira joga de novo amanhã, contra a pior Camarões de todas as Copas, investigada pela suspeita de manipulação de resultado manifesta previamente pela própria Fifa (leia aqui). Sem precisar disso ou de simulações de pênalti, dá para Neymar e cia. (haverá companhia?) ganharem o jogo e a moral necessária para encarar a fase eliminatória e daí embalar.

Dá também para chegar à final do Maracanã, como podem fazê-lo quatro ou cinco outras seleções. Mas nesta reedição presente e paisana da “pátria de chuteiras” militar de 1970, a única coisa que não dá, mesmo em quem nem era nascido, é deixar de sentir saudade do futebol de Pelé, Gérson, Tostão, Jairzinho, Rivelino, Clodoaldo e Carlos Alberto Torres. Mas é só disso!

De resto, mais do que as estultices regurgitadas num coro de arquibancada ou nas bravatas de um ex-presidente sem noção do prefixo, o que deveria ecoar é a advertência do pensador Samuel Johnson (1709/84), cuja Inglaterra já foi até desclassificada:“O patriotismo é o último refúgio dos canalhas”. Neste Brasil em ano de Copa e eleições, oxalá ele não seja o primeiro. Pelo BEM de todos NÓS!

 

Publicado hoje na edição impressa da Folha.

 

 

Após “guerra de garrafas” em BH, argentinos podem chegar a 200 mil em Porto Alegre

Se ontem à tarde Lionel Messi resolveu o jogo difícil contra o Irã no Mineirão (aqui), fora dele as autoridades de segurança pública brasileira tiveram a prova de que terão muito a fazer para evitar enfrentamento físico de torcedores, como o registrado entre argentinos e brasileiros na madrugada anterior, na Savassi, bairro boêmio de Belo Horizonte (BH). No Rio, o Maracanã já foi invadido duas vezes por torcedores: argentinos no Argentina 2×1 Bósnia do último dia 15, e chilenos no Chile 2×0 Espanha do dia 18. E ontem o diário esportivo Olé anunciou que 200 mil hermanos se deslocarão para Porto Alegre na próxima quarta, dia 25, onde a Argentina decidirá no Beira Rio a liderança do Grupo F contra a Nigéria. Apenas 2o mil desse 1/5 de milhão de argentinos iria com ingressos à capital gaúcha, que fica a 1.472 km de Buenos Aires.

No entanto, o subcomandante geral da Brigada Militar de Porto Alegre, Coronel Silanus Mello, disse não acreditar nos números noticiados pela mídia argentina:

— Não acreditamos em mais de 50 mil, aproximadamente. Sabemos que entre 16 e 20 mil estão com ingressos comprados. Vamos agir para manter a tranquilidade que temos até agora. Tivemos uma grande movimentação de torcedores em Holanda e Austrália e não houve um foco sequer de confusão. Nem todo argentino é problemático. Temos um planejamento que não será alterado. Não vamos generalizar a torcida argentina. A imensa maioria sabe se comportar muito bem. A preocupação é em relação a um grupo, os chamados barra bravas, que se conseguirem entrar no Brasil, vamos estar atentos.

Assista abaixo o vídeo do confronto na madrugada de ontem, entre argentinos e brasileiros, mas ruas de Belo Horizonte:

 

 

 

 

 

Com vitória histórica da Costa Rica, o bicho vai pegar no Grupo da Morte

Ruiz corre para confirmar com o bandeirinha seu gol de cabeça, que bateu no travessão e quicou pouco depois da linha, mas seria confirmado pelo juiz

Ruiz corre para confirmar com o bandeirinha seu gol de cabeça, que bateu no travessão e quicou pouco depois da linha, mas seria confirmado pelo juiz

 

Se a vitória ontem do Uruguai contra a Inglaterra (aqui), por 2 a 1, foi épica, o triunfo da Costa Rica sobre a Itália, agora há pouco, foi histórico. Apontada desde o sorteio das chaves como mera figurante no “Grupo da Morte” (o D), que reunia três ex-campeões mundiais, os costarriquenhos já tinham surpreendido o mundo. Mas se  na estreia na Copa, ao derrotar os uruguaios por folgados 3 a 1, a seleção da América Central foi considerada, inclusive (aqui) neste blog, como “zebra”, após o 1 a o de hoje sobre a Itália, com o gol de cabeça do meia Bryan Ruiz, a Costa Rica não só confirmou seu futebol de grande aplicação tática e bom toque de bola, como garantiu a classificação antecipada às oitavas de final e eliminou da Copa a Inglaterra, com quem agora jogará para fechar a fase de grupos na próxima terça (24/06), em Belo Horizonte.

E além de justa, a vitória costarriquenha de hoje poderia ter sido mais ampla, pois poucos minutos antes do gol de Ruiz, no final do primeiro tempo, o zagueiro italiano Giorgio Chiellini fez um pênalti claro no atacante Joel Campbell, não marcado pelo juiz chileno Enrique Osses. Em entrevista após o jogo, demonstrando tanta intimidade com as gírias futebolísticas do país da Copa, quanto já provou ter com a bola, Campbell apostou: “Após vencermos o Uruguai, passamos a ser a ‘zebra’, como vocês dizem aqui no Brasil. Agora, provamos que podemos ser mais”.

Realmente poderão seguir além de qualquer projeção mais otimista, já que os dois primeiros do forte Grupo D pegarão nas oitavas os dois primeiros do fraco Grupo C, o que em tese garante uma passagem menos difícil às quartas de final. Além disso, com sua classificação a Costa Rica abriu a promessa de outro jogo épico e decisivo na disputa pela outra vaga, no confronto direto entre a Itália de Andrea Pirlo, que jogará pelo empate, contra o Uruguai de Luisito Suárez, também na próxima terça, em Natal.

Como diz o lateral-direito Daniel Alves na propaganda televisiva da Adidas: “É, malando, o bicho vai pegar!”

 

 

Para entender o que foi a Espanha de Xavi

Estava pensando desde ontem em escrever alguma coisa não só sobre a queda precoce da Espanha na Copa do Mundo. A bem da verdade, em tudo que ela possa ter significado, desde as conquistas da Eurocopa de 2008, da Copa do Mundo de 2010 e da Euro de 2012 — tríplice coroa inédita na história do futebol. Até que li, meio que por acaso, um artigo na UOL. Impressionado pela erudição futebolística e o didatismo do texto, busquei informação sobre seu  ator, até localizar nas redes sociais um jornalista com rosto de menino, nascido em 1990, ano em que cobri como jornalista minha primeira Copa.   

Na busca de referências de contexto, o jovem cronista foi buscá-las em outras duas grandes seleções europeias do passado: a Hungria de Ferenc Puskás e a Holanda de Johan Cruyff. Embora a analogia se dê na excelência técnica e inovação tática com as quais essas duas legendárias equipes (como a Espanha) também marcaram a história do futebol, o fato é que ambas bateram na trave em finais de Copa: a Hungria, vice-campeã em 1954, tal e qual a Holanda, 20 anos depois. E o que foi feito neste início de séc. 21, não só pela seleção espanhola, mas por sua base clubística do Barcelona, em termos de reinvenção tática, da plástica do jogo, mas sobretudo de conquista de títulos, tem poucos paralelos na história do futebol. Na Espanha ou no Barça, com base no toque e na posse de bola, o tike-taka de Xavi Hernández e Andres Iniesta foi vencedor. E isso sempre incomoda mais.  

Na busca de referências brasileiras com os dois maestros espanhóis, pelo que li e ouvi de quem viu jogarem dois outros grandes armadores do passado, sempre achei que Iniesta, pela dinâmica, estivesse mais para Zizinho (Copa de 1950) ; ao passo que Xavi, pela abstração, mais para Didi (1954 e Bicampeão em 58 e 62). Ademais, embora concorde que o estilo que reinventou a Espanha talvez resida na própria reinvenção de Xaxi como jogador, tese na qual o artigo investe com brilhantismo, na minha opinião, desde a Copa passada, vencida pela Espanha com um gol de Iniesta, coube a este assumir o papel do protagonista, até o fracasso de ontem dessa brilhante, mas envelhecida geração. 

Sem Xavi e Iniesta, que se despedirão da Copa na próxima segunda-feira, quando a Espanha ainda cumpre tabela contra a Austrália, quem quiser buscar outros armadores com a mesma categoria dos grandes nomes do passado, ainda poderá achá-los em Andrea Pirlo, destaque do Itália 2 x Inglaterra, e Bastian Schweinsteiger, cuja estreia é aguardada no próximo jogo da Alemanha, no sábado, contra Gana. Mas o que interessa aqui é tentar entender o que significou a Espanha no futebol mundial, na bola rolada ao texto de um jovem craque:  

 

Xavi Hernández

Xavi Hernández

 

Jornalista Guilherme Palenzuela

Jornalista Guilherme Palenzuela

A Espanha começou e acabou com Xavi. E nunca mais será a mesma

Por Guilerme Palenzuela

Ferenc Puskás, Johan Cruyff e Xavi Hernández. Cada um personifica um estilo que, em determinado momento da história, se sobressaiu sobre o resto e dominou o futebol mundial. A escala, cronológica, representa também uma evolução. Não haveria Xavi se não fosse a Holanda de 1974 de Cruyff. E não haveria Cruyff se não fosse a Hungria da década de 1950, regida por Puskás. É tanta a importância histórica do trio para o futebol que as equipes em que atuaram se tornaram reféns de cada um. Retrato da seleção espanhola na Copa do Mundo de 2014 — uma eliminação com um Xavi ultrapassado, com o tiki-taka estraçalhado no campo e com a certeza de que aquela história que o meia do Barcelona iniciou em 2008 agora está encerrada.

