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Debate da InterTV — Campos, seis homens e um destino: você, na urna

Ponto final

 

 

Rafael, Caio e Chicão

Realizado entre a noite de ontem e a madrugada de hoje, logo após a novela “Velho Chico”, se o debate da InterTV Planície fosse definir a eleição de daqui a dois dias, ela talvez não desse a nenhum dos seis candidatos a prefeito de Campos a liderança destacada que todas as pesquisas revelam estar polarizada entre Rafael Diniz (PPS) e Dr. Chicão (PR). O primeiro foi bem, é verdade, ficando na impressão geral ao lado de outro jovem: Caio Vianna (PDT). E se Chicão teve evolução desde o debate da Record, ainda mostrou dificuldades de oratória, realçadas pelos ataques vindos de todo lado, como próprio o governista chegou a se queixar.

 

Pudim, Nildo e Rogério

Quem também teve bom desempenho, mostrando sua evolução na articulação a partir das experiências como deputado estadual e federal, foi Geraldo Pudim (PMDB). Outro experiente parlamentar, mas na Câmara Municipal, Nildo Cardoso (DEM) atou seguro no seu estilo de liderança da Baixada, já bem conhecido do campista. Por sua vez, Rogério Matoso (PPL) foi, sem dúvida, o mais contundente, sobretudo nas críticas ao secretário de Governo Anthony Garotinho (PR) e seu candidato Chicão, lembrado pelo jovem ex-vereador da prisão da irmã, a ex-deputada Alcione Athayde, por denúncia de desvio no governo estadual Rosinha Garotinho.

 

Pegadinha

Um pouco antes, quem também armou uma armadilha para Chicão, que viralizou nas redes sociais, foi Nildo.  O experiente vereador perguntou o que o governista faria, se eleito prefeito, sobre uma lei complementar específica, a 140. Chicão não entendeu, caindo na mesma pegadinha da Cide, armada por Garotinho para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), num debate presidenciável de 2002. O rosáceo não soube responder, como o líder petista, mas não repetiu a advertência feita por quem seria depois dali eleito presidente: “Quem planta vento, Garotinho, colhe tempestade!”.

 

“Cavalo de Troia”

Quem também foi apertado foi Caio. Acusado lá atrás de ser um “Cavalo de Troia” do garotismo nessa eleição de 2016, Pudim lançou essa suspeita sobre o pedetista. Após assumir seu compromisso em estar no palanque de qualquer candidato da oposição num eventual segundo turno, Pudim perguntou diretamente a Caio se ele faria o mesmo. Embora, antes e depois tenha reafirmado no debate sua oposição aos Garotinho, o filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PMDB) preferiu ironizar o baixo percentual de intenções de voto de Pudim. E se esquivou de responder à dúvida que seguirá com o eleitor às urnas de 2 de outubro.

 

Chicão x Rafael

Evidenciada nas pesquisas, a polarização entre Rafael e Chicão marcou também o debate. Foram no total seis os cruzamentos diretos entre ambos, de perguntas e respostas, réplicas e tréplicas. E a novidade é que, desta vez, o governista também buscou o confronto. Ainda que tenha sido nele superado na fluidez do verbo, Chicão mostrou o tom mais agressivo que parece ter sido forçado a usar para enfrentar o que revelam os números das pesquisas. Chegou, inclusive, a atribuir a Rafael a ação de seis dos sete promotores eleitorais de Campos que suspendeu 18 mil Cheques Cidadão, denunciados por uso eleitoral ilegal.

 

Apostas

Chicão teve problemas claros com o tempo previamente acordado das falas. Chegou a ser o único dos seis a ser cortado antes de chegar a repetir ao eleitor, na vitrine da Globo, o seu número 22 nas considerações finais. Mas teve tempo de procurar mostrar sua crença numa vitória ainda no primeiro turno. Rafael confia na empolgação por vezes demasiada da sua oratória para vencer em quantos turnos forem necessários. Em sua inflexão bem treinada, Caio aposta num turno final só da oposição. Enquanto Pudim, Nildo e Rogério reafirmaram seu compromisso com a alternância de poder.

 

Desafio ao coronel

Exibido após a novela marcada pelo coronel Saruê, vilão centralizador, despótico e sem nenhum limite moral à manutenção do poder, o debate teve um sétimo personagem, mencionado sobretudo nas falas da oposição. E ninguém foi mais direto do que Matoso ao confrontá-lo: “Desafio o coronel Garotinho para um debate em sua rádio, mas olho a olho, como homem”.  Como na ficção da dramaturgia de Bendito Ruy Barbosa, difícil acreditar na coragem do personagem da vida real.

 

Publicado hoje (30) na Folha da Manhã

 

Feita em tempo real, confira aqui a impecável cobertura do debate no “Ponto de vista” do Christiano Abreu Barbosa

 

 

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TSE arquiva pedido de habeas corpus de secretária de Rosinha presa pela PF

TSE habeas corpus

 

 

Diferente do anunciado no início da manhã pelo grupo de comunicação do secretário de Governo Anthony Garotinho (PR), o ministro Luiz Fux, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), arquivou hoje mesmo o pedido de habeas corpus da secretária de Desenvolvimento Humano e Social de Campos, Ana Alice Ribeiro. Ela foi presa (aqui) na última sexta-feira (23) durante a operação “Vale Voto”, da Polícia Federal (PF), que investiga a troca do Cheque Cidadão por voto, naquilo que o Ministério Público Eleitoral (MPE) denunciou e classificou (aqui) como “escandaloso esquema”.

Juridicamente, um pedido habeas corpus só é arquivado de maneira tão célere, como foi o caso, quando se trata de defeito formal, ou supressão de instância. Na verdade, em relação à secretária da prefeita Rosinha Garotinho (PR), o TSE sequer conheceu o habeas corpus, por entender que não é neste momento a instância para julgá-lo.

