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Militantes do PT depredam Abril, após a Veja noticiar que Dilma e Lula “sabiam de tudo”

Sede da editora Abril, em São Paulo, foi pichada e depredada por militantes do PT na noite de sexta (foto de Ernesto Rodrigues / Folhapress)

Sede da editora Abril, em São Paulo, foi pichada e depredada por militantes do PT na noite de sexta (foto de Ernesto Rodrigues / Folhapress)

 

 

Resultado da depredação dos militantes de Dilma Rousseff na sede da Abril, postada no Instagram

Resultado da depredação dos militantes de Dilma Rousseff na sede da Abril, postada no Instagram

 

SÃO PAULO E RIO — Cerca de dez pessoas fizeram um rápido protesto na porta da editora Abril, na Marginal Pinheiros, na Zona Oeste da capital paulista, no início da noite desta sexta-feira. Os manifestantes picharam os muros e derrubaram lixeiras. Cartazes e pichações traziam os dizeres “Veja mente”. A polícia chegou e dispersou o grupo.

Nesta quinta-feira, a revista divulgou pelo Facebook e na sua página na internet algumas informações da matéria de capa desta edição, que foi adiantada para esta sexta-feira. A matéria afirmava que, em depoimento à Polícia Federal e ao Ministério Público em Curitiba, o doleiro Alberto Youssef teria dito que a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva “sabiam de tudo” sobre o esquema de corrupção na Petrobras. Ainda conforme a revista, a revelação teria sido feita por Youssef na última terça-feira.

 

Capa da Veja em sua edição antecipada de ontem, noticiando que doleiro Alberto Youssef revelou à Polícia Federal que Dilma e Lula “sabiam de tudo” nos desvios de R$ 10 bilhões na Petrobras

Capa da Veja em sua edição antecipada de ontem, noticiando que doleiro Alberto Youssef revelou à Polícia Federal que Dilma e Lula “sabiam de tudo” nos desvios de R$ 10 bilhões na Petrobras (clique na imagem e conheça todo o caso)

 

 

Publicado aqui, na globo.com

 

 

 

Independente do resultado das urnas, o Brasil sairá delas rachado entre PT e anti-PT

Brasil rachado

 

 

Jornalista e escritor Sandro Vaia

Jornalista e escritor Sandro Vaia

Dois países, uma escolha

Por Sandro Vaia

 

Ganhe ou perca as eleições o PT já cumpriu a sua missão: dividiu o Brasil em dois e institucionalizou o maniqueísmo como política de Estado.

Consegui industrializar o “nós” a ponto de transformá-lo em símbolo da vontade, da virtude, da generosidade, da luta contra o preconceito, da compaixão pelos pobres, da igualdade — cujo corolário definitivo não é nenhuma mudança de fundo na sociedade mas apenas executar um projeto de poder. Um aprendiz de PRI, a versão mexicana do poder pelo poder.

Conseguiu cravar no fantasmagórico adversário — “eles” — o exato oposto do que ele diz representar: a maldade, o egoísmo, o ódio, a luta de classes, o racismo, a homofobia e tudo que o imaginário possa estruturar como resumo do mal.

O PSDB, numa análise atilada do filósofo José Arthur Gianotti simplesmente perdeu a identidade como partido, por não ter conseguido se articular como oposição.

O PT conseguiu, através de seu agressivo discurso maniqueísta, empurrar para uma frente oposicionista informal setores dispersos da sociedade descontentes com a amoralidade difusa e macunaímica que marca o seu período de 12 anos no governo.

O Brasil foi levado a dividir-se politicamente e eleitoralmente não mais em PT e PSDB mas em PT e anti-PT.