Xavi é daqueles jogadores dos quais só se compreenderá o tamanho daqui a alguns anos. Aquela Hungria do Puskás. Aquela Holanda do Cruyff. Aquela Espanha do Xavi. É só 1,70m em campo. Pouca presença física, sem velocidade, agilidade, força, dribles desconcertantes, mas com uma capacidade de compreensão de jogo única e precisão técnica cirúrgica. E mesmo assim demorou para que ele tivesse os primeiros momentos de glória. A história de Xavi e do tiki-taka se misturam completamente. Xavi é o tiki-taka, e a Copa de 2014 denuncia que o tiki-taka é Xavi. Aquela história da equipe que se torna refém de um jogador…

O Barcelona que venceu o Arsenal na final da Liga dos Campeões da temporada 2005-2006 tinha Victor Valdés, Oleguer, Rafa Márquez, Carles Puyol e Gio Van Bronckhorst; Edmilson, Mark Van Bommel e Deco; Ludovic Giuly, Ronaldinho e Samuel Eto’o. Xavi, aos 26 anos, era reserva. E disputava as entradas no time com o brasileiro naturalizado italiano Thiago Motta. O técnico era o holandês Frank Rijkaard. Xavi já era, na época, peça importante de uma impotente seleção espanhola. Mas não tinha – como nunca teve – o poder de marcação e dinâmica de um Van Bommel, ou o poder de drible e chegada de um Deco. Em 2006 era absolutamente compreensível ver o meia dos bons passes no banco de reservas.

Xavi dependeu de duas pessoas para se tornar um jogador histórico, o marco zero para levar um estilo ao extremo. O primeiro e mais importante, Luis Aragonés, treinador da seleção espanhola que venceu a Eurocopa em 2008 para que a Espanha deixasse de ser impotente, deixasse de ser o time inofensivo, que tremia nos momentos decisivos. Xavi jogou como nunca. Transformou-se no cérebro da equipe e roubou o protagonismo de Fábregas, a estrela emergente, então com 21 anos. Mas houve muito por trás disso. Aragonés percebeu que Xavi tinhas as qualidades para transformar a seleção espanhola, adotando estilo inspirado nos traços do Carrossel Holandês, difundido na Espanha nos anos 70 pelo técnico holandês Rinus Michels, no Barcelona, com Cruyff como protagonista.

Mas não era simples fazer com aquele que dois anos antes era reserva de Deco e Van Bommel se tornasse um dos melhores jogadores do mundo. Para que isso acontecesse, Aragonés cultivou a cumplicidade com o jogador e lhe deu todo o respaldo para apostar na transformação. Viraram amigos, muito próximos. Aragonés morreu há cinco meses, no dia 1 de fevereiro, e motivou uma homenagem de Xavi.

O jogador publicou uma carta no jornal espanhol “El País”. Quis revelar a importância de Aragonés para sua carreira, para que criasse um estilo e levasse a Espanha ao topo do mundo na Copa de 2010. Em trecho, conta: “No pessoal, Luis me fez sentir importante quando a minha autoestima era um desastre. Me deu o comando da seleção quando eu não tinha nem o Barça. ‘Aqui manda você’, me disse. ‘E que critiquem a mim’. Decidi devolver a confiança que ele me deu em campo. Se fui eleito o melhor jogador da Eurocopa foi por causa dele, mesmo que ele sempre negasse. Comigo ele teve detalhes inesquecíveis”, Em outro parágrafo, ilustra o início da relação com o treinador: “Outro dia me lembrei de uma história sobre a primeira vez que ele me chamou para a seleção. Eu não tinha sido convocado em sua primeira lista e, quando cheguei, ele estava me esperando: ‘O que você estava pensando? Que o filho da p… do velho não ia te trazer?’. Eu me apavorei e disse: ‘Não, não, eu nunca pensei isso, senhor’. E ele disse: ‘Sim , sim, sim , vamos conversar’. E nós conversamos naquele dia por mil horas. Luis foi fundamental na minha carreira e na história da seleção. Sem ele, nada teria sido o mesmo, impossível. Com Luis fizemos uma revolução. Trocamos a fúria pela bola, e demonstramos ao mundo que se pode ganhar jogando bem. Foi Luis quem abriu o caminho, quem deu à Espanha o estilo que tem hoje”, escreve Xavi, em outro trecho.

Ao passo que Xavi encontrou em Aragonés a confiança para se tornar o marco histórico de um estilo de jogo, o tiki-taka, teve a sorte de ser a referência para Pep Guardiola – a segunda pessoa de quem seu sucesso dependeu –, ex-companheiro e volante do Barcelona, que começava a carreira como treinador do time catalão na mesma data em que a Espanha conquistara a Euro de 2008. Nascia ali uma das melhores equipes de todos os tempos.

A temporada de 2008-2009 foi, indiscutivelmente, a melhor da carreira de Xavi. Nasceu para o mundo. O tiki-taka estava embalado em um rótulo com sua face e a de Guardiola. As ideias de um eram executadas pelos pés do outro. Xavi, Barcelona e Espanha começaram, então, a se misturar. O técnico agora era Vicente Del Bosque, e a filosofia de jogo envolvente, de passes curtos e total domínio da posse de bola, estava impregnada. Se aquilo dava tão certo no Barcelona, bastava convocar os espanhóis comandados por Guardiola que o sucesso se repetiria na seleção.

Bastou. O sucesso se repetiu na Copa do Mundo de 2010. A Espanha foi um Barcelona sem o argentino Lionel Messi. Marco histórico para um país que, à época, estava assolado pela crise financeira, com índice assustador de desemprego. País marcado por históricos movimentos separatistas, na Catalunha, de Xavi, e no País Basco. País com uma monarquia meramente ilustrativa. País sem tanto nacionalismo, por tanta desunião e instabilidade política, mas que teve no futebol um momento para celebrar em conjunto. O que eles faziam em campo, com a bola nos pés, virou modelo. Eram os melhores do mundo no futebol após décadas de fracasso. Tudo por conta de Xavi e um novo estilo de jogo, instaurado dois anos antes por Aragonés.

Xavi já tinha 30 anos quando a Espanha venceu o mundo. Até então, ele não sofria com a idade porque seu futebol nunca precisou das características que se vão com o tempo. Xavi pensa, fala, cria. Características que ele desenvolveu e aprimorou intensamente enquanto via velocidade, agilidade, força e resistência decaírem lentamente – deu 563 passes naquela Copa, líder absoluto no quesito. E mais uma vez, em 2012, levou a Espanha à glória na Eurocopa. Isso sem falar no sucesso pelo Barcelona. Só não foi eleito o melhor jogador do mundo porque é filho da mesma época que os inatingíveis Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. Mas passou perto. Messi sempre defendeu que “o difícil é fazer o que faz o Xavi”. Bem sabe a Espanha de 2014.

A decadência física começou a afetar o futebol de Xavi na temporada passada, 2012-2013. Fez 48 jogos pelo Barcelona. Foi substituído 11 vezes, e em outros sete jogos saiu do banco de reservas. Na última temporada, 2013-2014, o número de saídas aumentou na mesma proporção que o futebol do Barcelona desapareceu. Xavi jogou 47 jogos e só terminou 30 partidas. Pela primeira vez em anos, ele foi criticado, assim como o Barça. Onde estava o substituto de Xavi? As categorias de base do Barcelona, que trabalham pela autossuficiência e são reconhecidas como as melhores do mundo, não foram capazes de criar um jogador que pudesse ocupar o lugar de Xavi quando ele parasse de jogar? Claro que não. Assim como não houve substituto de Puskás ou de Cruyff. Apenas escudeiros, de mesmo nível e compreensão. Andrés Iniesta, para Xavi, e Johan Neeskens, para Cruyff.

Xavi e o tiki-taka duraram 90 minutos na Copa do Mundo de 2014. Foram destruídos pela Holanda de Louis Van Gaal na Arena Fonte Nova, em Salvador. Talvez lá fiquem sepultados. O meia, aos 34 anos, não conseguiu reproduzir seus melhores momentos, assim como não conseguiu durante os últimos 12 meses pelo Barcelona. Viu o jogo que criou ser massacrado em campo: 5 a 1, com requintes de crueldade, falhas individuais e a velha impotência da Espanha pré-2008. Na crítica, ainda pior. Após o vexame, Xabi Alonso e Cesc Fàbregas – outras importantíssimas referências da equipe – pediram publicamente o fim do tiki-taka. Lembram-se do que era Xavi antes do tiki-taka? O reserva de Deco e Van Bommel. Podem até nem ter percebido, mas pediram Xavi fora do time. Ele não é imortal: ficou óbvio que sua presença, anos depois de tanto sucesso, agora atrapalhava. O técnico Vicente Del Bosque retrucou, discordou da dupla e disse que não perderia a identidade, mas atendeu. Tirou Xavi. E tentou jogar o tiki-taka sem seu artista principal, sua maior referência.

A Hungria que se tem notícia é aquela de Puskás, e nada mais. A Holanda que ficou famosa é aquela de Cruyff. Só não houve outra porque Xavi fundou a versão moderna em 2010. E a Espanha que provavelmente se terá notícia pelos próximos anos é a de Xavi. Porque, como ele disse, foi em 2008 que a Fúria trocou a fúria pela bola. E agora, devolve à bola à fúria – Xabi Alonso justificou o fracasso: “respondemos com o coração, e não com a cabeça”. Porque a cabeça não está mais em campo.