Além de Ana Alice, também foi presa Gisele Koch, coordenadora do programa Cheque Cidadão. Aqui, o jornalista Arnaldo Neto foi o primeiro a consertar a “barriga” — notícia inverídica no jargão jornalístico — da divulgação da concessão habeas corpus, na verdade arquivado.

 

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Contra as ameaças eleitoral e da lei, estratégia rosácea é tudo ou nada

Ponto final

 

 

Suposto acordo

Tenham ou não feito o acordo por baixo dos panos que tanto se especulou nesta semana, o colamento das candidaturas de Dr. Chicão (PR) e Caio Vianna (PDT) passou a ser encarado como fato por muita gente. Se existe, pelo menos politicamente, pode ser péssimo para Caio, que se arrisca a macular ainda no berço uma carreira política promissora. Mas, na outra ponta do suposto acordo, seria encarado como última tentativa de quem ainda ambiciona eleger Chicão prefeito de Campos no primeiro turno.

 

A estratégia

A estratégia é relativamente simples: desidratar uma candidatura em terceiro lugar, patinando há meses numa dezena pontos percentuais de intenções de voto, distante dos dois nomes que polarizaram a eleição (Rafael Diniz e Chicão), mas à frente das outras três que parecem não ter decolado (Nildo Cardoso, Geraldo Pudim e Rogério Matoso). Sem outra candidatura relevante nas urnas de daqui a três dias, a partir de um esvaziamento de Caio, as duas que lideram aumentariam consequentemente as chances de definir a fatura no primeiro turno.

 

O risco

O problema reside no fato de que, utilizada para tentar dar a vitória antecipada a Chicão, sem necessidade do turno extra de 30 de outubro, a manobra pode se converter num tiro pela culatra, num triunfo consagrador de Rafael. Mas o temor do segundo turno entre os garotistas é tanto que já se admite: se Chicão não colocar 20 mil votos em 2 de outubro à frente de Rafael, as urnas suplementares de 28 dias depois seriam formalidade para passar o poder, após 28 anos, ao jovem neto de quem Anthony Garotinho destronou num hoje distante 1989.

 

Modus operandi

Para quem conhece o modus operandi do secretário municipal de Governo e principal cabo eleitoral de Chicão, não é novidade o emprego dessa tática extrema e arriscada quando acuado. Foi assim, por exemplo, na sua até hoje satirizada greve de fome de 11 dias. Era maio de 2006, quando Garotinho resolveu imitar Mahatma Ghandi (1869/1948) — com o perdão a todos os deuses hinduístas — para protestar contra o noticiário de doações irregulares da sua pré-campanha presidencial pelo PMDB. Ele não foi até o fim na greve de fome, como pediram os gaiatos, e sua candidatura a presidente jamais decolou.

 

Ameaça e “ameaça”

Agora, somada à ameaça eleitoral de Rafael, cuja candidatura se tornou uma onda espraiada muito além da “pedra”, os rosáceos enfrentam a “ameaça” do cumprimento da lei pela Justiça Eleitoral, Ministério Público Eleitoral (MPE) e Polícia Federal (PF) de uma cidade e um país que, depois da Lava Jato, não admitem mais determinados tipos de prática. Assim, o “escandaloso esquema” da troca de Cheque Cidadão por voto, denunciado pelo MPE com tutela de urgência acolhida e mantida pela Justiça, se estendeu também ao inquérito da PF — cujo delegado elogiado por Garotinho pela operação “Machadada”, na eleição municipal sanjoanense de 2012, aparentemente teve seu sigilo telefônico devassado publicamente num blog.

 

A decisão

Difícil dimensionar onde tudo isso vai acabar. Por enquanto, a estratégia governista à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) foi assim definida no inquérito da PF: “Vislumbra-se um verdadeiro loteamento da cidade, dividindo as áreas de residência de pessoas em situação de risco entre aliados políticos, a fim de que obtenham dividendos políticos a partir da concessão de benefícios sociais”. Por sorte, leitor, a decisão final será sua: na urna de domingo. E ninguém mais tem nada a ver com isso.

 

Publicado hoje (29) na Folha da Manhã

 

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Volta do “Fala, Garotinho”: “Dr. Paulo Cassiano, a mão de Deus é poderosa”

fala garotinho

 

 

Aqui, o blogueiro Ralfe Reis, sempre à frente na cobertura governista da eleição, foi o primeiro a divulgar a manifestação de vitória do secretário de Governo Anthony Garotinho (PR) sobre o fato da rádio do seu grupo de comunicação ter voltado ao ar, em decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) sobre o juízo da 75ª Zona Eleitoral (ZE) de Campos.

Sobre a volta do “Fala, Garotinho”, confira Garotinho aqui.

 

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Das pesquisas às coincidências — Dias sem cor de rosa aos rosáceos

Ponto final

 

 

 

Rosáceos sem dias cor de rosa

Depois do domingo e segunda com a divulgação de três pesquisas de institutos diferentes — Pro4, Città e Paraná — apontando a liderança do oposicionista Rafael Diniz (PPS) nas intenções de voto no primeiro turno, com a menor rejeição entre todos os seis candidatos a prefeito de Campos e o favoritismo em todas as projeções de um segundo turno mais inevitável a cada dia, nestes quatro que nos separam das urnas do primeiro, o dia de ontem também não amanheceu, nem se pôs rosa aos rosáceos.

 

PF em Campos e Uberlândia

Em relação ao “escandaloso esquema” denunciado por seis dos sete promotores eleitorais de Campos, dando conta da troca de Cheque Cidadão por voto na eleição municipal, que já havia sido condenada e suspensa pelo mesmo motivo no pleito goitacá de 2004, ontem as investigações se aprofundaram em mais uma etapa da operação “Vale Voto”, da Polícia Federal (PF). Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão, 13 em órgãos da Prefeitura de Campos e um em Uberlândia (MG) — coincidência, ou não, é onde fica a sede da empresa Trivale, responsável por administrar o Cheque Cidadão.

