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Por que Chicão e Mauro sempre foram os candidatos rosáceos

Ponto final

 

 

Sem novidade

Para quem lê diariamente esta coluna e este jornal, não há novidade: Dr. Chicão Oliveira (PR) será o candidato a prefeito, tendo Mauro Silva (PSDB) como vice, na chapa governista à sucessão de Rosinha Garotinho (PR). Quanto a Chicão, desde que a Folha encomendou e divulgou a última pesquisa eleitoral de Campos registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), feita pelo instituto Pro4 entre 8 e 10 de junho, foi revelado o que só os rosáceos sabiam, através de pesquisas internas e não registradas: o vice-prefeito é o único capaz de se igualar (aqui), dentro da margem de erro, aos pré-candidatos da oposição líderes na intenção de votos.

 

Nada mudou

Na primeira divulgação da pesquisa Pro4, em 11 de junho, o blog “Opiniões”, hospedado na Folha Online, anunciou (aqui) o que estamparia sua capa no domingo do dia seguinte: “Caio, Tadeu, Rafael e Chicão em empate técnico pela Prefeitura”. Se Tadeu (PRB) foi retirado (aqui) do páreo, num movimento por cima do PR, só outra pesquisa será capaz de avaliar como o eleitor encarou o fato de Arnaldo Vianna (PEN) ter apoiado (aqui, aqui e aqui) Geraldo Pudim (PMDB) a prefeito, deixando o próprio filho, Caio (PDT), órfão. O que não mudou antes ou agora, é o que a manchete da Folha noticiou (aqui) desde 19 de junho: “Chicão bem na frente para ser o candidato dos Garotinho”.

 

Martelo batido desde junho

Sem coincidência, na noite de 27 de junho, um dia depois da Folha divulgar (aqui) a última parte da pesquisa Pro4, tratando justamente das dificuldades que qualquer candidato rosáceo terá para se eleger prefeito, uma reunião governista varou a madrugada seguinte. Revelado (aqui) nesta coluna, o encontro foi assim narrado, em 29 de junho: “o martelo aparentemente foi batido: vice-prefeito de Campos nos últimos sete anos e meio, Dr. Chicão Oliveira (PR) deve ser mesmo o candidato governista à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR)”.

 

Reação com aspas

Bem verdade que um movimento interno de reação contra Chicão chegou a acontecer, vindo a público (aqui) em 6 de julho, também pelo “Ponto Final”. Liderado pelo presidente da Câmara Municipal, Edson Batista (PTB), primeiro prefeitável governista a (aqui) pular fora, a iniciativa veio na forma de uma lista assinada pelos edis governistas, no sentido de “exigir” que o candidato a prefeito fosse um vereador do PR. E quem não crê nas necessidades das aspas na “exigência”, só pode ser por desconhecer quem determina as ações de Edson Batista.

 

Para os edis verem

Na verdade, o candidato rosáceo nunca deixou de ser Chicão. A simulação da reação em nome dos vereadores governistas só existiu para dar a estes a ilusão de que importam algo além do controle da próxima Câmara, sobretudo se a oposição virar governo. E o fato do candidato nunca ter deixado de ser Chicão só prova o quanto sua popularidade (aqui) importa numa eleição a prefeito que promete ser a mais disputada de Campos, desde 2004.

 

TV e teatro

Quanto ao vereador tucano Mauro Silva, quando ele chegou a ser considerado (aqui e aqui) peça fora do jogo do Executivo, aqui se afirmou o contrário, na mesma coluna de 6 de julho, com a devida ressalva: “é real a possibilidade dos tucanos ficarem com a vice na chapa governista, por motivos de tempo de propaganda pouco desprezíveis e também externados no ‘Ponto Final’ de ontem”. É que, desde dia anterior (05), esta coluna já tinha antecipado (aqui) que o tempo de propaganda generoso do PSDB definiria a vaga de vice em favor de Mauro, numa suposta disputa com Edson (PTB) — preso ao teatro que mandaram encenar.

 

Sem coincidências

Descortinada a realidade, pelo menos para quem não a espiou antes pelas frestas ofertadas nesta coluna, o fato é que o governo fez uma boa escolha, talvez a melhor entre as alternativas de que dispunha. Bem verdade que foi empurrado a ela pela necessidade, não vontade. Ademais, o fato de ser a primeira vez, em 27 anos, que o grupo dominante da cidade se faz representar por uma chapa sem nenhum nome ligado à periferia, indica outra coisa: nas 98ª e 99ª Zonas Eleitorais (ZEs), na chamada “pedra”, o governo está ainda mais fraco do que sempre foi. Talvez não por coincidência, são onde a Folha e seu “Ponto Final” são mais lidos.

 

Publicado hoje (28) na Folha da Manhã

 

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Caciques do PMDB no Rio aprovam a aliança entre Pudim e Arnaldo

Assuer Junior, Edson Albertassi, Geraldo Pudim, Jorge Picciani, Arnaldo Vianna, Edilene Silva e André Lazaroni (foto: divulgação)

Assuer Junior, Edson Albertassi, Geraldo Pudim, Jorge Picciani, Arnaldo Vianna, Edilene Silva e André Lazaroni (foto: divulgação)

 

Durou de 10h da manhã às 14h de hoje o encontro do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PEN) e o deputado estadual Geraldo Pudim (PMDB), para selar com os caciques do PMDB a aliança à sucessão de Rosinha Garotinho (PR) em Campos. No gabinete administrativo da presidência da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), no prédio da Alfândega, no Centro do Rio de Janeiro, Pudim, Arnaldo e a atual esposa deste, Edilene Silva (PEN), se reuniram com o presidente da Alerj e do PMDB, Jorge Picciani, além dos também deputados estaduais André Lazaroni, presidente da bancada do PMDB, e Edson Albertassi (PMDB), líder do governo.