 

 

Suárez ressuscita a mística do Uruguai

Ídolo na Inglaterra e heróis do Uruguai, Suárez é abraçado pelos companheiros da Celeste (foto de Ben Stansall - AFP)

Ídolo na Inglaterra e heróis do Uruguai, Suárez é abraçado pelos companheiros da Celeste (foto de Ben Stansall – AFP)

Quem julgava o fantasma de 1950 exorcizado nesta Copa do Mundo sediada no Brasil, 64 anos depois da primeira, terá que esperar pelo menos por mais um jogo. O nome daquele encerrado agora há pouco no Itaquerão, em São Paulo, foi um ídolo do futebol inglês. Mas não o incansável meia

Dúvida para a Copa após fazer uma artroscopia no joelho, o craque uruguaio comemorou seu primeiro gol com o fisioterapeuta Walter Ferreira (foto de Matt Dunham - AP Photo)

Dúvida para a Copa após fazer uma artroscopia no joelho, o craque uruguaio comemorou seu primeiro gol com o fisioterapeuta Walter Ferreira (foto de Matt Dunham – AP Photo)

atacante do time da rainha, Wayne Rooney, que finalmente marcou seu primeiro gol em Copas. Quem roubou a tarde e início da noite brasileira foi o uruguaio Luisito Suárez, artilheiro e melhor jogador do campeonato inglês, que hoje marcou os dois gols na vitória da sua seleção sobre o English Team. O primeiro de cabeça, após cruzamento preciso do seu parceiro de ataque, EdinsonCavani. O segundo, num contra ataque pela direita, finalizado com um chute cruzado, como foi aquele desferido por outro uruguaio, que selou outra Copa no Brasil, 64 anos atrás.

Se é ainda muito cedo sequer para se falar em classificação do Uruguai às oitavas, projetá-lo nas finais com uma seleção tão pobre em criação no meio de campo, seria ilógico. Todavia, se pela razão o Holanda 5 x 1 Espanha, o Itália 2 x 1 Inglaterra e o Alemanha 4×0 Portugal foram jogos tecnicamente superiores, difícil pensar em outro mais épico nesta Copa, pelo menos até aqui, do que esse Uruguai 2×1 Inglaterra. Quem hoje ouviu os gritos em castelhano ecoados pela torcida Celeste incendiada por Suárez, nas mesmas arquibancadas que xingaram em português uma presidente, não pôde deixar de ouvir em sussurro a advertência de Miguel de Cervantes: “No creo en brujas, pero que las hay, las hay”.

 

Fantasma de 50

 

 

 

Vaias no Itaquerão: Ministro de Dilma deixa discurso da “elite branca” na cara do tacho

Cláudio Humberto

 

O ministro Gilberto Carvalho, porta-voz das desculpas oficiais, deixou ontem com cara de tacho os bajuladores, que atribuíram as vaias no Itaquerão à “elite branca”. Ele disse que estava lá e a vaia foi geral.

 

 

Perguntar não ofende (II)

Diego Costa e Fred, nos tempos em que ambos disputavam a mesma posição na Seleção Brasileira

Diego Costa e Fred, nos tempos em que ambos disputavam a mesma posição na Seleção Brasileira

 

Aqui, o Christiano Abreu Barbosa ressalvou que perguntar não ofende, antes de indagar:

— Será que Diego Costa está arrependido de ter trocado a seleção brasileira pela Espanha?

Ao que este blog, sem deixar a redonda cair no chão, toma a liberdade para emendar de prima:

— Até aqui, quem é o pior centroavante brasileiro da Copa? Diego Costa ou Fred?

 

P.S. Com todo o respeito à torcida do Galo, Jô não conta.

 

 

Nem apelo a Cristo salva a Espanha da maldição dos campeões do mundo

Em diálogo com a criativa composição entre imagem e texto feita na edição virtual de hoje do diário esportivo Marca (aqui), na qual o jornal espanhol pedia a piedade do Cristo Redentor com a seleção daquele país, o editor de arte da Folha, Eliabe de Souza, o Cássio Jr., arriscou uma resposta, após os chilenos terem imposto seu excelente futebol na vitória de 2 a o que eliminou os campeões do mundo de 2010 no segundo jogo desta Copa de 2014. Como a França (campeã em 98 e eliminada em 2002) e a Itália (campeã em 2006 e eliminada em 2010, parece estar virando sina dos campeões do mundo ser eliminados na primeira fase da Copa seguinte, maldição da qual só o Brasil escapou neste séc. 21, após ser Tetra em 2002 e só dançar nas quartas de final em 2006.

Bem, na esperança de perpetuação como exceção nas maldições, fiquemos com a arte do Cássio Jr:

 

(Arte de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

(Arte de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Empate sem gols pode bastar para chegar às oitavas, mas Brasil precisa de mais

E ficou no 0 a 0. Com grandes defesas do goleiro Ochoa, e sem nenhum erro capital do juiz, o México confirmou o equilíbrio do seu retrospecto recente com o Brasil e parou o dono da casa, hoje na Arena Castelão, em Fortaleza.  Após chamar o Brasil para o seu campo defensivo no primeiro tempo, os mexicanos voltaram ao segundo tentando pressionar, arriscando chutes perigosos de fora da área.  O volante Vásquez, aos 9 minutos; o meia Herrera, aos 11; e Guardado, aos 14, deram sustos em Júlio César, com bolas para fora, mas sempre próximos ao gol.

A pressão mexicana durou até uma falta dura, aos 16 minutos, que valeu o cartão amarelo a Vásquez, sobre Neymar. Ele mesmo cobrou, com a bola saindo após roçar o ângulo direito de Ochoa. A partir daí, quem partiu para o ataque foi o Brasil, com Jô como nova referência de frente, após substituir Fred, que saiu vaiado pela torcida aos 22. Um minuto depois, numa blitzen brasileira sobre a área mexicana, Bernard (que começou o segundo tempo no lugar de Ramires) cruzou da esquerda. Neymar matou no peito e chutou de canhota dentro da área, obrigando Ochoa a uma grande defesa.

Aos 30, com as tabelas do Atlético Mineiro ainda na memória, Bernard enfiou para Jô penetrar na área pela esquerda, mas o chute cruzado do atacante saiu pela linha de fundo no lado oposto. Aos 40, uma cobrança de falta de Neymar, também pela esquerda, achou Thiago Silva dentro da pequena área, que cabeceou à queima roupa em mais um milagre operado pelo goleiro mexicano.

Como a bola não entrava, o lateral Marcelo invadiu a área do México pela esquerda e, pressionado por Jimenez, se jogou na área, mesmo com a possibilidade de seguir no lance. Mas diferente do que ocorreu contra a Croácia no polêmico lance de Fred, o árbitro turco Çüneyt Çakir não entrou na encenação brasileira. Aos 45, o mesmo Jimenez bateu uma bomba na quina esquerda da área de Júlio César, colocando o goleiro brasileiro para também trabalhar.

No apito final do juiz, os mexicanos comemoram o empate, que os coloca iguais ao Brasil em números de pontos (4), na disputa pela liderança do Grupo A, mesmo que o técnico time da Croácia vença amanhã, em Manaus, no jogo que fecha a rodada, a desorganizada seleção de Camarões. Quanto ao time de Felipão, esse primeiro empate da Seleção sob seu comando num jogo de Copa (incluindo a campanha do Penta, no Japão e na Coréia do Sul, em 2002) pode ser suficiente para garantir a vaga às oitavas, mas a partir daí, as dificuldades certamente serão maiores do que a boa atuação de um goleiro.

 

 

Chefe de estado é aplaudida e tem nome gritado pela torcida em jogo da Copa

Angela Merkel e Dilma Rousseff

Angela Merkel e Dilma Rousseff

 

 

 

 

Saudada pela torcida, a chanceler alemã acenou às arquibancadas da Fonte Nova (foto: Getty Images)

Saudada pela torcida, a chanceler alemã acenou às arquibancadas da Fonte Nova (foto: Getty Images)

 

A chefe de estado que tem sua seleção entre as principais favoritas para ganhar a Copa do Mundo, presente no jogo de estreia do seu time, sendo efusivamente aplaudida e tendo o nome gritado pela torcida. Bem, se esse era o sonho da presidente Dilma Rousseff e do PT, não deve ter sido fácil assistir à sua realização ontem, dentro do Brasil, por Angela Merkel (veja aqui). Anunciada oficialmente pelo sistema de som e com sua imagem transmitida ao vivo no telão da Fonte Nova, em Salvador, a chanceler alemã foi calorosamente saudada pela torcida de baianos, alemães e portugueses, antes de assistir à sua seleção, mesmo poupando o craque Bastian Schweinsteiger, aplicar uma goleada de 4 a o sobre Portugal de Cristiano Ronaldo.

Governador Jaques Vagner (PT) e sua esposa, antes do primeiro ser vaiado e da segunda responder com gestos obscenos, no carnaval de Salvador (foto de Fred Pontes)

Governador Jaques Vagner (PT) e sua esposa, antes do primeiro ser vaiado e da segunda responder com gestos obscenos, no carnaval de Salvador (foto de Fred Pontes)

Curiosamente, o contraponto com as vaias e xingamentos que Dilma recebeu da torcida paulista na abertura da Copa (relembre aqui), pode se tornar ainda mais constrangedor na comparação com a acolhida popular recebida por Merkel, se levado em consideração que a Bahia é governada pelo petista Jaques Wagner, também vaiado por uma multidão, por cerca de cinco minutos, no último carnaval de rua de Salvador (conheça o caso aqui). Ele estava num camarote, com sua esposa Fátima Mendonça, que reagiu aos apupos dos foliões e populares com o dedo erguido em gesto obsceno.

Mas os contrastes entre Merkel e Dilma não param aí. Em 2012, após visitar a Alemanha e publicamente dar conselhos aos europeus sobre como gerir sua crise econômica, além de criticar os países ricos de estarem causando um “tsunami monetário” com suas políticas expansionistas, a presidente brasileira foi respondida duramente (relembre aqui) pela chanceler da principal potência econômica da Europa, em entrevista à conceituada revista alemã Manager-Magazin:

— Essa senhora vem à Alemanha nos dizer o que temos que fazer? Ora, a Alemanha vai bem, obrigado, apesar de tudo. Mas eu vou aproveitar para dar um conselho a ela… antes de vir aqui reclamar das nossas políticas econômicas, por que ela não diminui os gastos do governo dela e diminui os juros que são exorbitantes no Brasil? Se eu posso emprestar dinheiro a juros baixos e o meu povo pode ganhar juros absurdos lá no país dela, não vou ser eu que direi ao meu povo para não fazer isso. Ela que torne a especulação no país dela menos atraente.