À informal frente oposicionista juntaram-se setores da direita ideológica mas inorgânica, alguns direitistas caricaturais, os marinistas, defensores da sustentabilidade ambiental, e até mesmo uma Frente de Esquerda Democrática, formada por intelectuais gramscianos, esquerdistas desiludidos com o fisiologismo e jogo sujo do PT, que declararam em manifesto:

( “) Nas eleições de 2014, nos decepcionamos com o PT. A campanha petista no primeiro turno valeu-se de táticas e subterfúgios que desonram o bom debate. Caluniou, difamou e agrediu moralmente a candidatura de Marina Silva, sob o pretexto de que seria preciso fazer um “aguerrido” confronto político. Atropelou regras procedimentais e parâmetros éticos preciosos para a esquerda e a democracia. ( “)

E considere-se que quando os esquerdistas democráticos escreveram esse manifesto, Lula ainda não havia comparado o adversário aos nazistas e ao rei Herodes, em alguns de seus surtos de alucinação onde combate, como dom Quixote, os moinhos de vento que ele mesmo criou — aplicando provavelmente por instinto e não por conhecimento, o princípio leninista de “acusar os outros daquilo que você faz”.

O mais nocivo populismo caracteriza-se exatamente por interditar o debate substituindo-o, sempre que possível, por uma chuva de calúnias na cabeça do adversário, que passa a ser tratado não como um defensor de propostas diferentes, mas como um criminoso a ser eliminado.

Seja como for, o País que emergirá das urnas domingo será outro. Ou melhor, será um dos dois: ou aquele que procurará a modernidade livrando-se da canga do atraso e da mistificação ou aquele que fará das ilhas de atraso, da pobreza e do assistencialismo a reserva de mercado para garantir sua perpetuação no poder. Aos populistas e demagogos, nunca convém que os descamisados possam comprar suas próprias camisas.

 

Publicado aqui, no Blog do Noblat

 

 

Doleiro promete entregar à Justiça números de contas secretas do PT em paraísos fiscais

Alberto Youssef (foto de Aniele Nascimento / Agência de Notícias G/AE)

Alberto Youssef (foto de Aniele Nascimento / Agência de Notícias G/AE)

 

 

Jornalista Ricardo Noblat

Jornalista Ricardo Noblat

O Planalto sabia de tudo

Por Ricardo Noblat

 

Os trechos mais quentes da reportagem de VEJA deste fim de semana sobre as confissões à Justiça do doleiro Alberto Youssef, um dos cabeças do esquema de corrupção na Petrobras:

• — O Planalto sabia de tudo!
— Mas quem no Planalto? — perguntou o delegado.
— Lula e Dilma — respondeu o doleiro.

• Na semana passada ele aumentou de cerca de trinta para cinquenta o número de políticos e autoridades que se valiam da corrupção na Petrobras para financiar suas campanhas eleitorais. Aos investigadores Youssef detalhou seu papel de caixa do esquema, sua rotina de visitas aos gabinetes poderosos no Executivo e no Legislativo para tratar, em bom português, das operações de lavagem de dinheiro sujo obtido em transações tenebrosas na estatal. Cabia a ele expatriar e trazer de volta o dinheiro quando os envolvidos precisassem.

• Entre as muitas outras histórias consideradas convincentes pelos investigadores e que ajudam a determinar a alta posição do doleiro no esquema — e, consequentemente, sua relevância pa­ra a investigação —, estão lembranças de discussões telefônicas entre Lula e Paulo Roberto Costa sobre a ampliação dos “serviços”, antes prestados apenas ao PP, também em benefício do PT e do PMDB.

• “O Vaccari está enterrado”, comentou um dos interrogadores, referindo-se ao que o do­leiro já narrou sobre sua parceria com o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto. O doleiro se comprometeu a mostrar documentos que comprovam pelo menos dois pagamentos a Vaccari. O dinheiro, desviado dos cofres da Petrobras, teria sido repassado a partir de transações simuladas entre clientes do banco clandestino de Youssef e uma empresa de fachada criada por Vaccari.

• O doleiro preso disse que as provas desses e de outros pagamentos estão guardadas em um arquivo com mais de 10 000 notas fiscais que serão apresentadas por ele como evidências. Nesse tesouro do crime organizado, segundo Youssef, está a prova de uma das revelações mais extraordinárias prometidas por ele, sobre a qual já falou aos investigadores: o número das contas secretas do PT que ele operava em nome do partido em paraísos fiscais. Youssef se comprometeu a dar à PF a localização, o número e os valores das operações que teria feito por instrução da cúpula do PT.