Pela parte do PEN, além de Arnaldo e Edilene, quem esteve presente foi o presidente do partido em Campos, o lobista Assuer Junior. Noticiada aqui em primeira mão neste “Opiniões”, a aliança entre Arnaldo e Pudim foi tema explorado com incomum interesse pela coluna da jornalista Berenice Seara, na edição de hoje do jornal carioca Extra, como o jornalista Alexandre Bastos registrou aqui. Foi Bastos que também adiantou aqui a possibilidade da composição ser formada numa chapa encabeçada por Pudim, tendo Edilene na vice, pela impossibilidade jurídica de Arnaldo se lançar candidato.

 

Atualização às 19h19: Para colocação de foto e divulgação, abaixo, da nota oficial do encontro, enviada pela assessoria do PMDB, publicada antes aqui, no Blog do Bastos:

 

O PMDB-Campos selou na manhã desta quarta-feira (27) aliança com o ex-prefeito Arnaldo Vianna (PEN) para as eleições municipais de 2016. A agremiação há muito vem conversando com diversas lideranças partidárias a fim de aglutinar projetos que sejam alternativas à atual gestão do município.

O pré-candidato do PMDB, Geraldo Pudim, se reuniu no Rio de Janeiro com ex-prefeito Arnaldo Vianna para formalizar a aliança, com as presenças do presidente da Alerj e estadual do PMDB, Jorge Picciani; o líder do PMDB na Alerj, deputado André Lazaroni (PMDB); o líder do governo na Alerj; deputado Edson Albertassi (PMDB); o Presidente do PEN-Campos, Assuer Júnior; e Edilene Vianna (PEN), esposa de Arnaldo Vianna.

“Todo nosso processo de negociação se deu através da conjugação de plataformas. Discutimos bastante ponto-a-ponto o projeto do PMDB para Campos, bem como as alternativas a nós apresentadas. Posto isso avançamos para uma aliança político-eleitoral que, se consolidada nas urnas, se desdobrará em uma governança de coalizão. Arnaldo Vianna é um grande médico e político qualificado, que emprestará sua vasta experiência ao projeto. Do ponto de vista pessoal foi muito bom retomar as conversas com doutor Arnaldo, pois sempre tive grande carinho e apreço por sua pessoa, independentemente dos momentos políticos que vivemos. Arnaldo tem visão política e serenidade, características necessárias a qualquer um que queira contribuir na gestão do município”, afirmou o presidente do municipal da agremiação e pré-candidato à prefeitura, Geraldo Pudim (PMDB).

Para Arnado Vianna a saída para Campos está na união. “Ao longo dos anos Pudim adquiriu experiência como vice-prefeito, secretário, subsecretário de estado, deputado estadual e federal, ou seja, transitou em todas as esferas da administração pública tornando-se a melhor opção para Campos. Uma cidade com graves problemas na saúde, educação, transporte e com uma dívida imensa, precisa de um choque de gestão. Somente com muita experiência administrativa será possível retomar as rédeas da cidade a fazê-la voltar a crescer. Com a certeza que nesse momento Campos precisa de uma união de esforços para fazê-la voltar a sorrir e por tudo que estamos passando nesse momento, anuncio o meu apoio à candidatura de Geraldo Pudim, um companheiro de longa data, de várias jornadas. Vencemos juntos a eleição de 2000. Como meu vice-prefeito, foi leal quando estive doente entre a vida e a morte num leito de hospital. Quis o destino que estivéssemos durante um tempo em lados opostos na política, faz parte da vida pública, mas tenho certeza que sempre compartilhamos do mesmo pensamento, de fazer política para os que mais precisam”, afirmou o ex-prefeito.

Para o presidente estadual do PMDB, Jorge Picciani que já em 2015 convidou Pudim para retornar ao partido na condição de ser o candidato à Prefeitura de Campos, ele está preparado para o desafio. “Quem conhece o deputado Pudim, confia. É o caso do Doutor Arnaldo Viana, de quem Pudim foi vice e que agora, dá seu apoio a ele e a própria esposa para compor a vice na chapa. Eu só tive oportunidade de conhecê-lo melhor nesses dois anos que estamos juntos na Alerj; Eu, como presidente, ele, como primeiro-secretário. Descobri nele um homem público que cuida das pessoas e ao mesmo tempo um gestor competente. Daí o convite para o ingresso no PMDB e a candidatura em Campos”.

A convenção do PMDB em Campos será realizada na próxima sexta-feira (29), a partir das 18 horas, no Automóvel Clube Fluminense, com a presença de diversas lideranças políticas locais e de todo o estado, assim como do ex-prefeito de Campos, Arnaldo Vianna.

 

Atualização às 19h28: A primeira a divulgar aqui a foto do encontro foi a jornalista Suzy Monteiro, em seu blog “Na curva do rio”

 

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Bruno não entra, mas analisa disputa à Prefeitura de SJB

O deputado estadual Bruno Dauaire (PR) não vai se candidatar a prefeito de São João da Barra. Apesar de ter sido convidado a fazê-lo pelo próprio presidente da Assembleia Estadual do Estado do Rio de Janeiro, Jorge Picciani (PMDB), como revelou (aqui) a coluna “Ponto Final” do último sábado (23), o jovem parlamentar seguiu o exemplo de seu pai, o ex-prefeito sanjoanense Betinho Dauaire (PR), que também chegou a ser sondado (aqui) e declinou da possibilidade de ser vice de Neco (PMDB), na tentativa de reeleição do atual prefeito do município.

A proposta feita por Picciani a Bruno, segundo o “Ponto Final”, também envolveria a saída do segundo do PR ao PMDB, depois que disputasse a Prefeitura de São João da Barra. Dauaire, no entanto, negou sua intenção de sair do PR e reafirmou seu compromisso com Wladimir Garotinho (PR), a quem deve sua eleição em 2014:

— Wladimir soube do convite de Picciani antes mesmo que a Folha noticiasse. Eu mesmo lhe contei. Temos já acordada nossa dobrada em 2018. Ter ele abrindo portas como candidato a deputado federal vai facilitar ainda mais minha eleição na Alerj.