Bem, pelo menos na guerra de câmbio na popularidade com a torcida brasileira, Merkel parece ter dado sobre Dilma a mesma goleada que sua seleção aplicou ontem sobre Portugal. Após o jogo, a chanceler foi ao vestiário parabenizar os jogadores alemães pela vitória, sendo novamente recebida com entusiasmo. Alguns craques chegaram a aproveitar para fazer e divulgar nas redes sociais algumas selfies com sua governante, conhecida em seu país e na Europa como entusiasta do futebol.

 

Angela Merkel após o jogo, no vestiário com os jogadores da seleção alemã (fotografia © Twitter Steffen Seibert)

Angela Merkel após o jogo, no vestiário com os jogadores da seleção alemã (fotografia © Twitter Steffen Seibert)

 

Angela Merkel no selfie do atacante Lukas Podolski

Angela Merkel no selfie do atacante Lukas Podolski

 

 

 

Hitler e a torcida brasileira

Favoritos ao primeiro lugar de seus grupos, assim como ao título, caso confirmem as previsões, Brasil e Alemanha só se cruzariam nas semifinais da Copa do Mundo, mais precisamente em 8 de julho, as 17h, em Belo Horizonte, no Mineirão. Quer isso aconteça ou não, desde que Hans Staden caiu prisioneiros dos tupinambás no séc. 16 (veja aqui), já se deram muitos outros cruzamentos entre tupiniquins e germânicos. Na tribo goitacá, por exemplo, não tem muito tempo, fez sucesso na taba virtual a montagem de um vídeo de Adolf Hitler, encarnado visceralmente pelo ator Bruno Ganz, no necessário filme “A Queda — As Últimas Horas de Hitler” (2004), do diretor Oliver Hirschbiegel. Aproveitando algumas cenas em que Hitler perde o contato com a realidade em acessos de fúria e depressão, diante da iminência da derrota (a)final, as legendas em português ao áudio em alemão foram alteradas para colocar o deputado federal Anthony Garotinho (PR) falando pela boca do ditador da Alemanha Nazista.

Assim como foi feita aquela analogia entre alguns aspectos de Hitler e Garotinho, não é necessário esforço para fazê-lo também entre o último e outro conhecido político. A prioridade às ações assistenciais (ou assistencialistas?) como alicerce de uma política popular (ou populista?), o inchaço e a ocupação desavexados da máquina do estado, as constantes denúncias de superfaturamento nas obras públicas, os pífios desempenhos em saúde e educação, a promiscuidade entre público e privado, os indícios de manipulação dos instrumentos da Justiça, a pretensão messiânica da liderança, a catequese fundamentalista dos liderados, a incapacidade de conviver pacificamente com qualquer mídia que não seja chapa branca, a demonização do contradito e do contraditor, o maniqueísmo fascista que só admite o “conosco” ou o “contra nós”, são algumas das características que o ex-governador do Rio comunga, por exemplo, com um certo ex-presidente do Brasil.

Difícil crer, portanto, em coincidência quando um gaiato teve uma ideia muito parecida, mesmo sem provavelmente conhecer nada de Campos, ao decidir usar o polêmico episódio do “Ei, Dilma, vai tomar no c(…)!” e a democracia irrefreável das redes sociais para divulgar uma outra montagem, com as mesmas cenas do filme “A Queda”. Por anacronismo ideológico, talvez não faça o mesmo sucesso por aqui do que a montagem anterior, mas enquanto não se cumpre a previsão de violência eleitoral feita aqui por Lula, da Copa até as eleições de outubro (e novembro), e ainda dá para rir mais do que chorar, confira abaixo o resultado hilário da nova montagem:

 

 

 

“Ei, Dilma, vai tomar no c(…)!” — Foi constrangedor? Foi. Mas era para ser

Jornalista Renato Maurício Prado

Jornalista Renato Maurício Prado

A voz da arquibancada sempre foi chula

Por Renato Maurício Prado

Vou mexer num vespeiro, mas não consigo mais ficar lendo e ouvindo tanta bobagem calado. Após os já famosos coros grosseiros contra a presidenta (como ela gosta de ser chamada) Dilma Rousseff, no jogo de abertura da Copa do Mundo, no Itaquerão, vozes puritanas começam a surgir de todos os lados, defendendo uma utopia. Em resumo, dizem o seguinte: protestar, tudo bem, mas não com ofensas tão pesadas contra uma mãe, avó e principal mandatária política do país.

Ora bolas, quando a voz da arquibancada foi educada ou preocupada em não ferir susceptibilidades? Desde que me entendo por gente (e bota tempo nisso) os coros cantados nos estádios (ou arenas, como preferem os “modernos”) sempre rugiram os mais ofensivos e obscenos cânticos de provocação ou louvação — sim, até para elogiar e exaltar, palavrões são usados e bem-vindos. Exemplo: “PQP, é o melhor goleiro do Brasil”, como a torcida do Flamengo saudava o seu, hoje em dia encarcerado, ídolo Bruno.

Por que com Dilma seria diferente? Foi constrangedor? Foi. Eu mesmo me senti assim. Mas era pra ser. Esse é o intuito do torcedor quando reunido em massa e coro numa arquibancada.

Nesses momentos, em que há séculos as mães dos árbitros são chamadas de putas sem que ninguém (nem os próprios juízes) se ofenda, não há decoro, cuidados ou piedade.

Dias após à trágica morte do talentoso atacante Denner, do Vasco da Gama (num acidente de carro, na Lagoa), disputou-se um clássico com o Flamengo e, com o Maracanã entupido de tanta gente, a torcida rubro-negra entoava, simplesmente, o seguinte:

“Ei, você aí, o Denner já morreu, só falta o Valdir”!

Valdir Bigode era o centroavante do time da colina. Mas não pensem que a crueldade e a grosseria são exclusivas dos fãs do Mais Querido. Nos tempos em que o atual goleiro da seleção Júlio César atuava no Flamengo, as torcidas rivais o saudavam com duas musiquinhas alusivas ao fato de Suzana Werner, sua esposa, ter sido antes namorada de Ronaldo Fenômeno:

1) “Ô Júlio César, como é que é, o Ronaldinho já … sua mulher”!

2) “Ô Júlio César, seu veadinho, sua mulher já deu o … pro Ronaldinho”!

Edificante, não? Mas, infelizmente, é assim que a banda toca nos campos de futebol. Que o digam as poucas mulheres que se aventuram na arbitragem. São sempre chamadas em coro de gostosas, piranhas etc. Perguntem a bandeirinha Ana Paula Oliveira como a tratava a torcida do Botafogo, após cometer dois erros graves contra o Glorioso…

Duvido que qualquer um dos agora indignados já não tenha disparado impropérios dos mais vulgares, num jogo de futebol, pouco se importando se ao seu lado havia senhoras ou crianças.

Como costumava dizer o saudoso, genial (e genioso) colunista Zózimo Barroso do Amaral, “o mais refinado gentleman se transforma no mais sórdido canalha, ao sentar a bunda numa arquibancada”.

Num estádio, até criancinhas se divertem, dizendo “nomes feios”, na maioria das vezes sem nem saber direito o que eles significam.

Eu e minha mulher mesmo fomos surpreendidos quando levamos pela primeira vez ao Maracanã a nossa filha Luiza, então com oito anos.

Bastou um momento de distração e a pequerrucha, com sua vozinha inocente, desandou a acompanhar, a plenos pulmões, o coro que vinha da arquibancada. E era o seguinte:

“Por…, Car…, VTNC, quem manda nessa M… é a torcida do Urubu”!

Pois é… Por isso, cara presidenta, não dá pra chiar. Quem está na chuva é pra se molhar, diriam os mais velhos. Ou, “não sabe brincar, não desce pro play”, como preferem os mais jovens.

Com a onda de insatisfação popular — e não apenas de “riquinhos”, como tentam distorcer (que o digam as manifestações, onde o palavreado é tão chulo quanto no futebol) — é melhor evitar aglomerações. Nas ruas e nos campos.

Qual a diferença?

Quando jogam sapatos, tortas, ovos etc piores nos políticos lá de fora, aplaudimos, dizendo: se fizessem isso aqui, não haveria tanta sem-vergonhice…

 

Fonte: Blog do Renato Maurício Prado

 

 

Sem seu craque, Alemanha goleia Portugal na melhor estreia de um favorito à Copa

Abraçado com sua equipe após balançar as redes portuguesas, Müller foi o nome do jogo (foto de Odd Andersen - AFP)

Abraçado com sua equipe após balançar as redes portuguesas, Müller foi o nome do jogo (foto de Odd Andersen – AFP)

 

Bem, Cristiano Ronaldo jogou, mas Schweinsteiger, não. E não fez a menos diferença para que o segundo observasse do banco sua Alemanha golear Portugal por 4 a 0. O motivo? Simples: Portugal tem um time nada mais que mediano, que depende do taleto de um craque. E o melhor do mundo em 2013, como já ocorreu com todos os melhores do mundo anteriores, hoje não brilhou.

Já a Alemanha tem um time acima da média, fruto de uma geração muito talentosa, cujos líderes em Campos, como Schweinsteiger, vem sendo preparados desde a Copa de 2006, sediada naquele país. Talvez o único senão dessa seleção seja seus inexplicáveis titubeios nos momentos cruciais, como demonstrou nas Copas do Mundo em 2006 e 2010, além da Eurocopas de 2008 e 2012, em contraste à principal característica do ethos germânico desde a Antiguidade, em quaisquer atividades humanas: sua determinação.