 

Prisão prorrogada

Do plano eleitoral, ao policial, ao jurídico, também ontem o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) negou os pedidos de habeas corpus da secretária de Desenvolvimento Humano e Social de Campos,  Alice Alvarenga, e de Gisele Koch Soares, coordenadora do Cheque Cidadão. Não apenas negou, como prorrogou por mais cinco dias as prisões temporárias das duas servidoras rosáceas. Neste caso, adiantou pouco que os pedidos de soltura tenham sido assinados pelo mesmo escritório que, em nome dos Garotinho, também tem perdido algumas representações eleitorais em Campos.

 

Fora do ar

Para completar o inferno astral rosáceo nesta reta final eleitoral, a rádio do grupo de comunicação do secretário municipal de Governo Anthony Garotinho (PR), criada para ampliar o alcance da sua metralhadora giratória verbal, foi mais uma vez tirada do ar, pelo juízo da 75ª Zona Eleitoral de Campos. Por conta dos conhecidos abusos verborrágicos contra quaisquer decisões judiciais e ações policiais desfavoráveis aos interesses rosáceos, a rádio já tinha sido tirada do ar nos últimos sábado e domingo. Voltou na segunda, se prestou a ecoar novamente a bílis do seu mandatário e ontem foi condenada a ficar fora do ar até o domingo da eleição.

 

Mais três dentro

Ontem também foi dia de mais três candidatos a vereador rosáceos serem incluídos como alvos de novas Ações de Investigação Judicial Eleitoral (Aijes) pelo Ministério Público Eleitoral, naquilo que chamou de  “escandaloso esquema”. Assim, Thiago Godoy (PR), Altamir Bárbara (SD) e André Ricardo (PRP) engrosssaram as, até agora, 37 ações contra candidatos a vereador governistas, pela denúncia do uso eleitoral ilícito do Cheque Cidadão.

 

Dobrada de ausências

Para completar o dia de ontem, quem nele ficou de fora não de uma lista indesejada, mas do debate na Uenf que se desejaria ver entre os seis candidatos a prefeito de Campos, foram Caio Vianna (PDT) e Dr. Chicão (PR). Na dobrada de ausências tão comentada nas redes sociais, Chicão alegou problemas vocais. Caio, por sua vez, problemas de agenda. A primeira alegação, na exigência verbal da campanha, pode ocorrer. Agora, posto que o Fórum Interinstitucional de Dirigentes do Ensino Superior de Campos (Fidesc) confirmou o debate de ontem desde o último dia 5, 22 dias antes, como ficaria essa agenda do jovem pedetista se ele fosse eleito?

 

Coincidência?

De qualquer maneira, o tempo que não teve para o debate, Caio achou depois dele, ainda na noite de ontem. Nas redes sociais disse ser oposição ao governo Rosinha e centrou fogo sobre o nome da oposição que as pesquisas mostram ser mais viável nas urnas contra o garotismo. Coincidência ou não, também na noite de ontem, um Garotinho sem rádio usou seu blog para fazer o mesmo contra a Justiça Eleitoral e a PF de Campos. Atacou também a Folha e depois enalteceu o comício da noite de segunda de Chicão, noticiado na capa de ontem deste jornal, que não mereceu uma mísera linha no jornal do seu grupo de comunicação.

 

Publicado hoje (28) na Folha da Manhã

 

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Caio e Chicão fazem dobrada de ausências no debate do Fidesc

Caio e Chicão, lado a lado ao final do debate da Record, no último domingo (foto de Rodrigo Silveira - Folha da Manhã)

Caio e Chicão, ao final do debate da Record, no último domingo (foto de Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

 

Não foi só Caio Vianna (PDT), conforme a Suzy Monteiro informou aqui, que alegou “rotina intensa de gravações” para desfalcar o debate entre os candidatos a prefeito de Campos, promovido agora pelo Fórum Interinstitucional de Dirigentes do Ensino Superior de Campos (Fidesc), marcado para começar às 18h, no Centro de Convenções da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). Alegando aqui “problemas de voz”, o candidato governista Dr. Chicão (PR) até agora também não compareceu ao evento, que começará o primeiro bloco com atraso e sem sua presença.

Confira o debate ao vivo aquiaqui, nos canais da Folha Online no Facebook e no YouTube.

 

Atualizado às 18h09 e 18h18 para checagem de informações

Atualização às 20h09: Por e-mail, a assessoria do candidato Dr. Chicão enviou nota para justificar sua ausência, que o blog republica abaixo:

 

Nota da assessoria

O candidato Doutor Chicão informa que não pôde comparecer ao debate desta terça-feira, no Centro de Convenções da Uenf, em função da dificuldade para falar. O candidato tem se esforçado para cumprir a extenuante agenda neste período de campanha eleitoral. No debate realizado pela TV Record neste domingo (25) ele já falava com dificuldades. Mesmo assim, por querer cumprir todos os compromissos de agenda, participou do grande comício na noite desta segunda-feira (26), no Centro, e ainda nesta terça-feira (27) tentou cumprir agenda de campanha em distritos do Norte de Campos. Este esforço contribuiu para agravar ainda mais as condições de suas cordas vocais. Diante da dificuldade na fala, Doutor Chicão determinou que sua assessoria informasse aos organizadores deste debate sobre a impossibilidade de sua participação.

 

Confira a cobertura completa do debate na edição de amanhã (28) da Folha

 

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Ocinei Trindade — Carta ou desabafo a todos os candidatos nas eleições municipais

Ocinei 27-09-16

 

 

Para começo de conversa, a imensa maioria que disputa cargos de prefeito e de vereador vai perder as eleições. E perderão feio. A derrota é certa, e a vitória, ilusória. E custa muito, muito caro. Por ambição cega ou teimosia infantil, delírio de fingidos ou repetições típicas de falsos profetas, muitos insistem e se aventuram nesta corrida quase desleal, porém democrática. É bom um país desfrutar de eleições livres, mas é péssimo contar com canalhas e mentirosos concorrendo e iludindo o eleitor. Boa parte dos candidatos não se importa nem um pouco com as causas sociais e problemas coletivos. Campos e o resto do Brasil contam com políticos assim. Até quando? Politicamente falando, Campos vai mal, dá até para rir do trágico e do vergonhoso, da cafonice e da estupidez, pois chorar pouco adianta. Pior quer rir ou chorar, é ser indiferente.