A confiança não se mostra vã, pois em conversas de bastidores, Wladimir confirma o acordo com o deputado estadual e sua intenção em honrá-lo. Neste pensamento, Bruno tem trabalhado para tentar pulverizar sua atuação pelo Norte e Noroeste Fluminense, o que também foi um fator para não querer se prender agora num esforço concentrado em São João da Barra:

— Ser prefeito seria uma honra, mas se aceitasse teria muito pouco tempo para me construir candidato. Pelo menos por enquanto, prefiro trabalhar para alargar minha atuação em todo o Estado. O PR em São João passa pelo vereador Franquis (antigo aliado dos Dauaire), mas ele tem que se decidir. Temos que saber também se Carla (Machado, PP) vai poder ser candidata. Ela deve ter suas contas julgadas na quinta (amanhã, 28) no TCE (Tribunal de Contas do Estado), que emite sua lista até 4 de agosto. Se ela não puder concorrer, seu grupo deve rachar, com (o presidente da Câmara Municipal) Aloisio Siqueira (PP) se lançando a prefeito, assim como também o vice-prefeito Alexandre Rosa (PRB) ou o primo de Carla, vereador Ronaldo da Saúde (Pros).

 

Página 5 da edição de hoje (27) da Folha da Manhã

Página 5 da edição de hoje (27) da Folha da Manhã

 

Publicado hoje (27) na Folha da Manhã

 

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Bruno não virá a prefeito de SJB, mas analisa quem pode vir

Bruno Dauaire na Alerj (foto: divulgação)

Bruno Dauaire na Alerj (foto: divulgação)

 

 

Apesar do convite (aqui) do presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani (PMDB), o também deputado estadual Bruno Dauaire (PR) não vai se candidatar a prefeito de São João da Barra (SJB). Ele confia na sua aliança com Wladimir Garotinho para se reeleger na Alerj, ajudando seu principal cabo eleitoral em 2014 a se eleger à Câmara Federal, numa dobrada em 2018.

Quanto a 2016, Bruno ressalvou que os caminhos do PR em SJB passam pelo vereador Franquis, de quem cobrou uma decisão. Sobre a pré-candidatura da ex-prefeita Carla Machado (PP), ele disse que tudo depende do seu julgamento no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Se ela não puder ser candidata, o deputado aposta num racha entre os carlistas, com o presidente da Câmara Aluizio Siqueira se lançando a prefeito, assim como o vice-prefeito Alexandre Rosa (PRB) ou o vereador Ronaldo da Saúde (Pros), primo de Carla.

 

Confira a matéria completa na edição de amanhã (27) da Folha da Manhã

 

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Bacellar: “Arnaldo estava certo ao dizer que deixou sua melhor parte no PDT”

Quem buscou este “Opiniões” para se manifestar sobre a confirmação (aqui) da aliança entre o PMDB do deputado estadual Geraldo Pudim e o PEN do ex-prefeito Arnaldo Vianna, foi um ex-aliado deste, o ex-presidente da Câmara Municipal Marcos Bacellar (PDT). Hoje considerado um dos homens fortes da candidatura da pré-candidatura a prefeito de Caio Vianna (PDT), filho de Arnaldo, o ex-vereador se manifestou sobre essa delicada questão envolvendo família e disputa de poder.

A pedido do blog, Bacellar conteve um pouco o conhecido estilo agressivo, mas nem por isso deixou de ser contundente. Confira abaixo:

 

Marcos Barcellar (reprodução de Facebook)

Marcos Barcellar (reprodução de Facebook)

 

“O ex-prefeito Arnaldo Vianna tem o carinho de boa parte da população de Campos e seu governo foi aprovado por quase 90% dos campistas. Porém, se como prefeito Arnaldo foi bom, como articulador ele errou muito nos últimos anos. Disputou eleições inelegível, não soube costurar alianças, nem se posicionou como opositor ao desgoverno Rosinha em momentos delicados.

“Agora, quando o seu filho Caio Vianna desponta muito bem e consegue articular alianças importantes para o futuro de Campos, aparecendo em primeiro nas pesquisas, Arnaldo resolve apoiar Pudim, que até pouco tempo fazia parte do grupo governista.

“Tenho muitas coisas para falar sobre essa senhora do PEN que pretende ser candidata a vice-prefeita, mas acho que é melhor a população conhecer e constatar. Assim como é melhor a população conhecer Caio e reconhecer que Arnaldo estava certo quando disse que  deixou a melhor parte dele no PDT”.

 

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Pudim confirma aliança do PMDB com o PEN de Arnaldo à sucessão de Rosinha

Ex-companheiros na chapa vencedora da eleição municipal de 2000, Arnaldo e Pudim conversam no Rio (montagem: L. Gomes)

Ex-companheiros na chapa vencedora da eleição municipal de 2000, Arnaldo e Pudim conversam no Rio (montagem: L. Gomes)

 

 

Aparentemente, está mesmo confirmado: PMDB e PEN caminharão juntos na sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR). Segundo informou agora, do Rio, o deputado estadual e pré-candidato a prefeito Geraldo Pudim (PMDB), ainda não está definida a composição da chapa. Na prática, como o popular ex-prefeito Arnaldo Vianna (PEN) não deve mais uma vez ter condições legais de concorrer, é quase certo que Pudim será o cabeça de chapa. Na vice, como o jornalista Alexandre Bastos adiantou aqui, deve mesmo ficar Edilene Silva, atual esposa de Arnaldo.