• Youssef dirá que um integrante da ­coor­denação da campanha presidencial do PT que ele conhecia pelo nome de “Felipe” lhe telefonou para marcar um encontro pessoal e adiantou o assunto: repatriar 20 milhões de reais que seriam usados na cam­panha presidencial de Dilma Rousseff. Depois de verificar a origem do telefonema, Youssef marcou o encontro que nunca se concretizou por ele ter se tornado hóspede da Polícia Federal em Curitiba.

 

Publicado aqui, no Blog do Noblat

 

 

Ponto final — Dilma e Aécio chegam ao último round sem nenhum nocaute

Ponto final

 

 

O último round (I)

Se alguém esperava um nocaute no debate de ontem da Globo entre os candidatos à presidência da República, que bateu todos os recordes de audiência, ele não houve. No máximo, uma vitória por pontos para Aécio Neves (PSDB), que se saiu melhor, sobretudo, nos dois blocos onde os presidenciáveis responderam às perguntas dos eleitores indecisos. Treinada para o embate direto com seu adversário, a presidente Dilma Rousseff (PT) acentuou suas conhecidas limitações retóricas na hora de improvisar, chegando a ter sua conjugação verbal corrigida ao vivo pela eleitora que tentava responder.

 

O último round (II)

Oito pontos percentuais atrás de Dilma pelo Ibope e seis, pelo Datafolha, nas pesquisas divulgadas (aqui) na quinta, mas 9,2 pontos à frente da presidente, no levantamento Sensus liberado ontem (aqui), Aécio abriu o debate ecoando as denúncias de Alberto Youssef, preso na operação Lava Jato. Segundo divulgou a revista Veja, o doleiro preso afirmou à Polícia Federal e ao Ministério Publico Federal que tanto Dilma, quanto Lula, sabiam do caso conhecido como “Petrolão” (aqui), que desviou R$ 10 bilhões da Petrobras para financiamento de partidos e campanhas, incluindo a de 2010, que elegeu a presidente.

 

O último round (III)

Dilma se defendeu atacando, lembrando do Mensalão Mineiro, ligado aos tucanos. E nessa ação e reação de pugilato os dois candidatos seguiram sempre que um perguntava ou respondia ao outro. O melhor momento de Dilma foi quando ela lembrou o programa fictício “meu banho, minha vida”, ironia do jornalista José Simão sobre a falta d’água em São Paulo, governado pelo tucano Geraldo Alckmin, reeleito no primeiro turno. Já Aécio, foi enfático ao repetir uma opinião compartilhada por parcela cada vez mais significativa dos brasileiros: “A maneira mais eficaz de combater a corrupção é tirar o PT do poder”.

 

O último round (IV)

Se o clima de luta de boxe tem imperado desde o início da campanha, considerada por muitos como a de nível mais baixo em toda a história da República do Brasil, o debate de ontem não foi exceção. Mas diferente de outras vezes, pelo menos, o medo de perder por um erro no último round fez com que ninguém batesse abaixo da linha da cintura. Sem nenhum nocaute e à parte qualquer opinião, inclusive a contrária à mudança de opinião, a decisão agora cabe apenas aos jurados: você e os demais 142.822.037 eleitores brasileiros. Boa sorte!

 

 

Publicado hoje na Folha

 

 

“O PT se perdeu quando Lula resolveu ser seu dono. Dilma é autoritária e não ouve ninguém”

Sandra Starling, fundadora do PT em Minas, ex-deputada pelo partido (foto de Cristiano Mariz)

Sandra Starling, fundadora do PT em Minas, ex-deputada federal e líder do partido no governo FHC (foto de Cristiano Mariz)

 

 

Por Cristina Jungblut

BELO HORIZONTE — Fundadora do PT e líder do partido na época do governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, a ex-deputada federal Sandra Starling anunciou que vai votar no candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, no próximo domingo. Aos 70 anos, a professora aposentada disse ao GLOBO que decidiu votar em Aécio diante do comportamento do governo Dilma de esconder dados, citando o caso do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que segurou a divulgação de dados sobre a superação da pobreza no país. A ex-petista disse que é um “voto crítico” e para mostrar sua indignação. Ela faz críticas ao PT, ao ex-presidente Lula e à presidente Dilma Rousseff.