Instalar-se no poder e apropriar-se do dinheiro público para enriquecimento pessoal e perpetuação na carreira política são o fim de muitos. Ainda bem que Deus não vota, graças a Deus! A todos os candidatos, desejo leitura e releitura de Ezequiel, capítulo 7, o fim vem, o fim vem. Dizem que todo povo tem o governo que merece. Com o mundo em crise e a xenofobia em alta, ainda não me fiz merecedor de um governo alemão, suíço ou canadense, por exemplo. Os governos brasileiros em esferas nacional, estadual e municipal me devem muito. Afirmo e reafirmo que eu não os mereço. Entretanto, em uma democracia deve-se respeitar a vontade da maioria nas urnas. Se os políticos e aliados vão dar golpes na população e entre si, como foi o caso do PT e do PMDB, recentemente, aí, já são outros quinhentos. Ter direita e esquerda aliadas no Planalto e na política rasteira e oportunista que praticamos, soa esquisito para sempre. Em se tratando de Brasil histórico, mais exatamente 516 anos. O Brasil não pode parar. Sobretudo, Campos (hehehe, que piada). Vergonha de tudo por aqui nos últimos quarenta anos. Campos teima em viver no século XIX. O Brasil idem.

Nos últimos anos, desde as manifestações de rua de 2013, passei a observar que, além da indignação de muitos brasileiros sobre o sistema político nacional e dos governos, no jogo perverso das traições e inverdades que abastecem as práticas diárias dos políticos, o eleitor que ora se engana, ora gosta de se enganar, também passou a fazer uso dos mesmos hábitos e artifícios dos políticos: mentir. Dizer que vai votar em alguém e destinar o voto a outro candidato têm sido mais frequentes nos últimos tempos. Não posso afirmar que as pesquisas erraram em 2014 ao apontar Garotinho e Pezão disputando o segundo turno para governador do Rio de Janeiro, pois quem foi para a reta final foi Marcelo Crivella, o terceiro colocado então. Os institutos erraram nas pesquisas ou os sindicatos, associações, igrejas, militâncias e a população mais pobre que vive de bolsas disso ou cheques daquilo mudaram de ideia na última hora? Se mentira tem perna curta, na política as pernas em andamento e em cruzamentos superam as da Cláudia Raia e da Sharon Stone, e também se quebram feito a do Anderson Silva.

Outro dia, estive em um compromisso profissional em uma emissora de televisão local.  Uma prestadora de serviço da Prefeitura sem concurso público me fez uma confidência arriscada. Disse que não votaria no candidato da situação, pois havia uma grande insatisfação em seu setor de trabalho. Ela e muitos colegas seus eram obrigados a participar de campanhas, usar adesivos, ir a comícios, mas que ela mesmo não iria votar. Preferia outro candidato adversário e que este lhe dava alguma esperança sobre mudanças e melhorias pessoais. Ou seja, nosso umbigo segue sendo o mais importante.  Pensei comigo, eu poderia julgar e condenar essa mulher por sua desonestidade e mentira. Por outro lado, ela se via refém de uma política do toma lá. dá cá, muito comum no Brasil. Nossa senhora das urnas e dos lava-jatos, isso acabará um dia?

Quando não se dá tudo que almeja entre as partes interessadas na política, basta lembrar de Dilma Rousseff e seu fim de carreira. Culpada ou inocente, seu julgamento foi além do Congresso Nacional. Não serve de exemplo para nada, mas fica no ar para mim a dúvida de quem pode julgar e condenar um mau político, além do eleitor (que também é bem ruim) que costuma ser desatento e desinteressado em coisas que não o beneficiam direta e pessoalmente. A Lei de Gerson de se levar vantagem em tudo segue imperando. Somos um povo com qualidades, mas com defeitos vexatórios. Todavia, muitos políticos que abusaram do poder têm caído como o agora ex-deputado Eduardo Cunha. Outros cairão, dizem. O juiz Sérgio Moro e vários procuradores do MPF e a opinião pública têm colaborado para isso. A presidente do Supremo Tribunal Federal, Carmen Lúcia, expressou em seu discurso de posse um recado claro aos nossos governantes e parlamentares. Em outra ocasião, em pronunciamento sobre a censura das biografias, ela foi categórica: “Cala a boca já morreu”. O eleitor também age assim e as redes sociais digitais ajudam a infernizar e a desconstruir candidatos e maus políticos com críticas e denúncias (infundadas ou não). Abusivas? Às vezes, sim.

Na política e na vida nem todos ganham. Parece injusto pouquíssimos terem tanto e a maioria ter sobras e esmolas ou nada. Esses restos se manifestam na saúde, na educação e na segurança pública, eu destacaria. Elegemos políticos para solucionarem o básico e o trivial, mas o país registra descaso e incompetência de norte a sul, de leste a oeste. São décadas de falhas e promessas não cumpridas. Campos registra uma série de obras nos últimos oito anos do governo Rosinha Garotinho. Ao meu ver, várias delas de qualidade e preço duvidosos ou suspeitos. Entretanto, as contas da prefeita são aprovadas pela Câmara Municipal e Tribunal de Contas do Estado até aqui. Se houver algo de irregular, dispensemos convicções e apresentemos provas. Lula que o diga! A população se queixa de falta de medicamentos e estrutura nos hospitais e postos de saúde de qualidade (foi inaugurado um maravilhoso no Parque Imperial às vésperas das eleições, mas não sei se funciona); de escolas de ensino ruim e falta de professores; de buracos e vazamentos de esgoto aqui e ali (O canal Campos-Macaé maquiadíssimo no Centro da cidade é um exemplo), transporte público deficiente, entre outras reclamações. Porém, ah, porém, há um caso diferente ao criticar governo aqui. Leva-se a questão para o caso pessoal, para a antipatia e a vingança que vem cedo ou tarde. Não se pode falar mal de políticos, pois é arriscado. Mas, assim como Diogo Mainardi se diverte criticando poderosos, nós todos em uma mídia social também podemos fazê-lo. Só que os riscos são os mesmos. Para que serve uma crítica? Fazer diferente e melhor poderia ser a resposta. Como compuseram Roberto e Erasmo, “eles estão surdos”.