A reunião entre Pudim e Arnaldo, ontem (25), no Rio, foi divulgada em primeira mão aqui, neste “Opiniões”. Ela ocorreu na casa de Paulo Moraes, que integra a executiva nacional do PEN, ao mesmo tempo em que é pai de André Lazaroni, presidente da bancada do PMDB na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), da qual Pudim faz parte.

Mas se pai e filho, no caso de Paulo e André, fizeram a ponte para unir PMDB e PEN nas eleições municipais de Campos, isso em contrapartida ajudou a separar outro filho do seu pai. Pré-candidato a prefeito de Campos pelo PDT, depois de costurar para ter (aqui) o vereador Gil Vianna (PSB) como seu vice, Caio Vianna parece ter perdido seu apoio mais importante, tanto em nível simbólico, quanto de voto: seu pai.

Se sua atual esposa Edilene for confirmada como vice de Pudim, tudo indica que Arnaldo marchará ao lado dos dois e contra o próprio filho em outubro. A formalização da aliança está prevista para acontecer amanhã (27), no Rio.

 

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População quer Chicão, Rosinha e vereadores querem Hirano

Ponto final

 

 

Hirano e Ricardo, Chicão e Bastos

Não há novidade em dizer que os únicos pré-candidatos governistas com chances de disputar a sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) são o vice-prefeito Dr. Chicão Oliveira (PR) e o vereador Paulo Hirano (PR). Este “Ponto Final” adiantou isso (aqui), publicamente, desde 14 de junho. Tampouco há nada de novo em reconhecer Ricardo André Vasconcelos, que trabalhou por anos na Folha, e Alexandre Bastos, que há muitos trabalha, inclusive eventualmente nesta coluna, como dois dos jornalistas políticos mais bem informados e talentosos de Campos.

 

Edson e Mauro pela vice

Após um longo hiato — para seus leitores —, Ricardo voltou à lida blogueira (aqui) no último domingo (24) para apostar suas fichas na chapa rosácea encabeçada por Hirano, com Edson Batista (PTB) de vice. Por sua vez, Bastos revelou (aqui) ontem (25) em seu blog que o critério da pesquisa, que teria sido definido para a escolha do candidato governista, deu Chicão na cabeça, apostando em Edson e no vereador Mauro Silva (PSDB) na briga pela vice — disputa que esta coluna também havia adiantado (aqui) desde o último dia 6, há exatos 20 dias.

 

Desde que Tô Contigo tava no páreo

Quem lê este jornal, não precisou de pesquisa interna para saber que Chicão é a mais popular opção governista. Desde 12 de junho, a Folha encomendou e publicou (aqui) pesquisa do instituto Pro4, feita entre 8 e 10 daquele mês, com 620 pessoas das sete zonas eleitorais de Campos, dando conta de que o vice-prefeito era o único nome governista capaz de empatar tecnicamente, no limite da margem de erro, com os líderes da oposição: Caio Vianna (PDT), o vereador Rafael Diniz (PPS), além do ex-prefeitável e hoje só vereador Tadeu Tô Contigo, quando este ainda não tinha sido subtraído do jogo (aqui) pelo marido e secretário de Governo de Rosinha.

 

Veterano teme Neném e Rangel

Na já citada edição 6 de julho desta coluna, foi aqui onde também primeiro se noticiou que, numa reação interna à popularidade de Chicão, Edson Batista correu uma lista na Câmara Municipal, entre os vereadores governistas, para impor um vereador do PR como candidato a prefeito, em claro movimento (aqui) para favorecer Hirano. Daí, Ricardo André não estar errado ao afirmar que, se for Hirano, Edson aumenta sua chance de ser vice. Até porque o veterano político sabe que sua reeleição para vereador é extremamente difícil no PTB. É o mesmo partido pelo qual também tentarão se reeleger os populares (e mais jovens) edis Neném e Jorge Rangel.

 

Passividade tucana

Com Chicão de cabeça, sobem as chances de Mauro ser vice. Mas se não for, como reagirá o PSDB local? Vai só “ladrar”, como o presidente municipal da legenda, Robson Colla, ao publicar (aqui e aqui) em sua timeline do Facebook, no último sábado (23), um vídeo de Rafael — cujo pai, Sérgio Diniz (1942/2012), foi fundador e vereador do PSDB? Vai “morder” e lançar candidatura própria, como o próprio Colla já ameaçou fazer (aqui) ele próprio, posando em foto ao lado do senador Aécio Neves? Ou vai “enfiar o rabo” entre as pernas, como tem sido a praxe tucana desde outros presidentes, quando ajudaram os rosáceos a reassumir o controle do município, em 2008?

 

Só de brincadeira

Se não se discute que Chicão é a mais popular opção governista, é igualmente fato que Hirano não é o candidato apenas de Edson e vereadores, mas também de Rosinha. Diferente do povo e da prefeita, o marido desta confidenciou ter uma terceira preferência: brincar de “iô-iô”. Mas preferido só pelo líder do grupo e da rejeição entre os campistas, é pré-candidatura ao fracasso. Não por outro motivo, ao ser indagado ontem (25) por Hirano, sobre qual candidato rosáceo a oposição preferia enfrentar, o vereador Marcão (Rede) escolheu quem ele mesmo apelidou, carinhosamente, no convívio esporádico da Câmara: “Lógico que queríamos o ‘Iô-Iô’!”

 

Publicado hoje (27) na Folha da Manhã

 

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Carol Poesia — Ficou noiva sem saber por que

Anna Paquin e Holly Hunter no filme “O piano” (1993), dirigido por Jane Campion (foto: reprodução)

Anna Paquin e Holly Hunter no filme “O piano” (1993), dirigido por Jane Campion (foto: reprodução)

 

 

Viveu uma única paixão, durante a faculdade, avassaladora e curta. Acabou junto à universidade.

Voltou para a cidade natal. Gostou de quem gostou dela e noivou.