Contra uma seleção de Portugal estupidamente desfalcada pela expulsão do brasileiro naturalizado Pepe, quem vacilou hoje não foi a Alemanha. Com boas atuações de Özil, Gotze, Khedira, Hummels e Kroos, o destaque acabou sendo o atacante Tomas Müller. Além de não se intimidar fisicamente com as habituais panes mentais de Pepe, expulso após dar-lhe uma cabeçada, Müller se movimentou o tempo inteiro na função de falso centroavante, saindo de campo como autêntico goleador. Balançou as redes portuguesas três vezes e empatou com o francês Karim Benzema (relembre aqui) como artilheiro, até aqui, da Copa do Mundo. Candidato a superar o recorde de Ronaldo como maior goleador de todos as Copas, o veterano Klose se limitou, como Schweinsteiger, a observar e aplaudir do banco sua equipe confirmar em campo a condição de forte candidata ao título.

Das quatro seleções apontadas como favoritas pela maioria da crônica esportiva, antes da Copa começar, essa primeira atuação da Alemanha foi bem mais convincente do que a do Brasil (3 a 1 sobre a Croácia), da Argentina (2 a 1 contra a Bósnia) e, certamente, do que a da Espanha — esta, ainda mais humilhada pelos 5 a 1 impostos pela Holanda, do que foi hoje o time de Cristiano Ronaldo. E, não custa lembrar, poupado mesmo que já tivesse condição de jogar (confira aqui), Schweinsteiger ainda não estreou.

 

 

Antes tarde do que nunca, as saliências holandesas com os campeões espanhóis

Como ainda não escrevi nada sobre o surpreendente e acachapante Holanda 5 x 1 Espanha da última sexta (13/06), numa histórica desforra da final da Copa de 2010, construída sobretudo a partir das atuações de antologia dos atacantes Robben e Van Persie, sem contar o menino Blind na lateral-esquerda, fiquemos nesta bem humorada manhã dominical com uma imagem capaz de falar mais do que mil palavras atrasadas. Certo que o Leão da Casa de Orange, como diria o jornalista Ancelmo Gois, fez saliências em campo com o touro miúra da Casa dos Bourbon. Mas bem que poderia ter tido só um pouquinho mais de respeito com os atuais campeões do mundo…

 

espanha e holanda

 

Elite branca paulista no Itaquerão, cara pálida?

Pelo jornalista e humorista Marcelo Tas, na democracia irrefreável das redes sociais (aqui), durante o jogo de abertura da Copa no Itaquerão, o flagrante de uma petista protestando contra a terrível elite branca paulista:

 

Marta Suplicy no Itaquerão

 

País da Copa — Dilma é xingada no Mineirão e cai em pesquisa; Lula ataca e prevê violência

Depois do Itaquerão, em São Paulo, na abertura da Copa  de quinta, ontem foi a vez da torcida brasileira do Mineirão, mesmo sem a presença da presidente, entoar o coro: “Ei, Dilma, vai tomar no c(...)!”

Depois do Itaquerão, em São Paulo, na abertura da Copa de quinta, ontem foi a vez da torcida brasileira do Mineirão, mesmo sem a presença da presidente, entoar o coro: “Ei, Dilma, vai tomar no c(…)!”

 

Após ter dividido opiniões e mergulhado o país em polêmica, desde o Brasil 3 a 1 Croácia que abriu a Copa do Mundo na última quinta (12/06), no Itaquerão, o  coro “Ei, Dilma, vai tomar no c(…)!” da torcida brasileira não está mais restrito a São Paulo (relembre aqui), nem à necessidade da presença física da presidente da República. Ontem, o coro foi novamente entoado pela torcida brasileira presente ao jogo Colômbia 3 x 1 Grécia, válido pela primeira rodada do Grupo C, no Mineirão, em Belo Horizonte (MG), reduto eleitoral do senador Aécio Neves (PSDB), principal concorrente da oposição  à corrida presidencial. Embora seja mineira nascida e criada na capital, em família de classe média alta, Dilma Rousseff fez carreira política no Rio Grande do Sul.

Distante da sua cidade natal, Dilma ontem estava em Recife, reduto de outro adversário em sua disputa à reeleição, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). O compromisso da presidente não foi assistir ao outro jogo da rodada no Grupo C, Costa do Marfim 2 x 1 Japão, realizado na Arena Pernambuco, mas participar de encontro com o ex-presidente Lula (PT). Na tentativa de defender sua afilhada política dos ataques sofridos na Copa do Mundo que ambos tanto trabalharam para trazer ao Brasil, Lula deu ainda mais ênfase ao discurso do medo, do qual o PT foi vítima no passado, mas passou a adotar para tentar conter a tendência de queda de Dilma, que votou a cair em nova pesquisa Sensus também divulgada ontem: de  34% (em abril) para 32,2%, enquanto Aécio subiu de 19,9% para 21,5% nas intenções de voto (conheça aqui a íntegra da consulta).

Acuado por ver sua candidata a presidente em queda e xingada publicamente pela população, sendo alvo dos protestos contra a Copa, graves denúncias de corrupção na Petrobras e ostentando um péssimo desempenho na condução da economia do país (confira aqui), enquanto dentro do próprio PT ainda há quem queira que ele mesmo assuma mais uma vez o risco pessoal e político da candidatura, o ex-presidente abandonou o estilo “Lulinha Paz e Amor” que levou o PT ao poder, para disparar sua metralhadora giratória contra as “elites” e a imprensa, chegando a prever violência na campanha:

— Nós estamos com um problema sério neste país, Dilminha. Esta campanha está correndo o risco de ser uma campanha violenta, em que a elite brasileira está conseguindo fazer o que nós nunca conseguimos, que é despertar o ódio entre as classes. Está conseguindo fazer com que o ódio tome conta da campanha neste ano, e não medirá esforços para a quantidade de mentiras e preconceitos que vão contar contra a senhora.  “[Os xingamentos são] uma falta de respeito, uma cretinice fomentada por uma parte da imprensa brasileira que, agora, está falando que não é para fazer assim, que não era para ter palavrão.

  

Em Recife, para fazer política na terra de Eduardo Campos, em dia de jogo de Copa, Lula atacou para tentar defender Dilma e previu violência na campanha presidencial (foto de Vitor Tavares - G1)

Em Recife, para fazer política na terra de Eduardo Campos, em dia de jogo de Copa, Lula atacou para tentar defender Dilma e previu violência na campanha presidencial (foto de Vitor Tavares – G1)

 

 

Nelson Rodrigues — A grandeza do homem do Brasil é uma piada

Garrincha

 

 

Nelson Rodrigues A piada imortal

Por Nelson Rodrigues

 

“Já descobrimos o Brasil e não todo o Brasil. Ainda há muito Brasil para descobrir. Não há de ser num relance, num vago e distraído olhar, que vamos sentir todo o Brasil. Este país é uma descoberta contínua e deslumbrante”.

Amigos, eu ando falando muito do Brasil. E muita gente já rosna, com tédio e irritação: — “Você está descobrindo o Brasil?” É exato. Estou, sim, estou descobrindo o Brasil. Eis que, de repente, cada um de nós, cada um dos setenta milhões de brasileiros passa a ser um Pedro Álvares Cabral.

Já descobrimos o Brasil e não todo o Brasil. Ainda há muito Brasil para descobrir. Não há de ser num relance, num vago e distraído olhar, que vamos sentir todo o Brasil. Este país é uma descoberta contínua e deslumbrante. E justiça se faça ao escrete: — é ele que está promovendo, quem está anunciando o Brasil.

A princípio, o sujeito pode pensar que o escrete revelou o Brasil para o mundo. Isso também. Todavia, o mais importante e o mais patético é a descoberta do Brasil para os próprios brasileiros. Pergunto: — o que sabemos nós do Brasil? Pouco ou, mesmo, nada. A partir de 58, o Brasil começou a aparecer aos nossos olhos.

Digo mais: — foi o escrete que ensinou o brasileiro a conhecer-se a si mesmo. Tínhamos uma informação falsa a nosso respeito. Sempre me lembro de um amigo meu que era um bem, um símbolo nacional. Exuberante como um italiano de Hollywood, um italiano de anedota, o sujeito tinha o gosto do berro e do gesto largo. Se via um vago conhecido, ele abria os braços até o teto e se arremessava com a efusão de um amigo de infância. Tipo gozadíssimo. E o Fulano costumava dizer, aos uivos: — “Eu sou um quadrúpede!” E para evitar dúvidas, ampliava: — “Eu sou um quadrúpede de 28 patas!”

Esta autocrítica jocunda e feroz era o que todos nós fazíamos. O sujeito, aqui, não acreditava nem nos outros, nem em si mesmo. E aquele que se nega está, ao mesmo tempo, negando a própria terra. Quando dissemos: — “Eu sou uma besta!” — estamos vendo bestas por toda parte. Não havia nenhum ufanismo no Brasil. Em absoluto. Como o meu amigo citado, cada um de nós era um Narciso às avessas, que cuspisse na própria imagem.

Em 58, o escrete ainda embarcou desconfiado. Mas já uma dúvida instalava-se em nosso espírito. O sujeito já não sabia se era ou não uma besta chapada ou, na melhor das hipóteses, uma semibesta. A campanha de 58 viria clarificar o problema. Chegamos na Suécia, ainda perplexos. Vencemos a Áustria e empatamos com a Inglaterra. Vem, finalmente, o jogo com a Rússia.

Eu vou dizer o momento exato em que se inaugurou o verdadeiro Brasil. Foi após o hino nacional brasileiro. Os jogadores ainda estavam perfilados e trêmulos. A Rússia seria uma prova crucial. Mais do que nunca dava em cada jogador o dilema: — “Ser uma besta ou não ser uma besta?” E, então, soou, naquele escrete contraído, a voz de Garrincha. Com a sua candura triunfal, dizia o Mané para o Nilton Santos: — “Aquele bandeirinha tem a cara do ‘seu’ Carlito!” Houve, então, o riso incoercível, total. Foi o bastante. O escrete tomou-se de uma nova e feroz potencialidade. E da piada de Garrincha partiu para a vitória

Ali, começava o verdadeiro Brasil. Ninguém sabe, mas foi uma piada que derrotou a grande, a colossal, a imbatível Rússia. A mesma piada deu ao brasileiro a sensação da própria grandeza. Com um quase pânico, o homem do Brasil percebeu que era genial.