Sandra autorizou a publicação na quarta-feira de um texto seu intitulado “Meu voto crítico em Aécio é um veto ao voto a Dilma” no blog Diário do Poder. Ontem, ela disse que saiu do PT em 2010 quando o ex-presidente Lula impôs o apoio do partido à candidatura de Hélio Costa (PMDB) ao governo de Minas Gerais. Sandra lembrou que concorreu ao governo de Minas em 1982 contra o avô de Aécio, Tancredo Neves. E contou que, no início do ano, chegou a ironizar a decisão de Aécio de ser candidato à Presidência.

 

Por que a senhora decidiu votar em Aécio Neves?

Estou muito indignada com a camuflagem de números que se passou a ver no governo Dilma. O caso do Ipea, que já deveria ter publicado os dados (sobre a miséria). Quem anda nas ruas está vendo que a coisa não está indo bem. Isso me remeteu a um tempo muito ruim, de quando era professora. Na época da ditadura, não se publicava a verdade. Fiquei muito indignada e, então, resolvi votar no Aécio, para mostrar essa indignação. Eu ia praticar a idiotia, que, em grego, significa não participar de política. Já tenho 70 anos e não iria votar. Estou querendo saber (dos números) do FAT, do FGTS.

 

A senhora foi fundadora do PT, líder do partido na Câmara. Como vê o PT hoje?

Com muito pesar, muita tristeza. Eu militei por 30 anos nele, antes mesmo da fundação. Tenho orgulho de ter sido candidata por ele em 1982 e disputei com o Tancredo Neves. Se quisesse me vingar, não votaria no neto dele. No debate, Tancredo me chamou de “professorinha” e disse: “Você tem uma inteligência perigosa” (risos). O PT se perdeu.

 

Quando o PT se perdeu?

Quando o Lula resolveu ser dono do PT. A partir do momento em que ele se arvorou a ser dono, escolheu a Dilma (candidata à Presidência). Em 2010, escolhemos o Pimentel (Fernando) para ser o candidato ao governo e, dias depois, era o Hélio Costa. Eu me desfiliei do PT em 2010. Fui líder do PT e combati o governo Fernando Henrique feito louca. Em 1996, combati a reeleição, sou contra a reeleição. Fico envergonhada de os petistas concorrerem à reeleição.

 

O que a senhora acha do governo da presidente Dilma Rousseff?

Péssimo. Dilma é autoritária e não ouve ninguém.

 

A senhora escreveu em seu artigo que dava um “voto crítico” a Aécio Neves e que ele lhe causa “medo”, sobre a possibilidade de aumento da exclusão social. Como é isso?

Dou um voto crítico. Não tenho nenhuma posição semelhante às do Aécio. Ele me causa medo, como ela também. Dilma escondeu qual a posição dela em relação às mulheres, aos casos de aborto que ocorreram recentemente. Não sabemos a posição de Aécio sobre a homofobia, e ele diz que vai continuar o programa Bolsa Família. Vou votar, mas dizendo que “estou de olho”.

 

Publicado aqui, na globo.com

 

 

Fundadora do PT em Minas: “Não vou me calar diante das mentiras de Dilma”

PT anos 80

 

Professora, advogada, fundadora do PT em Minas e ex-deputada federal pelo partido, Sandra Starling

Professora, advogada, fundadora do PT em Minas e ex-deputada federal pelo partido, Sandra Starling

Meu voto crítico em Aécio é um veto ao voto em Dilma

Por Sandra Starling

 

Sempre gostei de aprender.

E ontem aprendi com o deputado Marcelo Freixo, do PSOL, que resolveu, ao contrário de mim, dar um voto crítico em Dilma e um veto ao Aécio. Lembrei-me do tempo em que juntos lutamos (nós e o PSDB) contra o Collor e fizemos o abraço na Av. do Contorno e na campanha de vestir- se preto contra o presidente que sofreu o impeachment.