Há quase 20 anos, perdi um amigo que tinha acabado de se eleger vereador em Campos. Em 1997, Sergio Luis Paes da Silva, o Lilico, foi assassinado pelo suplente que não se conformara com a derrota. Este foi condenado pela Justiça e cumpriu sua sentença, vivendo hoje em liberdade. Conheci bastante os bastidores da política em Campos, e nos bastidores políticos de qualquer lugar do país e do mundo, a verdade nem sempre é agradável, nem sempre é publicada e exposta nos jornais. Vez por outra ou quase sempre, escândalos envolvendo políticos recheiam páginas de periódicos e sites de notícias. Na História do Brasil, há os que renunciam e se matam como Jânio Quadros e Getúlio Vargas, respectivamente. Há os que são assassinados como o prefeito paulista de Santo André, Celso Daniel do PT. Há os que pagam caro por saberem demais e quererem medir forças com outras elites como os deputados Roberto Jefferson e Eduardo Cunha, mais recentemente. Há os envolvidos em ligações perigosas e suspeitas como os políticos da Baixada Fluminense, onde desde 2015, catorze candidatos e políticos morreram assassinados. Seriam mártires ou bandidos? Não sei bem onde o Brasil vai dar, mas dizem que para tudo tem solução, menos para a morte. E algo que me entristece é saber que estamos morrendo sem dignidade.

Desprezo o envolvimento de religiosos na política. Acredito que não se pode misturar Igreja e Estado como no passado. Condeno as práticas espúrias e ilícitas de membros e líderes das igrejas cristãs ao se associarem a políticos profissionais que se espalharam pelo país como uma rede mafiosa, distribuída em quadrilhas, que saqueiam o dinheiro público sem dó, nem piedade. Muitos realizam obras superfaturadas, insistem em inchar as folhas de pagamento com prestadores de serviços que são cabos eleitorais, dispensando concurso público para o funcionalismo, por exemplo.  O filósofo Mangabeira Unger considera que o o moralismo não combate corrupção, mas a falta de moral absoluta só nos denuncia a cada dia e nos afunda em buracos que Rosinha, nem Francisco Dornelles, nem Temer jamais conseguirão tapar. Parece não haver mais tempo ou dinheiro.

Dizem que, quem não se associa ao sistema perverso de poder, dificilmente sobrevive na política ou se reelege. Será mesmo? Tenho dúvidas ainda, apesar de ter conhecido de perto e intimamente um político assassinado. Não sei como seria seu futuro como vereador, se faria uma carreira longa, honesta e vitoriosa. Perdeu para a morte e para a ambição de um sistema cruel e confuso, genuinamente brasileiro que gosta de matar. Mata o município, mata o estado do Rio de Janeiro e mata o Brasil. As pessoas morrem de um modo ou de outro quando preferem serem cegas, surdas e mudas. Votar só não basta. É preciso reação e revolução. Como fazer isto se há uma população refém de criminosos de todo tipo e se as instituições se corrompem? Apesar da queda do preço do barril do petróleo e do esfacelamento da Petrobras, Campos ainda é uma cidade bilionária só em royalties. “Quem quer dinheiro?”, pergunta o apresentador genial Silvio Santos. Nem o Papa, Dalai Lama ou Santa Madre Tereza de Calcutá rejeitariam. Imaginem os nossos políticos.

Aos que serão eleitos: bom seria se o prefeito honrasse seu mandato, cumprisse suas obrigações de governar e gastar o dinheiro que é de todos em coisas úteis como escolas, hospitais, transporte público e segurança, por exemplo. Bom seria se o novo prefeito não visasse reeleição ou planejasse disputar uma outra função para a Assembleia Legislativa e outros cargos daqui a dois anos.  Bom seria se os vereadores de oposição ou não, zelassem pela fiscalização das contas públicas e as ações do prefeito sem barganhas e troca de favores. Bom seria se os juízes e os promotores de justiça cumprissem seu papel de não deixar que vereadores e prefeitos, deputados, senadores e governadores, além do presidente do Brasil, agissem de má-fé com a causa e as coisas que pertencem à população, dinheiro principalmente. Bom seria se as pessoas não votassem em bandidos e em mentirosos; que não se vendessem e que não permitissem que a cidade e o país onde vivem se transformassem em uma terra sem lei, sem esperança e sem justiça social. Bom seria se as riquezas e as oportunidades para ser feliz no Brasil estivessem ao alcance de todos. Ingenuidade de Poliana? Utopia também tem limites, mas “sonhar mais um sonho impossível, lutar quando é fácil ceder… é minha lei, é minha questão virar esse mundo, cravar esse chão”, canta Maria Bethânia a versão de Chico Buarque e Ruy Guerra. Sou mais um ficcionista que planta e colhe esperanças e desilusões.

Ainda não decidi em quem votar. É uma escolha difícil com tantos candidatos ruins ou suspeitos. Só na cidade do Rio de Janeiro, pesquisas revelam que 40% dos eleitores podem mudar seu voto para prefeito nos próximos dias ou na última hora.  Em Campos, o desespero e a desesperança me paralisam. Sinto uma certa nostalgia da juventude quando Anthony Garotinho se elegeu um prefeito genial e revolucionário que combatia o atraso e o ranço reacionário do eterno Zezé Barbosa, símbolo do coronelismo político que fazia questão de colocar seu nome em banco de praça, investindo em marketing pessoal e onipresença, ou quando mandava arrancar calçamento de rua após perder eleição. Garotinho não é mais jovem e alguns o associam ao antigo rival Zezé Barbosa. Acho irônico e curioso ver décadas depois, um jovem candidato (neto do político conservador e filho de um político progressista) disputar eleição com o mesmo discurso de Garotinho no passado: combater o velho e o arcaico com juventude e inovação. Há algo de promissor ter três jovens disputando eleição para prefeito com três outros candidatos que já são associados ao velho e ao ultrapassado. (Nada contra velhos, que fique bem claro). Campos e o Brasil carecem de lideranças novas e de frescor para respirar. O problema é o discurso demagógico que ainda se sustenta aqui ou nos Estados Unidos (Donald Trump e Hillary Clinton até parecem que concorrem à Prefeitura de Campos).