Ela não precisava se preocupar com muita coisa, o futuro já estava pronto, junto ao pacote “noivo”. Seria esposa, mãe e professora. Estava tudo certo. Tudo mais do que certo. Até que ela notou que estava certo demais. Os amigos, a família, a igreja, todo mundo apoiava o relacionamento. Na certa, fora um grande alívio tê-la visto renunciar as loucuras da vida universitária. Se duvidar, até Deus concordava.

Deus. O fantasma do qual ela nunca abrira mão. Levava no pensamento pra onde fosse e como fosse, até mesmo quando bêbada, ou em transe, ou plenamente lúcida. Ela também não podia queixar-se de abandono, foi, mais do que ninguém, protegida “pelo além” enquanto praticava as maiores sandices durantes os quatro anos. Era Deus. Por certo, ele tinha uma preferência por ela, e ela por ele.

Estava tudo perfeito. Não parecia real. E ficou dias a fio pensando na realidade.

Prova do vestido. Vertigem. Desmaio. Falou bobagens — disse que era de plástico, que não era Barbie, que era hipócrita, muito hipócrita, que queria ser cantora, que era Maysa, Edith Piaf, Elis Regina, que era lésbica. As amigas, mãe e lojista olharam-se enquanto a abanavam… Ficou um silêncio de repente… Ninguém entendeu nada, mas depois da palavra “lésbica” finalmente pararam de dizer “calma querida” e tudo ficou calmo. Ficou tudo tão calmo que deve ter passado um anjo na hora, foi quando ela recobrou os sentidos.

Na casa dos pais, deparou-se com o noivo. Ele era perfeito — amigo, compreensivo e cauteloso. Farta de tanta perfeição, tentou achar defeitos nele, fez insinuações, perguntas sobre o passado e sobre o futuro, foi irritante. Tentou colocar ciúmes. Bebeu demais.

No dia seguinte não se viram.

Só na semana seguinte, quando a semana do casamento:

— Agora você já sabe que não sou tão santinha assim.

— Por quê? Porque você bebeu demais?

— É.

— Boba! Por que você não me contou que bebia?

— Antes da faculdade eu não bebia. Quando voltei pra casa não queria mais beber.

— E tomou um porre?

— É…

— Boba…

— É…

— Então você tem muitos segredos?

— Alguns. E você tem?

— Alguns.

— Não vai me contar?

— Só depois do casamento.

— Ah é? Por quê?

— Porque se não você não casa.

(risos)

— É tão grave assim?

— Pior do que tomar um porre nas vésperas do casamento.

— Nossa! Que medo! O que seria pior que isso?

— Muita coisa. Você não gostaria de saber.

— Tipo o quê?

— Tipo… do que você tem medo?

— De ficar sozinha.

— É mesmo? Tão bonita como você… ficar sozinha como?

— Não ficar sozinha no sentido de sem ninguém comigo, mas me sentir sozinha.

— Hum… entendi.

— Você se sente sozinha comigo?

Pela primeira durante todo o namoro tiveram a chance para serem sinceros. Não foram.

— Não.

— Ufa! Que alívio.

— E você? O que sente quando está comigo?

— Me sinto compreendido.

— Como assim?

— Compreendido mesmo, no sentido de entendido.

— Por que você sente isso?

— Porque você me enxerga como eu gostaria de ser.

— Perfeito.

— Isso mesmo.

— Mas às vezes eu gostaria que você não fosse tão bom, para eu me sentir menos culpada.

Foram embora abraçados, como dois amigos que não se viam há muito tempo. Ela sentia uma paz impagável, uma paz que não conhecia e que nunca desejara.

Dias depois essa paz desapareceu, era o dia do casamento. Estava nervosa, ansiosa, querendo que tudo passasse bem depressa. Pensava no ex-namorado, aquela paixão da faculdade, nunca se imaginou cansando de verdade com ele, e de fato, estava a casar-se com outro. Pensava naquela relação da época estudantil — tão intensa, tão sem futuro, tão pólvora e coração. Repetia para si mesma “nunca daria certo”, “era paixão, não era amor”, “não tinha a tranqüilidade e a paz que tenho agora”, “iria acabar independente da faculdade”, “não tinha futuro”.

Tudo pronto. Faltavam três horas para o “grande momento”. Estava em casa, maquiada, penteada e vestida. Tentava se distrair com a televisão. Ouvir música. Estava sozinha, a família no salão de beleza e o pai no salão de festas conferindo a chegada das bebidas e dos garçons.

A espera a agoniava… Quando, de repente, ouviu seu nome na voz do noivo, que chamava do lado de fora. O que seria?

Em poucos minutos, ele confessaria que estava inseguro, confessaria que embora a admirasse muito não estava certo de que a faria feliz. Ele declararia que desistira do casamento. Mesmo vestida de noiva, não hesitou em abrir a porta. E antes que ele pudesse dizer uma palavra sequer, ela chorou copiosamente, ao vê-lo. Abraçaram-se, beijaram-se, sentiram-se. E em silêncio, despediram-se. Perceberam-se cúmplices, afinal.

Tudo cancelado. Foi uma confusão dos diabos. O povo da igreja especulou até não poder mais, as famílias dos noivos não podiam acreditar. Foram histórias e mais histórias inventadas e passadas de convidado a convidado: “Ela deve estar grávida de outro, voltou da faculdade com a cabeça revirada”, “Me parece que ele nunca foi santo, tem um passado muito misterioso”, Ninguém sabe de que igreja ele veio, desceu aqui de paraquedas”, “A família dele é de outra cidade”, “Aposto que foi ela quem desistiu, que vexame”, “Esses jovens de hoje não querem nada com a vida não, olha o dinheirão jogado fora, disseram que só o vestido dela custou quatro mil reais”. Em poucos minutos o casal que era perfeito se tornou suspeito de muitas infrações e pecados. Esse povo de igreja não perdoa…

Dias depois do casamento que não aconteceu, ela viajou para se ver livre do falatório provinciano. E por acaso ou destino, reencontrou seu ex (o da faculdade), sua grande e única paixão:

— Que bom que você veio! Fiquei sem saber o que fazer quando soube que você ia se casar…

— Quem te contou?