Vou fazer o contrário  do Freixo.. Quero ter a coragem de enfrentar esses 12 anos em que o PT se julgou a consciência política do Brasil e no qual fez e aconteceu como os demais, em tudo,  — para , afinal, me deter na censura ao Ipea porque o Ipea, órgão do próprio governo, não demonstrou o que todos os que pelejam para entender este país já percebiam: a desigualdade social não diminuiu a ponto de ser significante do ponto de visto estatístico — logo, na lógica da Dilma Rousseff, que se parece à de Delfim Netto na ditadura, deve-se esconder os dados que não são a favor do partido que nos agrada.

Não compactuo com esse tipo de método.

Fiz uma oposição consciente e determinada ao governo de FHC, quando fui líder do PT na Câmara dos Deputados. O resto de minha história não tem a menor importância. Ia, inclusive, usar meu direito de ser “idiota”— como diziam os atenienses e deixar de votar. Mas não vou me abster.

Vou votar no Aécio, com todo o medo que ele me causa de que venha a aumentar o peso da exclusão sobre os trabalhadores, as mulheres, os homossexuais, aqueles excluídos enfim — mas não vou me calar diante das mentiras que a Dilma vem assumindo.

Qualquer que seja o resultado, para mim, terei cumprido meu dever de brasileira: arrisquei a perder ou a ganhar — para os outros que sofrem, não para mim, porque nada tenho a perder.

Bom voto a todos no domingo.

 

Publicado aqui, em 22/10, no blog Diário do Poder

 

 

Você vota em Dilma ou Aécio? Por quê?

Luciano D’ÂngeloMeu voto é para reeleger a presidente Dilma Rousseff. Vou votar em Dilma porque o Brasil precisa continuar mudando na mesma direção desses últimos 12 anos. Só o fato da recente saída do Brasil do mapa da fome, retirando muitos milhões de brasileiros da extrema pobreza por si só já justificaria o meu voto. No entanto, um outro conjunto de políticas públicas sociais tendo como tema central uma forte distribuição de renda configurando uma correta forma de diminuir a enorme desigualdade social que ainda existe no país, reafirma minha convicção eleitoral.

Como educador me anima muito constatar crescentes e fortes investimentos nos governos Lula e Dilma na educação, como as centenas de escolas técnicas (IFF’s), universidades federais, o Prouni, Pronatec, Fies, Ciências sem Fronteiras, etc. É preciso avançar muito mais, daí que o Plano Nacional de Educação, aprovado no governo Dilma tendo como garantia de execução os volumosos recursos do Pré-Sal, fará a verdadeira revolução que libertará os menos favorecidos deste país, que  ainda são muitos. Dilma fará isto!

(Luciano D’Ângelo, professor, ex-diretor da antiga Escola Técnica Federal, atual IFF, e petista histórico de Campos)

 

José Geraldo1O  PT, nesses 12 anos de governo, privatizou mais o patrimônio do povo que toda a história anterior. Vendeu o Pré-Sal por 50 bi e tapou buraco nas contas do governo; leiloou a telefonia móvel, arrasou a  Petrobras; não investiu na infraestrutura nacional (portos, ferrovias, rodovias, aeroportos, geração de energia elétrica e etc), estagnou o crescimento, aumentou a dívida pública interna, perdeu-se na gestão da moralidade e do país, linearizou os programas de benefícios sociais, aumentou o custo Brasil. Por isso não voto no PT.

Penso que precisamos de um presidente que seja firme, com autoridade moral de bom governante, como foi em Minas, para poder implementar as medidas necessárias na sua gestão, que saiba o que quer e pode fazer, que possa inspirar confiança na comunidade internacional que já está olhando o Brasil de lado, que tenha fundamentos econômicos  para conter a inflação que se avizinha, que permita ao país voltar a crescer a avançar nas conquistas sociais.  Por isso eu voto no Aécio.