Admiro muito a inteligência, liderança e capacidade política do atual secretário municipal de Governo. Ele e Rosinha estão (ainda) entre as expressões políticas brasileiras que se destacam,  seja para o bem, seja para o mal. Causam frisson por onde passam (o jornalista Vitor Menezes escreveu uma vez sobre o efeito de celebridade do casal sobre a população, seja para o bem e para o mal, acredito eu), são ex-governadores de um estado importante como o Rio de Janeiro e isto não é pouca coisa, trata-se de um feito histórico. Há acertos e conquistas nos seus currículos, mas também erros e alianças (quase) imperdoáveis. O apetite dos animais políticos parece não ter fim. Porém, não esqueçamos de Ezequiel:7.

Se o casal Garotinho nascesse na Argentina, creio, poderia ser até presidente da República, assim feito os Kirshner. Se vivessem nos EUA, quem sabe, como os Clinton, Rosinha estaria concorrendo à presidência com Trump este ano, depois de Garotinho ter governado a maior economia do mundo por oito anos (hihihi). Se estivessem no Líbano, país de onde descendem, poderiam ser presidentes (lá, há mais de um ano o país está sem chefe de Estado, fica a dica) e até mudar os rumos do Oriente Médio e do Estado Islâmico (haha ha). Talvez, ainda, segundo Edir Macedo, líder da Igreja Universal, que revela em seu livro O Bispo, se Garotinho não fosse com tanta sede ao pote, até poderia ser presidente do Brasil (ele disputou em 2002 pelo PSB, foi o terceiro mais votado com bom desempenho, e depois, já no PMDB, brigou para que o partido tivesse candidatura própria, mas Michel Temer tinha outros planos). Há tantas denúncias e processos contra o casal que sua popularidade oscila, inimigos políticos brotam, mas eles seguem resistindo no cenário político. Os sucessores que Garotinho ajudou a eleger direta ou indiretamente, costumam sempre se rebelar e se tornam opositores (Sérgio Mendes, Arnaldo Vianna, Carlos Alberto Campista, Alexandre Mocaiber, Geraldo Pudim, Roberto Henriques, Fernando Leite, o irmão Nelson Nahim, Sérgio Cabral e por aí vai…).  Lembro de uma convenção do PDT municipal à época em que Sérgio Mendes já rompido e de cara amarrada com Garotinho, seu antecessor na Prefeitura, continuou sério e contrariado ao assistir nosso ex-governador conclamando os militantes a cantar um hino gospel cujo refrão dizia “vai dar tudo certo, vai dar tudo certo”. O escritor mineiro Fernando Sabino diz que “No fim, tudo dá certo. Se ainda não deu, é porque ainda não é o fim”. Contudo, há também a profecia de Ezequiel:7, meditemos.

Dizem que, na política, não se tem amigos ou inimigos, mas aliados e adversários. Pessoalmente, creio que há muitas queixas sobre Garotinho, mas ainda não apareceu alguém tão obstinado e carismático (o que angustia aos que o admiram e o invejam). Se não se consegue derrotá-lo, alguns tentam imitá-lo (mas a emenda fica pior que o soneto), gozam quando ele perde eleição, depois seus oponentes não se saciam e nos saqueiam ainda mais, pois gozar ou se reeleger é preciso.  É urgente e vital estar no poder, pois fora do poder é broxante (Lula que o diga!), acreditam. Mas, nesse jogo teatral da política que vai além de nossa capacidade, ainda se depende de voto para exercer o poder. A Constituição Brasileira afirma que todo o poder emana do povo. E agora, eleitor?

O voto é praticamente o único momento em que os cidadãos de bem (e não os “cidadões e cidadonas” mal-educados e desprezados pelos governos deste país) exercem o poder. O eleitor se desilude pouco tempo depois, mas ainda assim continua a acreditar nos discursos políticos. Estes adoram se aproveitar da memória fraca e da desinformação quase geral da população, retornam às campanhas eleitorais de dois em dois anos, mesmo envolvidos em escândalos e denúncias na justiça. E, sendo políticos que são, segundo Lula, a classe mais honesta deste país, como afirmou em discurso recente após ter sido denunciado formalmente na Operação Lava-Jato, pedir voto é preciso e isto não tem nada de desonesto. Às vezes, Leonel Brizola faz falta, principalmente nos comentários da política acirrada e tragicômica que temos; ou como garoto-propaganda, aparecendo no comercial de sapatos da Vulcabras (lembram?) maravilhoso. Ah, que saudades das implicâncias do Brizola e de seu pupilo pródigo que partiu, e que se for bom filho, à casa tornará.  Mas, Brizola está morto e sua casa não mais existe, feliz ou infelizmente, não sei bem certo. O filho-pupilo se perdeu. O dramaturgo Nelson Rodrigues tem várias frases célebres como esta: “Jovens, envelheçam”. Eu, se fosse genial como ele, seria mais contundente quanto aos jovens políticos e diria: “Jovens, não envelheçam”.  Renovar e renascer são alguns dos fins desta jornada. Boa sorte e boas eleições a todos.

 

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Com menor rejeição, Rafael lidera 1º e 2º turnos — Só Carolina não viu

Ponto final

 

 

Líder no 1º e 2º turnos

Foram divulgadas no último domingo (25) e ontem (26) quatro novas pesquisas sobre a sucessão a disputa da Prefeitura de Campos. Em três delas, Rafael Diniz aparece na frente não só nas intenções de votos estimuladas e espontâneas para as urnas de 2 de outubro, de daqui a cinco dias, como também em todas as projeções feitas contra seus adversários no segundo turno de 30 de outubro.