 

Jornal dos Sports, 27/5/1962

 

 

Interpol investiga no Brasil manipulação de resultados na Copa do Mundo

Ronald Noble, secretário geral da Interpol, e Joseph Blatter, presidente da Fifa (foto de Arnd Wiegmann - Reuters)

Ronald Noble, secretário geral da Interpol, e Joseph Blatter, presidente da Fifa (foto de Arnd Wiegmann – Reuters)

 

O secretário geral da Interpol (organização internacional que coopera com policias de diversos países), Ronald Noble, revelou à rede americana CNN que a instituição enviou uma equipe para o Brasil para investigar uma possível manipulação de partidas na Copa do Mundo.

“Posso garantir que, agora, enquanto a Copa acontece, existem grupos de crime organizado trabalhando com apostas ilegais. Isso pode influenciar no resultado de um jogo ou no que acontece em campo, com suborno ou corrupção”, disse Noble em entrevista ao apresentador Richard Quest no programa Quest Mean Business, na tarde de ontem (13/06).

“E quando você pensa é um evento grande, é muito importante, esse tipo de coisa não pode acontecer, é que aí você tem um problema. Por isso, enviamos uma equipe da Interpol ao Brasil, para ajudar os brasileiros, e outras equipes pelo mundo para investigar esses grupos de crime organizado que trabalham com manipulação de resultados. Isso tem que ser vigiado”.

Na noite desta sexta, Luiz Eduardo Navajas, delegado da Polícia Federal e coordenador da Interpol no Brasil, negou aqui a existência de uma operação da instituição no país investigando manipulações de resultado na Copa. De acordo com Navajas, houve um mal entendido com relação à entrevista de Noble.

Segundo Ronald Noble, as apostas não seriam apenas sobre os resultados dos jogos, mas também sobre outros lances que acontecem em campo. “Um pênalti, qual equipe dá a saída de bola, para quem é o primeiro escanteio… as pessoas apostam milhões de dólares nessas coisas. É assim que definimos o termo ‘manipulação’ num jogo”.

Questionado sobre uma eventual participação de árbitros, jogadores e outros envolvidos na organização da Copa do Mundo, ele disse que a possibilidade existe, mas não deu mais detalhes. “Há possibilidade, mas não sei se é provável. Não prevejo o futuro, falo apenas sobre o que está acontecendo”.

Noble também falou sobre a investigação aberta pela Fifa para apurar os supostos casos de suborno nas eleições para as sedes das Copas de 2018, na Rússia, e 2022, no Qatar. “São promotores muito respeitados pelo mundo. Leio muito no jornal sobre as suspeitas com a Fifa, mas vou esperar a investigação e as evidências para saber o que aconteceu”, analisou.

“Espero que a Fifa apoie as investigações, que são independentes, e dê todos os recursos possíveis. Mas talvez isso não aconteça, porque é uma investigação independente, que chegará a algumas conclusões. Mas confio na integridade e na credibilidade de quem está investigando, e o relatório final deverá ser respeitado”, afirmou.

Fifa e Interpol já colaboraram para investigar manipulação de resultados no futebol. Em janeiro de 2012, a entidade que organiza o futebol mundial anunciou que contaria com agentes internacionais para apurar as denúncias, além de elaborar um programa de proteção para quem denunciasse esquemas de manipulação de jogos.

 

Fonte: UOL

 

 

Copa politicamente incorreta: Quem chama jogador de “veado” é chamado de “macaco”

 

“Macacos!” Foi assim que muitos torcedores espanhóis se referiram ontem aos brasileiros, inundando as redes sociais com comentários racistas sobre os anfitriões da Copa do Mundo, logo depois da sua seleção ser goleada de 5 a 1 pela Holanda, com apoio entusiasmado da torcida da Fonte Nova, em twiter espanhóisSalvador (BA). Na verdade, o público presente ao jogo começou vaiando apenas um jogador da Espanha: o brasileiro naturalizado Diego Costa, artilheiro do Atlético de Madri, que optou por defender o novo país, mesmo que tivesse sua convocação também garantida na seleção de Felipão.

Dentro da lógica do politicamente correto, se os espanhóis foram racistas virtuais após a partida, ninguém pode dizer que os brasileiros não foram homofóbicos ao vivo durante o jogo. Além de vaiar cada vez que o jogador naturalizado tocava na bola, a torcida brasileira no estádio também entoava o coro: “Diego, veado!”. Encerrado o primeiro tempo dominado pela Espanha, mas com o placar parcial equilibrado em 1 a 1, o futebol empolgante jogado pelos holandeses na etapa final, quando marcaram mais quatro gols, fez com que a torcida que já perseguia Diego Alves passasse a vaiar também o resto do time espanhol. Na Fonte Nova, talvez alguém ainda tivesse na memória os mesmos comentários racistas nas redes sociais, que já tinham sido feitos após a final da Copa das Confederações, no Maracanã, em 30 de junho do ano passado, quando o Brasil bateu os espanhóis por 3 a 0.

Na reação racista ao apoio brasileiro a Holanda, que teve ontem teve sua revanche da final da Copa de 2010, os espanhóis usaram principalmente o Twiter para escrever mensagens como:

— “Macacos brasileiros. Como (eles) não têm nada o que fazer ficam felizes com a derrota da Espanha e fazem a ‘ola’. Coitados”

— “Do que riem esses macacos brasileiros? Celebrando a vitória da Holanda… macacos”

— “Macacos brasileiros, que passem fome o resto de suas vidas”

—  “Os brasileiros celebram mais que os holandeses na arquibancada. Que patéticos esses macacos”

— “O destino quer que a gente fiquei em segundo. Para acabarmos com os putos brasileiros. Macacos!”

A última mensagem fazia referência à possibilidade da Espanha, após a derrota pelo placar dilatado, se classificar em segundo lugar do Grupo B, pegando nas oitavas de final o primeiro colocado do Grupo A, que tem o Brasil ainda como favorito.

 

 

Após encenar pênalti no campo, Fred continua a interpretar em vídeo da CBF

Assim como o pênalti que encenou em campo, ontem, gerando o gol da virada brasileira contra a Croácia, Fred hoje encenou, diante a câmera da CBF, a versão de que não cavou a penalidade (foto: AP)

Assim como o pênalti que encenou em campo, ontem, gerando o gol da virada brasileira contra a Croácia, Fred hoje encenou, diante a câmera da CBF, a versão de que não cavou a penalidade (foto: AP)

 

Depois de encenar o pênalti que gerou o gol da virada do Brasil, ontem, contra a Croácia, a repercussão negativa do lance em todo o mundo (confira aqui) fez com que a CBF gravasse e divulgasse hoje um vídeo, no qual o centroavante titular de Felipão continuou a interpretar não ter se atirado acintosamente dentro da área, induzindo o erro do árbitro japonês Yuichi Nichimura, no jogo de abertura da Copa do Mundo:

— Foi pênalti claro. Não existe mais pênalti ou menos pênalti. A Fifa mandou a comissão de arbitragem aqui para orientar todos os jogadores, para não ter agarra-agarra na área que os árbitros iam dar pênalti. Naquele lance, dominei a bola com a direita já para virar para a esquerda, eu sofri uma carga no ombro, perdi o alcance da bola, me desequilibrou e eu caí. Não sou jogador de ficar caindo. Um jogo atrás, contra a Sérvia, sofri uma carga, me desequilibrei e mesmo caído fui para a bola para fazer o gol. Ouvi muita gente falando que não foi pênalti, mas teve sim a carga e foi suficiente para me tirar da bola para eu fazer o gol. Nada vai abalar nosso ambiente aqui, nada vai tirar o nosso foco, e está todo mundo muito preparado. Não vamos tirar o brilho da nossa vitória, que foi muito merecida, que foi muito difícil.

Após a partida, os croatas não economizaram nas reclamações contra os erros de arbitragem que favoreceram  a seleção brasileira. Zagueiro que disputou o lance com Fred, Dejan Lovren disse que é melhor “dar a taça logo ao Brasil”. Por sua vez, o técnico croata Niko Kovac denunciou na coletiva após o jogo:

— Se alguém viu pênalti, levante a mão. Eu não posso levantar a mão. Nenhum dos presentes no estádio ou os 2,5 bilhões que assistiram à partida mundo afora viram pênalti, se for assim, haverá mil pênaltis na Copa,. Foi ridículo o que fizeram. Não tem nada a ver com esse árbitro em especial, tem a ver com jogar aqui no Brasil, o Brasil ser o grande favorito para ser campeão. As regras valem para os dois lados. O slogan da Fifa é “respeito”, então, que haja respeito para as duas equipes, se continuarmos assim, vamos ter um circo.

A polêmica levou o chefe do departamento de arbitragem da Fifa, o suíço Massimo Busacca, a também se pronunciar publicamente sobre o lance. Para ele, ainda não se pode falar em erro do árbitro japonês e muito menos em punição:

— Foi uma decisão, tomada de forma honesta, sobre o que ele viu e para o que se preparou. A gente não pode falar em punição.

Confira o vídeo da CBF com a versão de Fred:

 

 

 

Xingamentos a Dilma nasceram das ruas, um ano antes da Copa do Mundo

Desde ontem, quando 2,5 bilhões de pessoas ao redor do mundo assistiram à presidente Dilma Rousseff (PT) ser vaiada e xingada ao vivo, pela torcida brasileira que lotou a Arena Corinthians, em São Paulo, no Brasil 3 x 1 Croácia, que abriu a Copa do Mundo, os céleres simpatizantes do governo federal petista têm insistido em segmentar o fato como evento isolado,  lido a partir do conceito marxista da luta entre classes sociais. Por essa visão, uma governante como Dilma, que deu continuidade às políticas de inclusão social do ex-presidente Lula, sobretudo a partir da distribuição maciça de bolsas assistenciais, estaria sendo atacada por uma elite branca, raivosa e preconceituosa de São Paulo, capital econômica do país, embora também seja, ironicamente, o berço de nascimento do PT.