— O pessoal da faculdade, um falou pra outro que falou pro outro… Eu vi no face…

— Sei…

— Pensei em impedir…

— Por quê?

— Porque eu acho um absurdo a gente ter deixado tudo morrer junto com a faculdade.

— A faculdade era tudo.

— A gente devia ter ido morar junto, tentar alguma coisa pra continuar perto um do outro… Você não acha? O que você acha? Por que você não se casou?

— Você acha que era amor o que rolava entre a gente?

— Acho. Sempre achei. A gente nunca falou em casamento, mas… Eu pensava que isso ia acontecer com a gente. Eu imaginava isso com você.

— E por que você foi embora?

— Por que você foi embora também?

— Porque não sabia o que fazer depois que a gente se formou.

— Pois é, mas agora eu sei, sei por você e sei por mim.

Eles ficaram juntos por dias, longe de casa, longe da família, longe do trabalho. Até que tiveram que voltar, cada um pra sua casa. Mas voltaram cheios de planos, estratégias para driblar a distância… Transferência de cidade… Viam-se todos os finais de semana e a relação engrenou. Faziam planos, lista de padrinhos, imaginavam os filhos, davam-lhes nomes. A casa estava pronta, os convites também. A família estava contente. Acabou o falatório na igreja. Todo mundo os respeitava por se tratar de uma linda e impressionante história de amor. Afinal, os anos passaram mas o sentimento resistiu e agora iria render frutos. Tudo perfeito! Futura esposa, mãe e professora. Foi quando ela percebeu que estava tudo perfeito demais.

Começou a questionar a própria profissão, a cidade para a qual se mudaria em poucos meses, o que o noivo teria feito no período pós formatura, se encontrara alguma amiga dela, com quem namorou, se teve caso com alguém conhecido… Ela fez um inferno às vésperas do casamento. Mas o noivo, paciente, resistiu e conseguiu acalmá-la. Mantiveram a data.

Chegou o tão esperado dia. Não estava nervosa, mas também não estava feliz. Não se preocupava mais em ser feliz a todo custo… Estava quase na hora. Mas precisava falar com o noivo! Não podia fazer isso sem antes conversar com ele! Queria que ele explicasse porque estava se casando com ela, que ele a desse um motivo, que ele a convencesse:

— Alô?

— Bernardo!

— Miriam?

— É! Sou eu! Preci…

— Não estou te ouvindo direito, a ligação está cortando.

— Preciso que venha aqui em casa!

— Miriam! Como assim? Estou a caminho da igreja.

— Preciso, Bernardo! Preciso muito! É vida ou morte!

— Sua vida e minha morte né? Miriam, se acalma! A gente esperou por isso! Vai dar tudo certo! Temos certeza!

— Preciso que venha aqui! Preciso te ver, falar com você!

— Te espero na igreja.

— Bernardo, eu não vou. Eu não posso ir. Eu não sei o que eu quero da minha vida.

— Mas eu sei. Você quer casar comigo, desde a faculdade.

— Bernardo…

A ligação caiu, ou ele desligou. Não se sabe. O que se sabe é que os sinos tocaram e a noiva não estava lá. Simplesmente não foi. Um inferno pra lá e pra cá. Aquele inferno. Uma tristeza para todos.

Miriam desapareceu.

Bernardo, quando recuperado, refez-se e deixou a raiva pra lá. Sentiu pena de Miriam, julgou-a covarde.

Os parentes mais desocupados deram início a um novo ciclo de fofocas e hipóteses maliciosas.

Miriam, por sua vez, finalmente entendeu que procurar-se é solitário e pela primeira vez na vida se via cheia de coragem para fazê-lo. Foi achar-se.

 

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Arnaldo e Pudim juntos à sucessão de Rosinha?

Ex-companheiros na chapa vencedora da eleição municipal de 2000, Arnaldo e Pudim conversam no Rio (montagem: L. Gomes)

Ex-companheiros na chapa vencedora da eleição municipal de 2000, Arnaldo e Pudim conversam no Rio (montagem: L. Gomes)

 

 

Na vida pública recente de Campos, ficou célebre a frase do deputado federal Paulo Feijó (PR): “Na política, só falta boi voar”. Hoje (25), talvez tenha faltado pouco. Por mais de cinco horas, entre às 14h e 19h, se reuniram no Rio de Janeiro o deputado estadual Geraldo Pudim (PMDB) e o ex-prefeito Arnaldo Vianna (PEN). O primeiro é pré-candidato a prefeito de Campos, o que o segundo também diz ser, embora nem ele mesmo tenha certeza (aqui) se terá condições jurídicas de disputar o pleito.

Embora nada de concreto tenha sido acordado entre os dois líderes políticos, as eleições municipais de Campos em outubro, a formação de suas chapas e coligações dominaram a pauta do debate:

— Do lado do PMDB, acho que o encontro se desenvolveu com muito pragmatismo. Do ponto de vista pessoal, foi também muito bom, porque podemos retomar contato, após alguns anos de afastamento. E Arnaldo é uma pessoa muito querida, não só para mim, como para a grande maioria dos campistas. Seu apoio mudaria o tabuleiro não só em Campos, mas também na política do Estado. Há possibilidade de coligação, mas nada ficou acordado. Vamos conversar até o final — disse Pudim, cuja convenção do PMDB está marcada para dia 29, na próxima sexta, um dia antes da convenção do PEN, dia 30.