 

Estimulada e espontânea

Na estimulada, Rafael hoje lidera a corrida pela sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) com 37,7% (Pro4), 37,8% (Paraná) e 35,1% (Città). E a dianteira do jovem candidato do PPS se reproduz nas consultas espontâneas de dois desses três institutos: 27,7% no Pro4 e 32,7% no Città. Trabalhando por encomenda da TV Record, da qual o vereador e apresentador Alexandre Tadeu (PRB) não pode ser candidato a prefeito de Campos, por desejo do secretário municipal de Governo Anthony Garotinho (PR), apenas o Paraná registrou liderança de Chicão na espontânea: 26,3%.

 

Record omite e Folha mostra

Por motivos que não revelou, a Record de Campos também optou por não dar ao conhecimento do público os índices de rejeição aferidos pela última pesquisa que encomendou. A omissão é desfeita por esta coluna, na qual você, leitor, agora pode saber que, pelo instituto Paraná, o líder na rejeição é Dr. Chicão (PR), com 36,8%; seguido de Geraldo Pudim (PMDB), com 33,5%; de Nildo Cardoso (DEM), com 19,7%; Rogério Matoso (PPL), com 16,1%; Caio Vianna (13,3%) e Rafael, com apenas 9,9%.

 

Rejeição ao nível do mar

Índice importante para a conquista dos eleitores indecisos no primeiro turno e fundamental para determinar a vitória no segundo, a rejeição não é bem menor para Rafael só pelos números da pesquisa Paraná, que a Record quis divulgar seletivamente. Pela Pro4, a rejeição dos seis candidatos foi: Chicão (34,3%), Pudim (21,4%), Caio (5,3%), Nildo (5,1%), Matoso (4,2%) e Rafael (3,9%). E mesmo que o Città tenha registrado Rogério Matoso (2,5%) com a menor rejeição, não Rafael Diniz (4,5%), o empate técnico entre ambos está bem aquém da margem de erro no índice negativo mais uma vez liderado por Chicão: 35,4%.

 

À frente no 2º turno

Líder nas intenções de voto e com uma rejeição impressionantemente baixa, na medição de três institutos, é até natural que Rafael seja o favorito para vencer um segundo turno que hoje parece inevitável. Pelo Pro4, ele venceria tanto a Chicão (46,3% a 33,6%), quanto Caio (47,2% a 24,3%). Pelo Paraná, a simulação foi única: Rafael 47,1% x 41% Chicão. Já pelo Cittá, a vitória de Rafael no segundo turno se repetiria por margens ainda mais largas, em duas opções: 54,8% a 35,3% contra Chicão, ou 56% a 28,8%, diante de Caio.

 

Cronologia

A consulta do Cittá foi realizada em 18 e 19 de setembro, com 800 pessoas e uma margem de erro de 3,5 pontos percentuais para mais ou menos. Dois dias depois, em 21 de setembro, foi iniciada a pesquisa Paraná, concluída ontem (25), na qual foram ouvidas 720 pessoas, com margem de erro de 4 pontos. Por último, saiu a campo o Pro4, entre os dias 23 e 24. Foi a pesquisa que ouviu mais pessoas, 1.500 das sete Zonas Eleitorais (ZEs), com consequente menor margem de erro: 3,3 pontos. Ademais, foi a única fruto de uma série histórica de quatro pesquisas, iniciada em junho, sobre a disputa da Prefeitura de Campos em 2016.

 

Só Carolina não viu

Por institutos e metodologias diferentes, divulgados em veículos de mídia distintos, a parceria Pro4/Folha, Paraná/Record e Città/Terceira Via revelaram a mesma realidade: a cinco dias das urnas, Rafael Diniz lidera as intenvenções de voto, tem a menor rejeição e as melhores chances de vitória no segundo turno. Querer contestar isso com dados incompletos, sem rejeição ou projeção de segundo turno, por um instituto nascido do garotismo, divulgado no grupo de comunicação de Garotinho, com uma pesquisa velha, feita entre 14 e 17 deste mês, na melhor das hipóteses serve para ecoar Chico Buarque: “O tempo passou na janela/ Só Carolina não viu”.

 

Publicado hoje (27) na Folha da Manhã

 

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Artigo do domingo — O papel de sua excelência, o eleitor

 

Sua excelência, o eleitor

 

 

Por Fernando Leite (*)

 

Homens e mulheres de bem deste município, o que se configura é um cenário eleitoral beligerante, como nunca visto, em Campos. Mais radical e mais violento que o pleito de 2004, o ano que nunca acabou. Os discursos são raivosos e há uma tentativa de cingir a cidade entre pobres e ricos, justamente para amedrontar a classe média, que diante do quadro de agressões verbais e da despudorada e criminosa compra de votos, optaria pela segurança de sua casa e deixaria o campo livre para os manjados impostores, àqueles que batem a nossa carteira e gritam “pega ladrão”.

A intenção deliberada de desarrumar o pleito guarda o condão de manter na arena da disputa política, apenas, os inciados e os de sempre, àqueles que têm interesses inconfessáveis. Os que, de alguma maneira, têm vínculos com o mundo político. O plano, no entanto, esbarra no alvorecer de um tempo novo no Brasil, que acabou de passar por um impeachment de sua presidente e assiste, estupefato, a jornada cívica da Operação Lava Jato que levou para a cadeia, politicos de tradição quatrocentona, capitães da indústria e os sobrenomes mais influentes do grand monde.

Por isso, há a esperança que não passarão! A sociedade de Campos não se deixará enganar com argumentos tão toscos, com mentiras tão mal contadas, com a arrogância dos que se acham acima das leis e que estão dispostos a dar um braço, se necessário, para não perder a eleição. Esse tempo é pretérito. “O tempo passou na janela, e só Carolina não viu”, como diria o velho Chico.