(José Geraldo, engenheiro, empresário e ex-candidato a prefeito de Campos pelo PRP)

 

Aristides SoffiatiNa década de 1930, Getúlio Vargas começou a cavar um buraco aprofundado por todos os seus sucessores. Juscelino pegou forte na pá. Os militares discordaram de Jango, mas não do buraco. Com a chamada redemocratização, todos os candidatos e governantes continuaram a cavar. O buraco se chama crescimento econômico a qualquer custo. Os cavadores são prisioneiros do buraco e acreditam nele. Sei que é muito difícil parar de cavar, mas alguém tem de dizer quais são os riscos do buraco para o Brasil e o mundo. Marina Silva foi a única candidata com possibilidades de ganhar a ter este discernimento. Por isso, votei nela duas vezes e agora ela aceita alianças políticas buraqueiras. Dilma foi vítimas dos militares politicamente, mas concorda com eles quanto ao buraco. Votei sempre com medo do retrocesso. Agora chega. Acho que o Brasil tem instituições que barram o retrocesso. Venci o medo e não apoio cavadores de covas. Voto nulo.

(Aristides Soffiati, professor, historiador, escritor e ambientalista)

 

 

 

Ponto final — O que as pesquisas projetam (e não) para as eleições de domingo

Ponto final

 

 

Eleições definidas?

Pelas últimas pesquisas Datafolha e Ibope divulgadas ontem, as eleições de domingo para presidente da República e governador do Rio, estão praticamente definidas; ou quase. No último pleito, a diferença entre Luiz Fernando Pezão (PMDB) e Marcelo Crivella (PRB) é de exatos 10 pontos percentuais: 55% a 45% das intenções de votos válidos nas duas consultas. Já para presidente, Dilma Rousseff (PT) apareceu pela primeira vez no segundo turno liderando além da margem de erro sobre Aécio Neves (PSDB): 54% a 46% pelo Ibope e 53% a 47%, no Datafolha.

 

Crivella diminui diferenças

Com dois dígitos atrás nas pesquisas, a única notícia boa para Crivella é que sua diferença para Pezão já foi maior. Tanto na última consulta Ibope, divulgada no dia 20, quanto Datafolha, liberada no dia 16, o atual governador tinha 56% a 44% dos votos válidos. A diferença sobre seu adversário, portanto, caiu dois pontos, passando de 12 aos 10 atuais. Ademais, comparadas as duas últimas amostragens Datafolha, enquanto a rejeição a Pezão se manteve em 36%, a de Crivella caiu um ponto, de 43% para 42%.

 

Testemunho de fé

Todavia, tanto a queda de dois pontos em sua diferença nos votos válidos para Pezão, quanto a de um ponto na própria rejeição, ficam dentro da margem de erro dos dois institutos. Em outras palavras, podem nem existir. Mas com o mesmo fervor que os fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) gritam em seus cultos, os eleitores do sobrinho de Edir Macedo vão chegar até domingo proclamando testemunhos do fato de que Ibope e Datafolha erraram para menos a votação de Crivella no primeiro turno.

 

Pezão mais prejudicado

Na última consulta Ibope antes das urnas de 5 de outubro, divulgada em 30 de setembro, Crivella tinha 16%. Já na Datafolha de 2 de outubro, apareceu com 17%. Concluído o primeiro turno, no entanto, ele obteve 20,26% dos votos válidos. Mas se a diferença ficou na margem de erro, os dois institutos também erraram fora dela ao subestimarem a votação de Pezão, que teve 40,57%, enquanto o Ibope projetou-lhe 31% e o Datafolha, 30%. Ou seja, o governador teve quase dois dígitos de motivos para se queixar das pesquisas, mas como as lidera com folga, não precisa apelar ao choro prévio de perdedor.

 

Choro de perdedor?

Quem tem apelado ao mesmo recurso lacrimogêneo de Crivella, desde que foi ultrapassado pela primeira vez por Dilma nas pesquisas, é Aécio Neves. Ele questionou a metodologia do Datafolha, desde a amostragem divulgada no dia 20, que deu a presidente liderando no empate técnico de 52% a 48%, resultado repetido pelo mesmo instituto dois dias depois. Só que agora, além do tucano, também a margem de erro foi deixada para trás por Dilma, que abriu um diferença de oito pontos percentuais no Ibope e seis, no Datafolha.