Dentro desse raciocínio, essa mesma tal “elite branca” seria a única capaz de pagar os caríssimos ingressos cobrados pela Fifa ao evento que os governos populares de Lula e Dilma, paradoxalmente, tanto lutaram para trazer ao Brasil — apesar dos atrasos vergonhosos nas obras nos estádios e do adiamento, só para depois da Copa, de grande parte das obras de infraestrutura prometidos como legado permanente à população.

Felizmente, com o advento da internet e da democracia irrefreável das redes sociais, essa leitura não resiste a uma simples consulta no Youtube. A partir dos eventos lá registrados em áudio e vídeo por qualquer cidadão munido de celular, é possível constatar que as vaias e os xingamentos à presidente Dilma, cuja queda de aprovação e popularidade se acentua a cada nova pesquisa, se trata de um fenômeno nacional, presente tanto nas ruas quanto em eventos pagos, que nasceu há cerca de um ano e cresceu gradativamente, até alcançar a previsível evidência mundial de ontem.

Senão, vejamos:

15/06/13 Na abertura da Copa das Confederações, no Brasil 3 x 0 Japão, no estádio Mané Garrincha, em BRASÍLIA, a presidente Dilma Rousseff foi sonoramente vaiada, embora ainda sem ser xingada, quando foi apresentada oficialmente pelo presidente da Fifa, Joseph Blatter. Relembre:

 

 

17/06/13 Num dos protestos que estouraram em junho do ano passado, na democracia sócioeconômica plena das ruas paulistanas, surge o grito “Ei, Dilma, vai tomar no cu!”, que só agora, quase um ano depois, causou tanta surpresa, sendo apressadamente atribuído a uma suposta “elite branca”. Como aconteceria no Itaquerão, também nas ruas o hino nacional serviu de introdução aos xingamentos à presidente da República. Veja:

 

 

31/05/14 No show de O Rappa, realizado em Ribeirão Preto (SP), na 13ª edição do João Rock, considerado o maior festival de música pop e rock do interior, o cantor Falcão toma o microfone para fazer um desabafo até raro na classe artística, ainda majoritariamente ligada ao PT, ou com medo da feroz patrulha dos seus militantes: “Infelizmente o legado que tem da Copa é um legado muito escroto, muito pequenininho, muito nada a ver. (…) E só tem dois tipos de Copa, a que vencer e a eleição que vem logo depois. A gente não pode esquecer disso”. O público presente de cerca de 40 mil pessoas respondeu em uníssono, a apenas 12 dias da abertura da Copa: “Ei, Dilma, vai tomar no cu!”. Confira:

 

 

No mais, para quem teve que deixar qualquer torcida de lado para trabalhar na cobertura do jogo de abertura de uma Copa do Mundo no Brasil, na qual se foi obrigado a também registrar o “Ei, Dilma, vai tomar no cu!” da torcida, cabe o eco pessoal à reação de Falcão ao mesmíssimo coro, menos de duas semanas atrás:

— Você viu que eu jamais falaria isso. Mas esse desabafo não é meu, não. Esse desabafo é de vocês, é nosso, é de todo mundo. É só um desabafo! Mas mesmo se ganhar, eu vou continuar pensando desse jeito, mesmo se ganhar. Me falaram que a Copa está comprada. Eu não acredito nisso, porque tem seleção que joga pra caralho.

 

Pai tira filho de protesto contra a Copa e diz: “Vai trabalhar e ganhar seu dinheiro!”

Ontem, nos protestos em São Paulo contra a Copa, um pai reconheceu o filho menor, mesmo com o rosto coberto, e usou da sua autoridade paterna para tentar tirá-lo da manifestação na zona leste da capital paulista. Diante das câmeras dos cinegrafistas que acompanhavam o protesto, ele tirou camisa que cobria o rosto do filho, enquanto este protestava: “Estou no meu direito, deixa eu me manifestar”. Ao que o pai respondeu: “Você vai ter o seu direito quando trabalhar e ganhar o seu dinheiro”.

Nestes tempos em que o estado brasileiro pretende legislar sobre a responsabilidade dos pais sobre seus próprios filhos, a partir da aprovação da polêmica lei da palmada por nosso insuspeito Congresso Nacional, e da maciça perda de apoio popular às manifestações de rua radicalizadas e banalizadas por uma minoria de jovens estudantes de classe média, esse pai demonstrou o amor e a coragem para sê-lo integralmente. A despeito do fascismo politicamente correto cada vez mais entranhado na sociedade.

Confira abaixo o vídeo:

 

 

 

 

 

Brasil 3 x 1 Croácia: Torcida manda Dilma tomar no c(…) e sai cantando “o juiz é nosso!”

“Ei, Dilma, vai tomar no c(…)!”. Com esse grito ecoado pela garganta da torcida presente à Arena Corinthians, o Itaquerão, em São Paulo, generoso presente do ex-presidente Lula ao seu clube de coração, que se encerrou agora há pouco o Brasil 3 x 1 Croácia, na abertura da Copa do Mundo. Após os croatas abrirem o placar aos 10 minutos, num gol contra do lateral-esquerdo Marcelo, os brasileiros empataram ainda no primeiro tempo, aos 26, num chute de Neymar fora da área.

No segundo tempo, a Croácia tinha voltado a impor seu bom toque de bola, até que o confuso árbitro japonêsYuchi Nichimura marcou um pênalti inexistente do zagueiro Louran sobre Fred, totalmente sumido do jogo. Neymar, que não tinha nada com isso, fez muita firula para cobrar, mas converteu a cobrança forte e virou o placar, aos 24 minutos da etapa final, mesmo com goleiro Pletikosa chegando a tocar na bola.

Se o Brasil não merecia a vitória, o mesmo não poderia ser dito de Oscar. Após ter sua saída do time titular cogitada por imprensa e torcida por toda a semana, o meia brasileiro teve sua excelente atuação coroada já nos descontos, aos 46. Em outro chute de fora, com o bico do pé direito, num contragolpe gerado por uma dividida ganha por Ramires, que substituíra Hulk,  Oscar provou que merece ser titular da seleção brasileira, assim como Neymar, o volante Luiz Gustavo e o zagueiro David Luiz, os destaques hoje do time de Felipão.

Pelo menos na transmissão da TV, o gol brasileiro que Dilma mais comemorou foi o segundo, roubado. A mesma torcida que encerrou o jogo mandando a presidente tomar no cu, depois cantou, na saída do Itaquerão: “A-ha, U-hu, o juiz é nosso!”. Talvez numa prova de que não seja tão diferente assim a moral que, dentro e fora de outros campos, rege governantes e governados neste país da Copa.

Confira nos vídeos abaixo o pênalti inexistente convertido por Neymar, o gol de Oscar e o coro da torcida paulista à presidente do Brasil:

 

 

 

Seleção da Alemanha cria no Brasil o Baêa de Munique

Palco do desembarque das caravelas de Pedro Álvares Cabral em 1500, o paradisíaco litoral sul da Bahia foi descoberto pelos alemães como sede para sua seleção de futebol nesta Copa do Mundo de 2014. Se a escolha trará bons resultados em campo, só saberemos depois da estreia da Alemanha diante de Portugal, na próxima segunda, dia 16, a partir das 13h, no estádio da Fonte Nova em Salvador. Mas, até lá, quebrando todos os esteriótipos da frieza germânica, dois dos seus principais jogadores, o goleiro Manuel Neuer e o volante Bastian Schweinsteiger, parecem já ter criado uma filial na simpática mestiçagem ariana em solo brasileiro: O Baêa de Munique!!!…

Bombando desde ontem na redes sociais do Brasil, da Alemanha e do mundo, confira o vídeo abaixo com o coro do hino do Sport Clube Bahia:

 

 

 

Artigo do domingo — Copa do Mundo, lembranças e palpites

Neymar brilhará na Copa como no amistoso contra o Panamá?

Neymar brilhará na Copa como no amistoso contra o Panamá?

 

Sempre que alguém me pergunta qual trabalho mais tenho prazer de fazer em jornal, não tenho dúvida ao afirmar: cobertura de Copa do Mundo. Como simples espectador, acompanho Copas desde a de 1982 na Espanha. Como jornalista, passei a cobri-las, sempre pela TV e para a Folha, desde a realizada em 1990, na Itália.

Em 82, aos 10 anos, quando tudo nos parece maior, o encantamento do menino não foi superior ao do seu mundo adulto por aquele selecionado nacional, o melhor que já vi: o Brasil de Zico, Falcão, Sócrates, Júnior, Leandro, Luisinho, Telê e cia. Infelizmente, numa fatalidade que definiria o próprio futebol a partir dali, os deuses da bola nos brindariam com a “Tragédia do Sarriá” — nome de um estádio de Barcelona que não existe mais, como deixaria de existir o futebol-arte como estilo de jogo do Brasil. Nas quartas-de-final, com três gols do oportunista atacante Paolo Rossi, a Seleção Brasileira acabaria eliminada por 3 a 2 pela Itália, que soube impor seu tradicional estilo “Catenaccio” (na tradução: “porta fechada”) e ganhou o impulso necessário para vencer, não sem justiça, aquele Mundial.

Lógico, sempre ficará sem resposta a indagação do que poderia ter sido aquela partida, e o futebol do Brasil e do mundo depois dela, se o juiz israelense Abraham Klein tivesse marcado o pênalti claro de Claudio Gentile sobre Zico, cuja camisa foi rasgada pelo implacável marcador italiano. Mas é como versejou o poeta português Fernando Pessoa, pela pena do seu heterônimo Álvaro de Campos: “Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido?/ Será essa, se alguém a escrever,/ A verdadeira história da humanidade”.