Arnaldo e Pudim foram eleitos, respectivamente, prefeito e vice em 2000. Mas o marido e secretário da prefeita atual, Rosinha Garotinho (PR), nos tempos em que ele tinha cacife para se candidatar à presidência da República, rachou com Arnaldo em 2002 e forçou Pudim a fazer o mesmo.

Depois, um pouco antes da eleição municipal de 2004, na qual foi pela primeira vez candidato a prefeito, Pudim chegou a assumir, por decisão judicial, a cadeira de Arnaldo por um dia. Mas saiu no seguinte, pela mesma via, gerando uma das manchetes mais populares dos 38 anos da Folha, com base no slogan de campanha de quem acabaria perdendo aquela eleição no segundo turno: “Chegou Pudim, saiu Pudim”.

Apesar de insistir na sua pré-candidatura duvidosa pelo PEN, Arnaldo tem o filho Caio Vianna (PDT) liderando (aqui) as pesquisas de intenção de voto pela sucessão de Rosinha. No último sábado, dia 23, enquanto a convenção do PDT lançou (aqui) Caio candidato a prefeito com o vereador Gil Vianna (PSB) de vice, Arnaldo postou um vídeo (aqui) para tratar da sua ausência no evento, quando chegou a falar de “estelionato eleitoral”. O ex-vereador Marcos Bacellar (PDT) usou o mesmo termo para atacar o ex-prefeito, enquanto Caio preferiu contemporizar.

 

Leia a cobertura completa amanhã (26) na edição impressa da Folha

 

Atualização às 11h05 de 26/07: Segundo o jornalista Alexandre Bastos informou aqui, a aliança entre Pudim e Arnaldo passaria pela indicação da nova esposa deste, Edilene Silva, que é filiada ao PEN, como vice na chapa à Prefeitura de Campos encabeçada pelo deputado estadual do PMDB.

 

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Artigo do domingo — Os gays, os negros, as lágrimas e o menino português

Ocinei 19-07-16

 

 

Por Ocinei Trindade(*)

 

“Qual homossexual mataremos hoje? E se, de quebra,  a gente espancar e assassinar um negro também? Gays podemos perseguir e matar no Brasil, na Rússia ou em qualquer cidade de qualquer país do mundo. Já os negros, pode ser nos Estados Unidos mesmo, para não fugir tanto da rotina. Mas, quem quiser matar e perseguir preto e pobre no Brasil ou fora, também está valendo”. Há quem chore por estas barbaridades. Há quem não se importe. Há também os que se comovem com a voz embargada do deputado federal Eduardo Cunha ao renunciar o mandato de presidente do Congresso Nacional, queixando-se de perseguição e falta de compaixão para com sua família. Há quem morra de pena de Dilma Rousseff e chore por seu afastamento do governo da nação por “um crime que não é crime e que ela não cometeu”. Há quem prefira que eles se lasquem e apodreçam na cadeia. Abraçar bandidos, criminosos, corruptos ou derrotados alguém consegue? Consolar os que choram em tempos duros e desumanos soa quase impossível. Quase. Amor ainda há em meio à tanta maldade.

O noticiário de todo lugar do mundo costuma destacar as tragédias, catástrofes, acidentes, violências todas, crises políticas e econômicas, desgraceiras em geral (como se a vida fosse boa e perfeita para quase toda gente do planeta). Quando o inusitado ou aquilo que foge da rotina comum acontece, ganha-se uma repercussão às vezes surpreendente. Com tanta informação que passamos a consumir depois do advento da Internet, tenho a impressão que filtrar horrores está ficando cada vez mais difícil, pois quase tudo parece horrendo e abominável. Por uma morbidez qualquer, nós nos apegamos mais ao que é negativo e infernal do que aquilo que é bom, bonito ou agradável. Entre o pavor e a calmaria, há os que prefiram exercer seu lado abutre-morcego-urubu. Estamos tão envolvidos com carnificinas, roubos e corrupções, que quando alguém toma a iniciativa de abraçar uma pessoa, isto parece algo até merecedor de uma nota no jornal: “Menino português consola torcedor da França que perdeu a Eurocopa”, foi a manchete de destaque de vários sites de notícias mundo afora. Houve quem achasse a notícia totalmente banal e dispensável, perda de tempo. Será mesmo?

Ao ler a notícia, fiquei procurando descobrir a identidade do menino, mas ainda não consegui até escrever este texto (12/07). O vídeo do garotinho de dez anos confortando o torcedor francês que chorava a derrota de sua seleção para a equipe de Portugal ganhou a rede mundial de computadores e se espalhou. Fiquei comovido não só pela cena, mas porque alguém que trabalha nas mídias se sensibilizou com aquele gesto simples, puro e amável de uma criança que parecia estar disposta a não humilhar o derrotado, mas sim de ser solidário a ele. Fico intrigado por tanta gente se comover com algo que seria tão natural que é o abraço entre pessoas. O gesto do menino não deveria causar espanto, pois o ideal seria que todos os seres humanos, de qualquer nacionalidade ou classe social,  se tratassem com respeito e cordialidade. O portuguesinho teria dito ao rapaz francês: “Não fique assim, não chore, pois foi apenas um jogo”. Nas imagens, dá para ver a gentileza do nobre menino ao emitir poucas palavras ao perdedor, e também a gentileza e a nobreza do rapaz francês que acolhe o consolo do pequeno, retribuindo-o com um abraço afável e generoso entre adversários no futebol. Creio que anônimos amigáveis ou fraternos, todos, merecessem abraço, O menino português me fez lembrar o Menino Jesus de Alberto Caeiro, heterônimo do poeta português Fernando Pessoa. O sonho de um mundo melhor e infantil não é só poesia ou versos lusos. Gestos também transformam o mundo e os sentimentos vis. Abraçar o adversário ou o inimigo: quem o haverá?