 

Esperança de Aécio

Além de ser uma diferença menor do que aquela que separa Crivella de Pezão, Aécio tem outra vantagem na comparação com Dilma: ele fez no primeiro turno uma votação muito superior às projeções Ibope e Datafolha. Enquanto o primeiro deu-lhe 26% e o segundo, 27% dos votos válidos, em pesquisas divulgadas em 3 de outubro, dois dias antes do pleito em que o tucano teve 33,55%. Ou seja, sua votação foi superior à margem de erro dos dois institutos, como se mostra a atual liderança de Dilma, nesta mesma diferença de dois dias até as urnas.

 

Até quando?

Contra Aécio, além da ultrapassagem sobre Dilma na rejeição, no Ibope (42% a 36%) e Datafolha (41% a 37%), é o fato de que os dois institutos podem errar nos números, mas raramente nas tendências. E nem o tucano mais apaixonado discordará que a tendência de seu candidato é descendente, direção oposta à da presidente. Essa inversão petista na reta final pode até ser fruto da campanha eleitoral mais sórdida nestes 125 anos de história da República do Brasil, mas tudo indica que está sendo bem sucedida. Nos limites cada vez mais tênues da nossa democracia, só resta saber até quando.

 

Publicado hoje na Folha

 

 

Independente das urnas de domingo, como reunificar um país dividido e envenenado?

Militantes de Dilma e Aécio se enfrentaram fisicamente hoje  em São Paulo, diante ao teatro Municipal (foto de Michel Filho - Agência o Globo)

Militantes de Dilma e Aécio se enfrentaram fisicamente hoje nas ruas do Centro de São Paulo, diante ao Theatro Municipal (foto de Michel Filho – Agência o Globo)

 

 

 

Jornalista Cora Rónai

Jornalista Cora Rónai

Democracia, a palavra mágica

Por Cora Rónai

 

Amigos petistas (sim, ainda tenho alguns) dizem que votam no PT por causa das suas políticas sociais. É um bom argumento: não há pessoa com um mínimo de sensibilidade e compaixão que possa ser contra políticas de inclusão social, especialmente num país tão desigual quanto o nosso.

A questão é que ele parte do princípio de que o PT detém o monopólio das boas intenções sociais, e aí entramos na área da desqualificação do adversário, da qual o partido tanto entende. Que eu me lembre, em momento algum Aécio ou o PSDB afirmaram que pretendem mudar o que, a duras penas, já se conquistou; mas a propaganda do PT insiste nisso e pronto, basta a palavra do marqueteiro João Santana para transformar o que jamais foi dito em verdade sacramentada.

Outro problema com esse argumento é que, por melhores que sejam as intenções sociais de quem quer que seja, elas não existem fora de um contexto mais amplo. Sem dinheiro não se faz nada, nem bom ensino, nem boa saúde, nem distribuição de renda. Simplesmente não há política social que consiga se manter, a médio ou longo prazo, diante de uma economia desastrosa como a do governo Dilma.

Eu até poderia dizer, parafraseando os meus amigos petistas, que não voto no PT justamente porque prezo as conquistas sociais do país, e não quero que elas desapareçam levadas por uma política econômica que vai de mal a pior.

Mas não é só isso.

Entre outros incontáveis motivos, não voto no PT porque tenho vergonha do papel que o meu país está fazendo no cenário internacional, abraçando ditaduras obsoletas, financiando tiranos e dando apoio a terroristas.

Ao contrário de tanta gente que prestigia o partido, eu não acho que democracia seja essencial para nós, brasileiros, mas desnecessária para iranianos, cubanos ou venezuelanos. Eu quero que todo mundo tenha as mesmas prerrogativas que eu tenho, quero que todas as pessoas do mundo possam viver e respirar em ambientes de liberdade, dizendo o que têm vontade de dizer sem risco de ir para a cadeia no dia seguinte.