Na história “inverídica” do que foi, em 1990, quando a Itália sediou a Copa, quem colheu da sua semeadura pragmática de oito anos antes foi a consistente Alemanha (ainda só Ocidental) de Lothar Matthäus e Jürgen Klinsmann. Mas, aos 18 anos, a experiência de acompanhar profissionalmente uma Copa, de maneira detida e fria, para depois poder descrever cada jogo em texto, numa análise pormenorizada de cada atuação individual, enquanto quase todos que se conhece estão bebendo para festejar ou afogar as mágoas, foi uma experiência bastante enriquecedora; o oxímoro de uma paixão sóbria.

Dentro desta sobriedade, se tivesse que escolher o melhor jogo nestas oito Copas, duas como torcedor, seis como cronista, ficaria em dúvida sobre dois 3 a 2 válidos por quartas-de-final: o Inglaterra 3 x 2 Camarões (2 a 2 no tempo normal), em 1990, na qual os africanos liderados pelo veterano atacante Roger Milla perderam na prorrogação, após colocarem na roda de bobo os inventores do futebol; e o Brasil 3 x 2 Holanda, nos EUA, definido naquela bomba de Branco, na cobrança de uma falta que ele na verdade cometera, com direito a corta-luz de bunda de Romário, que pavimentaria nosso caminho ao Tetra em 1994.

Quanto à melhor atuação individual, também não teria como escolher entre as apresentadas em outras duas quartas-de-final. A primeira, de Diego Maradona, se deu no Argentina 2 x 1 Inglaterra de 1986, no México, quando depois de abrir o marcador com a “mão de Deus”, “El Pibe de Oro” depois driblaria meio time inglês para marcar seu segundo, considerado com toda justiça o gol mais bonito na história das Copas. Vinte anos depois, a outra exibição paralela seria anotada por Zinédine Zidane, no França 1 x 0 Brasil de 2006, na Alemanha, quando além de cobrar com perfeição a falta para o atacante Thierry Henry abrir (e definir) o placar, Zizou quebrou a espinha soberba dos brasileiros, humilhados aos olhos do mundo com dribles e lençóis desconcertantes.

Sobriamente, neste “ser-se ao meio-dia,/ que é quando a sombra foge/ e não medra a magia”, como advertia o entusiasta do futebol e poeta João Cabral de Melo Neto, impossível se prever o que acontecerá depois que a bola começar a rolar oficialmente nos gramados brasileiros, daqui a apenas quatro dias, na Copa deste ano da Graça de 2014. Se tivesse que apontar favoritos, diria que as melhores seleções, tecnicamente, são a da Espanha e da Alemanha. Mas acho que neste grupo também devem ser incluídos a Argentina e o Brasil.

Bem verdade que a atual campeã Espanha tem uma chave classificatória difícil, diante da força sempre respeitável da Holanda, sua vice em 2010, e um Chile em ascensão na promessa de surpresa. Ademais, o time que ganhou tudo desde a Eurocopa de 2008, está envelhecido. Entre seus maestros Xavi Hernández  e Andrés Iniesta, o primeiro, há algum tempo, tem aparentado decadência. Ademais, os espanhóis torcem pela recuperação do brasileiro naturalizado Diego Costa, vindo de contusão, para tentar resolver sua antiga carência de homens de área.

Problemas de contusão também rondam a Alemanha. Já preocupada uma lesão do seu maior craque, o volante Bastian Schweinsteiger, outro titular da equipe, o meia Marco Reus, foi obrigado a sair de campo no amistoso da última sexta, na goleada de 6 a 1 contra a Armênia, com uma contusão no tornozelo esquerdo. Além do que, a base dessa seleção, preparada desde a Copa que sediaram em 2006, precisa resolver sua aparente contradição: uma geração com talento acima da média, mas ainda sem mostrar a mesma determinação que sempre marcou os alemães no futebol, como em tudo mais na vida.

Livres até agora do fantasma das contusões, os argentinos e brasileiros têm suas próprias contradições a resolver. Nossos hermanos têm, talvez, a melhor linha de ataque do mundo, com Ángel di María, Gonzalo Higuaín, Lionel Messi e Sergio Agüero, mas uma defesa fraca. Se o problema não é novo, tampouco é recente o principal dilema do seu jogador mais importante: Messi, finalmente, conseguirá ser pela Argentina o que é no Barcelona?

Quanto ao Brasil, se é igual a dependência que a equipe tem da sua principal estrela, a contradição é ironicamente inversa: Neymar seguirá jogando mais pela Seleção Brasileira do que consegue fazer no Barcelona? A julgar por sua atuação brilhante nos 4 a 0 contra o Panamá, a resposta seria sim. Levado em consideração, no entanto, o amistoso seguinte e derradeiro, diante da Sérvia, quando o individualismo do jovem atacante esteve fora do tom, como seu amigo Thiaguinho ao cantar o hino nacional antes do jogo, poderemos ter problemas.

Quer Júlio César volte a exibir sua melhor forma, ou não; Thiago Silva e David Luiz endossem em campo o valor da zaga mais cara do mundo, ou não; Daniel Alves e Marcelo confirmem a vocação ao apoio, sem deixar buracos na defesa, ou não; Luiz Gustavo e Paulinho sejam capazes de marcar e manter a qualidade do passe, ou não; Oscar perca a posição de titular para Willian, ou não; Hulk consiga ir além da aplicação tática, ou não; Fred ache seus gols de centroavante, como soube encontrar contra a Sérvia, ou não; só nos pés de Neymar o Brasil poderá reencontrar a arte que já teve um dia. Ganhe a Copa ou não.

 

Publicado hoje na edição impressa da Folha.

 

 

E na novela dos terceirizados…

CHARGE 23-07-2014

 

Ele voltou

CHARGE 22-07-2014

 

Tetra campeão

CHARGE 14-07-2014

 

S.O.S. para Geraldo Gamboa é criado por João Damásio

O bamba Geraldo Gamboa, patrimônio vivo do samba de Campos

O bamba Geraldo Gamboa, patrimônio vivo do samba de Campos

 

QUEM DE VERDADE AMA A CULTURA DA NOSSA CAMPOS DOS GOYTACAZES, É SÓ PARTICIPAR E COMPARTILHAR . VAMOS MULTIPLICAR ESTA IDEIA !!!!!

S. O. S. GAMBOA

Estou aqui em casa triste e apreensivo, meu amigo Geraldo Gamboa, Pai Social por mim adotado, acaba de me ligar agora bem cedo nesta manhã de Domingo, que estaria sendo levado pelos filhos para o PRONTO CARDIO, pois o mesmo estava sentindo uma fisgada no meio da coluna e que teria perdido o sentido das pernas. Em breve farei contato com a família e trarei notícias atualizadas aqui pelo face.

Ontem mesmo ao telefone, falava com o próprio Gamboa sobre assuntos diversos e o mesmo reclamava das dificuldades de conduzir a vida, dentro das precariedades que se apresentava. Resolvi colocar a mão na massa e partir pra luta, onde aqui estou convocando amigos e admiradores do Geraldo Gamboa com o intuito de ajuda-lo, onde logo de cara, após ter identificado, que a Prefeitura de Campos dos Goytacazes, teria a três meses, cortado um convênio, com uma empresa prestadora de plano de saúde, o Geraldo Gamboa, não estaria tendo acesso mais aos cuidados médicos por esta empresa. Tive uma ideia, onde nesta parte da manhã deste Domingo, levaria pra ser discutido com a família de Geraldo Gamboa. O projeto seria a realização de um grande evento beneficente no Trianon, com o ingresso custando 2 kg de alimentos não perecíveis, com cantores e bandas participantes doando os seus cachês para o Gamboa, onde lançaríamos um Plano de Ação, com vendas de Certidão Social de Adoção de Paternidade ao Geraldo Gamboa, onde ele mesmo assinaria esta simbólica Certidão de Paternidade Social, com o intuito de cada adquirente, se transformar em um filho social de Geraldo Gamboa, cada um desse filho Social, receberia um carnê com 12 parcelas de R$ 10,00 (Dez reais), para que fosse recolhido em uma conta poupança em nome do próprio Geraldo, com a finalidade de arcar com os custos de manutenção da sua saúde como: pagamento de plano de saúde (Médicos, Fisioterapeuta, Nutricionista, entre outros profissionais da área), medicamentos, alimentação e um melhoramento em sua moradia que se encontra atualmente de forma muito precária. Exemplo: só pra se ter uma ideia da proposta, se Geraldo viesse a ganhar 300 filhos adotivos, ele teria uma renda extra mensal de R$ 3.000,00 (Três Mil Reais), e com certeza isso faria uma grande diferença em favor da sua qualidade de vida praticamente aos 85 anos de idade com toda lucidez, experiência e com muita coisa ainda, pra se contribuir com a Cultural da nossa cidade.

Geraldo Gamboa, ele é um patrimônio vivo cultural da nossa Campos dos Goytacazes, ele é a referência da nossa cultura popular, tanto que é !!! Que foi reconhecido como cidadão Samba e Garoto propaganda da Prefeitura de Campos dos Goytacazes. Mas neste momento, precisa deixar de contracenar, sair da ficção e transformar a sua existência em melhor qualidade de vida. Portanto, está lançada a campanha, quem quiser participar diretamente ou indiretamente, é só fazer contato e meter a mão na massa:

• Face: João Damásio: https://www.facebook.com/joao.damasio.35?fref=ts

• E-mail : joaodamasiocantorcompositor@gmail.com

• Página criada no face para a Campanha (S O S Gamboa):https://www.facebook.com/pages/S-O-S-Gamboa/1475531599352937?ref=hl

• Página criada no face para a campanha : S O S Gamboa

• Tel.: 22- 996080602 (João Damásio)