O mais surpreendente é que a safra de candidatos a prefeito do município é uma das melhores dos últimos tempos. Homens honrados, com históricos respeitáveis e prontos, creio, para uma tarefa hercúlea. Longe, muito longe de disputarem o Nirvana, os candidatos competem para ver quem assumirá o controle de um boeing em chamas. A gestão futura exigirá sangue de cirurgião e destreza de espadachim. O município que espera pelo próximo gestor, está com o orçamento espremido e com uma demanda larga e caudalosa.

Será necessário cortar fundo na carne, adequar projetos diversos, equilibrar o custeio crescente e pagar os controvertidos empréstimos. Seja quem for o ungido pelas urnas. Quem emergir da batalha do voto não terá tempo a perder. Antes mesmo da posse pesará sobre seus ombros o destino de um município de história robusta e finanças em decadência, com a curva descendente da receita dos royalties do petróleo. O novo prefeito, mesmo que queira, não conseguirá governar do palanque, prática comum nos ultimos 8 anos. O tempo é outro.

Quanto aos eleitores, senhores do processo eleitoral, protagonistas da história, cabe assumir seu papel. Não é hora de covardia. Não é hora de omissão — dizem que há no inferno uma caldeira mais quente que as outras, para os omissos — chegou a hora dos eleitores tomarem o processo na mão e fazerem valer sua soberana vontade. Não se pode permitir que qualquer projeto personalista interfira no rito de escolha daquele que será o fiel depositário da confiança da população.

Campos dos Goytacazes espera isso de nós!

 

(*) Jornalista, poeta e blogueiro

 

Publicado hoje (25) na Folha da Manhã

 

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Quem vota em Chicão não rejeita Rafael. Quem ecoa Linda Mara?

Ponto final

 

 

Única série de pesquisas

Ainda que outras pesquisas possam ser divulgadas nestes sete dias que separam o eleitor das urnas de 2 de outubro, nenhuma será fruto de uma medição constante feita desde junho, como as quatro feitas pelos instituto Pro4, todas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), encomendadas e divulgadas integralmente pela Folha da Manhã. A última delas, ainda quente do forno, você, leitor, pode conhecer (aqui) em detalhes na manchete de capa e na página seguinte desta edição.

 

Novidade: Rafael líder

Se as três consultas Pro4 anteriores — feitas (aqui) nos dias 8, 9 e 10 de junho, (aqui) no dia 6 de agosto e (aqui) nos dias 2 e 3 de setembro — tiveram como base 620 eleitores das sete Zonas Eleitorais (ZEs) de Campos, a última avançou sobre um universo de 1.500 entrevistas. E, ao diminuir sua margem de erro para 3,3 pontos percentuais, a pesquisa feita ainda ontem (24) e anteontem (23) foi a primeira do instituto a colocar Rafael Diniz (PPS) na dianteira das intenções de voto à sucessão da Prefeita Rosinha Garotinho (PR).

 

Na margem e além dela

Em empate técnico com o governista Dr. Chicão (PR), Rafael liderou tanto a consulta estimulada (37,7% contra 33,1%), quanto a espontânea (29,9% a 27,7%). Mas essa liderança do candidato do PPS saltou bem além da margem de erro na projeção do segundo turno: 46,3% contra 33,6 — o que significa 12,7 pontos percentuais de vantagem nas urnas cada vez iminentes de 30 de outubro.

 

Crescimentos desiguais

Comparadas as duas pesquisas estimuladas do Pro 4 feitas neste mês de setembro, Rafael saltou de 24,2% para 37,7% (13,57 pontos percentuais) numa diferença de apenas 20 dias, período no qual Chicão cresceu mais timidamente: de 29,8% para 33,1% (3,3 pontos, mais de 10 pontos a menos). Se é inegável que Rafael vem atropelando nesta reta final, isso pode ser explicado por outro índice, considerado ainda mais importante no segundo turno: a rejeição.

 

O normal e o estranho

Com um nível de ataques irracional, sobretudo por parte de governistas encurralados pela possibilidade da perda do poder e das prisões (aqui) de integrantes do governo Rosinha pela Polícia Federal (PF), a polarização da eleição é normal. Estranho, quase inédito, é que, ainda assim, Chicão possa ter 33,1% de intenções de voto, enquanto Rafael ostenta só 3,9% de rejeição. O normal seria a paridade cruzada dos índices, observada entre os 37,7% de intenções de voto em Rafael e os 34,3% de rejeição de Chicão. Quem vota em Rafael, não vota em Chicão. Mas quem declara vota neste, não diz ser incapaz de fazê-lo em seu principal adversário.

 

O terceiro

Terceiro colocado nas intenções de voto da pesquisa Pro4 mais recente, que chegou a liderar em junho, Caio Vianna (PDT) também integrou as projeções de segundo turno, na qual perderia de muito para Rafael (24,2% a 47,2%), e ganharia em empate técnico de Chicão (34% a 32,4%). Mas, sangrado publicamente pelas críticas do pai Arnaldo Vianna (PMDB), que preferiu apoiar o candidato Geraldo Pudim (PMDB), o filho único do ex-prefeito parece não estar reagido bem ao derretimento de uma candidatura que há três meses parecia ter chance de vitória.

 

É o caso?

Ontem, na InterTV Planície, Caio disse (aqui): “Nós vamos nas comunidades apresentar que o candidato dos ricos está cometendo um ato de interromper o Cheque Cidadão e o alimento daqueles que mais necessitam”. Para além da hipocrisia de alguém privilegiado sócio-economicamente desde que nasceu, se o candidato não sabe que partiu do Ministério Público Eleitoral (MPE) a iniciativa de suspender, em decisão da Justiça, o benefício do governo Rosinha só àqueles inscritos por razão eleitoral, precisa aprender a ler melhor uma ação judicial, ou seu noticiário na mídia. A não ser, claro, que o caso seja apenas ecoar (aqui) Linda Mara.

 

Publicado hoje (25) na Folha da Manhã

 

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