Eu quero ouvir a voz do meu país denunciando ditaduras, e não compactuando com elas.

Passei vários anos da minha vida brigando por liberdade no Brasil e pedindo uma imprensa livre. Na minha cabeça, não faz o menor sentido votar, agora, num governo que apoia regimes que perseguem seus cidadãos por crimes de opinião — e que, vira e mexe, fala em “democratizar” a mídia.

Eu vi esse filme há muito, muito tempo, e não gostei.

__________________________________________

O país está dividido e envenenado; as redes sociais, por tabela, também estão. Frequento a internet desde sempre e nunca vi tanto rancor, tanta grosseria, tanta agressividade. Postei uma primeira versão deste texto no Facebook. Mesmo sabendo como andam as coisas, fiquei impressionada — ou “estarrecida”, para usar uma palavra da moda — com o nível de ódio da militância.

De ontem para hoje, não tenho feito outra coisa a não ser capinar a área de comentários, subitamente invadida por pessoas que não são minhas amigas, não têm conhecidos em comum comigo, não seguem a minha página e jamais apareceram sequer para dar like numa foto de gato — e agora vêm, cheias de fúria, dirigir ofensas a mim e aos que concordam comigo.

Esse comportamento antidemocrático está acontecendo dos dois lados.

Espero que o próximo presidente, seja quem for, tenha a humildade de reconhecer o quanto é rejeitado, ou rejeitada, pela metade da nação — e dedique-se, com afinco, à sua reunificação.

 

Publicado aqui, na globo.com

 

Brasil dividido

 

 

 

Você vota em Aécio ou Dilma? Por quê?

Murillo DieguezVoto em Aécio por três motivos. O primeiro é a conquista do Plano Real. Eu e meu irmão passamos o cão na época da inflação alta. Mas não é só a inflação. A gestão FHC  foi transformadora sobre todos os aspectos, inclusive no social. Dona Ruth Cardoso era uma das mais  preparadas sociólogas do país. O Serra na Saúde foi transformador, e até hoje é considerado o melhor ministro da Saúde de todos os tempos. Enfim: a gestão do PSDB, considerando as circunstâncias, foi a melhor. A segunda, é que vou a  Minas Gerais com freqüência e pude ver o grande governo que Aécio fez lá. Na educação, Minas é o estado com melhor desempenho no país. Aécio sabe montar equipe. O terceiro é que acho fundamental  a alternância de poder. Mesmo aprovando o governo FHC, votei no Lula. Por tudo isso agora vou de Aécio.

(Murillo Dieguez, empresário e colunista)

 

 

Cilênio TavaresBem, é a primeira vez que torno meu voto público. E a opção por Dilma Rousseff é pautada pela falta de um candidato melhor ou “menos pior” no segundo turno. Mas, no todo, o que pesou: programa habitacional que melhorou o acesso aos financiamentos, com prestações em ordem decrescente; ProUni; abertura de mais escolas de ensino técnico; postura menos subserviente ao FMI e seus pares; taxa de juros menos alta, quando o governo do adversário encerrou com taxa Selic beirando aos 26%; melhora na distribuição de renda, embora ainda tímida; reajuste anual ainda ínfimo da tabela do IR, congelada por dez anos nos governos Itamar Franco e FHC; aumento do respeito ao país no exterior; avanço nas exportações; manutenção das leis trabalhistas…

Nos pontos negativos, os dois se equiparam. Se hoje se tem o “mensalão” e o “petrolão”, manchando a biografia do PT, que tinha, sim, discurso pela moralidade quando estava na oposição, não dá para tirar da memória os escândalos do período tucano, com a compra de votos pela emenda da reeleição, caso Sivam, entre outros que não caberiam neste espaço. E aí, podem perguntar: um erro justifica o outro? Claro que não. E triste é saber que, ganhe quem ganhar, quem vai continuar governando o país é o PMDB. Mas, como disse no começo, o voto é no “menos pior”. Para não votar nulo.

Cilênio Tavares (jornalista e blogueiro)