Com tanta notícia ruim que nos deixa atônitos e impotentes, há que se filtrar aquela ou aquelas que precisamos descartar mesmo para não morrermos antes da hora (por infarto, depressão ou enlouquecimento, já que há muita coisa pesada para a gente administrar em termos de notícias). Todavia, há que se eleger fatos que nos agridem e que nos roubam a paz de espírito para podermos combatê-los. Não é possível que nos conformemos com corrupção na política e na sociedade, com assassinatos e mortes de inocentes, com intolerância racial, sexual, política ou religiosa. Há cinco anos, escrevi em meu blog (Ocinei Trindade escreve) um artigo o qual intitulei O mundo é gay, mas também é tristeApesar de datado, constatei ao relê-lo, que o assunto é atual em potencial, e que em meia década, em vez de evolução, tivemos retrocesso sobre os temas homossexualidade intolerância.

Faz poucos dias que as mídias sociais e a imprensa brasileira repercutem a cena de sexo (pioneira?) entre dois homens na televisão brasileira. Foi na novela Liberdade, Liberdade, da Rede Globo. Houve quem aplaudisse e se emocionasse, mas muitos torceram nariz, condenaram, xingaram e se enojaram dos atores Caio Blat e Ricardo Pereira, além da emissora e dos fãs que apoiaram a realização da cena homoafetiva na dramaturgia. Os comentários nas redes nos dão provas do que pensamos, sentimos ou somos. Fico matutando: se a vida imita a arte ou se a arte imita a vida, representação com cenas de beijo, amor e sexo até que ponto nos são úteis para refletir, mudar ou agir? Ou, quando o sexo e o amor encenados são descartáveis ou (in)dispensáveis para nossa excitação masturbatória ou admiração do belo? Nudez ainda é tabu. Sexo então nem se fala (apesar do sexo ser uma das práticas mais exercidas explícita ou veladamente, independentemente da cultura, raça, credo e de qualquer combate ou repressão que se queira fazer).  A Nova Idade Média nunca esteve tão bárbara e evidente nas questões sexuais e religiosas em pleno século XXI. Se pudéssemos retroceder à Antiguidade Grega em termos de democracia, filosofia, sexualidade, cidadania e política, haveria uma barbárie nazista ou neonazista a bloquear o túnel do tempo dos ideais e das utopias. O paraíso edênico, apesar da paisagem, não tem sido aqui (com concordâncias e discordâncias disto ou daquilo, tanto faz). As opiniões são bilhões na Internet, com ou sem argumentação, com achismos ou teses de doutorado fundadas. Não ter uma opinião ou posição bem definida sobre qualquer tema também pode ser um risco social e discriminatório, já pensou nisto?

No último dia 2 de julho, o estudante Diego Vieira Machado foi encontrado morto  no entorno do campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Há suspeitas do crime ter sido cometido por razões homofóbicas, pois existem relatos de perseguição ou ataques verbais e virtuais ao jovem universitário que era gay e negro. Extremistas de direita ou de esquerda têm ocupado os espaços destinados à educação e ao aperfeiçoamento do conhecimento e da ciência, mas a intolerância às diferenças vem promovendo cada vez mais rachas e ondas de ódio. Na Rússia de Vladimir Putin, onde homossexualidade pública é tratada como crime, o adolescente Sergei Casper, de 17 anos, foi morto em Moscou semana passada dentro da sala de aula. O jovem  foi amarrado e asfixiado com saco plástico pelos colegas de classe e diante da professora que nada fez para impedir o ato que acabou em morte. Disseram que seria apenas uma brincadeira para servir de lição para que o estudante gay se tornasse um “homem de verdade”.

Nos Estados Unidos, protestos voltaram a ocorrer por conta da morte de Philando Castile semana passada, em Minesotta. Ele foi morto a tiros por policiais brancos (até quando?), o que gerou uma onda de indignação por lá. Vídeos comprovam que houve excesso e abuso por parte dos “homens brancos da lei”. Curioso isso ainda acontecer depois de discursos e mortes de líderes e ativistas como Martin Luther King e Malcom X, e após Barack Obama, primeiro presidente negro a governar o país por quase oito anos. Estas coisas seguem em práticas frequentes, ganham destaque na imprensa, mas em vez de cessar, parecem alimentar ainda mais a tensão entre brancos e negros. No país mais rico e desenvolvido do planeta, também há muitas misérias humanas. É de chorar.

Em agosto, o mês olímpico, saberemos se Dilma Rousseff será afastada definitivamente da Presidência do Brasil, e se o deputado Eduardo Cunha perderá também o seu mandato. No país do foro privilegiado, resta saber quantas fases virão da Operação Lava-Jato para combater a corrupção e o roubo de dinheiro público, quantos ainda serão denunciados e presos, e quantos farão acordos de delação premiada. Para Cunha, que esboça reagir com choro suas prováveis derrotas de práticas criminosas para a justiça (divina?), fica o seu próprio bordão de palanque demagógico “o povo merece respeeeeito”. Para Dilma, talvez, reste pessoalmente alguma lição moral ou popular com seu provável impedimento por meio de um provérbio português: “quem se mistura com porcos, farelo come”. Provavelmente, eles chorem. Não sei se com a mesma dor que nos tem causado lágrimas diante da crise econômica, ética e moral no Brasil.

Aos corruptos, assassinos, racistas e homofóbicos russos, americanos, brasileiros e de toda parte, quem sabe, um abraço de um menininho português pudesse tocar o coração e a alma da gente. O rumo da história humana poderia ser outro se houvesse mais compaixão e afeto por parte de quem ganha e de quem perde, por aqueles que divergem nas opiniões. Bom seria se a vida não fosse um jogo de sobreviventes apenas, mas que pelo menos, a paz com que tanta gente sonha coubesse em um abraço.

 

(*) Jornalista e poeta

 

Publicado aqui, neste “Opiniões”, e hoje (24), na Folha da Manhã

 

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